A guerra do fado

Graças a “O Crime”, fiquei a saber que o mundo do fado está em guerra: Rodrigo e alguns sequazes protestam contra o estatuto de “Embaixadora do Fado” concedido a Mariza e, sobretudo, à afirmação atribuída à popular cantora de que o fado tem raízes africanas, algo que o criador de “Coentros e Rabanetes” desmente com indignação, contrapondo que o fado nasceu nas vielas de Lisboa e em mais lado nenhum. Eu confesso que de fado percebo muito pouco, mas recordo-me de ter lido algures que o fado evoluiu das modinhas brasileiras, por sua vez inspiradas nos “lunduns” de inspiração africana, mas isso pouco importa: porque, se a origem do fado é obscura, a desta “guerra do fado” situa-se claramente, como sustenta Rodrigo, nas mais sórdidas vielas do velho Portugal, visto que tem tudo o que por lá se encontra: inveja, ressentimento, un petit brin de xenofobia e, sobretudo, muita parvoíce.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 Responses to A guerra do fado

Os comentários estão fechados.