Os «Cadernos da Guerra», de Manuela Ferreira Leite

Se os Cadernos de Marguerite Duras saíram finalmente dos «armários azuis» da sua casa para os arquivos do IMEC, em 1995, os Cadernos da nossa antiga Ministra das Finanças iniciaram a saída da penumbra para o histórico da vida interna do PSD, este fim-de-semana.
O «Caderno de Torres Vedras», apresentado do alto do púlpito, tem três textos de elevada qualidade, e a reacção dos congressistas e da comunicação social não deixou margem para dúvidas. Estes «Cadernos» são já um best seller.
O prólogo deste «Caderno de Torres Vedras»: a ideologia morreu, longa vida à ideologia, viva o pragmatismo e a comunicação do rigor e da confiança.
O primeiro texto, sobre o tema «Este não é um bom momento para lançar essa questão fracturante», versa sobre a regionalização. Sendo um tema que fracciona a sociedade e o próprio – e já muito fracturado – partido, não deve ser o PSD a elevar a questão a tema da actualidade nacional (de imediato, este texto fez escola, com Miguel Relvas a colocar completamente de parte a regionalização, sobre o slogan «união sim, pensamento único não»).
O texto segundo versa sobre o referendo europeu, e conhece o título «Este não é um bom momento para lançar essa questão fracturante II». Não são tempos de referendos, e menos ainda de dar o braço ao PS, é a moral do capítulo.
O derradeiro texto do «Caderno de Torres Vedras» tem por título «Há uma grande diferença entre aquilo que queremos e aquilo que podemos fazer». A encerrar o primeiro dos «Cadernos da Guerra», Manuela Ferreira Leite fala sobre a impossibilidade real de baixar os impostos, neste momento, e da improbabilidade política de utilizar este estilo discursivo: pois se o PSD clamar pela descida dos tributos, estará a dar razão ao PS e a avalizar a sua política, tão boa que permitiria solicitar impostos mais baixos.
As técnicas de sedução de Luís Filipe Menezes revelaram-se um flop. Tal como Duras, Ferreira Leite sabe bem que a vitória em certas guerras redunda em derrota. Mais vale ficar-se pelo registo dos eventos, que fazem escola e as delícias dos pragmáticos.

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QUINTA | Marta Rebelo
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5 Responses to Os «Cadernos da Guerra», de Manuela Ferreira Leite

  1. João José Fernandes Simões diz:

    Meneses vai ser o flop dois, ainda mais impulsivo, embora agora disfarce, no colo da vitória, mas quando o tapete lhe começar a faltar, se vai ver que não tem estatuto.
    É um sósia do PSL, mas ainda mais fraco.

  2. topiscis diz:

    ……… o estilo brazonado do ppd está a esboroar-se … é maré baixa para os barões de fato azul.

    É maré cheia para os populistas tipo PPortas. Para os tipos de fato azul e gravata vermelha…e linguagem k o povão gosta …

    … e lá bamos ouvir o man k à uns tempos espumava de “” elitistas e sulistas ” os colonos de Lx…

    ….. e lá bamos ouvir o pediatra a botar faladura sobre as Koisitas k estão malezinhas…… e algumas até estão….

    … e o colono psl vai ajudar…..

    pombal amigo vem cá abaixo ou acima e diz como fizeste com os frades… foram de barco .. ou não ?

  3. Paulo diz:

    Excelente.

  4. Nuno diz:

    Ferreira Leite demonstrou pq é q o PSD está onde está! É devido a estes calculismos políticos onde o importante não é nem nunca foi o país e os portugueses, mas o partido na sua ambição de ser poder. Estes aterraram agora e já mostraram do que são capazes, já se falou em moção de censura(?) e em nova constituição(?)! A mim o que me chateia é q ter de ouvir os dislates destas personagens no telejornal diariamente! De qq das formas a qualidade destes blocos noticiosos já é tão baixa q mais dislate menos dislate é capaz de não fazer gde diferença!

  5. CARLOS CLARA diz:

    NEM SEMPRE GOSTO DE OUVIR CERTOS COMENTÁRIOS DE AMIGOS MEUS ESTRANGEIROS SOBRE PORTUGAL, MESMO QUE TENHAM RAZÃO. POR AQUI VIVEU DURANTE SEIS ANOS UM ESCULTOR HOLANDÊS , MEU AMIGO, QUE DIZIA COM HUMOR QUE A DIREITA PORTUGUESA É A DIREITA TROGLODITA DA EUROPA. NUNCA LHE RESPONDI, MAS NUM DESTES DIAS COLEI NUMA FOLHA DE PAPEL AS FRONHAS DOS TROGLODITAS MAIS NOTÁVEIS EM FORMA DE CABEÇALHO E ESCREVI-LHE PARA LHE DAR RAZÃO ACRESCENTANDO QUE A TELEVISÃO SIC OS APOIA INCONDICIONALMENTE

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