Nos lençóis da pátria

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Adriana Lima by Satoshi Saikusa 1998


O director editorial da Sábado e do Correio da Manhã, o jornalista João Marcelino, revelou o que lhe assombrava a alma, num editorial da revista Sábado. Em linhas combativas, contou que tempos sombrios ameaçam a pátria. O director, que impôs ao vil papel de jornal da Cofina a genuflexão pelos valores cristãos e da família, é, a esse respeito, peremptório: “Este referendo foi, assim, mais uma vitória política fracturante de Francisco Louçã, que com talento tem imposto à sociedade portuguesa”. Tudo passaria pela “dissolução dos costumes”: Louçã conseguiria a despenalização do aborto e legalizar os casamentos dos homossexuais; a família cristã sucumbiria e a revolução totalitária estaria a um segundo de acontecer. Resumindo, atrás de um bom cu, muita gente perderia a cabeça. Marcelino faz-me lembrar aquela anedota em que um velho alentejano encontra a mulher com outro na cama e comenta assustado: “Francamente Maria, qualquer dia até fumas…”. Com os problemas existentes em Portugal: desemprego, crise económica, pobreza, etc.. a Marcelino só preocupa se os homossexuais se casam.
Sinceramente, com todo o respeito pelo director do jornal mais bem feito de Portugal, nem Deus, nem Marcelino são chamados para fiscalizar a cama de cada um. Ninguém impede Marcelino de se tornar um eremita ou sibarita e ninguém tem o direito de impedir que os homossexuais se casem. O resto é conversa.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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