O “ai” do traidor

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A jornalista Teresa de Sousa escreveu isto na sua coluna de opinião do Público:
«(…) Há coisas que não podem acontecer por mero acaso. Escolher Salazar e Cunhal, de cujo desprezo pela liberdade, de cuja ideologia autoritária e totalitária ninguém hoje pode verdadeiramente duvidar…

…num país que consegue eleger Salazar (que nos queria a todos pobres, obedientes e servis), Álvaro Cunhal (que teria feito aqui, apesar de estarmos rodeados de Ocidente por todos os lados, uma coisa parecida com o que os seus amigos fizeram no mundo soviético: uma gigantesca prisão)»

O que é fantástico no texto é a falta da memória e de vergonha. Teresa de Sousa era, na altura que Cunhal queria supostamente fazer de Portugal um imenso gulag, uma fervorosa militante maoista que acusava os “cunhalistas” de serem lacaios da burguesia, de estarem muito felizes com a “democracia burguesa” e de não pretenderem a revolução. Nesses tempos, muitos anos antes de a Srª Sousa se ter rendido aos encantos da União Europeia, muitas pessoas da laia dela criticavam ferozmente “o traidor Cunhal” e elogiavam as verdadeiras revoluções: a chinesa e a cambojana de Pol Pot que tantas alegrias deram aos povos.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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