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Sobe de tom a polémica entre dois dirigentes socialistas. De um lado, Ana Gomes, deputada no Parlamento Europeu (PE) e membro da Comissão Nacional do PS. Do outro, José Lello – deputado na Assembleia da República e membro do Secretariado Nacional do partido. No seu blogue, ‘Causa Nossa’ (causanossa.blogspot.com), a antiga embaixadora de Portugal na Indonésia comenta em termos cáusticos o alegado envolvimento de Lello no caso da ‘Operação Furacão’, que implica empresários portugueses detidos no Brasil por pertencerem a uma rede de jogos ilegais.

‘José Lello aplicou-se ao longo dos anos, na aparelhagem socialista e do Estado, a desenvolver múltiplos talentos empilhadores que in illo tempore o terão feito (dizem-me) vendedor na Catterpillar: evidencia hoje total descontracção no accionamento em simultâneo de várias expertises – da promoção de qualquer banha da cobra à penetração no submundo futebolístico, passando pela gestão contabilística criativa de campanhas eleitorais offshores. E ainda demonstra apurado faro no head hunting de representantes socialistas e consulares devidamente encartados no Jogo do Bicho ou engenharias similares’, escreve Ana Gomes.

Contactado pelo ‘DN’, Lello alegou desconhecer o texto da eurodeputada. ‘Isso apenas define a pessoa que escreve’, afirmou.

O contencioso entre ambos é já antigo. Antes do último congresso do PS, falando ao ‘DN’, Lello fez um apelo a Ana Gomes para renunciar às funções directivas no partido devido às investigações que fez em Bruxelas sobre o envolvimento de Portugal nos voos ilegais da CIA. Recentemente, o ‘Correio da Manhã’ transcreveu escutas telefónicas no âmbito das investigações ao caso ‘Apito Dourado’ em que Lello era mencionado pelo advogado Lourenço Pinto em diálogo com o presidente do FC Porto, Pinto da Costa. Discutiam a instauração de um processo contra a eurodeputada. ‘O Lello disse-me que… que… até me agradecia muito que fizéssemos a queixa porque queriam ver-se livres dela…’, terá dito o advogado, acrescentando: ‘E, portanto, a queixa dá mais… mais força para… para a gaja desandar, não é?’

(por Pedro Correia, in “DN”, 15.05.07)

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SEXTA | António Figueira
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