A fé move montanhas

Pergunta: O que é que há em comum entre o Governo do Eng.º José Sócrates e o Sport Lisboa e Benfica do Eng.º Fernando Santos? Resposta: O mesmo curiosíssimo processo mental de substituição do facto pela crença, o mesmo distanciamento da realidade, o mesmo desprezo pelo senso comum. Título do jornal “O Benfica” de hoje: “‘Eles’ estão unidos na estratégia” – e por “eles” devemos entender aqui os verdes, os azuis, os de preto e mesmo alguns de encarnado, em suma “o sistema” em todo o seu esplendor, responsável pelos pontos perdidos no campeonato, pela eliminação na UEFA e por tudo mais que aconteceu e venha a acontecer à equipa do “Engenheiro do Penta” (que, como é sabido, joga sempre bem e se não ganha é porque é roubada). Da mesma forma, só a vasta aliança entre os ressabiados e os invejosos, a blogosfera anónima e o jornalismo de sarjeta, o saudosismo de direita e o sebastianismo de esquerda, explica a campanha em curso para assassinar o carácter de um trabalhador-estudante “de certa maneira exemplar”, cujo percurso o Ministro Mariano Gago, aparentemente de regresso de Pyongyang, sugeriu que devia encher todos os portugueses de “orgulho e regozijo”. Para mim chega: sinto-me definitivamente esclarecido (e resisto mesmo à tentação de proceder a qualquer apreciação estética do hábito de rematar cartas com a expressão “Seu”). Quando chegar a vez do Dr. António Costa, pelo menos uma coisa é certa: ele tirou o curso como os outros (eu estava lá) e se nunca conseguiu ser Presidente da Associação Académica (o que parece que muito o penaliza) também nunca escreveu no seu currículo que algum dia o foi.

PS Estranho, muito estranho: nas últimas semanas dei comigo a simpatizar com um jornal um bocado irritante e self-righteous chamado “Público”, só porque passou a incarnar o “jornalismo de sarjeta”; deve ser um fraquinho que eu tenho pelos underdogs (e que acho que é hereditário).

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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2 respostas a A fé move montanhas

  1. rbv diz:

    estava cheia de pica para escrever mais uns textos sobre estas cómicas explicações do PM sobre o que pensa ser a total legitimidade para ele escolher os caminhos mais fáceis e menos rigorosos – para si – exigindo simultâneamente aos outros os níveis máximos, bem como sobre as atrapalhadas perguntas (ou a falta delas )por parte de alguns jornalistas ……..mas depois de ler o texto do António Figueira acho que está lá quase tudo dito. E aos que não vêm ,coitadinhos ,nem um palmo à frente dos olhos e até gostam de ser comandados por “seres superiores” …….só digo: FELIZES OS POBRES DE ESPÍRITO!

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