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	<title>cinco dias &#187; trapos velhos</title>
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		<title>O planeta das Repúblicas Mortas e a milícia do 31 da Armada</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 23:46:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Teixeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os milicianos do 31 da Armada e o grunho racista da República Morta têm mais coisas em comum do que as demonstradas na cabala decifrada pela Morgada. De tal forma que foram os próprios que à falta de capacidade de &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/07/10/o-planeta-das-republicas-mortas-e-a-milicia-do-31-da-armada/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/GcwtUBUqVxo?fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/GcwtUBUqVxo?fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Os milicianos do 31 da Armada e o grunho racista da República Morta têm mais coisas em comum do que as demonstradas na cabala decifrada pela <a href="http://5dias.net/2010/07/09/a-cabala-decifrada/" target="_blank">Morgada</a>. De tal forma que foram os próprios que à falta de capacidade de resposta para o brilhantismo da de V, viram-se na obrigação de revelar, em surdina, os seus mais recônditos desejos. <a href="http://clubedasrepublicasmortas.blogs.sapo.pt/423748.html" target="_blank">Uns</a> e <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4282374.html" target="_blank">outros</a> são afinal de outro planeta. Nem o facto da Buchholz demonstrar grande reverência pelo Mira, <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4280749.html" target="_blank">Anton</a> para os amigos, me inibe de lhes dar alguns conselhos para que se safem com mais elevação e melhor capacidade de defesa.</p>
<p>Aqui fica o meu humilde contributo:</p>
<p><span id="more-42621"></span></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://5dias.net/2010/07/10/o-planeta-das-republicas-mortas-e-a-milicia-do-31-da-armada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/ByZqx30OvVs/2.jpg" alt="" /></a></span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Rescaldo de um &#8220;debate&#8221; com o 31 da Armada e um tributo a Muhammad Ali-Haj</title>
		<link>http://5dias.net/2010/06/11/rescaldo-de-um-debate-com-o-31-da-armada-e-um-tributo-a-muhammad-ali-haj/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 02:43:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Teixeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A propósito da crítica à Questão Doutrinal de (i)nês teotón(i)o pere(i)ra, texto onde defende a colocação de aspas na Flotilha da Liberdade barbaramente atacada pelo exército nacional-sionista de Israel, teve lugar um verdadeiro combate de boxe entre alguns petiscos do &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/06/11/rescaldo-de-um-debate-com-o-31-da-armada-e-um-tributo-a-muhammad-ali-haj/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/e/VmE4DHPrrnk"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/e/VmE4DHPrrnk" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/e/5juQVy-3VNQ"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/e/5juQVy-3VNQ" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><span id="more-40117"></span>A propósito da crítica à <a href="http://www.ionline.pt/conteudo/63101-a-questao-doutrinal" target="_blank">Questão  Doutrinal</a> de <a href="../2010/06/07/ines-teotonio-pereira/" target="_blank">(i)nês  teotón(i)o pere(i)ra</a>, texto onde defende a colocação de aspas na Flotilha da Liberdade barbaramente atacada pelo exército nacional-sionista de Israel, teve lugar um verdadeiro combate de boxe entre alguns petiscos do espaço gourmet e eu próprio. Nesta posta, pretende-se não só fazer um arquivo póstumo do confronto de ideias mas também dançar sobre o cadáver de um adversário que não esteve nem à altura nem do número de leitores que tem nem do capital social dos seus escribas.</p>
<p><em><strong>31 da Armada e os cem centímetros de quem se fala<br />
</strong></em></p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4171012.html">Momentos  hilariantes</a> por Afonso Azevedo Neves</p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4171791.html">Pai nosso que  estais no Estado</a> por Henrique Burnay</p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4172666.html">A outra questão  doutrinal</a> por Paulo Pinto Mascarenhas</p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4174456.html">Eu, que debocho e  chafurdo nas orgias da ordem dominante</a> por Afonso Azevedo Neves</p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4174997.html">Nada como uma boa  discussão</a> por Henrique Burnay</p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4175567.html">Agora a sério</a> por Nuno Miguel Guedes</p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4179313.html">O Renato</a> por Paulo Pinto Mascarenhas</p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4180886.html">Sobre o tal  Renato e do tal Renato</a> por Jacinto Bettencourt</p>
<p><a href="http://aummetrodochao.blogs.sapo.pt/157165.html">A questão  doutrinal II</a> por (i)nês teotón(i)o pere(i)ra</p>
<p><a href="http://aummetrodochao.blogs.sapo.pt/157218.html">Onde se  explica que o direito a ensinar os filhos não é assim, à parva. Como se  quer. Depende daquilo que se ensina, como é óbvio</a> por (i)nês teotón(i)o pere(i)ra</p>
<p><em><strong>Moi-même e a inspiração de Muhammad Ali-Haj</strong></em><strong><em> </em></strong></p>
<p><a title="Link permanente para Quando voltarem ao Campo  Pequeno avisem com mais do que umas horas de antecedência. Vai ser um  prazer ver a vossa nobre figura em tão afamado cenário." rel="bookmark" href="../2010/06/08/quando-voltarem-ao-campo-pequeno-avisem-com-mais-do-que-umas-horas-de-antecedencia-vai-ser-um-prazer-ver-a-vossa-nobre-figura-em-tao-afamado-cenario/">Quando voltarem  ao Campo Pequeno avisem com mais do que umas horas de antecedência. Vai  ser um prazer ver a vossa nobre figura em tão afamado cenário.</a></p>
<p><a title="Link permanente para 31 da Armada já para o Campo  Pequeno. Basta de indigência na blogosfera. Volta Daniel Oliveira,  estás perdoado." rel="bookmark" href="../2010/06/09/31-da-armada-para-o-campo-pequeno-basta-de-indigencia-na-blogosfera-volta-daniel-oliveira-estas-perdoado/">31 da Armada já para o Campo Pequeno. Basta de  indigência na blogosfera. Volta Daniel Oliveira, estás perdoado.</a></p>
<p><a title="Link permanente para Armado em cupido gerei uma  depressão. As minhas mais sinceras desculpas. Quando é que regressam  mesmo ao Campo Pequeno?" rel="bookmark" href="../2010/06/10/armado-em-cupido-gerei-uma-depressao-as-minhas-mais-sinceras-desculpas-quando-e-que-regressam-mesmo-ao-campo-pequeno/">Armado em cupido gerei uma depressão. As minhas  mais sinceras desculpas. Quando é que regressam mesmo ao Campo Pequeno?</a></p>
<p>Não houve consenso nem sobre a luta pela vitória da Palestina nem sobre o carácter fascista de Israel. Apesar disso, não podia ter havido melhor prémio do que a consagração do único acordo identificado, escrito por mim, mas celebrizado <em>sine die </em>em todas as postas do espaço gourmet:</p>
<h2><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/" target="_blank">No 31 da Armada, &#8220;chafurda-se nas orgias da ordem dominante&#8221;!</a></h2>]]></content:encoded>
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		<title>Armado em cupido gerei uma depressão. As minhas mais sinceras desculpas. Quando é que regressam mesmo ao Campo Pequeno?</title>
		<link>http://5dias.net/2010/06/10/armado-em-cupido-gerei-uma-depressao-as-minhas-mais-sinceras-desculpas-quando-e-que-regressam-mesmo-ao-campo-pequeno/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 00:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Teixeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Começa a perceber-se os porquês de uma defesa tão cega por parte do espaço gourmet relativamente aos cem centímetros de que se falam. Quando a minhas expectativas no debate relativamente aos primeiros era que estes retivessem alguns, poucos, recursos linguísticos &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/06/10/armado-em-cupido-gerei-uma-depressao-as-minhas-mais-sinceras-desculpas-quando-e-que-regressam-mesmo-ao-campo-pequeno/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começa a perceber-se os porquês de uma defesa tão cega por parte do <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/" target="_blank">espaço gourmet</a> relativamente <a href="http://5dias.net/2010/06/09/os-cem-centimetros-de-quem-se-fala-publicidade-a-um-blogue-jihadista-especializado-em-criancas/" target="_blank">aos cem centímetros de que se falam</a>. Quando a minhas expectativas no debate relativamente aos primeiros era que estes retivessem alguns, poucos, recursos linguísticos e relativamente à segunda a correcta utilização do uso das aspas, eis que gero entre eles um caso de amor não correspondido. Depois de <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4172666.html" target="_blank">defesa tão apaixonada por parte de Paulo Pinto Mascaranhas</a>, o mais que este recebe em troca é <a href="http://aummetrodochao.blogs.sapo.pt/158109.html" target="_blank">uma declaração de má disposição</a> no blogue jihadista de <a href="http://5dias.net/2010/06/07/ines-teotonio-pereira/" target="_blank">(i)nês teotón(i)o pere(i)ra</a>, mesmo depois de ter <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4178991.html" target="_blank">citado o seu diário</a> a propósito de um dos evangelhos que partilham.</p>
<p>Como relativamente ao debate há ainda muito a dizer, e porque ainda não perceberam o que disse <a href="http://5dias.net/2010/06/08/quando-voltarem-ao-campo-pequeno-avisem-com-mais-do-que-umas-horas-de-antecedencia-vai-ser-um-prazer-ver-a-vossa-nobre-figura-em-tao-afamado-cenario/" target="_blank">aqui</a> e <a href="http://5dias.net/2010/06/09/31-da-armada-para-o-campo-pequeno-basta-de-indigencia-na-blogosfera-volta-daniel-oliveira-estas-perdoado/" target="_blank">aqui</a>, vou tentar traduzir o meu latim em menos de oito postas. Apesar de não estar habituado a privar tanto tempo com gente tão selecta, vou mudar de registo a ver se retêm o essencial.</p>
<p>Comecemos pela ilustração do cupido para de seguida continuar o debate (ainda de forma amena):</p>
<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/e/ykySkImPFUg"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/e/ykySkImPFUg" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><span id="more-39993"></span>Finalmente tive a honra de ser <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4180886.html#comentarios" target="_blank">&#8220;glosado&#8221;</a> pelo Jacinto Bettencourt que segundo confessa tem &#8220;lido muita coisa&#8221; minha. Fico contente. A grandiosidade do feito levou, imagine-se, a que o Nuno, que não é dado a grandes cerimónias, tivesse a gentileza de o <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4180886.html#comentarios" target="_blank">&#8220;glosar&#8221;</a> também. Ficou comovido. A ver se amanhã não deprime ninguém. É que se a coisa vira moda ainda me  convidam para casamenteiro do Santo António. Se não pelo divino  espírito santo, pelo <a href="http://5dias.net/2010/05/26/ainda-sobre-mimetismo-heteronormalizante-e-casamento-rest-my-case/" target="_blank">Arraial  Pride da Praça do Comércio</a>. Vejam que foi de tal ordem a tremideira, que fez um elogio à moda do Pacheco Pereira ao 5dias: <em>&#8220;Eu discordo de practicamente tudo o que se escreve  no 5 Dias, mas gosto muito de os ler e encontro nos posts que por lá  leio ideias que exigem uma tomada de posição e um esforço dos diabos a  quem as queira contradizer.&#8221; </em>É capaz de ser esse o motivo que levou a que ainda não tenham adiantado mais do que<em> <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4180886.html#comentarios" target="_blank">&#8220;o ódio e o preconceito pueril, que revela perturbadoras  dificuldades emocionais no relacionamento com os outros&#8221;,</a></em> a propósito do debate em curso.</p>
<p>Em defesa do texto de <a href="../2010/06/07/ines-teotonio-pereira/" target="_blank">(i)nês teotón(i)o pere(i)ra</a> apenas conseguem exprimir um esboço de argumento (mas ela tem o direito a educar os seus filhos) ainda que declamado com fidelidade canina. Como todos sabemos que os &#8220;nossos&#8221; filhos se educam na escola e em casa e não em crónica, ficou desde logo claro que a autora o que quer é educar os pais e (por seu intermédio) os filhos dos outros. Apesar disso, e incapazes de ver que passam o tempo a meter o bedelho na vida alheia, queriam que nenhuma <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4180886.html#comentarios" target="_blank">&#8220;criatura socialmente amargurada e supérfula&#8221;</a> questionasse a &#8220;especialista&#8221;. Acusam o Estado de se meter na cartilha da escola pública porque na verdade queriam que os seus filhos fossem educados pela cartilha bafienta dos jesuítas.</p>
<p><a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4179313.html" target="_blank">Paulo Pinto Mascaranhas</a>, provavelmente por estar angustiado com a depressão da Jihadista, não foi capaz de mais do que ameaçar uma prosa sobre a minha família e de me considerar congelado no PREC. Vemos nas suas palavras a introdução de dois novos debates, uma vez que nem o PREC nem a minha família podem resolver as questões doutrinais levantadas por <a href="../2010/06/07/ines-teotonio-pereira/" target="_blank">(i)nês teotón(i)o pere(i)ra</a>. Poderia responder dizendo que a sumidade está ainda mais fora do prazo, pois consta que a sua data de embrulho vem do Estado Novo, da primeira República ou mesmo do tempo das descobertas. Mas como quero manter o debate nas aspas da Flotilha da Liberdade não vou ceder à tentação de aprofundar o tema. Deixo o desejo para outros bacanais.</p>
<p>Estes capangas da direita mais reaccionária da vida política portuguesa, julgam que assustam com este tipo de paleio velado. Da minha parte terão sempre resposta em verbo e em actos, com lugar marcado ou com a resposta na ponta da língua.</p>
<p>Relativamente ao &#8220;ódio&#8221;, não se preocupem. É coisa que guardo para os tempos em que não reine o optimismo.</p>
<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/R20cE_oIEwM?fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/R20cE_oIEwM?fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em>[Os menos susceptíveis apreciem, com o volume no máximo, a primeira e a segunda parte desta magnífica expressão de contentamento popular.]</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Corações de Pedra</title>
		<link>http://5dias.net/2010/05/31/coracoes-de-pedra/</link>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 10:42:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Mira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Galiza]]></category>
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		<description><![CDATA[Não sei bem o motivo mas tenho uma grande simpatia pelos canteiros, deve ser essa coisa de trabalhar coas mãos. A Galiza, de chão principalmente granítico, sempre foi fértil em homens que sabiam dar-lhe forma com mestria. O nosso românico, &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/05/31/coracoes-de-pedra/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_38894" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-38894" href="http://5dias.net/2010/05/31/coracoes-de-pedra/curas-fascistas2/"><img class="size-medium wp-image-38894 " title="curas-fascistas2" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/05/curas-fascistas2-300x175.jpg" alt="" width="300" height="175" /></a><p class="wp-caption-text"> *Não, não estão a marcar o fora de jogo</p></div>
<p><span id="more-38893"></span><br />
Não sei bem o motivo mas tenho uma grande simpatia pelos canteiros, deve ser essa coisa de trabalhar coas mãos. A Galiza, de chão principalmente granítico, sempre foi fértil em homens que sabiam dar-lhe forma com mestria. O nosso românico, especialmente a catedral de Compostela (futuro Museu Nacional), é mostra da habilidade e a lavoura dessas gentes.</p>
<p>Os canteiros sabiam-se grémio, com orgulho e até com idioma próprio e internacional: a língua dos arxinas ou latim dos canteiros. A emigração encargou-se de espalhar o suor deles por todo o mundo: das igrejas medievais ao prédio da IBM em Detroit, passando pela grande parte dos edifícios da avenida Paulista. Uma história de misérias, trabalho e arte. Construindo as cidades dos outros.</p>
<div id="attachment_38895" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-38895" href="http://5dias.net/2010/05/31/coracoes-de-pedra/embarque/"><img class="size-medium wp-image-38895" title="embarque" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/05/embarque-300x184.jpg" alt="" width="300" height="184" /></a><p class="wp-caption-text">* Grande parte dos políticos tinham a sua fortuna em navieiras</p></div>
<p>É por isso que lhe tenho especial simpatia a Manuel Dominguez, canteiro assassinado 0 21 de Novembro de 1936 por uma cambada de filhos da puta. Manuel não pertencia a partido nenhum, era um homem de 28 anos que trabalhava numa canteira do concelho. Mas foi preso e apareceu na beira da estrada na estrada Salceda-Porriño (a primeira era a sua vila e a segunda a vila onde trabalhava). Junto com três companheiros (Benito Antonio Cabaleiro, Gabriel Benito Rodríguez e Ángel Cabaleiro, quero fazer questão mesmo de dar os nomes) montou numa carrinha para ir defender a República a Vigo quando soube do alçamento militar. Ante a impossibilidade, fugiram ao monte. Como tantos outros passaram a viver escondidos, visitando à família de tanto em tanto para dormir com a mulher, ver aos filhos, comer quente e levar provisões&#8230; O padre da paroquia intimidou aos familiares para que confessassem quando é que iam procurar comida. Assim foi como os <a href="http://www.memoriahistorica.org/alojados/periquete/paginas/falange.html" target="_blank">falangistas</a>, os paramilitares assassinos, apanharam aos canteiros. Não foram executados, isso seria se tivessem sido julgados antes e então seria o exército quem dispararia. Foram passeados. Assim lhe diziam. Iam passear com os detidos. E depois apareciam os corpos nos caminhos, nas valetas (cunetas, em galego. Palavra maldita). Com sorte, acabavam numa fossa comum. Alguns corpos ainda estão sem identificar, hoje. Mais de 70 anos depois na fossa de Cesantes pode haver mais de 200 corpos anónimos.</p>
<div id="attachment_38898" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"> <a rel="attachment wp-att-38898" href="http://5dias.net/2010/05/31/coracoes-de-pedra/falange-medina-2/"><img class="size-medium wp-image-38898" title="falange-medina" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/05/falange-medina1-300x208.jpg" alt="" width="300" height="208" /></a><p class="wp-caption-text">* Tudo em nome de Deus e de Espanha, claro</p></div>
<p>A falange, semeando terror desde 1936. Que triste é o branco e preto&#8230; acho que tenho uma foto mais <a href="http://www.publico.es/espana/312762/falange/celebra/suspension/garzon" target="_blank">recente</a>. Assim melhor.</p>
<p>Há outra coisa que sabemos de Manuel, o canteiro. Tem um neto chamado Manuel Padín que agora tem 74 anos. Padín sabe por boca da sua avó o que ela sofreu tendo que conviver com os assassinos do seu homem. Ela tinha um posto no mercado e tinha que ver ao criminoso Todos os dias. Uma dor, diria Castelao, que não se cura com resignação.</p>
<p>Padín tentou recuperar o corpo do seu avô, perdido nas fossas comunais e ao abeiro da difusa lei da memória histórica. Foi-lhe negado o direito, adivinham por quem? Pelo actual padre da paroquia: &#8220;Os outros também mataram muita gente&#8221;, foi a resposta do sacerdote. A juiz arquivou o caso em Abril de 2009. O corpo de Manuel Dominguez seguirá perdido entre os ossos da fossa comum de Budiño. Delatado por um padre e impedido do reconhecimento familiar por outro.</p>
<p>Mas ante tanto empenho pela desmemória ainda há sinais de esperança. Existe um projecto de investigação das três universidades galegas para a criação de uma base de dados de vítimas do franquismo na Galiza. <a href="http://vitimas.nomesevoces.net/gl/" target="_blank">Nomes e Voces</a>. Começar a fazer buscas aleatórias dá vertigem. Quantas mulheres? (694) Quantos mestres de escola? (665) Quantos músicos? (20) Quantos canteiros? (274). Sancionados, fuziladas, passeados, encarceradas&#8230; uma autêntica sangria do país que contou com a colaboração directa dos padres. Milhares de histórias que agora voltam ter nome. De vozes que são ouvidas de novo.</p>
<p>As mãos que trabalham a pedra seguem, com suor e esforço, transformando o mundo. Os corações de pedra continuam a encher a barriga a conta dos demais. A memória nunca sobra.</p>
<div id="attachment_38985" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"> <a rel="attachment wp-att-38985" href="http://5dias.net/2010/05/31/coracoes-de-pedra/canteiros/"><img class="size-medium wp-image-38985" title="canteiros" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/05/canteiros-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">* 274 arxinas represaliados</p></div>]]></content:encoded>
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		<title>página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 22:06:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[trapos velhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Isto não é um post. Vamos fazer de conta que isto é a página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo. Ora, sendo isto a página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo, quem está a &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/10/11/pagina-256-do-livro-de-cozinha-tailandesa-do-cristiano-ronaldo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isto não é um post.<br />
Vamos fazer de conta que isto é a página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo.<br />
Ora, sendo isto a página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo, quem está a escrever deveria ser o biógrafo oficial do Cristiano Ronaldo para as questões culinárias – secção tailandesa.<br />
Mas não, sou eu.<br />
Vamos então fazer de conta, para dar senso à coisa (coisa muito importante aqui, o senso), que eu sou o biógrafo oficial do Cristiano Ronaldo para as questões culinárias – secção tailandesa.<br />
Recapitulando:<br />
Isto não é um post, é a página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo, escrita pelo biógrafo oficial do Cristiano Ronaldo para as questões culinárias – secção tailandesa.<br />
Agora que estamos todos em sintonia, podemos dar de barato que vocês têm na mão o livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo, correcto?<br />
O problema é que a página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo não tem nada de útil, pois corresponde exactamente ao fim da secção de sopas, podendo ler-se: <em>“aqui chegados é só polvilhar com sal a gosto e eis a sua sopa de espiráculo de golfinho pronta a servir”</em>, e ao início da secção de sobremesas, onde, após um longo intróito sobre a importância das sobremesas na cozinha tailandesa, se começa a discorrer sobre a primeira das sobremesas, a <em>“Duas bolas de gelado de melancia na taça de metal”</em> – <em>“Para fazer esta sobremesa é necessário dispor de duas bolas de gelado de melancia e uma taça de metal. Reunidos os ingredientes (…)”.</em><span id="more-7589"></span><br />
E pronto, tal e qual como eu dizia, um fim de sopa e um início de sobremesa. Só por si, convenhamos, não dá para nada. É pois óbvio que, para alcançar a lógica da coisa, necessitamos de descobrir as páginas 255 e 257 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo.<br />
O problema é que tais páginas não existem – pois se isto é um faz-de-conta criado apenas para arranjar uma desculpa para escrever algo longo sobre a ponta de um corno, sem dar abébias. Não existindo as páginas, ficamos apenas com a sensação de que passámos ao lado de uma grande carreira, com as promessas de uma suculenta sopa e uma agradável sobremesa. Como se fazem? Nunca saberemos.<br />
Com isto tudo acabei por levantar duas questões de suma importância, que é como quem diz, procedi ao levantamento das mesmas, certo que as ditas estavam caídas no chão, mesmo ao lado do dinheiro do Multibanco. São elas: a ponta de um corno e as abébias que não se dão.<br />
Comecemos pela ponta de um corno.<br />
A ponta de um corno, <em>“point of the horn”</em> em inglês, é mais ou menos o equivalente ao vazio, ao nada, a coisa nenhuma. Assim como em <em>“Ó Lopes, não vales a ponta dum corno”</em>. Mas que fizeram os cornudos, <em>“aqueles providos de cornos”</em>, como em <em>“a gaja merece é que lhe ponhas um par de cornos”</em> para que lhes desmereçam assim tanto as extremidades dos chavelhos?<br />
Terá algo a ver com as abébias?<br />
A ver vamos. Portugal é, claramente, um país onde não se dão abébias. Toda a gente as tem e toda a gente as guarda, não as disponibilizando a ninguém. E pouco mais posso avançar. Ainda há poucochinho me dizia um amigo que o Sá Pinto é que era, nunca deu abébias. Daqui eu concluo que abébias não são socos, palmadas, murros nas trombas ou algo de semelhante cariz. Cheira-me, e isto do “cheira-me” é outra coisa que dava pano para mangas, mas isso fica para outro post, perdão, outra página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo, cheira-me, dizia, que a abébia é exactamente o contrário da ponta dum corno. As abébias não se dão, pelo que devem valer muito. Já as pontas de cornos, e porque ninguém as quer, não devem valer nada. As duas expressões funcionam como perfeitos antónimos, pelo que as podemos, e devemos, passar a usar de forma mais variada.<br />
Podemos, por exemplo, elogiar alguém, atirando-lhe: <em>“És mais valioso que uma abébia”</em>. Já de alguém que é um forreta ou que não dá hipóteses a ninguém, podemos, com propriedade, afirmar: <em>“Aquele só dá pontas de cornos”</em>, que é como quem diz que não dá nada a ninguém, as tais das abébias. É tal e qual como dizer, neste segundo caso, <em>vox populi dixit</em>, <em>“Aquele gajo é um perfeito coninhas”.</em><br />
Ora, ora, este a talhe de foice vai a eito. Um perfeito coninhas em bom português é um fulano cujos contornos se assemelham a uma pequena e perfeita vagina, tipo não falta ali nenhum lábio, ou a uma vagina assim a modos que pró apertadita. Portanto, é uma expressão sem qualquer carácter objectivo. Quero dizer, o significado depende do sujeito que a profere. Experimentemos o segundo significado. Se for um admirador de vaginas assim a modos que pró apertaditas estamos perante um verdadeiro elogio, já se for alguém que se inclina para vaginas mais largas, tipo <em>“vê lá não caias pelo ralo”</em>, neste caso, então, devemos entender a coisa como uma ofensa.<br />
Em suma, ponto d’ordem, ponto d’ordem, ponto d’ordem &#8211; ponto d’ordem, se alguém nos chamar perfeito coninhas, devemos, antes de mais, perguntar-lhe que tipo de vaginas prefere. Assim tipo <em>“diz-me de que vagina gostas, dir-te-ei se te vou às trompas ou às trombas”</em> – é conforme o género do indivíduo.<br />
Esta página 256 do livro de cozinha tailandesa do Cristiano Ronaldo já vai longa, pelo que se impõe um fim. Ei-lo: Fim!</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ora deixa cá experimentar esta</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 08:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para além de ser contra a adopção de homossexuais por crianças, também não vejo com bons olhos que aos petizes seja dado o direito de adoptar bissexuais ou transgéneros. Nem transgénicos, já agora.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para além de ser <a href="http://5dias.net/2008/09/17/manifesto/">contra a adopção de homossexuais por crianças</a>, também não vejo com bons olhos que aos petizes seja dado o direito de adoptar bissexuais ou transgéneros. Nem transgénicos, já agora.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Manifesto</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Sep 2008 14:23:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Reflectindo de novo sobre uma das questões do momento, reitero que, por motivos que não carecem de ser explicados, sou contra a adopção de homossexuais por crianças. De resto, penso não estar enganado se disser que a opinião é unânime &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/09/17/manifesto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Reflectindo de novo sobre uma das questões do momento, reitero que, por motivos que não carecem de ser explicados, sou contra a adopção de homossexuais por crianças. De resto, penso não estar enganado se disser que a opinião é unânime aqui no blogue.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Aos do alecrim e da manjerona &#8211; um remake feito recado a alguns dos que nos têm linkado</title>
		<link>http://5dias.net/2008/09/04/aos-do-alecrim-e-da-manjerona-um-remake-feito-recado/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 10:28:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para os do normal-em-blogue-que-se-quer-político, os da sintonia recorrente na modorra e na chatice, os que caracterizam e rotulam sem ler, só porque isto foi escrito aqui e aquilo acolá, os que linkam sem atentar. Continuem a discutir a que banda &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/09/04/aos-do-alecrim-e-da-manjerona-um-remake-feito-recado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para os do <em>normal-em-blogue-que-se-quer-político</em>, os da sintonia recorrente na modorra e na chatice, os que caracterizam e rotulam sem ler, só porque isto foi escrito aqui e aquilo acolá, os que linkam sem atentar.<br />
Continuem a discutir a que banda pertencem, a dizer que Abel é que matou Caim, a inventar demais frases bombásticas, sonoras mas sem sentido, para alimentar os vossos saracoteios, continuem a reagir não em face da substância das acções, mas dos sujeitos das mesmas, e, quando menos esperarem, a serem sinceros com o vosso reflexo, hão-de verificar que a serpente da vossa tão amada (e gasta) dialéctica esquerda-direita vos está a morder o rabo.<br />
De resto, sensíveis como parecem ser, já o hão-de ter sentido amiúde.<br />
A cartilha por onde aprenderam a pensar, leva-vos, de uma forma geral, a discernir (apenas) o despiciendo, na vã esperança de que a brasa feita cinza se chegue mais rapidamente à vossa sempre crua sardinha.<br />
Para além de, dessa forma, o mundo não pular, deve ser triste e cansativo viver assim.<br />
<em>“Sempre de bibe amarelo”</em>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>9 to 5</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Aug 2008 18:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[trapos velhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Era assim o trabalho de campo. Das 9 às 5. Comenta daqui, refere dali, aponta d’acolá. Até metiam dó, os meninos. Quanto lhes pagarão, muito me questionava (rios de dinheiro, por certo, qu’aquilo é coisa de “pró” bem remunerado). Olha &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/08/08/9-to-5/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era assim o trabalho de campo. Das 9 às 5. Comenta daqui, refere dali, aponta d’acolá. Até metiam dó, os meninos. Quanto lhes pagarão, muito me questionava (rios de dinheiro, por certo, qu’aquilo é coisa de “pró” bem remunerado). Olha o acontecimento. Morreu uma andorinha. Raisparta. Vê se sabes algo da caixa negra. Manda lá o mai’novo, quero saber se alguém lhe deu milho envenenado, a causa das coisas, que todas as coisas têm causa (já dizia o que agora tomou o lugar da bomba, lá para as laudas doze da revista do Semanário Oficial). Entretanto descansa os leitores, diz-lhes que não morreu a Primavera, que é só uma andorinha e que estamos em cima do acontecimento. Coisa esquisita, chefe, não morreu a Primavera? Custa-me enquadrar a notícia, uma vez que estamos em pleno Inverno e o raio do bicho nem tinha nada que cheirar por aqui. Provavelmente caiu-lhe foi geada no toutiço e vai daí esticou o pernil (pernil d’andorinha, não me hei-de esquecer desta). Esse é trabalho para o místico, chama o místico, ele há-de explicar porque raio morreu uma andorinha no Inverno e que se faz do Inverno quando se lhe morre uma andorinha. Fica o relógio das estações avariado, é o que é. Se calha a ter morrido o Inverno, vem agora a Primavera e ainda só estamos em Janeiro. Chefe, chefe, chefe! Seria caso para dizer: por morrer uma andorinha começou a Primavera. Discute isso com os da banda de lá. Lança-lhes o isco. Consulta a comunidade gay, vê que dividendos tiram eles disto. Os ateus, os agnósticos, os comunas, os fascistas, os liberais, os do contra e os do a favor. Entretanto? Manda-lhes música. Põe o Amsterdam a tocar bem alto, q’eles até ficam surdos e olvidam a andorinha. Ao abrir de página? Ao abrir de página. E o outro, já telefonou? Diz que sim, que está zangado com a não tomada de posição e que toma isso como uma tomada de posição contra ele. Que vai sair, que assim não pode ser. Que por ele se matava mais uma andorinha e se passava já para o Verão. Chefe? São 5! Nem penses, alguém tem de dizer algo sobre a andorinha. Chefe? Foi falso alarme, era coma induzido, o bicho está vivo e já ouve quem publicasse declarações dele. Que é um tal de piu-piu-piu, piu-piu-piu, todo o mundo vai dançá (olha que não é assim). Vai, vai para casa. Mas antes escreve qualquer coisa. Já passou um dia e só lá temos o Amsterdam.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Conforme original</title>
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		<pubDate>Sat, 17 May 2008 13:46:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[trapos velhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebeu-o das minhas mãos e acariciou-lhe, por duas vezes, o “Ne varietur” da capa, como que para o fazer seu (pois naquele nunca tinha tocado) e para se certificar do que tinha mudado desde que o havia passado para as &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/05/17/conforme-original/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2008/05/la.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3072" title="la" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2008/05/la.jpg" alt="" width="149" height="48" /></a></p>
<p>Recebeu-o das minhas mãos e acariciou-lhe, por duas vezes, o <em>“Ne varietur”</em> da capa, como que para o fazer seu (pois naquele nunca tinha tocado) e para se certificar do que tinha mudado desde que o havia passado para as folhas do Bombarda. Depois de, à segunda, ter percebido o nome de quem o interpelava, passou-o para o papel, precedendo-o de um <em>“Para”</em> e preenchendo os espaços vazios, e assinou. Sem acento no <em>“o”</em> de António. E, de novo, passou por duas vezes o polegar da mão esquerda no <em>“Ne varietur”</em> da capa. Descansado, entregou-mo &#8211; <em>“o Barrigana continua lá”</em>, disse-me (em azul e sem abrir a boca). Apontando com os olhos para o <em>“Para”</em> dela, Maria Eugénia, a senhora da caixa, ao reparar que também eu levava um “Para”, atirou-me: <em>“É um malandreco, aquele! Não fazia ideia!”</em>. Depois, sem mos pedir, disse-me que eram vinte e cinco euros. Aceitando o eufemismo (é uma Bertrand, caramba), entreguei-lhe as duas notas que tinha.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O guarda costas, o homem da tábua no colchão, o adorador solícito, um caso de amizade muito especial e “Ah, não sei, não faço ideia”</title>
		<link>http://5dias.net/2008/05/13/o-guarda-costas-o-homem-da-tabua-no-colchao-o-adorador-solicito-um-caso-de-amizade-muito-especial-e-%e2%80%9cah-nao-sei-nao-faco-ideia%e2%80%9d/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 17:37:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[trapos velhos]]></category>

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		<description><![CDATA[«PSL &#8211; Trabalhei muito com o doutor Sá Carneiro. (…) O doutor Sá Carneiro, lembro-me, na altura dispensou a segurança e zangou-se com a polícia. E eu andei a fazer de guarda-costas dele; ele não aguentava, por causa da coluna, &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/05/13/o-guarda-costas-o-homem-da-tabua-no-colchao-o-adorador-solicito-um-caso-de-amizade-muito-especial-e-%e2%80%9cah-nao-sei-nao-faco-ideia%e2%80%9d/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2008/05/santana-lopes.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3019" title="santana-lopes" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2008/05/santana-lopes.jpg" alt="" width="200" height="190" /></a></p>
<blockquote><p><em>«PSL &#8211; Trabalhei muito com o doutor Sá Carneiro. (…) O doutor Sá Carneiro, lembro-me, na altura dispensou a segurança e zangou-se com a polícia. E eu andei a fazer de guarda-costas dele; ele não aguentava, por causa da coluna, levar pancadas nas costas quando estava no meio das pessoas e eu, como era mais alto, lá andava sempre com os braços à volta, e adorava fazer o que ele me pedisse. Lembro-me que à noite &#8211; nunca escrevi isto; um dia hei-de escrever, tenho já muita história para contar, com quase 34 anos -, à noite ia ver o colchão dele, se ele tinha a tábua para as costas, e ia pôr-lhe um bocadinho de whisky que ele gostava e nunca me caíram os parentes na lama, pelo contrário. </em></p>
<p><em>(…) o Marcelo, como sabe, é um caso de amizade muito especial. Com toda a gente, não é só comigo. Eu acho que ele sabe ser amigo das pessoas, mas não é um amigo de todos os dias.</em></p>
<p><em>K &#8211; O que é que quer? Quer ser Primeiro Ministro? Acha que vai ser Primeiro Ministro?<br />
</em></p>
<p><em> PSL &#8211; Ah, não sei, não faço ideia.»</em></p>
<p><strong>Pedro Santana Lopes, entrevista à K (n.º 1), Outubro de 1990</strong></p></blockquote>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2008/05/13/o-guarda-costas-o-homem-da-tabua-no-colchao-o-adorador-solicito-um-caso-de-amizade-muito-especial-e-%e2%80%9cah-nao-sei-nao-faco-ideia%e2%80%9d/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>Fado</title>
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		<pubDate>Fri, 02 May 2008 22:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[trapos velhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Girls on jetty, Munch Este relata de como passei, e passo, parte da vida agarrado a um passado que vivi e a um futuro que sonho ter, apercebendo-me, apenas quando racionalizo, que o meu presente foi o tal futuro idealizado &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/05/02/fado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://muse.calarts.edu/~rjaster/edvard-munch/Paintings/vigorOfLife/girlsOnJetty_3.jpg" alt="" /></p>
<p><span style="color: #808080;">Girls on jetty, Munch</span></p>
<address> </address>
<p>Este relata de como passei, e passo, parte da vida agarrado a um passado que vivi e a um futuro que sonho ter, apercebendo-me, apenas quando racionalizo, que o meu presente foi o tal futuro idealizado aqui há atrasado. Felizmente, e embora ande constantemente, não à beira de um ataque de nervos, mas em pleno ataque de nervos, posso considerar-me um homem, não de projectos realizados, mas de presentes feitos de futuros sonhados. Este futuro há já uns anos que está comigo, a meu lado, todos os dias. Digamos que o meu presente e o meu futuro vivem numa perfeita e razoável harmonia &#8211; apenas razoável porque ainda não consegui realizar o projecto de viver seis meses em Porto de Galinhas e o resto do tempo aqui pelas berças.</p>
<p>O busílis é mesmo o passado com o qual eu não me consigo conciliar. Não consigo conformar-me com a travessia do tempo, com aquilo que ele vai apagando para nunca mais deixar voltar.</p>
<p>O problema, significava, o verdadeiro problema, tem a ver com os <em>&#8220;sentires&#8221;</em>, com o imenso espaço aberto que era a vida, espaço que, quer se queira quer não, e por mais que se reme contra essa maré, se vai estreitando, afunilando. Tudo de acordo com as nossas próprias escolhas, os caminhos que esse nosso ser passado decidiu trilhar e nos levou, e condicionou, a ser aquilo que somos hoje.</p>
<p>Uma das grandes diferenças é essa, como um caminho que se vai trilhando, em que as estradas se vão fechando à medida que as vamos caminhando. <em>&#8220;No hay camino, el camino se hace al andar&#8221;</em>, sem dúvida, mas esqueceu-se António Machado, melhor, nem vinha a propósito, de dizer que o caminho andado se vai fechando. A diferença, dizia, reside precisamente no número de estradas que já trilhámos e que se fecharam a futuros alternativos. E isso condiciona, por certo, a forma de sentir o tal passado.</p>
<p><span id="more-2936"></span></p>
<p>Quando entramos na idade adulta, já aprendemos, de uma forma ou de outra, com maiores ou menores penas, a lidar com a morte. Ainda há tempos olhava os meus avôs maternos e avó paterna, ainda vivos, e dava graças por os ter comigo. Porém, a verdade é muito mais dura que isso, as pessoas que eles foram, que ajudaram, para o bem e para o mal, a construir aquele que sou hoje, já não estão comigo. Nem eu estou com eles. Ambos envelhecemos. Essa é a realidade. O que eu dava, o que eu pagava, para voltar a passar uma tarde de férias grandes, do verão de 74 ou 75, com a minha avó materna.</p>
<p>Para isso teríamos de entrar naqueles caminhos que já se fecharam, a minha avó e eu, ambos tínhamos de recuar, pelo menos, 30 anos. Hoje, quando olho para eles, para ela, muito particularmente para ela, a minha avó, para além do olhar, do sorriso, que continua a ser o mais bonito que eu alguma vez vi, sem contar com o do meu filhote, vejo uma memória dolorosa de tempos passados. Dolorosa porque, e era aqui que eu queria chegar, por causa dos tais caminhos que se fecham, das pessoas que se renovam em si mesmo, morrendo continuamente, saudade é dor. Fado. Uma dor não lancinante, uma dor demarcada do seu próprio conceito, mas sempre uma dor.</p>
<p>Gostava de conseguir viver em paz com o meu passado. Infelizmente, e sem que isso seja agrura tremenda e insuportável, parece-me demanda impossível.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Punhetas a grilos</title>
		<link>http://5dias.net/2008/04/27/punhetas-a-grilos/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 19:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[trapos velhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma promessa que lhe tinha feito. Havia de escrever um livro. Chegou a pôr um alarme no telemóvel: 2ª feira, 15 horas, avisar 10 minutos antes (era um nokia): “Escrever”. Assim mesmo. “Escrever”. Como se estas coisas de escrever &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/04/27/punhetas-a-grilos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era uma promessa que lhe tinha feito. Havia de escrever um livro. Chegou a pôr um alarme no telemóvel: 2ª feira, 15 horas, avisar 10 minutos antes (era um nokia): “Escrever”. Assim mesmo. “Escrever”. Como se estas coisas de escrever pudessem ser programadas. Levanta-se pela manhã, toma um duche, engole os cereais e vai à bolina no seu carro que “pelo menos é seguro” e que “já não é a primeira pessoa que me diz, e até já li num livro: tem mais 28 cavalos do que diz o livro – sabes como é que é! Questões fiscais”.<br />
E vai asinha porque não pode chegar atrasado ao seu novo emprego de escritor. O patrão é severo. Tem prazos a cumprir. Agora é um romance. Uma história de tragédia. Dois irmãos que se apaixonam um pelo outro e são obrigados a terminar a relação quando descobrem que, afinal, não são irmãos. Depois chega a hora de almoço e à tarde tem de se embrenhar numa comédia.<br />
Há que arranjar um herói. Pode ser o terceiro irmão dos atrás avindos – e que hão-de deixar de o ser.<br />
Que nome lhe havemos de dar? Passa este escriba pelas mesmas agruras dos pais que lhe escolheram o nome, assim como “uma espécie de pai sem o ser”.<br />
Martim. Pronto. Pelo menos aqui não tenho quem discorde. Martim será e pouco me importa que lhe chamem Martins. Afinal as crianças são cruéis e os adultos são medíocres. Quase todos. Não podem ser todos. O próprio conceito e o simples facto de existir, como tal o impõe. Se o oposto da mediocridade, qualquer que ele seja, como de resto tudo o que é ou não é, não existisse, ou não fosse reconhecido, a própria mediocridade não existiria.</p>
<p>Mas já chega de conversa fiada. Vamos às coisas sérias.</p>
<p><span id="more-2861"></span></p>
<p>Falava-vos do nosso herói! Lindo! Bela tirada: “o nosso herói”. Livro que o queira ser, deste escritor de empreitada (que não sou eu, atenção, não se esqueçam da promessa), tem de ter um princípio, um meio e um fim e, mais que tudo, tem de ter um narrador – aqui posso ser eu – que possa dizer coisas como: “o nosso herói”.</p>
<p>Martim. Irmão do Fulano e da Beltrana – assumi o “Beltrana”. Irmã borralheira da Fulana, a preferida, e da Sicrana, irmã do meio a quem pouco falta. Não é a sério, não se esqueçam, porque irmãos são mesmo só três &#8211; recapitulando, Martim, Fulano e Beltrana. Nesta história, sempre que não se quiser nomear alguém, Beltrana será. E assim no feminino, que fica giro. E o raio do corrector ortográfico automático quer à força mudar-lhe o género. Pois que aguente. Não é Beltrano. Nesta estória não há paneleirices, se o outro é fulano, esta tem de ser Beltrana. Bem bonda o incesto que afinal não era.</p>
<p>O Martim, como não pode deixar de ser, é aprendiz de feiticeiro. Genericamente: bruxo – como se intitula. Num mundo de medíocres ninguém quer ser aprendiz de nada. Vamos todos fazer de conta. Fazer de conta que somos felizes. Fazer de conta que somos experimentados. Fazer de conta que temos dinheiro. Fazer de conta que não são os nossos papás que nos sustentam. Fazer de conta que nos esfalfamos a trabalhar. Sábados, Domingos e feriados. E dizer mal do vizinho que é um calão e não trabalha nos dias de descanso &#8211; deve-lhe vir da droga. Mesmo que estejamos conscientes, e alguns não fogem a esse estado, o que só lhes deve aumentar a agrura, mesmo que estejamos conscientes que não fazemos a ponta de um corno, que é só para inglês ver e, pior que tudo, que somos, na maior parte das vezes, o nosso próprio inglês. O que interessa é que o nosso vulto apareça na fotografia, que os movimentos mecânicos do trabalho se possam vislumbrar. Mesmo que o produto de toda essa presença no local da ilusória faina não passe dum enorme flato, dado bem alto e ao vento para que ninguém possa ouvir nem cheirar.<br />
Mesmo assim. Como num enorme auto de fé de bruxas vaidosas. E um bruxo não dorme, um bruxo não come, um bruxo não bebe, um bruxo não fode. Pois bem, este aprendiz de feiticeiro faz isso tudo e mais uma botas que sejam precisas para algum pobre ucraniano que por ai ande de pata ao léu.<br />
E lá vai então o Martim para o escritório. Chegou. As estórias misturam-se, a do criador e da criatura. Está quase a tocar o alarme das 10 para as 10. Ele espera, pacientemente. Escrever. Tá bem, tá. Escreve tu que tens bom vagar. Eu tenho muito com que me entreter &#8211; afinal, sou o vosso herói, o protagonista desta história. Embora não me desagrade de todo a ideia de tão tonta corrente literária, não gabo a sorte de quem a quiser aproveitar. Demasiado trabalhoso e, tecnicamente, não passa de uma bela dor de cabeça. Ah, e não vende.</p>
<p>Tocou o alarme, toca a escrever.<br />
<em>&#8220;Era uma vez um cabrito montês&#8221;</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Intermitências privadas</title>
		<link>http://5dias.net/2008/04/17/intermitencias-privadas/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Apr 2008 20:35:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
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		<category><![CDATA[trapos velhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje deu-me para reflectir sobre os tempos de vida – das pessoas e das coisas; dos seres e dos projectos. Das intermitências da morte, como titulou o outro. Quanto às pessoas, e fazendo fé no ensaio laboratorial do que não &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/04/17/intermitencias-privadas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje deu-me para reflectir sobre os tempos de vida – das pessoas e das coisas; dos seres e dos projectos. Das intermitências da morte, como titulou o outro. Quanto às pessoas, e fazendo fé no ensaio laboratorial do que não virgula-de-virgular, estamos conversados. Parece que é maleita não desejada, esta de envelhecer, envelhecer. Sem morrer. Porque, reconheçamo-lo, e com humildade, que a morte é a cura para vida. Lembro-me da minha avó, viva, numa cama, há pelos menos dois anos. O que a vai curar? Claro que sim. Quando um dia vier. O mais longe que seja, cruzes-canhoto-bate-na-madeira, que o egoísmo dos que vivem-de-viver mais não permite. E eu não serei excepção.</p>
<p>(ao tempo que já não escrevia assim, caramba, para que eu me entenda, sem pretender ser o pivot de serviço)</p>
<p>Terão os projectos igual referência? Será o fim dos projectos, fará o fim de um projecto, parte essencial do dito projecto? Ou poderão os projectos ultrapassar os tempos de vida das pessoas? Talvez tudo. Sim e não. Depende do projecto, da maleabilidade dos projectos, depende das pessoas que hão-de vir. Dar-lhe almoço, jantar e lanche.</p>
<p>Sim, porque desenganem-se, um projecto não tem perninhas para andar sozinho. E o único que tinha, o feioso da cabecita remendada e do corpito aos retalhos a que o louco deu vida, retribuiu como se viu.</p>
<p>Vou ali já venho, amanhã quem sabe, para o mês que vem, um dia destes, nunca mais, terminar o que não comecei, porque tenho mais que fazer e chamam-me ao telefone. Assunto urgente e importante, coisa de trabalho, dizem-me. Fiquem aí à espera que eu já volto, está bem? Porque é isto, segundo sei, o que se pretende dum blogue. Coisa sem obrigações, sem tempos, que sabe reconhecer as premências superiores. Ou vocês, meia dúzia de leitores atraiçoados, pensaram mesmo que eu vinha para aqui falar duma coisa tão respondona como um avião que explode, um político medíocre? As notícias do dia a dia? Blocos e partidos? Futebóis e tristezas?</p>
<p>Comprem mas é o jornal, que eu tenho mais que fazer. </p>]]></content:encoded>
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		<title>De como a culpa morre solteira</title>
		<link>http://5dias.net/2008/04/16/de-como-a-culpa-morre-solteira/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2008 17:26:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério da Costa Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[trapos velhos]]></category>

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		<description><![CDATA[O país está num estado miserável. Há que descobrir os culpados. Esses culpados têm rosto. Esses rostos têm bocas. Essas bocas têm dentes. Esses dentes são incisivos, caninos, pré-molares e molares. Esses dentes têm cáries. Essa cárie tem culpados. Esses &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/04/16/de-como-a-culpa-morre-solteira/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O país está num estado miserável.<br />
Há que descobrir os culpados.<br />
Esses culpados têm rosto.<br />
Esses rostos têm bocas.<br />
Essas bocas têm dentes.<br />
Esses dentes são incisivos, caninos, pré-molares e molares.<br />
<img src="http://www.cdof.com.br/gifs/odonto3.jpg" alt="" width="150" height="156" /><br />
Esses dentes têm cáries.<br />
Essa cárie tem culpados.<br />
Esses culpados são os doces.<br />
Os doces têm açúcar culinário.<br />
O açúcar culinário tem sacarose, sais minerais e aminoácidos.<br />
Os sais minerais e aminoácidos são impurezas do acúcar.<br />
Não interessam.<br />
A sacarose interessa.<br />
A sacarose é um carboidrato do tipo dissacarídeo.<br />
Os carboidratos do tipo dissacarídeo são formado pela união de dois monossacarídeos: a-glicose e a frutose.<br />
A fórmula estrutural da sacarose e dos monossacarídeos que a constituem podem ser visualizadas nesta figura:<br />
<img src="http://afixe.weblog.com.pt/arquivo/sacarose.jpg" alt="" width="256" height="365" /><br />
Outros exemplos de dissacarídeos importantes são a maltose e a lactose.<br />
A maltose é o açúcar do malte.<br />
A lactose é o açúcar do leite e só é encontrado em mamíferos.<br />
O país está num estado miserável.</p>
<p><span id="more-2701"></span><br />
Há que descobrir os culpados.<br />
Esses culpados têm rosto.<br />
Esses rostos têm bocas.<br />
Essas bocas têm dentes.<br />
Esses dentes são incisivos, caninos, pré-molares e molares.<br />
<img src="http://www.cdof.com.br/gifs/odonto3.jpg" alt="" width="150" height="156" /><br />
Esses dentes têm cáries.<br />
Essa cárie tem culpados.<br />
Esses culpados são os doces.<br />
Os doces têm açúcar culinário.<br />
O açúcar culinário tem sacarose, sais minerais e aminoácidos.<br />
Os sais minerais e aminoácidos são impurezas do açúcar.<br />
Não interessam.<br />
A sacarose interessa.<br />
A sacarose é um carboidrato do tipo dissacarídeo.<br />
Os carboidratos do tipo dissacarídeo são formados pela união de dois monossacarídeos: a-glicose e a frutose.<br />
A fórmula estrutural da sacarose e dos monossacarídeos que a constituem podem ser visualizadas nesta figura:<br />
<img src="http://afixe.weblog.com.pt/arquivo/sacarose.jpg" alt="" width="256" height="365" /><br />
Outros exemplos de dissacarídeos importantes são a maltose e a lactose.<br />
A maltose é o açúcar do malte.<br />
A lactose é o açúcar do leite e só é encontrado em mamíferos.<br />
O país está num estado miserável.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2008/04/16/de-como-a-culpa-morre-solteira/feed/</wfw:commentRss>
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