De Mao a pior

A antiga maoista, hoje convertida às delícias do choque de civilizações, as limpezas étnicas, os assassinatos selectivos e os bombardeamentos indiscriminados, Esther Mucznik brinda-nos, no Público, com a seguinte pérola:

” A iniciativa ‘Aliança de Civilizações’ revela grande cegueira e erra o alvo ao apontar a questão israelo-palestiniana ‘como uma das ameaças mais graves à estabilidade internacional'”.

Tem toda a razão: aquele ponto do globo tem sido, pelo contrário, um garante da paz e um exemplo para todo o planeta.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

9 respostas a De Mao a pior

  1. ezer diz:

    Eheheh,é isso mesmo

  2. É bastante redutor resumir o artigo a este parágrafo.
    E é de uma inutilidade total fazer saber que Esther foi maoista. O que é que isso interessa como argumento ?
    Cumprimentos

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caro António P,
    É um resumo tão legítimo que até foi o destaque do artigo. A questão é que nesta passagem ela garante que o conflito Israelo-palestiniano não é uma ameaça grave à estabilidade internacional. Os últimos 50 anos provam o contrário.
    Eu acho que os ex-maoistas foram feito do ferro dos ex-estalinistas. Acerca destes escreveu, uma vez, Isaac Deutsher que o problema deles é que deixaram de acreditar no partido e no líder e passaram a acreditar no mercado e no capitalismo com a mesma dose de certeza e dogmatismo. No fundo, mantém-se mentalmente estalinistas. O carinho com que Srª Esther nos vende a bondade e superioridade intrinseca de Israel é prova disso mesmo. Dai, a informação ser para mim relevante.

  4. Sérgio diz:

    Independentemente do percurso tergiversante de certas pessoas, elas merecem ser comentadas pelas posições que assumem. Não obstante a crueza do seu post, concordo inteiramente com o teor. Sinceramente, a Drª E.M. tem protagonizado opções e pontos de vista lamentáveis (no mínimo) e que que têm um fundo filo-racista. Convenhamos que quando se esquecem as vítimas do lado do dos «maus», algo vai mal no discernimento moral dos idólatras de Hunttington.
    Disse filo-racista porque estou convencido que a hierarquia das «boas e más» civilizações implica desconsiderações étnicas e grupais (O que diria Said da visão das coisas resumida às grandes identidades e à sua irredutibilidade?)inaceitáveis. O choque de Civilizações parece-me ser apenas mais um subterfúgio para justificar o injustificável.
    Entre Esther Mucznick e Edward Said, sei por quem opto…
    Atenciosamente.

  5. Ezequiel diz:

    Eu gostaria, sinceramente, que o Nuno me respondesse à seguinte questão: Huntington (que, diga-se de passagem não é devidamente representado nesta “lecture” de Said) não escreve acerca de coisas triviais. O que é que podemos fazer com maiorias substantivas em muitos países muçulmanos que defendem a aplicacão objectiva da sharia? Estamos, está claro, a falar de movimentos sociais ascendentes movidos por motivações de ordem transcendental (ou seja, nos, comuns mortais, não podemos sequer questionar..rigorosamente nada). Qualquer imbecil sabe o que é que acontece quando valores transcendentais se transformam em política (ou melhor, quando a política democrática, que pressupoõe uma pluralidade de versões da verdade)…os valores transcendentais são mais, muito mais, do que meras conjecturas. São planos de vida para todos. Quem não percebe isto, é, na realidade, um grande nabão. Existem problemas estruturais, de cultura política, que são ultra mega evidentes, mesmo nas coisas mais mundanas. Huntington erra quando dramatiza toda esta condição e quando assume, erradamente, que o seu paradigma é suficiente para analisar TODOS os aspectos essenciais. É simplista, redudor, OK, concordo. Mas o aspecto que ele escolhe é de facto vital. Não pintem as coisas de cor de rosa. Wishful thinking! Os grandes dramas de emancipação em todo o mundo muçulmano tem um denominador comum: é uma luta contra o absolutismo das teologias políticas. Da Indonésia, da Malásia ao Sudão e á Somália. Estruturalmente, as dinâmicas são as mesmas. É mera coincidencia? Sim, é verdade, para muitos o conflito israelo-palestiniano é a causa maior do suposto clash. No entanto, o clash começa muito, muito, antes da fundação do estado de israel. Para muitos seria conveniente, oportuno, se o epicentro de tudo isto estivesse situado em israel e na palestina. Resolve-se o problema de Israel e da Palestina e badapim…estamos no caminho do raprochement! BULLOCKS! Então pensam que o projecto de um califato imenso (global) é pura fantasia? Devem estar a brincar. Se gostam de andar de olhos fechados á procura da Alice no país das maravilhas, be my guest! Realmente, quando colocamos a coisa ao nivel da cultura GERAL de um país não existem, nem podem existir, boas ou más culturas! Mas existem boas ou más configurações de valores e práticas políticas!

  6. Ezequiel diz:

    Em suma, a esquerda não compreende minimamente a natureza disto: TEOLOGIA POLÍTICA (do género que faz com que os neo cons americanos pareçam public school boys)

    Correção: (ou melhor, quando a política democrática, que pressupoõe uma pluralidade de versões da verdade..se transforma em absolutismo puro)

  7. Ezequiel diz:

    A Europa, dentro de pouco tempo, vai se ver confrontada, a sério, com o problema do fundamentalismo islâmico e da violencia política que dele emana. A esquerda vai culpar tudo e todos, menos os padres fundamentalistas e a “igreja” (esta reluctância em criticar a igreja é uma excentricidade inexplicável desta esquerda)

Os comentários estão fechados.