A difícil arte das previsões

Dizia-se da Economia que é uma ciência que explicar amanhã por que razão aquilo que previu ontem não aconteceu hoje. O discurso vem a propósito da minha admiração pelo professor Marcelo e pela dificuldade de andar à chuva sem se molhar. Que é, como se sabe, um exercício difícil, embora nem sempre muito elegante. Veja-se o Sol de hoje, em que Marcelo Rebelo de Sousa garante que “Menezes cometeu um erro monumental” e que a sua estratégia sobre a questão das quotas, não passa de uma admissão que vai perder as directas: “com este comportamento, Menezes reconheceu a derrota”, garantiu seguro Marcelo.

Nota espúria: Ando com pouco tempo para escrever, ainda assim como diria o bretão do Asterix: o meu tempo é maior que o da Joana e menor que o do António e da Fernanda e o mesmo que o da Marta, como quem diz, o meu barco é maior que o chapéu do meu tio embora menor que a quinta do meu irmão. Essa indisponibilidade leva-me a reagir a assuntos com atraso. Mas não queria de deixar de dizer que acho que Ricardo Costa tem razão na polémica com Santana Lopes. Uma entrevista num telejornal não fica prejudicada por ser interrompida por um directo. Infelizmente, a maioria dos directos não têm razão de ser e servem apenas para aumentar a adrelina da transmissão. Mas, neste caso só dava para saber depois. É, aliás, um problema que os directos têm frequentemente…

Penso que as pessoas reagiram favoravelmente à atitude de Santana Lopes por boas razões: contestação de critérios sensacionalistas, fartos de não notícias e de “famosos” colonizarem o espaço informativo, mas neste caso concreto não apontaram as armas ao alvo correcto. Com todos os seus defeitos, a SIC Notícias, graças também a Ricardo Costa, é dos locais onde esses critérios estão menos abastardados.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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