O estado da corrupção

Contava-se, como piada, que os portugueses gostavam de ser como os italianos. Estes são corruptos e ricos. Infelizmente, os portugueses não são ricos.
As polémicas sobre a corrupção em Portugal são tão endémicas como o arquivamento dos processo de colarinho branco. Gente como Pacheco Pereira e Lobo Xavier reclamam menos Estado nos negócios, como forma de garantir a transparência. Estranho argumento. É como dizer que a única forma de garantir políticos não corruptos é acabar com a autonomia do político em relação aos interesses económicos. Será o Estado o garante de equidade ou motivo de corrupção? Uma polémica interessante na internet. Acompanhem os argumentos pela mão de Paulo Pinto Mascarenhas e de João Rodrigues:


“O segundo grupo, aquele que realmente me parece interessar, é formado pelos que procuram diagnosticar o problema da corrupção e propor um antídoto eficaz. É o dos que denunciam o excesso do peso do Estado na economia e na sociedade como uma das principais causas da promiscuidade entre agentes públicos e privados. Sem desculpar ninguém, é este Estado gordo e lento o primeiro favorecido com a situação existente. É a burocracia desta ferrugenta máquina estatal que se alimenta do “pequeno favor” ou do “envelope com uma pequena lembrança” de que tantos falaram e escreveram ao longo dos tempos na literatura ou nas colunas dos jornais.” Paulo Pinto Mascarenhas

“A corrupção não está relacionada com o peso do Estado. Se estivesse os países europeus, com os países escandinavos à cabeça, seriam os mais corruptos e menos transparentes. A diversidade de situações aconselha por isso cautela. As causas da corrupção temos de as procurar na fraqueza e falta de autonomia do Estado e dos seus agentes e na falta de escrutínio democrático do seu funcionamento. E não nos esqueçamos que a corrupção, como afirmou Michael Walzer, representa sobretudo a entrada do poder do dinheiro em esferas que deveriam funcionar com base noutros critérios.” João Rodrigues

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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