As criaturas

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O presidente do agrupamento de escolas de Leiria, Esperança Barcelos, esclareceu, o Público, que um professor crítico da política do governo pode ter uma boa nota, “desde que não crie instabilidade nos colegas e que nos órgãos próprios manifeste a sua opinião”. Estamos esclarecidos. Um professor pode não concordar com o governo, desde que esteja calado ou manifeste a sua opinião nos sítios próprios. De preferência, no remanso do lar, baixinho, sem que a família o oiça.

Não duvido que as intenções da ministra e de Sócrates sejam boas, e que estejam sinceramente convencidos da bondade da sua política. Mas não lhes faz pensar uma acção governativa que faz nascer tais profissões de fé? Não os assusta a multiplicação de gentalha que denuncia directores de centro de saúde, por não castigarem pessoas da oposição que colocam fotocópias de declarações escandalosas de ministros, presidentes de agrupamentos de escola que acham normal castigar professores que não concordam publicamente com a política do governo? Que raio de democracia pretendem melhorar, permitindo que à sua ilharga se multipliquem este tipo de comportamentos e bufarias?

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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