Muita parra e pouca uva

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O facto da Coreia do Norte anuir em fechar o seu principal reactor nuclear dentro de 60 dias em troca de fornecimentos de petróleo e energia eléctrica, concordando também em pôr fim ao seu programa militar atómico são, obviamente, boas notícias. Mas nem tudo está resolvido. Trata-se apenas do prefácio. Recebeu muito e ainda tem a bomba. O triste destino de acordos anteriores com este regime feudal requer as maiores cautelas. Esperemos, contudo, que este seja, realmente, o início do caminho para o desarmamento. Se tudo correr bem a estrada será longa e o mundo estará mais seguro. Se Kim Jong Il voltar à carga, o desengano não tardará.Contudo, o sempre brilhante John Bolton afirmou que a negociação correu mal porque passa a mensagem de que “portar mal compensa”. E afirmou que o “acordo contradiz as premissas fundamentais que a política do presidente nos passados seis anos”. É pena que, como evidencia o editorial do The Guardian de hoje, que Bolton não se recorde que o acordo alcançado ontem nos leva apenas a 1994, quando Clinton negociou com a Coreia do Norte. Acordo rejeitado, em 2002, por Bush. Se a mensagem “para sairmos do eixo do mal basta andar para aí a testar armamento nuclear” é má, o que dizer da mensagem que passa a administração Bush?As lições que Washington deve tirar da negociação com a Coreia do Norte são mais que muitas. As conversações, a diplomacia e a pressão internacional dão resultados. A guerra não é necessária para desarmar (que raio de frase!). Quanto a Bolton que persiste na sua velha máxima “i don’t do carrots”, tem razão quando diz que Bush mudou de rumo. Mas foi, justamente, esta rota do multilateralismo que deu algum resultado. Se a Coreia do Norte falhar, falhará também com a China, a Coreia do Sul, a Rússia e o Japão. As sanções serão, então, bastante mais simples de executar. O caso do Irão beneficiaria desta aprendizagem. Uma ideia que quer o editorial do NY Times de hoje, quer o do Le Monde, desenvolvem. Este último pergunta se será necessário que Teerão faça testes nucleares para que comece uma grande negociação. Exacto. Mas como o Irão não cumpre a segunda premissa para a negociação (não ter petróleo), talvez nem isso resultasse. Esperemos que as conversações com o Irão não confirmem que para a diplomacia de Bush chegar a bom porto é preciso muito show off e pouco petróleo. Que é como quem diz, muita parra e pouca uva.

Sobre Joana Amaral Dias

QUARTA | Joana Amaral Dias
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26 respostas a Muita parra e pouca uva

  1. Ezequiel diz:

    Brilhante! Os acordos que Clinton celebrou com a CN em 2002 foram sistematicamente quebrados logo após terem sido concluidos. Agora temos perante nós as negociações de 2007, que serão quebradas tão cedo o regime necessite, mais uma vez, de extorquir ajudas da comunidade internacional. Para a CN o nuclear é uma forma de ganhar dinheiro. Para o Irão é uma forma de concretizar ou antecipar a profecia do mahdi. Este é o credo da Guarda Revolucionária, o distinto grupo de filhos da puta lunáticos que produziu o mui razoável lider iraniano. Presumir que a estratégia é “intercjangeable” é de uma estupidez atroz (pq ignora a dinâmica interna da coisa, a dinâmica externa da coisa..enfim a dinâmica total da merda da coisa!) Aconselhava a Menina Joana a se informar devidamente acerca das nuances psico-filosóficas desta doutrina. É uma doutrina dialógica, sem dúvida. Talvez fosse sensato ponderar o seguinte: a racionalidade que a Joana presume existir do Irão á CN é simplesmente uma “delusional projection.” Presume que exista uma “racionalidade universal” que lhe permita, a si ou a qualquer outro jornalistazeco do NYT, Guardian ou Le Monde , pensar que x funciona em ambos os casos. Infelizmente, estas coisas são mais complicadas. Isto não é ciencia cognitiva! São dois casos muito distintos. Haja pachorra para aturar as diatribes de jornalistas e “opinion makers.” INCRIVEL!

  2. Ezequiel diz:

    O que me irrita, o que me dá a volta ás pontinhas dos pezinhes, é a merda da SUPERFICIALIDADE das interpretações…jornalisticas, que apelam à moralidade e a uma necessidade infantil de segurança…Porra! Se os acordos de Clinton tivessem funcionado não teriamos a necessidade de negociar os acordos de 2007?!?!? Certo, Einstein?! Cite-me um unico caso de desarmamento pela via diplomática (estou à espera que me fale da Libia…research it…it had nothing whatsoever to do with diplobabble…fico a aguardar os resultados desta pesquisa exaustiva…num post, é claro!)

  3. Ezequiel diz:

    “Les Européens, qui négocient depuis près de quatre ans avec l’Iran, n’ont rien obtenu. “

  4. viana diz:

    O Ezequiel devia acalmar-se e deixar de chamar ignorante quando demonstra ele próprio atroz ignorância.

    Da Wikipedia,

    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_states_with_nuclear_weapons

    States formerly possessing nuclear weapons

    Nuclear weapons have been present in many nations, often as staging grounds under control of other powers. However, in only a few instances have nations given up nuclear weapons after being in control of them; in most cases this has been because of special political circumstances. The fall of the USSR, for example, left several former Soviet-bloc countries in possession of nuclear weapons.

    South Africa – South Africa produced six nuclear weapons in the 1980s, but disassembled them in the early 1990s. In 1979 there was a putative detection of a clandestine nuclear test in the Indian Ocean, and it has long been speculated that it was potentially a test by South Africa, perhaps in collaboration with Israel, though this has never been confirmed (see Vela Incident). South Africa signed the Nuclear Non-Proliferation Treaty in 1991.

    Former Soviet countries
    Belarus – Belarus had 81 single warhead missiles stationed in their territory after the Soviet Union collapsed in 1991. They were all transferred to Russia by 1996. Belarus signed the Nuclear Non-Proliferation Treaty.
    Kazakhstan – Kazakhstan inherited 1,400 nuclear weapons from the Soviet Union, and transferred them all to Russia by 1995. Kazakhstan has signed the Nuclear Non-Proliferation Treaty.
    Ukraine – Ukraine has signed the Nuclear Non-Proliferation Treaty. Ukraine inherited about 5,000 nuclear weapons when it became independent from the USSR in 1991, making its nuclear arsenal the third-largest in the world. By 1996, Ukraine had voluntarily disposed of all nuclear weapons within its territory, transferring them to Russia.

    Leia também: http://en.wikipedia.org/wiki/Chemical_Weapons_Convention

    Já para não falar dos tratados EUA-URSS/Rússia de desarmamento nuclear parcial.
    E isto refere-se apenas a armas “não-convencionais”. Existem vários tratados (i.e. via diplomática) de redução de armamento convencional, em particular na Europa.

    Qual é a solução do Ezequiel? Rebentar com todos aí do sofá onde está sentado?…

  5. Ezequiel diz:

    Não é a arma que decide matar.

    Dear Imbecile aka Viana

    I suggest you dramatically improve your command of the English language. Once an imbecile, always an imbecile.

    “However, in only a few instances have nations given up nuclear weapons after being in control of them; in most cases this has been because of special political circumstances.”

  6. Ezequiel diz:

    Já lhe explico as excepções. Acabei de acordar e tenho que ir trabalhar ás 7 da matina. Quando regressar, explico-lhe tintim por tintim estes “casos.”

  7. Ezequiel diz:

    PS: Que se lixe o trabalho.

    Os casos dos ex estados da URSS não sao casos de desarmamento porque as armas não pertenciam aos países satélites mas á motherland Russia que as reapropriou. Aqui o termo desarmamento significa redução do numero de armas (mas o poder destructivo total manteve-se) EUA-URSS é um caso de redução que resultou de uma estratégia completamente lunática (MAD: Mutually Assured Destruction). Hoje, tanto os EUA como a Rússia possuem milhares de misseis, mais do que suficientes para nos destruirem a todos muitas vezes. (ou seja, na realidade não houve desarmamento nenhum…houve uma diminuição do numero de armas, mas o poder destructivo- que é total- manteve-se inalterado)

    O caso da Africa do Sul é muito especial. O regime de apartheid quis ter um “deterrent” contra uma potencial invasão soviético-cubana-africana. Com o colapso do apartheid, a necessidade de “deterrence” evaporou-se.

  8. Ezequiel diz:

    reapropriou não é o melhor termo… TRANSFERIU. O Kazakhstan e a Belarus NUNCA exerceram qualquer controle estratégico sobre as armas. Nem podiam: não existiam estruturas nacionais de poder.

    Is this sufficient, or do you need another lecture? 🙂

  9. viana diz:

    Tanta arrogância e pedantismo provavelmente devem dificultar um pouco o raciocínio.

    Não era de todo óbvio ou consensual a quem pertenciam as armas nucleares estacionadas nos diferentes países que resultaram do desmembramento da URSS. Sempre que um país se fracciona é preciso que as partes decidam, tal como num divórcio, a quem pertence o quê. O que é um facto é que a Ucrânia, em particular, renunciou à posse das armas nucleares estacionadas no seu território quando poderia perfeitamente e legalmente exigido ter o seu controlo. Fez tal não só por uma questão de princípio mas também porque recebeu contrapartidas directas: “The trilateral agreement signed in Moscow on 14 January 1994 by the United States, Russia, and Ukraine was seen as a significant Western success in disarming Ukraine of nuclear weapons. Under the agreement, the Russian Federation undertook to send 100 tons of fuel to Ukraine for its nuclear-power plants. The United States agreed to pay $60 million to the Russian Federation in support of that process. For its part, Ukraine agreed to transfer 200 nuclear warheads over a 10-month period.” (http://www.fas.org/nuke/guide/ukraine/index.html). Tão parecido com o actual acordo com a Coreia o Norte…

    Quanto à Africa do Sul, nem sequer foi preciso processo negocial! Isso parece-me ainda mais nas antípodas do que o Ezequiel acha que é a única maneira de fazer um país renunciar a armas nucleares: a sua invasão, com o consequente cortejo de mortes e destruição. E porque é que no caso da Africa do Sul não foi preciso sequer negociar? Porque, como o Ezequiel afirmou, o negócio aconteceu “naturalmente”: desapareceu o receio de invasão, desapareceu a necessidade do efeito dissuassor da arma nuclear. Será que isto não é uma pista a ter a conta nas relações com a Coreia do Norte e Irão?…

    A ignorância só é um problema quando os ignorantes se baseiam na sua ignorância para defender o assassínio em massa.

  10. Ezequiel diz:

    Correcção: os acordos de clinton com a CN não foram quebrados em 2002(foram quebrados pouco tempo depois de terem sido negociados em 1998)

    http://www.fas.org/news/ukraine/k16.html

    Leia, atentamente, o que esta aqui escrito. Em termos geopoliticos (as afinidades culturais com a russia, o desejo da integração na Europa etc) o caso Ucraniano não e comparavel ao da CN. O acordo com a CN e parecido mas as razoes para o acordo com a ucrania foram muito diferentes (a Ucrania ja era uma democracia quando abdicou das suas armas. Alem disso, a ucrania, tanto quanto sei, nunca intimidou ninguem com lancamentos de misseis (sobre o japao) e nunca foi governada por um tirano lunatico. Ou seja, não podemos falar de uma racionalidade estrategica que se aplique de forma indeferenciada a todos os paises que possuem armas nucleares.

    Nao se trata de “one size fits all.”

    Pois, não foi preciso um processo negocial porque os lideres sul africanos perceberam que as condiçoes estruturais (o colapso do apartheid e do bloco sovietico) tinham mudado radicalmente. Tudo isto resulta das seguintes premissas:

    que os lideres dos paises que possuem as armas nucleares, movidos pela intenção de se integrarem plenamente no sistema internacional, abdicam desta capacidade belica. Esta abertura ao sistema internacional coincidiram (surprise!?) com a democratização. O mesmo nao acontece com paises genuinamente dogmaticos ou com paises (como a india e paquistao) que sao rivais regionais. Existem diferenças profundas entre os regimes da ucrania, a africa do sul e o irão e a cn. A dimensao interna, nos regimes dogmaticos, raramente e suplantada pela dimensão sistemica (o irao nao cede as pressoes internacionais).

    Recordo-lhe o seguinte: ” presumption is the mother of all fuck ups!” Eu não defendi a tese de que se consegue o desarmamento APENAS atraves da força. PArece-me estar a presumir demasiado a meu respeito.

    A FAS e uma associacao de cientistas. Prefiro outras fontes, como o Royal Institute of International Affairs, a World Politics, e as publicacoes de investigadores que se dedicam ao estudo aprofundado destes assuntos. Prefiro a arrogancia a ignorancia e detesto a charlatonice, decididamente. Pensar que todos paises e regimes são movidos por uma racionalidade comparavel ou equivalente e pura idiotice.

    Como diz o dono do meu pub “Empty generalisations are the grammar of lazy minds.”

  11. Ezequiel diz:

    PS: quase que me esquecia. A URSS foi, simultaneamente, um imperio RUSSO e uma construção ideologica internacionalista (recomendo John Dunlop, the two faces of russian nationalism). Ou melhor, foi um imperio movido simultaneamente pelo nacionalismo russo e pelo internacionalismo leninista. Estes dois aspectos fundiram-se. O controle estrategico das armas esteve sempre em Moscovo, nunca em Kiev. Os ucranianos nunca poderiam se apoderar de armas que não controlavam, no sentido mais pragmatico possivel do termo. Tudo o que era essencial era controlado obsessivamente no centro imperial: moscovo.

  12. xatoo diz:

    uma sugestão:
    ¿porque não passar o Ezequiel para o rosto dos posts e pôr a JAD a comentar de empreitada?

  13. viana diz:

    Ainda bem que o Ezequiel se acalmou, tornando-se mais moderado nas suas afirmações.

    Cada caso é uma caso, e obviamente o caso da Ucrânia é diferente do da Coreia do Norte. Em particular, porque a Ucrânia não só teria dificuldade em obter o controlo efectivo das armas nucleares existentes no seu território (mas conseguiria-o mais tarde ou mais cedo), mas também por sempre ter dito que por uma questão de princípio não tinha interesse em as manter. No entanto, há semelhanças: a Ucrânia tinha uma forte motivação para ter armas nucleares, que aliás levou a algumas hesitações dos seus responsáveis sobre a questão, a qual seria o efeito de dissuasão sobre uma eventual futura tentativa da Rússia se apoderar de parte ou de todo o território ucraniano; a Ucrânia só aceitou finalmente ceder as armas nucleares existentes no seu território depois dum **processo negocial** que resultou numa recompensa para a Ucrânia pelo seu comportamento. A Coreia do Norte apenas tem interesse na arma nuclear como mecanismo de dissuasão, e aceita o princípio da sua abdicação após contrapartidas, por exemplo a garantia de que os EUA nunca, sob pretexto algum, a invadirão.

    “a Ucrania ja era uma democracia quando abdicou das suas armas.”

    Isso é ser muito imaginativo…

    “Alem disso, a ucrania, tanto quanto sei, nunca intimidou ninguem com lancamentos de misseis (sobre o japao) e nunca foi governada por um tirano lunatico. Ou seja, não podemos falar de uma racionalidade estrategica que se aplique de forma indeferenciada a todos os paises que possuem armas nucleares.”

    Não há nenhum indício de que a Coreia do Norte pretenda utilizar as suas armas nucleares de modo ofensivo. Tudo o que a Coreia do Norte em feito é perfeitamente racional do ponto de vista dum regime que se sente isolado, ameaçado e que pretende sobreviver. Repito sobreviver, i.e. não aniquilado numa resposta nuclear a um ataque nuclear lançado pela Coreia do Norte seja contra quem fôr.

    “que os lideres dos paises que possuem as armas nucleares, movidos pela intenção de se integrarem plenamente no sistema internacional, abdicam desta capacidade belica. Esta abertura ao sistema internacional coincidiram (surprise!?) com a democratização.”

    Errado. Há inúmeros países que se “abriram ao sistema internacional”, nomeadamente em alguns casos passando a fazer parte da OMC, e que nada fizeram em termos de democratização. Exemplos? Líbia, Vietname, China, Azerbeijão. O que possuem em comum: não ameaçam os interesses dos EUA, e pelo contrário possuem recursos que interessam aos EUA explorar. No caso específico de estados com armas nucleares, há o caso inverso de democracias que mantêm o seu arsenal nuclear, como a França e os UK. Portanto, a democracia não leva a que um regime abdique das suas armas nucleares. Precisa de ter interesse em tal. Quem é que agora está a ser simplista e a fazer generalizações?…

    “Eu não defendi a tese de que se consegue o desarmamento APENAS atraves da força.”

    Dizer “Cite-me um unico caso de desarmamento pela via diplomática” equivale a dizer que não se acha possível levar um Estado a desarmar-se pela via diplomática, independentemente desta vir acompanhada (e vem sempre) da ameaça de sanções.

    “Pensar que todos paises e regimes são movidos por uma racionalidade comparavel ou equivalente e pura idiotice.”

    Todos os Estados são movidos por razões, ou interesses. Eles podem é ser pouco “apelativos” para outros Estados. Se se quer obter algo dum Estado deve-se primeiro compreender quais são as razões que o movem e depois guizar uma estratégia **pragmática** que compatibilize os interesses dos Estados envolvidos em negociação. Não negociar com certos Estados, seja porque fôr, é uma posição ideológica. De pura cegueira, de intelectuais de sofá que nunca sofrerão na pele as consequências da adopção daquilo que defendem.

  14. Ezequiel diz:

    Haja paciencia.

    Mais uma vez, generalizaçoes. A China nao ameaça interesses dos EUA??

    Não ha nenhum indicio de que a CN pretenda utilizar as suas armas de modo ofensivo. Sinceramente, depois de pelo menos 2 testes, com misseis da CN a sobrevoar o Japao (que induziram os nips a reformularem a sua doutrina estrategica)…O que é para si um”indicio”??? Isto esta a ficar cada vez mais ridiculo e infantil. E o irao e as suas declaracoes?

    Cada caso e uma tese radicalmente diferente da tese apresentada neste post, defendida por si tambem, erradamente (reconheço que deveria ter qualificado o desarmamento de regimes dogmaticos…como o irao…a Libia é um regime autoritario mas Khadaffi há muito que se deixou de devaneios dogmaticos no dominio da politica estrangeira, tanto quanto sei)

    “mas conseguiria-o mais tarde ou mais cedo” Esta declaracao profetica revela um total desconhecimento da natureza da relacao entre a ukr-russia. OS russos teriam congelado os pobres dos ucranianos se tivessem tentado fazer tal coisa. Sim, houve algumas hesitacoes, que nao assumiram qq significancia…hesitacoes que nao ascenderam ao estatuto de motivacoes e que sao, por isso, perfeitamente triviais. A afirmacao da intencao de desnuclearizar ANTECEDEU o processo negocial. O processo negocial foi uma formalizacao de algo que ja estava decidido ha muito…por moscovo!

    Os Yanks andam ha mais de um seculo a afirmar publicamente a garantia de que nunca invadirao a CN. Não percebo qual e a diferenca destas garantias com as garantias actuais! Alias, e sobejamente sabido que a forças americanas situadas na CS nunca, jamais, seriam suficientes para invadir a CN que tem um exercito de milhoes. É um absurdo supor tal coisa. E o Kim sabe-o. E por isso que nao hesita testar misseis sobre zonas sensiveis, por varias vezes Esta-se a borrifar. Portanto, como pode ver, a sua tese da dissuasao esta errada (A logica e a da extorsao, que e algo bt diferente)

    Ouca, eu não vou entrar aqui em debates de semantica sobre o significado, teorico ou practico, da democracia. Penso que percebeu o que eu queria dizer (ja nao era uma ditadura soviete e estava a iniciar a sua democratizaçao) Mas, como disse, caso a caso. Este foi o meu argumento central. A libia abdicou do seu prog de armamentos biologicos para poder se integrar no comercio internacional. CASO A CASO! tanto qt sei o Vietname nunca possuiu armas nucleares. Sim, abriu-se ao sistema int…mas eu estava a falar de regimes dogmaticos (o post falava da extrapolação do caso Coreano para o caso IRANIANO)

    Quanto as democracias, penso que ja qualifiquei o argumento. Nao sou determinista. Não acredito que uma democracia nao procure ou use armas nucleares (estava a falar do potencial para o desarmamento e do uso das armas) Nao ha nada de inevitavel aqui. Apenas probabilidades.

    Cite-me um caso de desarmamento. Voce citou a ukrania. Eu disse o que pensava sobre o assunto. Cita a CN. Eu digo-lhe que isto se faz caso a caso.

    Repito: falei da abertura-democratizacao no contexto do desarmamento. Bolas, ufa,

    Meu caro, se voce acredita que os regimes dogmaticos como o irao compatibilizam os seus interesses…OK! …e eu é que sou um “intelectual de sofá”: a crenca numa sintese harmoniosa manifesta-se diariamente nas declaracoes de teerao sobre o que pensam fazer a israel… mas sobre isto, nem uma palavrinha!..Churchil concerteza poderia lhe explicar, mt melhor do que eu, sobre os perigos de negociar com aqueles que consideram as negociacoes um mero instrumento para ganhar tempo. O irao nao e a ucrania.

  15. Ezequiel diz:

    ha mais de uma decada

  16. Ezequiel diz:

    PS: As causas da negociacao CN, tem mt mais a ver com as condicoes internas na CN (miseria total, milhares a morrer a fome: recentemente a situacao tornou-se insustentavel) do que com a diplomacia Sino-Americana-Russa etc

    agora vou para o sofa, fingir ser um intelectual. What a pleasant idea!

    Quais eram as motivacoes da ukr para possuir armas nucleares?

    “O que possuem em comum: não ameaçam os interesses dos EUA”

    Sempre os EUA como os mauzinhos. Uma formula perfeita. Eu comeco a pensar que o retorno ao bom e velho isolacionismo (Americano) talvez seja mesmo o melhor, para os Europeus e para todos. Os outros que se fodam, que se defendam, que optem pelas negociacoes que lhes apetecer, com os ahmdinejahs, com os hamas, com os hezbollahs, com a al quaeda, com os mario soares, com os milhares de fanaticos muculmanos que estao por esta europa… com as grandes maiorias tolerantes do medio oriente…(isto e mt primario, mas e isto que me apetece dizer…vao bordamerda, cambada de imbecis: NEGOCIAR COM AHMDINEJAH….e preciso ter-se LATA…se a espanha afirmasse que deseja destruir portugal, a primeira coisa que eu fazia era viajar a madrid para NEGOCIAR!!!! )

    Cada um por si…seria mesmo o melhor… a pantera cor de rosa que trate de si e de mais ninguem…os europeus que tirem dinheirinho dos sistemas de saude para a defesa!

  17. Ezequiel diz:

    e xatoo why dont you stick a massive dildo up your rectum and leave it there until negotiations are fruitful strategies for dealing with fanatics? you stupid kunt!

  18. jose carlos silva diz:

    A projecção narcísica do espelho. A geoestratégia da razão confortavelmente estacionada na clarividência visionária de quem pretende saber mais que os outros. O poder da racionalidade transferida para os espaços cognitivos do argumentador de bancada. Inebriante, sem dúvida, caro Ezequiel .

  19. Ezequiel diz:

    É mais um caso de transcendencia liminar, suportada pela extroversao mecanica da razao bipolar, aplicada a uma desmistificacao da razao mediatica…tudo isto, acompanhado por um grande vinho ! Um zizek, este jose calros eh eh eh eh ehehe he Adora piruetas hermeneuticas.

  20. Ezequiel diz:

    este, que pretende saber mais que os outros. Os outros, o “they”, quem sao? O que e que dizem os “outros”? Temos todos que saber o mesmo. Todos iguaizinhos, igualitarios, igualados, encaixotados, classificados, polidos, educados, um todo coerente, pateticamente harmonioso…os especialistas heideggerianos que so leram os trabalhos sobre heidegger (ler alemao e dificil), os apreciadores de nietzsche que nunca leram zarathustra, os que querem ser o que nunca serao, os moralistas da opiniao (que vendem a moralidade por um misero olhar de aprovacao) os cobardes (os anonimos), os infantis pateticos (nao ha dogmaticos, so ha cultos de personalidade…nao ha ahmdinejahs…so kims e khadafis…)..os professorecos padrecos….sao estes, os outros?

  21. Filipe Alves diz:

    A via diplomática é, sem dúvida preferível à guerra. Mas não era por acaso que os canhões de Luis XIV ostentavam a seguinte inscrição: “O último argumento dos reis”. A diplomacia só funciona quando existe boa fé de ambas as partes. Ora a Coreia do Norte não age de boa fé. Se eles agissem de boa fé, os acordos celebrados no tempo de Bill Clinton ainda estariam de pé e o problema nuclear já não existiria. Qualquer acordo que se negoceie com o regime comunista (e não feudal) ‘junche’ da Coreia do Norte será sempre provisório. Mais tarde ou mais cedo, o problema terá de ser resolvido de forma definitiva.

  22. Ezequiel diz:

    Caro Filipe,

    Let time be the judge. Dentro de 6 meses – 1 ano…voltamos ao mesmo…Mas, por enquanto, somos duas bolhinhas no ar (duvidas)!

  23. gfuxbo diz:

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  24. thai diz:

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  25. pigtails diz:

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