Bene trovato

O Nuno Ramos de Almeida, treinado na difícil escola da exegética zizekiana, descobriu, a partir de um post na aparência anódino de José Pacheco Pereira, maneira de subverter o subversor e arrancar às garras da reacção a palavra “livre”. Parabéns, Nuno; eu acrescentaria em tua defesa que os italianos, sempre sagazes, distinguem mesmo entre liberalismo e liberismo, referindo-se este à doutrina económica do laissez-faire e aquele à doutrina política e moral que fundamenta e justifica as práticas e instituições liberais. Conseguirão os tristes liberais portugueses, cujo credo se resume à defesa da tradição moral e à desregulação da economia, alcançar algum dia que o liberalismo – o verdadeiro, o das Luzes, o que persegue a ideia prometeica da autonomia individual – era, parafraseando Charles Taylor, a fighting creed, armado com pretensões universais relativas à natureza humana, às virtualidades da ciência e ao progresso moral, nos antípodas quase da vulgata hayekiana que é o alfa e o ómega do seu horizonte político? Continua, Nuno, que ainda tens muito que fazer.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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