Os dias da “raça”

Nas ruas vêem-se cartazes de uma nova campanha contra a discriminação (promovida não sei por quem, nunca vi nenhum cartaz ao perto, só de passagem, e de carro). Sei que há pelo menos um contra a discriminação das pessoas com deficiência e outro contra a discriminação em função da “raça, credo ou nacionalidade” (sic). A ideia é seguramente boa, mas este cartaz é perturbador: o que é isso de “raças” diferentes? “Raça” existe a humana, o sapiens sapiens, cujos membros são, no essencial, todos iguais e separados apenas por diferenças menores na pigmentação, na estatura, na configuração óssea etc. – ou então por características não-biológicas (étnicas ou culturais em sentido lato, se quiserem), algumas das quais são também evidentes a olho nu, como o porte de indumentárias particulares. Se não quiserem utilizar o conceito cultural de “etnia”, recorram ao conceito anglo-saxónico de “visible minorities” e digam “cor”: agora falar em “raça”, é usar um termo anacrónico, sem dignidade científica e, pior do que isso, sem dignidade moral. “Raça” é a linguagem estúpida e má dos próprios racistas.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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47 respostas a Os dias da “raça”

  1. Sérgio diz:

    Caro António,

    Sem dúvida! Acho estranhíssimo que se utilize uma terminologia «racialista» para desconstruir um discurso e uma praxis racistas. Mais estranho se torna quando estas acções pretendem ser pedagógicas e utilizam, a cada vírgula, taxonomias raciais… Mas absurdo mesmo, é não perceber essa verdade cristalina de que espécie humana é só uma…

    Cumprimentos,
    Sérgio.

  2. Fernanda Câncio diz:

    tal qual, antónio e sérgio.é espantoso. quem é que serão os responsáveis por esse cartaz?

  3. Luís Lavoura diz:

    Quer dizer: podemos falar de “gatos de raça siamesa”, de “cães de raça pitbull”, de “vacas de raça barosã”, mas não podemos falar de “homens de raça Han”?

    É claro que há raças. E também é claro que nenhum indivíduo é uma ilustração perfeita de uma raça, pois todos os indivíduos são de alguma forma mistura de raças e a raça não é se não uma abstração feita a partir da observação de N indivíduos todos diferentes. As raças existem, embora sejam abstrações nunca totalmente puras. E também há homens mais ou menos “puros” de diferentes raças, tais como há homens que são claramente uma miscigenação de raças – da mesma forma que há cães rafeiros.

    Agora vêm-nos estes politicamente corretos dizer-nos que, para não haver racismo, não pode também haver raças. Bolas!

  4. António Figueira diz:

    Não, não há raças humanas, há a raça humana, oponível às outras: os sapiens possuem um património biológico comum que as minúsculas desinências que têm que ver com a variação individual e a adaptação ao meio não põe em causa; um caucasiano não se opõe a um mongolóide como um pitbill a um pekinois, e de resto a história das migrações e miscigenações humanas implica que todos os humanos são, para utilizar a sua linguagem elegante, “rafeiros”.

  5. ni diz:

    Lavoura, não percebe nada de horta e Figueira entra por caminhos que ninguém percebe. Vou explicar devagar para os rafeiros também perceberem: De acordo com as definições dos biólogos, para haver raças diferentes tem de haver um conjunto de diferenças biológicas significativo entre seres da mesma espécie. E se há diferenças em quantidade suficiente para separar em termos raciais um pitbul de um pequinês (da espécies cão, também conhecida por Canis vulgaris), não há diferenças suficientes entre os humanos (na sua maioria, da espécie Homo sapiens) para que sejam metidos em raças diferentes.

  6. António Figueira diz:

    Ó ni,
    Mas o que é que V. não percebe? V. diz tudo o que eu já tinha dito – mas só que em versão slowmotion.
    Cumps., AF

  7. Encontrei uma preta
    que estava a chorar
    pedi-lhe uma lágrima
    para a analisar.

    Recolhi a lágrima
    com todo o cuidado
    num tubo de ensaio
    bem esterilizado.

    Olhai-a de um lado,
    do outro e de frente:
    tinha um ar de gota
    muito transparente.

    Mandei vir os ácidos,
    as bases e os sais,
    as drogas usadas
    em casos que tais.

    Ensaiei a frio,
    experimentei ao lume,
    de todas as vezes
    deu-me o que é costume:

    nem sinais de negro,
    nem vestígios de ódio.
    Água (quase tudo)
    e cloreto de sódio.

    António Gedeão

  8. p.porto diz:

    Caro A.Figueira

    Sugiro-lhe que informe urgentemente o Governo brasileiro de Lula da Silva de que, afinal, não existem raças. É que alguma da política social brasileira tem como base a raça do indivíduo apoiado, coisa esta que começou já no tempo de F.H.Cardoso, com o apoio de movimentos anti-racistas.

    Outro que precisa saber que não existem raças é Robert Mugabe. É que ele diz que sim. Por favor, informe-o do erro em que labora há algumas décadas.

    Algumas universidades americanas praticam a chamada discriminação positiva com base na raça. Também estes fazem parte dos que precisam ser esclarecidos.

    Também as entidades que controlam a população no Canadá precisam urgentemente do seu esclarecimento/apoio. O registo de entrada e permanência no país inclui a menção da raça do indivíduo. O Canadá, tal como os EUA, tem estatísticas populacionais detalhadas mencionado as percentagens raciais dos habitantes. Por favor, ilucide-os.

    Os chineses também. Eles têm até uma competição para povos de raça não-Han. Esclareça-os do erro, ajude-os.

    O rol é mais vasto. Felizmente temo-lo a si, A.Figueira, que esclarecerá o mundo e está prestes a revolucionar centenas de práticas e procedimentos dos mais diversos países do mundo baseados nesse completo e acabado disparate, essa coisa de dizer que há raças.

    Entretanto, enquando a humanidade sai espantada e atónita da ignorância e estupidez em que até aqui esteve mergulhada, desde já porponho a sua candidatura do Nobel da Medicina – porque o assunto tem a ver com genética e fisiologia humana – pela sua descoberta.

    Bem haja, e obrigado.

  9. António Figueira diz:

    Caro p. porto,

    Escrevesse eu comentários tão longos como o seu durante as horas de trabalho e a esta hora já pertenceria à raça dos desempregados.

    Ironia à parte, há evidentemente espíritos estreitos (não é seu caso, longe disso…) que insistem no uso da nomenclatura “racial”, não obstante a sua evidente inconsistência científica; se for confrontado com algum deles, sugiro-lhe que faça como eu fazia quando estudava em Inglaterra: de cada vez que aparecia o papelinho (e aparecia todos os anos, na altura das inscrições) a perguntar se eu era “African, Caucasian, Asian, etc.”, eu respondia que era português.

    Cordialmente, AF

  10. Luís Lavoura diz:

    “um caucasiano não se opõe a um mongolóide como um pitbill a um pekinois”

    Pois não. Tal como um branco e um negro podem procriar juntos, também diversas raças de cães podem, em geral, fazê-lo.

    Ou seja, todos os cães são da mesma espécie (procriam uns com os outros), mas têm raças diferentes. Com os homens é a mesma coisa – são todos da mesma espécie (podem procriar uns com as outras), mas têm raças diferentes.

    Embora, concordemos, a variabilidade não seja tão grande como a dos cães. Mesmo assim, ninguém confunde um pigmeu com um hotentote com um negro etíope. São muito diferentes não só em côr, mas também em muitos outros traços.

    Em rigor, claro, é tudo uma questão um pouco fosca. Mesmo em biologia, o critério da miscigenação (inter-procriação) falha como definidor das espécies, em certos casos.

    “a história das migrações e miscigenações humanas implica que todos os humanos são, para utilizar a sua linguagem elegante, “rafeiros””

    Claro que sim. A raça é uma abstração, um caso-limite. É como a queda perfeita dos corpos em física, que também nunca existe, é sempre um caso-limite. Mas, pelo facto de não existir, não deixa de ser útil. A raça é a mesma coisa. O facto de todos sermos, de alguma forma, rafeiros, não nos impede de, por exemplo, olharmos para a cara do Rui Rio e percebermos que, de facto, um dos seus progenitores era alemão.

  11. Caro António Fiegueira,

    O facto de haver raças não implica mais ou menos humanidade numa delas. É minha opinião que aqui o politicamente correcto atinge um ponto absurdo.
    Não, não somos todos iguais, mas todos temos os mesmo direitos idependentemente da raça, religião, etc, etc.
    Isto é apenas uma opinião sem base cientifica: Eu acho que não pertenço à mesma raça de um pigmeu ou um indio brasileirio ou de um africano. Mas reconheço-lhes todos os direitos que quero para mim. Não creio que isto seja racismo.

    Cordialmente

    Alberto Mendes

  12. António Figueira diz:

    Caro Alberto Mendes,
    Partilho do seu “instinto” moral, mas creio que V. não tem razão: as “raças” são uma taxonomia em larga medida culturalmente construída e sem valor explicativo do ponto de vista científico. Obviamente que os homens não têm todos a mesma aparência, mas o que os distingue é claramente insuficiente para segmentar a humanidade em “raças” semelhantes às que se encontram noutras espécies animais, além de que, por outro lado, as variações individuais dentro de cada uma das putativas “raças” retiram interesse prático a essa classificação.
    Cordialmente, AF

  13. ni diz:

    António, Eu sei que disse o que você disse, mas achei que era melhor em versão slow motion (ou versão Keep It Simple and Stupid!) . Desculpe a presunção, mas parece-me que ficou mais claro para todos.

  14. António Figueira diz:

    Caro ni,
    Dou o braço a torcer – a sua intervenção foi de facto clarificadora.
    Obrigado, AF

  15. Grassa por aqui alguma confusão. Sem tempo nem conhecimentos que me permitam esclarecer sintetizando e sem maçar, apelo a quem possa fazê-lo, para não caírmos na mais estúpida das confusões: confundir factos com opiniões.

    Parece-me que deve começar por distinguir-se entre “raça” – conceito linguístico e cultural efectivamente enraizado, apesar de eventualmente INCORRECTO, face às mais recentes descobertas científicas – e “espécie”.

    À ESPÉCIE está geralmente associado um nome científico em latim. Às várias “raças” de animais (não só cães) correpondem de facto diferentes nomes científicos. Espécie humana, pelo contrário, actualmente só existe de facto uma: o homo sapiens sapiens, como todos sabem.

    Como diferenciar “raça” e “etnia” sem incorrer em erros científicos, eis um bom tema de discussão, sem paixões obscurantistas…

  16. António Figueira diz:

    Caro A. Castanho,
    A proposta que faz é, quanto a mim, do maior interesse.
    “Raça” já lhe disse o que penso que seja; por “etnia” entendo um grupo de pessoas com afinidades culturais (linguísticas, religiosas ou outras), com a consciência do seu carácter distinto e partilhando uma história (tanto mítica como real) e símbolos comuns. Um grupo étnico tem muitas vezes um “myth of common descent” e nesse sentido tem uma dimensão biológica; mas os judeus são supostos descender todos dos patriarcas, e tanto os há negros na Etiópia como (havia) louros na Alemanha, o que parece confirmar que os grupos étnicos, independente do seu maior ou menor grau de abertura ao exterior, acabam sempre por cooptar novos membros.

  17. veliberalino diz:

    Conclusão: António Figueira é da raça dos que não têm raça.

  18. António Figueira diz:

    Eu próprio não teria sido capaz de uma síntese tão feliz.

  19. Luís Lavoura diz:

    AF escreveu: “como eu fazia quando estudava em Inglaterra: de cada vez que aparecia o papelinho (e aparecia todos os anos, na altura das inscrições) a perguntar se eu era “African, Caucasian, Asian, etc.”, eu respondia que era português”

    O AF desculpe a “boca” de mau gosto, mas com esta resposta Você parece um salazarista. No tempo do Salazar é que se defendia que havia uma RAÇA portuguesa. O 10 de Junho era o DIA DA RAÇA. Se lhe perguntavam pela sua raça e Você respondia que era português, estava a reger-se pelas regras salazaristas de que ser português era ser de uma RAÇA particular.

    Já agora, eu tinha o mesmo problema quando vivia nos EUA: nunca sabia se deveria responder que era “caucasiano” ou “hispânico”. Em rigor, eu deveria ser um hispânico, pois que sou natural da Hispânia; mas nos EUA um “hispânico” é um gajo arraçado de índio americano, assim a modos que o Hugo Chávez por exemplo. Por oposição a “caucasiano”, que nos EUA é um gajo branco lavado com OMO, sem qualquer mestiçagem preta ou índia que o torne “impuro” aos olhos racistas dos americanos.

  20. António Figueira diz:

    Caro LL,

    Eu desculpo-lhe a boca, porque em vindo de si tem de se desculpar tudo.

    Na expressão feliz de um comentador anterior, eu pertenço à raça dos que não têm raça, ou seja, “racialmente” falando, defino-me apenas como uma pessoa e ponto final.
    Como, porém, eu presumia que as minhas autoridades académicas da altura não se satisfizessem com a informação de que eu era tão somente mais um membro da humanidade, dava-lhes a única informação que me parecia relevante, e que me descrevia como um cidadão da República Portuguesa, que é uma entidade política de natureza cívica (e não étnica nem muito menos “racial”) onde cabem homens e mulheres, brancos e pretos, loiros e morenos, straights e gays, vermelhos e brancos, sportinguistas e benfiquistas, etc., etc.

    Espero ter sido claro.

    Cordialmente, AF

  21. Perdoem-me lá mas o Luis Lavoura tem toda razão. O conceito de raça é útil e apenas como exemplo claro disso podemos dar as análises de ADN em criminologia, onde se pode especificar que tal sangue, ou cabelo, etc, pertencem a um individúo de tal raça: norte de Europa, norte de África, do sudeste asiático, etc. Todos sabem o que isso significa objectivamente e permite descartar suspeitos, especificar perfil do criminoso buscado, etc. Que querem chamar em lugar de raça, etnia, chamem. Não muda nada a não ser na cabeça dos detalhistas obcessivos que buscam parentescos ideológicos no vocabulário pontualmente utilizado. Dizer raça humana agora isso sim é uma imprecisão biologicamente falando, já que supõe que existe uma outra raça com a qual se comparte espécie que não é humana. Deixa lá o cartaz em paz que só tem mal na cabeça de quem o vê.

  22. Caro António,

    Para fugir aos cães: Que separa uma vaca de raça galega de uma charolês? Obviamente que são vacas. Mas há diferenças comuns aos dois grupos que permitem que sejam “agrupadas” para melhor nos entendermos. Alias, se bem me lembro da minha biologioa do 12º todas as classificações de seres vivos execpto a especie, são “criações” humanas. Apenas a definição de especie tem uma base natural por assim dizer. Não vejo porque aceitar o conceito de raça no homens seja racista. É apenas uma forma de nos entendermos e nos catalogar (Não de nos descriminar positiva ou negativamente).

    Cumprimentos
    Alberto Mendes

  23. aff diz:

    Eu não queria voltar à discussão aqui mas tanta retórica faz comichão. O AF diz: «“Raça” é a linguagem estúpida e má dos próprios racistas.» Das duas três, ou se está a discutir um problema de linguagem, ou se discute um problema do uso dessa linguagem, ou se discute uma atitude moral ou ainda uma pretensa taxonomia “científica”. Eu prefiro a lógica: um racista é o individuo que descrimina quem fôr de outra raça, se todos os seres humanos pertencem à mesma raça um racista é um individuo que não descrimina ninguém. Há aqui qualquer coisa de errado…

  24. f. diz:

    áff, um racista é alguém que acha que existem raças e que umas são superiores às outras.

  25. aff diz:

    Se a Fernanda acha que não existem raças como pode dizer que alguém se diz racista?

  26. Vamos lá a ver: conceito de raça, plano essencial dos racismos. As classificações dos organismos realizadas por biólogos ou antropólogos – ou seja o que for – são, e isto é importante, arranjos artificiais que intentam impor uma certa ordem à aparente desordenação da natureza. A classificação enquanto conceito teórico remonta a Aristóteles, cuja base lógica classificatória permanece como o manancial da tradição ocidental de classificação. Bernal considerava, não desacertadamente, que a classificação foi talvez a maior, e mais perigosa, contribuição de Aristóteles para a episteme do Ocidente.
    A noção de raça humana carece de fundamento biológico. As taxonomias raciais delimitam entidades que não são homogéneas e que não podem ser “cortadas” aleatoriamente e subtraídas aos outros grupos humanos. As diferenças génicas intra-grupos (entre cidadãos nascidos em Portugal, por exemplo) são maiores que as diferenças inter-grupos (entre cidadãos nascidos em Portugal e cidadãos nascidos na Nigéria). Isto quer dizer que a diferenciação genética, base de algum “racismo científico”, é maior em populações locais que entre as denominadas “raças” ou entre as nações. Geneticamente, posso aparentar-me mais com o José Eduardo dos Santos ou o Moqtada al-Sadr que com a Fernanda Câncio [tomara eu ;)] ou o António Figueira – apesar do meu fenótipo se assemelhar mais ao destes últimos. É, portanto, abusivo invocar a biologia para sustentar preconceitos raciais.
    O “racismo científico” escora-se, pois, num idealismo que todavia persiste: a pretensão da biologia em traduzir a realidade natural pelos quadros rígidos e totalmente arbitrários dos sistemas de classificação.

  27. Sérgio diz:

    Dei, só agora ,de caras com o post de Luís Lavoura. Para além do choradinho vetusto do politicamente correcto (e não me apetece ser agora hermeneuta ou psicanalista), o mais incrível é que vá contra a moderna biologia que nos diz que as distinções raciais são cientificamente erradas.

    Gatos? Francamente…

  28. tiago neves diz:

    O meu avô encontra um vizinho com pele escura e que associa a África. Pergunta-lhe de onde ele é, por cumplicidade saudosista. Ele responde em português de Portugal que é de Portugal.
    p.s.: nunca pensei que o Rui Rio tivesse um progenitor alemão e nem sequer acho isso evidente.

  29. aff diz:

    francisco curate, vale a pena ler este artigo sobre a importância da noção de raça: http://www.cbse.ucsc.edu/pdf_library/MeaningOfRace_Riese101005.pdf

  30. “A noção de raça humana carece de fundamento biológico.” Essa sim é boa. Desculpa lá francisco curate (adoro nomes), mas isso é totalmente absurdo. Em medicina se utiliza o conceito de raças com resultados muito benéficos por exemplo identificando que alguns medicamentos não são os mais adequados para algums grupos humanos genetica e fenotipicamente identificaveis, é útil também como critério de que determinados testes e amostragens não sejam restritos a um desses grupos, ignorando outros que podem ter resultados ligeiramente distintos e que pode ser importante conhecer. O conceito de raça é útil, é utilizado por cientistas e para bom proveito de todos. Como disse o outro raça é uma coisa, discriminação racial é outra. E deixemo-nos de susceptibilidades irracionais.

  31. bossito diz:

    Essa campanha é da responsabilidade do governo e do IPJ, e é inserida numa campanha a nível europeu – mas cada país produz os seus próprios materiais. E é muito, mas muito má. Num anúncio feito para cinema são listados termos como “brancos”, “pretos”, “monhés”, “de leste” ou “brasucas”, como se tivessem o mesmo tipo de conotação… Pode ser vista aqui: http://tdti.juventude.gov.pt/

  32. Bossito é para a juventude. Tu és jovem? Alguma vez fostes? Se és ou fostes, digo porque caberia a hipótese que sejas de uma raça em que nunca se é jovem, sabes que qualquer um destes termos acima citados podem ser ditos, e são muitas vezes ditos, sem qualquer conotação negativa. E mais? Uma forma excelente de anular a carga simbólica de uma palavra é absorver-la e fazer-la sua. O humor aqui é muito importante, e há raças que em geral demonstram ter-lo em mais quantidade que outras, na altura de ridicularizar a discriminação linguística apropriando-se dela. Havia uma canção, muito simples mas infinitamente sábia, bahiana, que cantava em tom afirmativo: “Porque eu sou negão”. E outra do Chico César, mais conhecida: “Mama Africa a minha mãe,
    é mãe solteira…Deve ser legal, ser Negão no Senegal deve ser legal”.
    Mas a verdade é que visto o vídeo me parece uma porcaria apesar de me teres aguçado. Não tem nenhum sentido de humor… Coisas da nossa raça.

  33. Aff: é um artigo interessante mas contém, quanto a mim, algumas generalizações abusivas.
    Rui Fernandes: estás desculpado ;)! De qualquer forma, eu não nego no meu comentário que a “raça” possa ser um conceito “operativo” e até “útil”. Nalgumas áreas de investigação da antropologia (e.g., antropologia forense) a “raça” é um conceito inescapável: em casos de identificação positiva de um esqueleto, por exemplo. O que eu digo, e isso não é absurdo, é que as diferenças biológicas entre as supostas “raças” são infímas. E mais (e talvez mais importante ainda): a diferenciação genética inter-populacional é menor que a diferenciação genética intra-populacional. Daí, em termos meramente biológicos, o conceito de “raça” é ridículo. Se formos radicais, então não só podemos dividir e classificar com base nos poucos genes que codificam para a cor da pele mas tb com base nos genes que codificam os diferentes tipos de sangue ou a cor dos olhos. não podemos continuar a confundir genótipo com fenótipo. Depois disso, tudo é artifício cultural. Abraço.

  34. Ana Matos Pires diz:

    Em termos médicos, e desde 2001, o termo “raça” foi abandonado. Na apresentação de histórias clínicas, p. ex., e ao contrário do que me foi ensinado, foi abolido o item “raça” na Identificação do Doente. Deixo aqui um bocadinho da história inicial desta história.

    “Recent advances in our understanding of genetics made possible by the Human Genome Project show that while the frequency of certain genetic variants does vary to some extent among groups based on the groups’ ancestral origins, no precise boundaries between identified racial groups can be drawn” (Collins, 2001).

    Em Maio de 2001 o Editor do New England Journal of Medicine declarou “I maintain that attributing differences in a biologic end point to race is not only imprecise but also of no proven value in treating an individual patient… Race is a social construct, not a scientific classification” (Schwartz, 2001).

    No mesmo ano os Editores do Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine foram particularmente críticos relativamente ao uso dos termos “raça” e “étnico” na investigação médica “Analysis by race and ethnicity has become an analytical knee-jerk reflex.” e, apelando ao contributo do Human Genome Project “(…) there is a greater range of genetic differences within such groups as ‘white’ or ‘black’ than between groups” (…) “there is no biological or scientific basis for the term ‘race’ much less the categories commonly used to describe it”. Na sequência desta posição pediram aos autores de futuros artigos para não usarem os referidos termos “when there is no biological, scientific, or sociological reason for doing so” e deram instruções específicas para “not to use race as an explanatory variable when it is actually capturing socioeconomic variation” (Rivara e Finberg, 2001).

    Collins, Francis (2001). Transcript of “2001 Genomics Short Course”
    Dr. Francis Collins: ‘The Human Genome Project And Beyond’ 8-7-2001”
    http://www.nhgri.nih.gov/DIR/VIP/ShortCourse01/SC_01collinsTranscript.html.

    Rivara, Frederick P. and Laurence Finberg (2001). “Use of the Terms Race and Ethnicity” Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, Volume 155, February 2001.

    Schwartz, Robert S. (2001). “Racial Profiling in Medical Research” The New England Journal of Medicine, Vol. 344, No. 18, May 3, 2001.

  35. Francisco estamos de acordo. Costuma acontecer no final de uma discussão sobre palavras. É das poucas coisas boas de as discutir. Abraço para ti também

  36. bossito diz:

    Rui Fernandes, eu sou de uma raça em que já se nasce velhinho como as cruzes. Pelo que nada do que dizes é novidade para mim, e como tu próprio concluis, nada tem aplicação neste caso. É simplesmente um péssimo anúncio.

    O da mulher amedrontada pelos passageiros “de leste” também vale todo um tratado. Faz desde logo todo o sentido que uma mulher receosa pelos olhares de dois “de leste”, perca todo o receio ao ser convidada a sentar-se com um sentado ao lado e no outro lado o outro de pé, portanto, cercada a “leste” e “oeste”… A senhora está grávida, não sei bem se isso faz diferença para o caso, talvez o explique. Sou velhinho, mas ainda não vi tudo.

  37. Sexta-feira diz:

    AF,

    Estou sem acentos, mas deixo-te dois links para textos de colegas, escritos numa casa que ja foi minha. Como veras, o assunto esta longe de ser pacifico dentro da “comunidade cientifica”…

    http://www.contanatura.net/arquivo/2006/11/sera_que_a_genetica_e_de_esque.html
    http://contanatura.weblog.com.pt/arquivo/2005/05/a_besta_mostra.html

  38. Lidador diz:

    Caro Figueira, eu não seria tão assertivo, científicamente falando. O que há é uma discussão marcadamente ideológica sobre a realidade biológica do conceito “raça”. Nessa base , o meu amigo afirma basicamente que a diferença genética não sustenta classificações raciais.
    Bem…a diferença genética para os chimpanzés é de menos de 1%…e contudo ninguém ousará colocar em dúvida que somos diferentes. As “raças” de cães, têm tb diferenças mínimas e contudo são raças…

    Estudos recentes sobre “marcadores microssatélites”, demonstram que os grupos humanos a que chamamos “raças”, são de facto, em certos aspectos, geneticamente distintos, e que a diferença não se reduz à maior ou menor quantidade de melanina na pele.
    Na realidade, até o hibridismo está em causa, porque é demonstrável que, por exemplo, se uma mulher chinesa acasala com um europeu, as hipóteses dos grupos sanguíneos serem incompatíveis são relativamente altas.

    De qualquer forma, apesar de as diferenças biológicas serem inferiores à própria diferenciação endogâmica, os seres humanos dão-lhe muita importância e parecem predispostos a confiar nos membros da sua própria raça, tal como esta é tradicionalmente definida, mais dos que nos membros de outras raças.
    A “raça” e a “etnia” (que combina também língua, costumes e rituais) são assim conceitos altamente significativos, em termos sociais e históricos e o “racismo” parece ser um daqueles memes de que Dawkins falava, omnipresente no mundo das ideias.

    Este meme parece ter surgido de forma oficial quando
    Lineu propôs a divisão da espécie humana em 4 raças biologicamente distintas.Não havia aqui conceitos ideológicos ou morais, apenas a constatação de uma diferença e a tentativa de a sistematizar.
    Foi já em 1853 que Gobineau, apoiando-se na tese de Lineu, argumentou que a civilização se degradava sempre que o sangue ariano se misturava com o de outras raças.
    O salto epistemológico para o racismo virulento que não tardou
    Na Alemanha , por exemplo, os judeus eram aquilo que mais semelhante havia de uma “raça diferente”, pelo que quando Hitler afirmava que “os judeus querem poluir o sangue do Volk alemão”, não estava a dizer nada de novo.
    Richard Wagner postulava que o “sangue judeu é corrosivo”
    Duhring lamentava a “implantação dos traços característicos da raça judaica”, Lagarde acreditava que os judeus eram “portadores de decadência” e comparava-os a “triquinas e bacilos”, Proudhon e Bakunin, escreviam textos de grande hostilidade contra os “parasitas judeus” e até Engels e Marx postulavam a extinção de certas raças.

    Enfim, se fizermos uma abordagem fenomenológica, a raça é identificável a partir de vários pontos de vista.

    Sem ir mais longe, na medicina forense, identifica-se a “raça”, pela mera estrutura óssea.
    Para estes especialistas, a raça existe e é objectivamente descrita.

    O dizer-se que “não há raças”, é apenas uma visão ideológica politicamente correcta.
    De resto, se levada muito a sério, poderá fazer concluir que, se não há raças, então não há racismo..

  39. Rui diz:

    Não me venham dizer que eu estou de acordo com este gajo! Antes de mais nada eu adoro outras raças e tenho enorme simpatia por híbridos. Daí me irritar um pouco com a antipatia com a palavra raça. Como dizia o Jorge Amado talvez a solução fosse nos tornarmos todos híbridos, e da mesma raça resultante, mas ia ser uma chatice. Mas para ser sincero existe algumas, poucas, raças que não sou capaz de dizer que considere em geral atraentes. E elas estão em precisamente ilhas. As tais ilhas de uma só raça…

  40. Se calhar ainda valerá a pena introduzir uma “agulha” e separar esta interessante discussão em duas: a questão do uso do termo e do conceito de “raças humanas” e a outra questão, a da campanha.

    Quanto a esta, só a conhecendo pelo cartaz que dá origem ao Artigo de Ant.º Figueira, parece-me que haverá que condescender um pouco no rigor e na “erudição”, atendendo a que a mesma se destina ao chamado “grande público”. Como diz a minha mulher (que por acaso não é branca), esta é a linguagem a que os principais destinatários da campanha estão habituados e entendem bem. Claro que deverá sempre sopesar-se a eficácia comunicacional com a eventual veiculação de “sub-mensagens” de efeito contrário…

    Quanto à questão principal, parece-me que o uso da palavra e do conceito de “raças humanas” em si não é necessariamente negativo, por fomentar sentimentos ou atitudes racistas. Mas não deixa de ser, quanto a mim, um conceito cada vez menos operativo no Mundo em que vivemos. Até porque me parece extremamente deficiente. Exemplos: os judeus são uma “raça”? Todos os que eu conheço me parecem caucasianos, à vista desarmada…

    E os ciganos? E os indianos? São “pretos” ou “brancos”? E os árabes? E nós, portugueses?!… Parece-me óbvio que, tal como o arco-íris, só fará sentido utilizar o termo “raça”, como “côr”, para as “puras” – negra, branca, vermelha, amarela, azul. Todas as outras serão apenas graduações intermédias resultantes de misturas em deiferentes proporções. Mas mesmo as raças ditas “puras”, em rigor, não o são. Como se sabe, a Bíblia afinal não é só uma data de patranhas e toda a Humanidade terá, de uma certa forma ainda mal explicada, descendido de uma única Mulher, cujo fóssil terá sido descoberto em África. Os especialistas que elicudem, mas é universalmente conhecido que, quando se dão as mutações morfológicas que conduzem às “actuais raças”, já o homem era da espécie homo sapiens sapiens, ou seja, os índios americanos derivam dos asiáticos que, como nós caucasianos, derivamos todos dos… africanos.

    Será que isto é suficiente para chegar a alguma plataforma consensual?

    Se não, peço desde já ajuda: como irá o meu filho responder nesse tal inquérito das “raças”, ou se o Lula um dia lhe perguntar qual é a sua “raça”, para o preechimento de alguma papelada lá no Brasil (que estranho, políticas federais “em função da raça”, num País como o Brasil, onde parecem todos ter “raça de quem não tem raça”…)?

    Bem, aí o meu filho, garbosamente e com muita raça, exigirá um impresso especial para escrever, talvez, “mulato de caucasiano português (90% alentejano-10% beirão) com negra, arraçada de algarvia (na geração dos avós)”, ou qualquer outra fórmula mais avançada e socio-politicamente correcta de dizer “rafeiro humano”, ou “mestiço de misto com mulata”, que é no fundo, queiramos ou não, AQUILO QUE TODOS NÓS SOMOS…

  41. p.porto diz:

    a A.Castanho

    Sobre o Brasil. Foi caricato, mas politicamente correto, quando F.H.Cardoso decidiu implementar políticas sociais em função da raça. Isto é, para se ser ajudado em certas circunstâncias pelo Governo dexou de ser suficiente ser pobre, passou também a ser preciso ter a cor certa. Isto num país com uma profunda tradição de não-racismo que vinha/vem do tempo dos portugueses.

    Levantou uma questão que na prática era preciso responder no Brasil. Qual a raça da maioria dos brasileiros? É que excluídos os brancos, os pretos, os índios, perceberam que havia cerca de 50% de pessoas cuja raça era uma mistura disto tudo. Resultado, os brasileiros escolheram a designação oficial de “pardo” para todo aquele cuja raça não se conseguisse determinar por ser uma mistura de todas as outras.

    Estas coisas têm cerca de uma década. Até aí, no Brasil, não havia, julgo mesmo que eram proibidas, estatísticas raciais. Com isto pretendia-se impedir a abertura de feridas sociais de cariz racista. Pretendia-se que todos os brasileiros eram iguais nos seus direitos e deveres, a cor da pele não podia beneficiar nem prejudicar legalmente ninguém. Hoje já não é assim. Quebrou-se uma tradição que era um exemplo para o mundo. Foi pena.

  42. samuelquedas diz:

    “O facto de todos sermos, de alguma forma, rafeiros, não nos impede de, por exemplo, olharmos para a cara do Rui Rio e percebermos que, de facto, um dos seus progenitores era alemão.”
    Luis Lavoura

    Já eu, olho para a cara e sobretudo o que faz Rui Rio e não tenho dúvidas de que algum dos seus antepassados era “pateta”.
    Tenha dó!

  43. António Figueira diz:

    A dois comentadores recentes, um dos quais assinava lamartine: por erro, de que peço desculpa, os V. comentários foram apagados quando se procedia à limpeza de spam no backoffice. Se quiserem fazer o favor de voltar a comentar, ficamos agradecidos.

  44. Caros , sou brasileiro, negro, estudioso da temática e ativista do movimento negro, esclarecendo :

    O superado conceito de raça tem fundo morfológico (aparência fisica comum dos grupos humanos continentais) e foi baseado nas teorias RACIALISTAS entre elas a classificação de Linnaeus, já o conceito de etnia (tribo) é sócio-cultural e se aplica a populações que se vem como “parentes remotos” com língua própria, cosmovisão,mito de criação e tradições remotas, não raro a ETNIA é confundida com nacionalidade, mas é um conceito bem mais amplo pois uma etnia pode comportar várias nacionalidades e vice-versa.

    RACISMO é uma ideologia supremacista de um grupo étnico-racial tradicionalmente dominante sobre outro ou outros tidos como “inferiores”, não é necessária diferença “racial visual” para a prática do racismo… a diferença pode ser apenas étnica.

    Hoje o conceito de “raça” é social, pois no imaginário das pessoas o fenótipo (aparência) aliado a alguns fatores culturais é que determina “diferenças” e é isso que alimenta o RACISMO (mesmo sem qualquer base científica) .

    Não é que os militantes anti-racistas ou o governo brasileiro desconheçam o sentido do termo “raça” ou “insistam” em conceito superado, o termo “racial” ainda é utilizado pois é a partir dele que a maioria da população “entende” a questão…, não é possivel eliminar o racismo simplesmente dizendo que não há raças…, o racismo não precisa mais do conceito de raça biológica para sobreviver, a questão se dá pelo enfoque fenótipico e cultural (o que a maioria entende por “raça”) logo, assim como o soro antídoto para picadas de cobras é feito do próprio veneno, o conceito de preconceito e discriminação “racial” é utilizado para combater o racismo.

    Esperamos que um dia com a educação progressiva, o conceito de “raça” desapareça da mentalidade das pessoas assim como o racismo.

    Saudações a tod@s

  45. A. Castanho, sinto informar que apesar do mundo (e até muitos brasileiros) acharem que o Brasil sempre foi um “paraiso racial” , tal idéia nunca passou de um mito , por nós conhecido com “mito da democracia racial ” e desmascarado por famosa pesquisa da UNESCO já na década de 50 do séc. passado. O problema é que antes os negros (e ai no nosso conceito incluimos os miscigenados) e os indígenas não tinham poder de comunicação nem acesso, nem nível educacional para poder denunciar o racismo escamoteado do brasileiro e se articular nacionalmente em movimentos anti-racistas. Só a partir da década de 90 e com o advento da internet é que foi possível mostrar ao mundo a fraude da inexistente democracia racial brasileira, onde o racismo se dá não abertamente e nas convivência sociais, mas principalmente no embarreiramento sócio-econômico dos “não-brancos” .

  46. As linguas modernas não conseguiu se livrar deste RANÇO que remonta a Aristóteles, cuja base lógica classificatória permanece como o manancial da tradição ocidental de classificação, para exploração das metropoles sobre as colônias. Bernal considerava, não desacertadamente, que a classificação foi talvez a maior, e mais perigosa, contribuição de Aristóteles para a episteme do Ocidente. O Ocidente utiliza o vocabulo “raça”S””, Isto é, verbaliza este vocabulo para uso, essencial: EXPLORAÇÃO DO HOMEM PARA COM O HOMEM. Quando da classificação dos seres humanos. As diciplinas Positivistas não consegue se desprender desta angustia, e facilmente se deliquilibra, quando são instigados a pensar. Olhe para o Canon Sagrado e veja como trataram as violências contra o homem. Nunca aceitaram RACIAR, Só de Eusébio de Cesareia em diante que este mau começou assediar a humanidade, San Tomas de Aquino, Santo Augostinho de Hipona e outros teólogos a serviço do OCIDENTE é que vai se aproveitar das “linguas” novas para RACIAR. A Biblia só fala de homem espiritual e homem carnal. e Os Monges canônicos foram felizes no tratamento desta questão de Gênero.

  47. remonta a Aristóteles, cuja base lógica classificatória permanece como o manancial da tradição ocidental de classificação. Bernal considerava, não desacertadamente, que a classificação foi talvez a maior, e mais perigosa, contribuição de Aristóteles para a episteme do Ocidente.

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