Hipocrisias de morte

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Não há como a morte para lavar tudo. Quem lê os jornais e a ‘blogosfera’ fica convencido que Gerald Ford era um génio e um estadista. Sejamos justos: o homem só estava no lugar errado à hora certa. O antigo presidente dos Estados Unidos Lyndon Jonhson disse sobre ele: “Ford passou um tempo exagerado a jogar futebol (americano) sem capacete” e duvidou que ele fosse “capaz de mascar pastilha elástica e andar ao mesmo tempo” . Depois de tropeçar diante do chanceler austríaco Bruno Kreisky, cair na visita do presidente egípcio Sadat e esparramar-se ao comprido duas vezes perante os fotógrafos; depois de ter tentado oito vezes pronunciar correctamente, num discurso em Atlanta, a palavra “geotermia”; e depois de ter saudado Sadat com “um brinde ao grande povo de Israel”, um comentador do Washigton Post Nicola von Hoffman perguntou se ele seria “o primeiro presidente a ser expulso da função pelo riso?”.
Hoje, ele é o estadista que guiou o leme dos Estados Unidos durante a tempestade. Tanta homenagem deve-se unicamente a uma questão política: quem homenageia Ford está, no fundo, a celebrar George Bush. Vejamos, ambos têm queda para o disparate simplório e, sobretudo, ambos foram presidentes não eleitos dos Estados Unidos…quem se lembra da primeira “eleição” de George Bush?

Finalmente como o leitor Luís Nascimento refere, há uma terceira semelhança: Ford autorizou a invasão de Timor, da qual resultaram 200 mil timorenses massacrados e Bush autorizou a invasão do Iraque. Sejamos justos, a seu tempo, a contabilidade monstruosa desta  não ficará a dever nada à de Timor.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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