Um case study: O Lidador

A gente não o convida mas ele faz-se convidado. Como o último conviva de uma festa, procurando desesperadamente companhia, desafia as conveniências a ponto de se tornar notado. Nas suas palavritas infelizes, lê-se o drama da solidão. Deixamo-lo entrar, falar, abrir-se, revelar-se, despejar o saco; quer diálogo, tu-cá tu-lá, afeição, nem que seja disfarçada de agressão. O Verão é a silly season do ano, o domingo é o silly day da semana: um domingo de Verão, eis quando ele resolve aparecer. Armado em duro, em castigador. Mas a nós ele não engana: doce, bem lá no fundo, como um torrão de açucar, ele é apenas o Lidador. Finge que é mau, mas ele não há maus rapazes, já dizia o Padre Américo, apenas rapazes tristes. É isso que ele é, um triste, que quer atenção. Sejam por isso simpáticos para o rapaz e leiam lá o que ele escreveu:

“Devo dizer que me sinto orgulhoso por ter convocado à lide a fúria dos 5.
É claro que é um bocado ridícula esta reacção de gang de rua, não acredito que a f, seja incapaz de se defender sózinha, com ou sem erros ortográficos, sem maiúsculas ou com elas.
E certamente não precisava, nem do “renho”, nem da reacção pueril do coro “renhoso”, excitado mas sem decoro.
Vá, cheguem aqui os 5, tomem um chupa-chupa e sentem-se.
Agora ouçam com atenção:

Porque estão com essas gesticulações? Porque razão andam tão carrancudos?
Porque cospem no Lidador, que não lhes quer mal e apenas almeja levá-los de passeio um pouco para além dos vossos umbigos?

Acalmem-se, vá.
Estãode cabeça perdida, as mãos sebosas, o cabelo desgrenhado, mas não se devem atirar ao Lidador nessas figuras tristes, porque “renhos” e coices não bastam para desencorajar o Lidador, quanto mais essa irritante inflamação que vos aflige.

Vejamos, estava o Lidador posto em sossego, a explicar à f, que ela não tem ainda estatuto para se elevar acima das regras da língua e muito menos para as reformular à medida do seu umbigo, e de repente o Figueira bufa, escoiceia e , de olhos arregalados, levanta-se e fala do “ renho”
Você acha bem, A Figueira?
E depois, a Ana Matos, ébria de ódio, emborrachada pela raiva, grita pastiches jasperianos e ameaças embrulhadas em folhas de alface.
E depois rastejam e confessam, lacrimejando, que não sei quê, o soulier fica largo e o chinelo é que é bom.
E que é que interessa ao Lidador, o “renho” do A.Figueira e a chinelice da Ana?
Francamente!

Ok, estão azedos, odeiam o Lidador, mas a verdade é que agora conhecem melhor a fraca qualidade do vosso verniz , e começam a compreender a reacção do Scolari.
Não tenho quaisquer dúvidas que se apanhassem o Lidador em carne e osso à vossa frente, tentariam usar as tácticas de resolução de conflitos que tanto aqui criticaram ao Scolari. Não que tivessem melhor êxito, mas pronto…
E agora retirem-se e meditem no que o Lidador vos ensinou.
Acostumem-se a ser repreendido e estudem mais, para poder falar como pessoas grandes, e abandonarem essas reacções colectivistas que tão mal vos ficam.

De resto, podem sempre censurar este comentário, para evitarem ficar mal vistos na fotografia.”

Merry Sunday to you all!

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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