Um comediante à solta

A notícia caiu como uma bomba. O pequeno post, algo elíptico, de Pedro Arroja (who else?) publicado no “Blasfémias”, rezava simplesmente: “O liberalismo é um produto do catolicismo” – mas foi bastante para fazer luz por esse mundo fora e obrigar a rever à pressa os manuais de história da humanidade inteira: John Locke, “The Glorious Revolution”, os “Founding Fathers”? – tudo católico; foi a católica Holanda que ergueu o estandarte da liberdade de consciência contra o calvinista Duque de Alba, enquanto ao lado o herege Luís XIV tentava (sem conseguir) cortar as raízes do catolicismo e da tolerância em França, revogando o Édito de Nantes; graças a Arroja, ficou a saber-se que o liberalismo saiu da cabeça dos Papas e mesmo que os Bórgias, esses incompreendidos, foram os precursores da liberalização dos costumes no Velho Continente; aliás, os Estados Papais eram conhecidos em toda a parte como o refúgio dos liberais, a Inquisição era um instrumento da liberdade de pensamento e o ultramontanismo um plano liberal para a governação da Europa; a Santa Aliança promovia a liberdade dos povos e Metternich apreciava sobremaneira os princípios do governo representativo; e até no pequeno Portugal as coisas não eram afinal o que pareciam, e quem mais fez pela causa da liberdade política no século XX, sabe-se agora, foi D. Manuel Gonçalves Cerejeira – só comparável nesse particular a outro filho espiritual da Santa Madre Igreja, o Professor António de Oliveira Salazar, esse liberalão. Deus lhe dê longa vida, Prof. Arroja, para continuar a fazer-nos rir a todos.

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SEXTA | António Figueira
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