Morangos silvestres

“- É pá, meu, tenho uma cena bué surreal p’ra te contar.
– O que é que é?
– A Isabel entrou numa igreja!
– E…?
– Ela é católica, pá, não achas isso uma cena bué fora?”

(Visto e ouvido nos “Morangos com Açucar” algures esta semana, reproduzido sem grande rigor mas com imensa veracidade por um jovem repórter doméstico de 11 anos).

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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22 Responses to Morangos silvestres

  1. Fernanda Câncio diz:

    jesus, maria, josé. e é isso uma série na ex têvê da icê? o mundo tá bué da perdido

  2. Ganda nóia! Mas esta cena é que é mêmo bué à frente:

    «O Vaticano está a estudar a possibilidade de fechar um convento de clausura na província italiana de Bari, depois de as únicas três freiras residentes, incluindo a madre superiora, se terem agredido violentamente, noticia a Lusa.»

    (http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=861278&div_id=291)

  3. tric diz:

    yah, bacano ! o que está a dar é ser Laico!! não ha pai pra nós…

  4. Já agora que vos apanho: fui expulsa da fnac do chiado às 22h (ou 23h?) antes de conseguir chegar à secção de música, pelo que nick drake já voltei a ouvir, mas só no youtube. Quanto à colectânea da obra ficcional do Wilde, quando percebi que tinha dispersado e não ia ter tempo de a procurar, socorri-me de um dos senhores de verde, que não me conseguiu ajudar – um bocadinho na onda do “não sei do que é que está a falar, mas, com certeza, não tenhos. Que é como quem diz: desampare-me a loja que quero ir para casa.”
    De qualquer modo, já fiz uma primeira tentativa. Seguir-se-á o colombo.

  5. Fernanda Câncio diz:

    como é possível. eles costumam ter o wilde sempre — eu já lá comprei uns três volumes, just in case there’s an unexpected birthday. sinto-me traída na minha já pouca fé (na fnac). enfim, já nada é o que era, etc, etc.

  6. jpt diz:

    Atençao !!! AS vossas teorias estao erradas.
    O que estas mentes fabulosas que fazem os argumentos para
    os morangoscom acucar querem dizer , nao e nenhuma menssagen pro ou contra a igrja.
    Assim o facto de a isabel ter sido avistada a entrar numa igreja , e por isso esta fora , a tematica do fora gira entao a volta do que
    vai ser bue mais dificil sacala pa come-la …. topas men!!!

  7. operário diz:

    A menina Sofia deve achar que os funcionários da FNAC são escravos sem vida própria que devem estar sempre dispostos a servi-la a si e a outros clientes que têm igual prazer em arrastar-se na hora do fecho para lixar os funcionários/escravos…

  8. ondevaisorioqueucanto diz:

    A esquerda de luxe acha que a FNAC é uma espécie de palácio de inverno onde passear as suas caprichosas manias. Sabendo que um empregado da fnac ganha 600 euros, não lhe pagam horas extraordinárias e não são aumentados à c… aparecer um marmanjo a perguntar pelo Wilde a desoras, ou por outro qualquer já agora, dá vontade de…
    é por isso é que a esquerda (já) não é convincente.

  9. is a bel diz:

    caro antónio,
    ‘que cena bué da moderna’. quem são os argumentistas desses morangos que foram assassinados com o açucar?
    eu acho que estou com o(a) jpt. mas antes disso, alguém me sabe dizer em que igreja a isabel entrou???

  10. Eu vou por outro caminho: ela é Isabel, a Católica (http://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_I_de_Castela). Os Morangos podem bem ser menos ingénuos do que se pensa.

  11. «Comentário de operário
    Data: 4 Outubro 2007, 0:51»

    Ó operário, «Menina Sofia» soa tão bem. Só por isso até lhe perdoo o facto de ter lido, não nas entrevinhas mas na estratosfera.
    Avante camarada!

  12. «deve achar que os funcionários da FNAC são escravos sem vida própria que devem estar sempre dispostos a servi-la a si e a outros clientes»

    Vá lá, para seu conforto: não acho. Só acho piada à coisa da submissão de vez em quando e, ainda assim, apenas com aqueles de quem gosto.

  13. MPR diz:

    Props meu! Entrou numa igreja, em qual é demais meu, já faz doer a cabeça! Iá! Bué de brutal! Eu até curtia ser católico, mas é out man, muito out… E a Nádia, que entrou numa mesquita… Beeeeeem… Será terrorista? Eh pá vou “preguntar” à stôra…

  14. carmo da rosa diz:

    Eh pá! os grandes educadores da classe operária já nem às senhoras perdoam um ‘faux pas’ ideológico…

  15. Como os meus paizinhos me ensinaram que “vozes de burro não chegam ao céu”, presto-lhes a devida homenagem e ocupo-me de coisas verdadeiramente importantes e que, lendo os meus comentários (que não tenho o hábito de rever – mea culpa), me estão a deixar as entranhas em ebulição:

    1. No segundo comentário, onde se lê “não tenhos”, deve-se entender “não temos”;
    2. No terceiro comentário, onde lê “entrevinhas”, entenda-se “entrelinhas”.

    Quanto a isto sim, tenho de me justificar porque revela uma falha de carácter. Ainda não consegui determinar qual. Mas há-se ser: (i)preguiça, (ii) impulsividade, (iii) facilitismo, (iv) falta de brio, (v) outra de que se possam lembrar.

    Agora sim, operário e Carmo da Rosa, podem bater com propriedade..

  16. M. Abrantes diz:

    Na opinião deste personagem, que raio faz uma católica numa igreja? Eis uma genial forma de crítica à igreja católica.

    Já agora, o culpado principal da cena na fnac não é empregado. Sejamos realistas, que vontade dá ter brio no que se faz, a troco de 6oo euros mês? “Pobrete mas alegrete” era noutros tempos. A senhora que se queixou tem razão enquanto cliente, mas aponta a bateria ao alvo errado.

  17. «A senhora que se queixou tem razão enquanto cliente, mas aponta a bateria ao alvo errado.»

    Mas M. Abrantes, eu não me queixei de nada!

    Limitei-me a tentar – claramente sem sucesso – descrever, com piada, um episódio que se passou comigo. Se quiser, tentei gozar com a minha própria miséria (há semanas que queria ir à fnac e não conseguia arranjar tempo e, quando finalmente lá vou, não consigo fazer nada do que me propunha).

    De resto, nunca disse que o senhor de verde não tinha razão em querer sair dalí (aliás, quando disse que fui “expulsa”, referia-me ao aviso sonoro que a fnac faz 15 min. antes da hora de fecho – não obriguei ninguém a trabalhar para além do horário estabelecido), nem sequer que tinha sido mal educado ou indelicado comigo – não foi!

    O que sucede é que o(graças a deus) incipiente movimento ideologicamente orientado que por aqui graçou, propôs-se demontrar que eu sou uma “esquerdalha” inconsequente. Pois, para “esquerdalha”, digo-lhe que gostava de ter podido chegar mais cedo e comprar o que tinha planeado, mas trabalhei até às tantas (e, já agora, ninguém me paga horas extraordinárias).
    As compras, como disse, ficam para a próxima…

  18. António Figueira diz:

    A f. quer fazer compras ao domingo, esta senhora quer comprar Oscar Wilde de madrugada… Será que ninguém conhece a Amazon?

  19. Gosto mais de «menina Sofia», «senhora» faz-me sentir uma matrona. Cada coisa a seu tempo, lá chegarei.
    Nos entrementes, confesso que nunca comprei nada na Amazon – devo ter o mesmo tipo de bloqueio que a f. com a carta de condução. Mas na Amazon não se convive, né?

  20. António Figueira diz:

    Isso é o que a menina julga, convive-se imenso na internet.

  21. José António diz:

    A “menina” Sofia deve ser concerteza oriunda de boas familias, ou pelo menos pensa que é, talvez não passe mesmo de uma matrona.

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