Iberismo de pacote

Já vai por aí um grande bruaá com a historieta do iberismo. Primeiro, foi uma sondagem pelo semanário Sol onde se indicava que 28% dos portugueses querem ser espanhóis. Depois foram uns quantos comentários sobre uma putativa União Ibérica em vários jornais portugueses e em publicações espanholas, como o El País. O assunto teve mesmo direito a uma reportagem na TVE. Música para o provincianismo.

Mais tarde, surgiu uma sondagem da Tiempo que revela que quase metade dos espanhóis querem a dita fusão, em época de autonomias. O Público de hoje tem, na última página, uma daquelas rodelas que se dá pelo nome de Barómetro e cuja pergunta é: “Concordaria com uma eventual união entre Portugal e Espanha?”. 43% dos inquiridos terão respondido SIM.

Já se sabe que as relações Portugal- Espanha são assunto copioso e que em qualquer esquina se mandam bocas, seja para a maledicência seja para beneplácito.  Iberismo versus patriotismo são conversa garantida. Passatempos à parte, sobre uma eventual união ibérica, Medeiros Ferreira já disse aqui o essencial: só existiria se a UE implodisse. E nessas circunstâncias a discussão teria, evidentemente, outras prioridades que não o iberismo.

Enfim. Se a publicidade não satisfaz necessidades -cria-as – algumas sondagens também. Esta coisa do iberismo não é propriamente um movimento de cidadãos, um pulsar da rua ibérica ou um grito de ipiranga. Alguém decide fazer uma sondagem, formula pergunta. Induz resposta. Impele. Se, sem mais, questionarem um português se gostava que a Galiza fosse nossa, e mesmo que o dito luso nunca tenha pensado nisso -nem de perto nem de longe – é bem possível que responda afirmativamente. Porque não?

Resta perguntar, portanto, a quem servem estas discussões da ordem da sugestibilidade, a quem serve a criação destes fantasmas de trazer por casa.

Sobre Joana Amaral Dias

QUARTA | Joana Amaral Dias
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