Intelectuais e media #1

[resposta a um inquérito DN/6a]

Em que medida a dimensão mediática altera a noção clássica de intelectual?

Não há nada de intrinsecamente dissonante entre o intelectual e os media, bem pelo contrário. Entre as sucessivas declinações históricas que foi tendo a figura do intelectual (como erudito, filósofo, pensador, professor, pesquisador, etc.) conta-se a de ser um intermediário de opinião e conhecimento. Ser um intermediário, ou seja, estar no meio, — entre disciplinas, entre os seus contemporâneos ou concidadãos, entre instituições e indivíduos — exige familiaridade e compreensão dos media. Sempre foi assim: a altivez com que alguns intelectuais tratam hoje os mass media ou os novos media não seriam entendidas por Montesquieu e Voltaire, que tratavam o romance e o teatro por tu, e muito menos pelos intelectuais do século XIX no seu fulgurante caso de amor pela imprensa (que faz lembrar, em certa medida, o sucesso dos blogues no panorama actual). Deve antes dizer-se que a dimensão mediática completa ou cumpre plenamente o intelectual, convertendo-o em intelectual público.

Sobre Rui Tavares

Segunda | Rui Tavares
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