Louis-Philippe Ménèzes

Aqui há uns meses, um ex-artista deste blogue queixou-se de um certo French bashing que se tornou moda aqui no pedaço (e uma moda que dura) e um outro comentador regular perguntou-se porque raio haviamos nós de olhar tanto para França, afinal só mais um (e nem sequer o principal) dos nossos parceiros europeus, quando havia tantos outros exemplos para nos inspirarmos (salvo erro, nessa ocasião, ele sugeria Singapura). Nós podemos de facto não olhar para França, mas à nos risques et périls: eu não estou a dizer que gosto (em boa parte gosto, embora os franceses às vezes sejam um bom argumento para deitar a França pelos olhos), mas estou a dizer que não há, por múltiplas razões históricas e culturais, melhor espelho para nos revermos do que o hexagonal: se Lisboa já não é simplesmente Paris traduzido em calão, como nos tempos de Flaubert e de Eça, a França não deixa de ser o melhor campo de ensaio para se perceber antecipadamente o que aqui se vai passar depois, no domínio da “cultura”, em sentido lato, que inclui também o discurso político, evidentemente. Luís Filipe Menezes é o Sarkozy a que temos direito, e bem se pode dizer que a prática da direita ultrapassar o centro pela esquerda e colar-se ao seu discurso reivindicativo é populismo barato que ela não deixa de funcionar só por isso. Alguns comentadores que padecem de excesso de racionalidade esquecem-se que os populistas às vezes também ganham eleições.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

5 Responses to Louis-Philippe Ménèzes

Os comentários estão fechados.