Os dias da “raça”

Nas ruas vêem-se cartazes de uma nova campanha contra a discriminação (promovida não sei por quem, nunca vi nenhum cartaz ao perto, só de passagem, e de carro). Sei que há pelo menos um contra a discriminação das pessoas com deficiência e outro contra a discriminação em função da “raça, credo ou nacionalidade” (sic). A ideia é seguramente boa, mas este cartaz é perturbador: o que é isso de “raças” diferentes? “Raça” existe a humana, o sapiens sapiens, cujos membros são, no essencial, todos iguais e separados apenas por diferenças menores na pigmentação, na estatura, na configuração óssea etc. – ou então por características não-biológicas (étnicas ou culturais em sentido lato, se quiserem), algumas das quais são também evidentes a olho nu, como o porte de indumentárias particulares. Se não quiserem utilizar o conceito cultural de “etnia”, recorram ao conceito anglo-saxónico de “visible minorities” e digam “cor”: agora falar em “raça”, é usar um termo anacrónico, sem dignidade científica e, pior do que isso, sem dignidade moral. “Raça” é a linguagem estúpida e má dos próprios racistas.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

47 Responses to Os dias da “raça”

Os comentários estão fechados.