“Yes, we can!” *

Na conjugação destas três simples palavras encontramos a alma Americana. O “yes, we can!” presume a existência de um limite que será transposto pela via da vontade. Foi na transgressão revolucionária dos limites impostos pela hegemonia imperial Britânica que a América encontrou a sua identidade, o sentido do seu ser e do seu devir. A crença no poder transformativo da vontade humana é um dos mais importantes aspectos da cultura política Americana, um aspecto que transcende os particularismos ideológicos e as fissuras que deles advêm. Todas as correntes da cultura política Americana interiorizaram esta pertença ao futuro como facto primordial. A pertença ao futuro não assenta na negação cega e dogmática do passado mas na aceitação da evidencia que o passado é, mais do que um mero legado de gerações passadas, um futuro que foi arduamente conquistado e formado pela vontade humana. Interpretar a história de outra forma é um horrendo acto de renúncia, de abandono, de sujeição. Nos EUA, a vivência do passado é impregnada pela convicção de que a história não é apenas um conjunto de diktaks e de práticas a que estamos sujeitos. Não, é mais do que isto. É uma celebração da criatividade. O que se celebra não é a história em si mas a criação da história pela vontade. A memória da capacidade criadora é hoje invocada por todos os candidatos à Presidência dos EUA. O candidato que melhor a representa é, a meu ver, Obama.(por razões complexas que não interessa considerar aqui, por agora) É interessante notar que muitos conservadores americanos respeitam o senador democrata do Illinois. Porquê? Porque Obama fez-se ultrapassando limites pela força da vontade. Obama, no psique colectivo Americano, é um Founding Father. Quando esta evocação histórica é aliada a um programa credível de mudança (que ainda não foi detalhado por razões que se prendem com os cálculos da sua estratégia eleitoral), tudo é possível.

* texto inicialmente publicado no www.ilhas.blogspot.com

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21 respostas a “Yes, we can!” *

  1. Luis Rainha diz:

    “Obama fez-se ultrapassando limites pela força da vontade”. Isso não era já verdade acerca de Clinton? E tens a certeza que esse apreço pela ultrapassagem de limites é mesmo coisa de conservador?

  2. Fico mais tranquilo por saber que o programa só ainda não foi detalhado “por razões que se prendem com os cálculos da sua estratégia eleitoral”. Inside information?

  3. ezequiel diz:

    Olá Luis

    os limites (racismo etc) parecem-me evidentes…os limites de Clinton não são limites do Obama, julgo eu.

    eu disse respeitam…não disse apoiam…uma das grandes (de 3 ou 4) tendências do conservadorismo americano é profundamente meritocratica…logo, para alguns destes senhores-as, que escaparam ao contágio fundamentalista (evangelista), Obama é uma referência com que se identificam (hard work, merit, upcoming) Não estou a falar de limites morais…mas dos limites do progresso, do passado bla bla bla Era só isto.

    A política, regra geral, tem mt q ver com a vontade.

    obrigado

  4. ezequiel diz:

    Caro João Pinto

    no. in this campaign there is no insider information…its beautiful, isn`t it?! 🙂

    este post já foi publicado há mais de 1 mês e tal, julgo eu. Obama ainda não tinha explicitado o seu programa.
    numa entrevista ao nytimes ele afirmou que o seu 1 objectivo seria o de se apresentar ao país e…depois..explicitar progs e medidas.
    eu limitei-me a transmitir o que ele disse.
    obrigado pelo comentário

  5. ezequiel diz:

    Eu postei isto pq vi o Luis a falar do McCain e pensei q seria aprop

  6. Luis Rainha diz:

    Ezequiel,
    O bom do Bill ultrapassou obstáculos de tamanho apreciável, na sua trajectória pessoal. Quanto à meritocracia, tinha ideia que todos os true blue conservatives achavam os self made men uns parvenus insuportáveis; aquela coisa do old money… (bela salada linguística, hein?)

  7. ezequiel diz:

    Caro Luis

    não estamos a falar de conservadores brits….os conservadores americanos são REDS e nunca blues…os true blues são os democratas e, claro, os yankee doodle dandees

    existe algumas pretensões de old money na américa, de manhattan aos hamptons…de boston a newport…mas, mesmo estes, não são tão stiff upper lip como os brits que são, tendem a ser, absolutamente insuportáveis (visita oxf ou cam e perceberás ;)) São, how should I put it, “rustic memorabilia eh ehe heh e ehe he h he he he he heh e” óóóóóóó…Indeeeeed! Man, gets on my nerves, the pretence! I bow to nobody. eh ehe heh e h:)

    a américa é uma salada gigantesca so no worries eh ehe eh eh dentro de alguns meses estarei lá a seguir a campanha do próximo presidente dos EUA…OBAMA! 🙂

  8. ezequiel diz:

    “tamanho apreciável” is not big enough..sorry

    eh ehe heh eh eh

  9. ezequiel diz:

    ps: existeM algumas pretensões

    sorry

  10. MP-S diz:

    “Nos EUA, a vivência do passado…”

    Sim, nao seria uma ma’ ideia. ..

  11. Caro Ezequiel,

    Numa resposta a um comentário do João Pinto e Castro, diz que escreveu este texto numa altura em que o programa de Obama ainda não era público. Nesse caso, como é que conseguiu concluir que estamos perante um “programa credível de mudança”?

    É este o problema da Obamania: é completamente míope à razão.

  12. CARLOS CLARA diz:

    Gosto de Obama. Tem a força dos homens jovens que desejam convictamente a mudança. Transpira essa vontade nas palavras e na expressão, onde é mais difícil mentir. O entusiasmo, esse, também ele é sincero. Quanto a Mrs. Clinton, um tanto ou quanto comida requentada, gostei mais do Bill. Quanto a Obama vir a ganhar, que se ponha bem ao fresco, ou leva com um tiro ou com um alibi em cima, porque conservadores são conservadores.

  13. “A pertença ao futuro não assenta na negação cega e dogmática do passado mas na aceitação da evidencia que o passado é, mais do que um mero legado de gerações passadas, um futuro que foi arduamente conquistado e formado pela vontade humana.”

    Pena é que os portugueses não tenham o mesmo sentimento em relação à sua História. O país que foi fundado no século XII por força da vontade, mantido no século XIV pelo engenho de poucos e chegou ao outro lado do globo literalmente contra ventos e marés, quase sempre quando outros diziam ser impossível conseguir vencer, prefere hoje encarar a sua História com saudosismo, ter vergonha dela, condená-la à luz da moralidade actual ou simplesmente ignorá-la.

  14. ezequiel diz:

    mps, já ouviu falar de tradições, de costumes, de valores que passam de geração em geração ??

    João Jesus,

    Obama há muito que anunciou os seus intentos: healthcare para todos, educação , invest. em novas tecnologias etc O prog, os detalhes, já existem há muito…só que Obama escolheu não entrar em detalhes no princípio da campanha…se visitar o ilhas encontrará diversas entrevistas, algumas delas prolongadas e chatas, onde ele explica os seus progs. O Obama sempre soube que o seu calcanhar de Aquiles seria as-os specifics…preparou-se e rodeou-se de gente muito capaz: richard danzig, ex sec da marinha (como um dos conselheiros de segurança nacional (ex-clinton aide), tem o génio Goolsbee ao seu lado e muitos outros..

    Caro Carlos Clara,
    bolas! p.f bata em madeira 3 vezes!! No worries. Obama tem malta muito muito experiente a tratar da sua segurança. Do melhor que há. Mas nunca é demais. knock knock knock If you touch my Obama I am gonna kick your ass from here to timbaktu!! eh ehe heh eh eeh eh eh eh eh eh eh 🙂

  15. ezequiel diz:

    Caro Heliocoptero,

    …aquilo que diz é verdade! Nós, Portugueses, gostamos de maltratar as nossas GRANDES virtudes…

    bolas, o seu comentário mexeu comigo!

    Vou publicar um post, mal tenha tempo, sobre uma das nossas Grandes Virtudes…uma virtude que já foi abordada por muitos, entre eles o inesquecível Agostinho da Silva e, claro, o grande Anthero de Quental…

    vou tentar…depois dá-me a sua opinião, certo?

  16. Ezequiel,

    É manifestamente falso que Barack Obama defenda “healthcare para todos”. Os únicos programas de “mandatory universal health care” é o de Clinton e era o de Edwards.

    Sobre “educação”, em que é que o programa de Obama é diferente do da Cinton?

    “Invest. em novas tecnologias”. É capaz de me explicar o que entende por isto. Quero dizer, não estará a confundir com o “Plano Tecnológico” português?

    “Etc.”. Assumo que os vídeos do youtube e a retórica caibam nesta categoria.

    Continuo a achar que a Obamania faz estragos.

  17. ezequiel diz:

    ok João Jesus Caetano,

    deveria ter sido mais claro.

    ambos os progs contemplam a acessibilidade universal (uma acessibilidade que é diferente daquela que os estados europeus proporcionam. Deveria ter mencionado isto. As minhas desculpas.) O objectivo é incorporar aqueles que estão excluídos do sistema.

    estes são os argumentos, de um lado e do outro:

    obama:
    http://www.slate.com/id/2178896/pagenum/all/

    http://www.slate.com/id/2168709/

    clinton:
    http://www.nytimes.com/2008/02/04/opinion/04krugman.html

    uma comparação dos dois planos e dos pros e cons de cada um:
    http://www.liberaloasis.com/2008/02/obamaclinton_on_health_care_li_1.php

    tech:(obama)
    lessig.org/blog/Fact%20Sheet%20Innovation%20and%20Technology%20Plan%20FINAL.pdf

    http://www.usinnovation.org/pres_track/obama.asp

    Caro António,

    as criticas ao modelo Obama de healthcare são válidas. Clinton pretende introduzir a obrigatoriedade. Obama acredita que não é necessário obrigar
    ninguém a fazer seja o que for para assegurar a acessibilidade universal.

    contudo, há aqueles que afirmam que o seu modelo é mais flexível porque proporciona a acessibilidade aos excluídos sem ter que impor coisa alguma (ou seja, deixa uma margem de manobra aos participantes que podem optar por outros esquemas mais apropriados às suas necessidades específicas) Este atributo é importante, na minha opinião.

  18. ezequiel diz:

    desculpe.

    queria dizer: Caro João (estava a falar com o meu primo António ao mesmo tempo que escrevia isto)

  19. Pingback: Em Português « Eleições Americanas de 2008

  20. CARLOS CLARA diz:

    Caro João Caetano

    Dos EUA costumo dizer – De preferência um mal menor. Todos sabemos que saúde de qualidade para todos é em Cuba. Lembra-se daquele filme proibido nos states sobre o assunto? Não, enganou-se – não sou comunista.

  21. verdadeiro diz:

    o problema vai começar quando obama ganhar a “make up” clinton, ele que se cuide pq o vao tentar aniquilar, no verdadeiro sentido da palavra, reforce a sua segurança, basta lembrar kennedy e king para se perceber que a america branca nao brinca em serviço

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