A ordem das estantes

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A geografia dos livros nunca deixa de me surpreender. Ontem, comprei uma biografia de Espinosa na Bulhosa. O livro estava entalado, pelos  desmandos da ordem alfabética, entre uma hagiografia sobre o fundador da Opus Dei e a vida do generalíssimo Franco. É caso para dizer que se Espinosa estivesse vivo, era morto.
Tenho, para mim, a teoria que a distribuição dos livros na estante diz muito sobre a cultura das sociedades. Acho revelador que as ciência sociais estejam ao lado das ciências esotéricas, nas livrarias e nas bibliotecas de Paris. Acho assustador que nas livrarias inglesas haja secções para judeus e gays, para onde se atiram alegremente os escritores que alegadamente ai cabem. Como se um romance, um escritor e uma vida se esgotassem nessas categorias. Acho que para ordem, já basta a alfabética.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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