Há coisas fantásticas, não há?

A propósito de um post infeliz no 31 da Armada sobre o Tarrafal, seguiu-se uma discussão sobre o esse campo de concentração. Para resumir a posição de uma certa direita blogosférica, cá vai o comentário tipo:

“De Carlos Monteiro a 31 de Outubro de 2007 às 15:11

Uma das questões relativas ao Tarrafal e ao Gulag é que aqueles que para lá foram admiravam profundamente o regime de Estaline, que consideravam um semi deus, e apoiavam incondicionalmente a existencia do Gulag. A luta de que falavam era a luta para impor ao povo português um regime identico ao de Estaline. Eles proprios o diziam.
O Tarrafal serviu para impedir que aqueles que para lá foram, em obediencia cega à sua ideologia, transformassem Portugal num imenso Gulag.”.

Esta elogio à utilidade dos campos de concentração e esse apelo à eliminação física dos adversários era usual nos fascistas dos anos 30. Quase 80 anos depois ele repete-se na direita portuguesa. É preciso elogiar a sinceridade dessas pessoas. É bom saber que para eles Salazar e Hitler são justificáveis. Assim quando eles encherem a boca com as palavras liberdade e democracia, ficamos saber que, no fundo no fundo, eles acham que só “o trabalho liberta”.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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14 respostas a Há coisas fantásticas, não há?

  1. Nuno, sabe muito bem que isto nao representa coisissima nenhuma. A nao ser o pensamento de quem o escreveu

  2. Al diz:

    Sou de direita. Nada tenho a ver com os campos de concentração seja de que regime for.
    Fico, no entanto, surpreendido que haja pessoas que não tenham vergonha de se dizerem comunistas já que, creio, o comunismo não foi menos danoso do que o regime nazi, nem fez menos vítimas,
    Quanto à ferocidade do regime português, o Estado Novo não é comparável, nem de longe, com o que foi o stalinismo no que se refere a crimes contra as populações. Em pleno estado novo o Dr. Cunhal saía da prisão para fazer exames na faculdade de direito de Lisboa, onde se licenciou…. Haverá equivalente de tal situação na Rússia de Staline?

  3. M. Abrantes diz:

    [AL]
    Vá fazer esse elogio do estado novo aos familiares dos que foram mortos, despedidos e presos. Talvez por exemplo a filha do Humberto Delgado até lhe pague um copo. A família do Aristides Sousa Mendes traz as chamuças, e a família do prof. Bento de Jesus Caraça arranja umas petinguinhas de escabeche. Já agora, a família do doutor Cunhal fica encarregue dos guardanapos e palitos, como agradecimento pelos 11 anos de prisão em Peniche.

    Mas qual é a lógica de querer assacar algum mérito ao estado novo, por ter semeado menos mortandade que os estalinistas? Que raio de padrão macabro é o estalinismo? Que consolo pode dar saber que o Salazar não exterminou 15 milhões de portugueses?

  4. dinis diz:

    Há muito fascista que não tem tomates de se dizer Fascista(de merda,acrescento eu!),daí q eles tenham raiva aos comunistas(uma dsa razões,claro).Isso ser de direita e dizer q Satline (Joseph David Djugashvili-não venha alguém dizer que ele seja anti-semita!para torcer mais a desinformação) era a mesma coisa que o moço de recados do Grande Capital alemão (Ford tinha uma grande admiração )Adolf Hitler!É isso que os morde.Porque hoje na amálgama auto-chamada de democrata há muita merda tais como:caciques,oportunistas,engraxadores,corruptos gente que olha pela sua vidinha,os atentos,venerandos e obrigado e claro essa escória última (ultimate)que são os fascistas esse exercito de psicopatas de reserva para apoiar e defender o Capital Assassino-hoje estão em vinha de alhos,pq os amigos Xuxas lhes fazem o trabalho,com competência e oar de democratas pq o marketing éum maneira de aumentar a ‘produção’!

  5. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro Al,
    O seu raciocínio permite-me dizer como é que você ousa dizer-se católico depois da inquisição. Adepto da economia do mercado que destroi alimentos para manter preços depois da fome no mundo. Amigo dos Estados Unidos depois de 70 intervenções militares que mataram milhões de pessoas, admirador de França a seguir à tortura na Argélia, ao assassinato em Paris de centenas de manifestantes argelinos desarmados e aos bombardeamentos na guerra da independência da mesma Argélia que mataram mais de um milhão de civis argelinos.
    Pode-se ser católico sem gostar da inquisição, pode-se ser comunista sem tolerar o estalinismo.
    Sobre o post em si, como de costume os meus caros comentadores ignoram-no. Nunca, como agora, há uma propensão tão grande de branquear o fascismo e as ditaduras. A direita branqueia Franco, Salazar e qualquer dia Hitler . O justificar do franquismo e do Tarrafal, não passa do assumir de uma posição. Hoje, parte da direita blogosférica que diz-se democrática confessa, no meio de tanta ternura por Salazar, a governanta e o cão, que no passado teriam sido fascistas em Portugal.

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro David Lourenço Mestre,
    Fico feliz que não seja a sua posição. Agora discordo que o branqueamento do Tarrafal seja coisa de uma pessoa só. Para além, da sequência infeliz dos posts do 31 da Armada a caixa de comentários têm mais pérolas dos leitores do blog, como esta:
    ” De gpn a 31 de Outubro de 2007 às 16:32
    Excelente comentário do Carlos Monteiro, poucas linhas mas com um enorme sentido. Pena que certos “historiadores” gostem de relativisar a história. Gosto tambem das expressões exageradas, algumas vezes histéricas que são utilizadas sobre o Tarrafal, se basta ter morrido uma só pessoa (neste caso foram 32) para que este campo assuma um papel triste na nossa história porque estes “historiadores” gostam de utilizar “os muitos”, “as centenas”? Porque é que não referem o porquê, e por quem, foi fechado o campo? Já agora, porque é que não utilizam o seu histerismo para que sa faça, tambem, um comentário sobre a reabertura, após o 25 de abril, desse mesmo campo? Porque não são tão energéticos a comentarem as mortes, chacinas e torturas dos portugueses (brancos e pretos) que ficaram em africa? Lá se cai o pano do moralismo e da inocencia…”

  7. Al diz:

    O que eu disse – e repito – é isto: que em aspectos de repressão e crimes contra as populações não se pode comparar o salazarismo com o comunismo, seja ele o da época de Staline seja o de Mao ou Pol Pot. Nada mais. E como no caso do salazarismo não é preciso ser um erudito para intuir isso, nem sequer creio que seja uma atitude inteligente, seja de quem for, querer igualar os ditos regimes ou ripostar às críticas ao comunismo com a alegação de aleivosias do salazarismo.
    Quanto ao resto: não tenho certezas sobre o que será o futuro – acho mesmo que é impossível tê-las – por isso, não tenho à venda qualquer receita de amanhãs que cantam, ou tardes que chorem. Limito-me a esperar que não aconteça o pior, que encaro sempre como uma possibilidade. De facto, creio estarmos separados da barbárie e da carnificina por uma fina película de pudor que convém não forçar.
    Não pretendo branquear seja quem for.
    Sobre não sei quem que me quis assacar não sei o quê: Aristides de Sousa Mendes faz parte da minha escassa galeria de heróis e, aristocrata, monárquico e católico, devia ser um exemplo para qualquer conservador.
    Quanto à França, não tenho qualquer entusiasmo por um país que inaugurou os genocídios da idade contemporânea.
    Admiro a América que salva a Europa e vem generosamente livrar-nos das nossas incríveis trapalhadas e criminosas inconsequências (o affaire Balcãs, por exemplo).
    Bom dia de Todos-os-Santos!

  8. joséjosé diz:

    …Que a América salve o Al e o leve em paz. Amém !!!

  9. Sergio diz:

    “Esta elogio à utilidade dos campos de concentração e esse apelo à eliminação física dos adversários era usual nos fascistas dos anos 30.”

    acho que na altura era usual em qualquer quadrante politico…

  10. A.Silva diz:

    Meus Srs. não compreendo qual é o aparelho de medição da maldade humana que estão a utilizar para comparar o fascismo,o estalinismo,o franquismo,o maoismo e mais umas quantas barbaridades.Não compreendem que esse vosso exercicio é doentiu,afinal o que é história já aconteceu,importa que no futuro esses crimes não possam voltar a acontecer.Dou-me conta que alguns se queixam que a direita pretende branquear o fascismo,mas á esquerda últimamente tambem há quem o pretenda relativizar.São sinais que podem baralhar um pouco os mais novos,portanto é preciso que uns e outros tenham cuidado com as afirmações que fazem.

  11. Carlos Fonseca diz:

    Numa das viagens profissionais, conheci o Tarrafal. Isso ocorreu poucos anos após o 25 de Abril de 1974. Não sou comunista, mas apenas um anónimo cidadão, sem filiação partidária, que não se esconde atrás de duas letras, e que pugna pelos ideais republicanos e de uma democracia avançada, focalizada na justiça social, na paz e no humanismo como objectivos supremos do Homem.

    Procuro ser patriota, solidário com os que sofrem e lutar contra a ignóbil banalização das desigualdades que muitos dos políticos do mundo de hoje sustentam e promovem.

    Que existam os apologéticos do historial fascista não me surpreende; porém, não consigo evitar vómitos, sobretudo ao verificar o expediente de justificar, historicamente, uma tirania (de Salazar) com outra tirania (de Estaline). É um pensamento próprio de mentecaptos, ainda por cima servindo-se do valor numérico de 15 milhões de seres para o comparar com as vítimas do fascismo num pequeno país cuja população total não atingia os 10 milhões.

    Como português sinto vergonha de Salazar e do Tarrafal. Causam-me nojo. Conheço gente de direita a quem sucede o mesmo, assim como comunistas com sentimento de repugnância em relação a Estaline.

    O Sr. Carlos Monteiro e seus pares (Al é nome de baptismo ou o significado de matéria fecal em dialecto fascista?), O Sr. Carlos Monteiro e seus pares, dizia eu, poderiam aproveitar uma viagenzinha ‘low-cost’ a Santiago e encarcerarem-se, digamos um mês, num daqueles cubículos do Tarrafal e aí banquetearem-se com os excrementos que propagandeiam como delicioso manjar fascista. Ficariam certamente ainda mais orgulhosos da história salazarista e do Tarrafal. Nem mesmo doze horas diárias na ‘frigideira’ os retorciam. Ser ignóbil e desumano é um estado patológico, muitas vezes incurável.

  12. ondevaisorioqueucanto diz:

    Não percebo. Por que razão um homem de direita acha que deve justificar o Tarrafal? Porque não estará tranquilo com o seu fascismo latente? Porque é fascista, mas não exerce? Porque não tem coragem de se afirmar Salazarista e de confidenciar que matar comunistas era uma boa panaceia? Ou se calhar por todas estas razões.
    Sendo eu de esquerda, não consigo encontrar justificações para o Gulag. Nem sequer me interessa procurá-las.

  13. nuno, essa conversa mete nojo, e o post infeliz é um bocadinho mais que infeliz.

  14. Ferreira diz:

    Lamento que ainda se viva num país onde se condene as práticas fascistas (que apoio) mas se branqueie os assassinatos em massa na ex-URSS. Entre uns e outros, o diabo que escolha. A questão fulcral é que se o cavalo branco tivesse subido ao poder, o tarrafal teria sido uma brincadeira ao lado dos gulag’s que o PCP teria criado.

    Essa é a verdade que dói a alguns saudosistas do verão quente …

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