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	<title>cinco dias &#187; Sociedade</title>
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		<title>Elogio marxista ao fast-food</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Sep 2010 16:30:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Teixeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Há um complexo, na esquerda, com a comida rápida. Sem nenhum problema, eu próprio assumo o meu. Durante anos evitei ir a qualquer que fosse a cadeia alimentar, com medo de ferir duplamente o meu orgulho revolucionário e a minha &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/09/13/elogio-marxista-ao-fast-food/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img class="size-full wp-image-46471  aligncenter" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/09/frangos1.jpg" alt="" width="400" height="301" /></p>
<p>Há um complexo, na esquerda, com a comida rápida. Sem nenhum problema, eu próprio assumo o meu. Durante anos evitei ir a qualquer que fosse a cadeia alimentar, com medo de ferir duplamente o meu orgulho revolucionário e a minha saúde. Nada mais hipócrita.</p>
<p>Um dos momentos que me ajudou a tomar consciência do problema foi durante o lançamento do <a href="http://www.jornalmudardevida.net/" target="_blank">jornal Mudar de Vida</a>, na <a href="http://casa-viva.blogspot.com/" target="_blank">Casa Viva</a>, no Porto. Durante o debate, que se queria sobre a importância da informação alternativa face aos meios de comunicação social dominante, a intervenção de uma vegan furiosa transformou um debate interessante numa sessão sobre frangos de aviário.</p>
<p>Segundo a rapariga, no dia e na hora da revolução, a par dos seres humanos, havia que libertar os bichos. Tudo em igualdade de circunstâncias. Deveria impedir-se os famélicos da terra de entrar porta a dentro do aviário para depenar e devorar os pitos. Ao desenvolver a teoria, os argumentos eram tão válidos como a equiparação do direito daquelas aves aos humanos, que entre outras características tem em sua posse um polegar opositor e um encéfalo altamente poderoso. Debati este tema com outros vegetarianos mais sérios e fundamentados, ou mesmo com omnívoros de princípios rígidos, mas o fim da linha é sempre a compreensão do problema produtivo.</p>
<p>Enquanto não podemos, todos, comer comida biológica, serei sempre a favor da subserviência dos frangos aos dentes das pessoas e à tirania dos electrochoques.</p>
<p><span id="more-46470"></span></p>
<p>Não está em causa a defesa do fast-food tal como o conhecemos. Imagino que todos os que lutam por uma sociedade alternativa procurem que o homem novo refaça o mundo a partir do que existe e não a partir de abstracções. Nesse sentido, a capacidade técnica de levar comida rápida, potencialmente saudável e a baixos custos, a todas as bocas do planeta é naturalmente uma possibilidade que deveria seduzir todos os humanistas.</p>
<p>Assim sendo, fará sentido fechar as portas dos aviários e encerrar compulsivamente cada uma das unidades de comida rápida? Porque será que todo o reformista defende que o parlamento, a televisão, o jornalismo, a cidadania, todo e cada um dos capítulos da vida, são conceitos que podem ser refundados em nome de uma lógica mais solidária, e nunca assumem que isso pode perfeitamente acontecer com o Mac Donalds?</p>
<p>Todos os argumentos caem por terra. A destruição da floresta amazónica é uma catástrofe mas ela acontece não porque existe fast-food mas porque não há uma política agro-pecuária de e para o povo. A qualidade da comida é ela mesma uma faca de dois gumes. Lutaremos por ela, como é evidente, mas pergunte-se a quem passa fome se prefere má comida ou comida nenhuma. De resto, e sem um agravamento significativo dos custos, poderia tornar-se o fast-food em algo “ainda” mais saudável. Não estamos sequer muito longe disso.</p>
<p>Uma vez mais um caso prático. Quando posso escolher como sempre em casa e com a comida transformada pelas minhas mãos. Mesmo com alimentos de merda consigo fazer alguns milagres. Além de mim, boa parte dos meus amigos sublinham que a minha cozinha é de facto um dos melhores restaurantes da cidade. Ontem, porém, tive que almoçar e jantar fora por questões de ordem prática, o que para quem tem um filho redobra os esforços selectivos. O almoço foi no Mac e custou cinco euros por cabeça. Eu comi um Mac Menu qualquer sem molho, e o meu puto comeu filetes de peixe, cenoura crua e sumo de laranja natural. Ao jantar, num reputado restaurante da cidade, paguei 15 euros por cabeça, eu comi um bife cheio de gordura que parecia uma sola de sapato, frito em óleo e com o indispensável ovo estrelado. O meu puto teve que se contentar com um bacalhau à Brás com mais sal que ovo e quase sem bacalhau. Algo me diz que qualquer um dos dois ficou melhor servido ao almoço.</p>
<p>Para lá dos que organizam a alimentação em função das suas convicções, há os que têm as suas convicções determinadas pelas suas carências alimentares. Estou certo que eles darão uma resposta bem mais humana do que aqueles que fundam a sua consciência na alegada liberdade das galinhas.</p>
<p><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/eqL_JPFHiQM?fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/eqL_JPFHiQM?fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Zo-RqKkwW5A?fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Zo-RqKkwW5A?fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/e/_sCD9Tkp2mU"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/e/_sCD9Tkp2mU" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em><a title="Link permanente para Elogio marxista ao fast-food I" rel="bookmark" href="../2010/09/10/elogio-marxista-ao-fast-food-i/">Elogio marxista ao fast-food I</a></em></p>
<p><em><a title="Link permanente para Elogio marxista ao fast-food II" rel="bookmark" href="../2010/09/11/elogio-marxista-ao-fast-food-ii/">Elogio marxista ao fast-food II</a></em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Elogio marxista ao fast-food II</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 23:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Teixeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
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		<description><![CDATA[Comentar aqui: Elogio marxista ao fast-food I]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img class="aligncenter size-full wp-image-46234" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/09/None-of-us-is-as-good-as-all-of-us-mcdonalds-sowell-harris.jpg" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter size-full wp-image-46233" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/09/china-mcdonalds.jpg" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: center">
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter size-full wp-image-46232" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/09/real_good_gal.jpg" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p><em><a title="Link permanente para Elogio marxista ao fast-food I" rel="bookmark" href="../2010/09/10/elogio-marxista-ao-fast-food-i/">Comentar aqui: Elogio marxista ao fast-food I</a></em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Elogio marxista ao fast-food I</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 23:06:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Teixeira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-46199" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/09/Mac-Mix-520x342.jpg" alt="" width="520" height="342" /></p>]]></content:encoded>
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		<title>ler para relaxar!</title>
		<link>http://5dias.net/2009/05/04/ler-para-relaxar/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 23:46:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Jorge Vieira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Boaventura]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[No final desta tarde de domingo resolvi &#8211; para relaxar &#8211; começar a ler o livro que o meu companheiro me ofereceu ontem na Feira do Livro: &#8220;Epistemologias do Sul&#8220;. Estamos perante um volume colectivo constituído por um conjunto de &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/05/04/ler-para-relaxar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final desta tarde de domingo resolvi &#8211; para relaxar &#8211; começar a ler o livro que o meu companheiro me ofereceu ontem na Feira do Livro: &#8220;<a href="http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=8365">Epistemologias do Sul</a>&#8220;. Estamos perante um volume colectivo constituído por um conjunto de ensaios de investigadores procedentes, na sua maioria, dos estudos pós-coloniais, e organizado por <a href="http://www.boaventuradesousasantos.pt/pages/pt/homepage.php">Boaventura de Sousa Santos</a> e <a href="http://www.ces.uc.pt/investigadores/cv/maria_paula_meneses.php">Maria Paula Meneses</a>.<br />
Folheei o livro várias vezes, coisa que gosto de fazer nos primeiros dias na posse de um destes objectos. Depois comecei a ler, e parei a pensar, nestas duas frases retiradas das primeiras páginas da introdução e da autoria dos organizadores:<br />
<em>&#8220;Toda a experiencia social produz e reproduz conhecimento e, ao fazê-lo, pressupõe uma ou várias epistemologias. Epistemologia é toda a noção ou ideia, reflectida ou não, sobre as condições do que conta como conhecimento válido. É por via do conhecimento válido que uma dada experiência social se torna intencional e inteligível. Não há, pois, conhecimento sem prácticas e actores sociais. E como umas e outros não existem senão no interior de relações sociais, diferentes tipos de relações sociais podem dar origem a diferentes epistemologias.</p>
<p>(&#8230;) Por que razão, nos dois últimos séculos, a epistemologia dominante eliminou da reflexão epistemológica o contexto cultural e político da produção e reprodução do conhecimento? Quais as consequências desta descontextualização? São hoje possíveis outras epistemologias? &#8221; </em>(pp.9/10)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Os snipers no BES e nas FARC</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 16:10:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[América]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Regressando de viagem verifico que pelo Blasfémias pouco mudou. João Miranda continua entretido com as suas teses libertárias, mas não percebo como pode falar em “presunção de inocência” (neste caso necessariamente do falecido assaltante) num crime que era flagrante e &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/09/07/os-snipers-no-bes-e-nas-farc/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Regressando de viagem verifico que pelo Blasfémias pouco mudou.<br />
João Miranda <a href="http://blasfemias.net/2008/09/04/os-snipers-2/" target="_blank">continua entretido</a> com as suas teses libertárias, mas não percebo como pode falar em “presunção de inocência” (neste caso necessariamente do falecido assaltante) num crime que era flagrante e que estava a ser transmitido em directo pela TV. Se a polícia tivesse que pressupor sempre inocência, nunca poderia actuar e mais valia acabar com ela. No fundo, segundo a lógica habitual de Miranda milícias privadas não custariam dinheiro ao contribuinte.<br />
Mas ocorreu-me uma comparação interessante entre o assaltante do BEs e o membro das FARC assassinado no resgate de Ingrid Betancourt e outros reféns das FARC. Este último resgate teve o júbilo merecido e justificado da maioria da blogosfera portuguesa (o meu incluído). No entanto, e embora este motivo não seja suficiente para eu lamentar a operação, tenho pena de que tenha havido uma baixa, de um guerrilheiro das FARC. Embora não defenda nem um bocadinho procedimentos das FARC (apesar de achar que existem justas razões de queixa contra o governo colombiano), aqui admito que tive pena de que aquele homem tinha morrido. E tive pena por várias razões: ele não era um dos comandos principais das FARC e, sobretudo, teve azar – estava no momento errado na hora errada.<span id="more-5394"></span> Ao contrário do assaltante do BES, que em conjunto com o seu colega era totalmente responsável pelo que se estava a passar e deveria saber os riscos que corria, ainda assim tomando a decisão de manter o rapto e não se render, quando teve oportunidades para isso. O guerrilheiro das FARC está certo que se juntou à organização por escolha sua, e um pouco responsável seria sempre, mas não era de longe o único responsável por aquela situação. Não sabemos se teve oportunidade de se render no acto do resgate. E não há dúvida de que, em vez dele, poderia ter sido outro qualquer a morrer, pelo que evidentemente teve azar. Eu tive pena dele.<br />
Cronistas como Ferreira Fernandes dedicaram uma crónica inteira a dizer que a morte do guerrilheiro das FARC foi justa e valeu a pena. Mas coerentemente Ferreira Fernandes também defendeu a morte do assaltante do BES.<br />
O resgate de Ingrid Betancourt foi efusivamente comemorado no Blasfémias, onde João Miranda continua a lamentar a morte do assaltante do BES por parte da polícia do Estado. Por que razão não lamentou então João Miranda a morte do combatente das FARC?</p>]]></content:encoded>
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		<title>Esta não é a Ana Sá Lopes</title>
		<link>http://5dias.net/2008/08/20/esta-nao-e-a-ana-sa-lopes/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Aug 2008 21:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda o assalto à agência de Campolide do BES. Numa crónica no suplemento Gente do DN de sábado, Ana Sá Lopes insurge-se contra quase toda a opinião publicada na imprensa e na blogosfera, que apoia incondicionalmente a suposta arbitrariedade da &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/08/20/esta-nao-e-a-ana-sa-lopes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda o assalto à agência de Campolide do BES. Numa <a href="http://dn.sapo.pt/2008/08/16/dngente/esta_e_a_minha_policia_diga_outra_ve.html" target="_blank">crónica no suplemento Gente do DN de sábado</a>, <a href="http://gloriafacil.blogspot.com/" target="_blank">Ana Sá Lopes</a> insurge-se contra quase toda a opinião publicada na imprensa e na blogosfera, que apoia incondicionalmente a suposta arbitrariedade da polícia, sendo que praticamente a única excepção viria da parte de João Miranda, no DN e no blogue <a href="http://blasfemias.net/2008/08/08/direito-de-matar/" target="_blank">Blasfémias</a>. &#8220;Esta não é a minha polícia&#8221;, afirma a jornalista, indignada, e pede ao ministro da Administração Interna que diga ou faça alguma coisa &#8220;de esquerda&#8221;.<br />
Ninguém deveria ter ficado feliz com a morte do sequestrador. É verdade que muitos comentadores parecem ter ficado, mas tal não resulta de se aceitar a acção da polícia neste caso. Eu e muitas outras pessoas apoiámo-la como mais um entre tantos males que infelizmente por vezes são necessários, mas sinceramente lamento a morte (e como eu, tenho a certeza, muita gente).<span id="more-4762"></span><br />
Dito isto, creio que há um equívoco da parte de Ana Sá Lopes relativamente à posição de João Miranda. Não vi João Miranda lamentar nenhuma morte. Conforme já aqui escrevi há uns dias atrás, o que incomoda João Miranda em todo este processo não é a morte do sequestrador em si, mas o facto de esta ter sido perpetrada pelo Estado (neste caso, representado pelo agente da polícia). Permitisse a legislação o livre porte de armas, resultasse a morte do sequestrador, nas mesmas circunstâncias, da acção de um segurança privado do banco ou de qualquer outro civil armado (mas nunca de um agente do Estado) e tudo estaria bem para João Miranda. Até poderia ser não só um mas vários sequestradores a morrerem. É esta a forma de pensar da direita libertária.<br />
Embora não concorde, posso respeitar a opinião de quem acha que a polícia não deveria ter aberto fogo, dependendo dos argumentos apresentados (gostaria era de saber qual seria a sua opinião se estas pessoas fossem os reféns). Agora, pedir ao ministro que &#8220;faça alguma coisa de esquerda&#8221; e, no mesmo texto, invocar a direita libertária, como faz Ana Sá Lopes, é que me custa a perceber. Parece-me que se é assim, como diria outro Lopes, está mesmo tudo doido&#8230;<br />
Com os seus cronistas supostamente de esquerda a invocarem desta forma a mais direitista das direitas, quem se fica a rir é o director João Marcelino.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O outro texto do João Miranda</title>
		<link>http://5dias.net/2008/08/13/o-outro-texto-do-joao-miranda/</link>
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		<pubDate>Wed, 13 Aug 2008 22:35:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Refiro-me agora ao texto publicado no Blasfémias sobre o assalto à dependência do Banco Espírito Santo em Lisboa. Começo por esclarecer a minha posição: concordo com o procedimento da polícia. Embora lamente sinceramente que tenha sido perdida uma vida, estavam &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/08/13/o-outro-texto-do-joao-miranda/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Refiro-me agora ao texto publicado no <a href="http://blasfemias.net/2008/08/08/direito-de-matar/" target="_blank">Blasfémias</a> sobre o assalto à dependência do Banco Espírito Santo em Lisboa. Começo por esclarecer a minha posição: concordo com o procedimento da polícia. Embora lamente sinceramente que tenha sido perdida uma vida, estavam outras vidas, perfeitamente inocentes, em jogo, pelo que creio que a opção não poderia ter sido outra. Dito isto, também não concordo que se equivalham as posições do João Miranda e da maior parte das pessoas que criticam a actuação da polícia neste caso. É que quis-me parecer (mas posso estar errado) que o que mais incomoda o João Miranda é, mais do que a morte em si, o facto de esta ter sido perpetrada por um agente do Estado (polícia, neste caso). Sendo assim, e para esclarecer melhor esta minha dúvida, gostaria de colocar algumas questões ao João Miranda, nomeadamente:</p>
<ul>
<li>Qual é a opinião do João Miranda sobre a pena de morte? O João já escreveu sobre isto, mas não é um juiz um agente do Estado?</li>
<li>Qual é a opinião do João Miranda sobre o livre porte de armas?</li>
<li>Tomaria o João Miranda a mesma posição sobre a morte caso a mesma operação de resgate (com a mesma morte do assaltante) tivesse sido efectuada por um privado? Digamos que por vigilantes contratados pelo próprio banco e não pelo Estado?</li>
</ul>
<p>Obrigado pela atenção, e peço desculpa se alguma destas respostas já foi dada nos quase 400 comentários ao referido texto (não me é mesmo possível lê-los de momento). Aguardo pelos esclarecimentos, se possível.</p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Um pouco de bom senso</title>
		<link>http://5dias.net/2008/07/04/um-pouco-de-bom-senso/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 22:24:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Divórcio a pedido de um dos cônjuges sugerido pelo BE rejeitado pelo PS, PCP e PSD]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1334259" target="_blank">Divórcio a pedido de um dos cônjuges sugerido pelo BE rejeitado pelo PS, PCP e PSD</a></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>As conferências do divã</title>
		<link>http://5dias.net/2008/06/03/as-conferencias-do-diva/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 12:38:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[São em torno do livro A Globalização no Divã. Alguns dos autores deste livro são daqui, outros daqui, e ainda este. Hoje é a terceira conferência. Às 18 horas na Livraria Pó dos Livros, em Lisboa. Uma co-organização do Le &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/06/03/as-conferencias-do-diva/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São em torno do livro <em>A Globalização no Divã</em>. Alguns dos autores deste livro são <a href="http://avezdopeao.blogspot.com/2008/06/3-e-ltima-conferncia-do-div.html" target="_blank">daqui</a>, outros <a href="http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2008/05/conferncias-do-div.html" target="_blank">daqui</a>, e ainda <a href="http://veu-da-ignorancia2.blogspot.com/" target="_blank">este</a>. Hoje é a terceira conferência<em></em>. Às 18 horas na <a href="http://livrariapodoslivros.blogspot.com/2008/05/em-torno-do-livro-globalizao-no-div-as.html" target="_blank">Livraria Pó dos Livros</a>, em Lisboa. Uma co-organização do <a href="http://pt.mondediplo.com/spip.php?article189" target="_blank">Le Monde Diplomatique</a> (em cuja página pode ser visto o programa todo).</p>]]></content:encoded>
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		<title>O divórcio e o código laboral</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 18:32:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Do editorial de sábado do DN: José António Barros, o próximo presidente da Associação Empresarial de Portugal, veio a público lamentar o facto de &#8220;ser mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um empregado, o que é um contra-senso &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/04/23/o-divorcio-e-o-codigo-laboral/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do <a href="http://dn.sapo.pt/2008/04/19/editorial/facilitar_despedimentos_e_para_traba.html" target="_blank">editorial de sábado do DN</a>:</p>
<blockquote><p>José António Barros, o próximo presidente da Associação Empresarial de Portugal, veio a público lamentar o facto de &#8220;ser mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um empregado, o que é um contra-senso porque o casamento deveria ser mais estável do que a legislação laboral&#8221;. Casado pela quarta vez, o empresário sabe do que fala e põe o dedo na ferida de duas liberdades cuja ampliação esteve esta semana em cima da mesa. (&#8230;) Não faz sentido que continue a ser mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um empregado..</p></blockquote>
<p>“Isto” é “João Marcelino” puro (mesmo que até nem tenha sido ele a escrever). A comparação entre o casamento e um contrato de trabalho não é para ser tomada à letra (como o editorialista, bem como o presidente da AEP, tomam). Isto porque o casamento é uma relação que deve pressupor igualdade de direitos e deveres entre ambos os cônjuges, não existindo perante a lei um mais poderoso. Já numa relação patrão-empregado tal igualdade não existe: o empregado será sempre o elo mais fraco. É isto que a direita liberalizadora se “esquece” sempre de referir. E será sempre assim, a menos que o trabalhador pudesse passar a poder despedir o patrão&#8230; Por isso os trabalhadores precisam de sindicatos e de legislação que lhes dê direitos e garantias (e que os proteja da arbitrariedade dos patrões). Não é legítimo querer alterar as leis laborais com base nas recentes alterações à lei do divórcio.<br />
Dito isto, é claro que está implícita uma sensação de confiança e tranquilidade no trabalhador casado, que não existe se de um momento para o outro puder ser despedido ou o seu cônjuge pedir (e obtiver) automaticamente o divórcio. A sensação de insegurança é a mesma. É claro que se for essa a opção dos cônjuges, nada a opor. Em, teoria, nenhuma das opções (divórcio imediato a pedido ou só por comum acordo) viola a igualdade dos cônjuges, e a meu ver deveriam poder existir ambas. Cada casal escolheria a que quisesse e que mais se adaptasse à sua forma de encarar o casamento. Ao decidir assim unilateralmente pela possibilidade do divórcio a pedido, sem dar satisfações ao cônjuge, e sem salvaguardar o modelo anterior, o governo está a dar um sinal de que os termos de todos os contratos devem passar a ser assim, unilaterais. De que a precariedade deve passar a ser estendida ao casamento. Embora a nova legislação laboral não consagre esse princípio (e ninguém crê que alguém no governo julgue que devesse consagrar), o sinal dado é claro. Os editorialistas de direita e o patronato já estão a aproveitar esse sinal. Que o Bloco de Esquerda não o distinga, não me surpreende. O que me surpreende é o PS e, principalmente, o PCP não o distinguirem. Agora aturem-nos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Miguel Sousa Tavares: uma sociedade sem deveres</title>
		<link>http://5dias.net/2008/04/08/miguel-sousa-tavares-uma-sociedade-sem-deveres/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 15:32:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho tido oportunidade de escrever sobre as propostas de lei do casamento civil do PS e do Bloco de Esquerda. Mas subscrevo quase todo o conteúdo do último artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso. Para não entrar numa &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/04/08/miguel-sousa-tavares-uma-sociedade-sem-deveres/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho tido oportunidade de escrever sobre as propostas de lei do casamento civil do PS e do Bloco de Esquerda. Mas subscrevo quase todo o conteúdo do último artigo de Miguel Sousa Tavares no <a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/287163" target="_blank">Expresso</a>. Para não entrar numa outra discussão que agora não vem a propósito, transcrevo-o omitindo uma pequena parte.</p>
<p>Uma sociedade sem deveres<br />
Começo por apresentar o meu cadastro &#8216;fracturante&#8217;: fui sempre a favor da despenalização do aborto, porque nunca entendi que a maternidade pudesse ser imposta como um castigo a quem engravidou sem querer, ou o aborto, nessas circunstâncias, fosse tratado como um crime; sou a favor da equiparação de direitos entre as uniões de facto e os casamentos &#8211; mas sou contra a transposição integral dos direitos do casamento para as uniões de facto, que é um regime onde apenas existem direitos e não existem deveres; sou a favor do casamento entre homossexuais, exactamente porque a simples união de facto, ainda que com deveres consagrados legalmente, não lhes permite aceder a um regime em que possam ter todos os direitos conjugais e respectivos deveres, apenas porque é diversa a sua orientação sexual; (&#8230;) sou contra &#8216;o fim do divórcio litigioso&#8217;, tal como previsto no projecto chumbado do BE e a ser retomado em breve pelo PS, em moldes semelhantes. Em matérias ditas fracturantes, estou assim completamente fracturado. Mas tenho a presunção de manter alguma coerência neste ziguezague ideológico: defendo os regimes em que existem direitos a que correspondem obrigações. Rejeito aqueles em que apenas existem direitos sem deveres.</p>
<p>A lei actual prevê que, não havendo acordo para um divórcio por mútuo consentimento, o cônjuge que se ache não culpado da situação de ruptura conjugal possa intentar contra o outro uma acção de divórcio litigioso, com fundamento em qualquer facto que, pela sua gravidade, comprometa a possibilidade de continuidade da vida comum, designadamente a violação dos deveres de coabitação, assistência e fidelidade. Num mundo perfeito e numa situação serena, esta possibilidade deveria manter-se letra morta, porque um divórcio litigioso nunca aproveita a ninguém: nem ao requerente, nem ao requerido, nem, sobretudo, aos filhos comuns. Mas, apesar de tudo, há alguma salvaguarda que a lei garante ao cônjuge declarado não culpado de um divórcio litigioso &#8211; na partilha de bens, por exemplo &#8211; e é legítimo que quem não teve culpa no divórcio possa reclamá-la para si. E, acima de tudo, existe uma razão de ordem pessoal e íntima para que alguém recuse divorciar-se contra sua vontade ou, no limite, só aceite fazê-lo de forma litigiosa e pedindo ao tribunal que declare então o outro culpado pela ruptura: acontece com os que pensam que o casamento é um contrato inquebrável, até à morte, e que defendê-lo sempre, por mais difíceis que sejam as circunstâncias, é um dever e um direito que lhes assiste. Eu não penso assim, mas não me sinto no direito de impor o que penso aos casamentos alheios.<span id="more-2628"></span></p>
<p>Isto quer dizer que não há actualmente, na nossa lei civil, a possibilidade de requerer o divórcio, mesmo que o outro não queira, dizendo simplesmente que se deixou de o amar. Dito desta maneira, pode parecer muito chocante, nas sociedades urbanas e sentimentalmente libérrimas em que vivemos, mas convém olhar as coisas com mais cautela. Em primeiro lugar, embora o princípio legal vigente seja este, existe uma excepção que tudo muda: a lei prevê que possa ser fundamento de divórcio litigioso a separação de facto existente &#8211; dantes, ao fim de seis anos, agora de três e em breve de um ano apenas, que é quase o mesmo que nada. Ou seja, não apenas o cônjuge abandonado pode invocar tal facto como fundamento de divórcio, como também aquele que abandonou o pode fazer: sai de casa, espera um tempo e obtém o divórcio contra a vontade do outro e sem culpa do outro. Parece que já chegava e sobrava como defesa suficiente da instabilidade sentimental. Mas não: pretende-se também acabar de vez com a possibilidade de alguém obter em tribunal a declaração de que não foi culpado no divórcio. E, na reveladora justificação do líder parlamentar do PS, consagrar um regime legal que estipule que &#8216;o casamento baseia-se nos afectos e não nos deveres&#8217;.</p>
<p>Eu sou contra isto. Contra uma sociedade que, em todos os domínios da vida, acha que faz parte dos direitos fundamentais do indivíduo nunca ter deveres. Pegando num exemplo recente, são os pais que acham que não têm o dever de educar os filhos e que basta dar-lhes telemóveis e iPod&#8217;s para que eles não chateiem; são os filhos que acham que não têm o dever de obedecer e respeitar os professores na escola; os professores e os conselhos directivos que acham que não têm o dever de impor disciplina e respeito, custe o que custar; e os teóricos da educação que acham que não têm o dever de castigar a sério os alunos mal-educados, pondo-os a fazer trabalhos para a comunidade nos dias de folga, em lugar de os suspender ou transferi-los de escola. Esta teoria chega agora ao casamento e ao direito de família, pela mão da modernidade imbecil do PS e do Bloco de Esquerda. Estão convencidos de que assim mostram a sua abertura de &#8216;esquerda&#8217;, mas estão completamente enganados: fora dos meios urbanos, ricos e cultivados das grandes cidades, no país pobre, interior e onde a família conjugal é, a maior parte das vezes, a única defesa contra a solidão, a doença e as agruras da vida, o fim instantâneo do casamento por simples vontade de uma das partes vai traduzir-se apenas na vontade do mais forte contra o mais fraco. Mas talvez isto seja demasiado complicado para explicar àquelas cabecinhas pré-formatadas dos socialistas e dos bloquistas.</p>
<p>O PSD levou a sua liderança bicéfala ao &#8216;Alentejo profundo&#8217; &#8211; o que quer dizer Alqueva. E quando um político vai ao Alqueva, é fatal que oiça queixas. Tantos anos a reclamar a barragem e, afinal, depois de pronta, depois dos milhões a perder de vista investidos na albufeira e nos sistemas de irrigação agrícola, quando seria de esperar que estivessem agradecidos ao esforço financeiro do país, é o contrário que se passa. Porque, como explicou um autarca local a Luís Filipe Menezes, &#8220;temos água com fartura, mas não temos mais nada&#8221;. A Aldeia da Luz queixa-se que (depois de lhes terem feito uma aldeia nova, inteirinha) ainda não fizeram o centro de dia; a Aldeia da Estrela queixa-se que tem a água à porta, mas não tem um pontão para barcos; outros queixam-se do &#8220;olival intensivo dos espanhóis&#8221; (a quem eles venderem as terras por um preço dez vezes acima do que vigorava antes do Alqueva); e outros ainda queixam-se porque &#8220;o Governo não previu os efeitos económicos das alterações climáticas&#8221; e eles venderam aos espanhóis o girassol (que serve para fazer biocombustíveis) a 250 euros a tonelada e agora vale 620. Menezes ouviu tudo e concordou: &#8220;o governo fez questão de não apostar no empreendedorismo local&#8221;. Eis um retrato do Portugal profundo: todos têm direitos inesgotáveis, sem deveres alguns. Nem ao menos o de aproveitarem as oportunidades que lhes caiem do céu. Menezes, como está na oposição, chama a isto &#8220;empreendedorismo&#8221;. Eu chamo-lhe a atitude de estar sentado no café à espera do subsídio e a dizer mal de tudo.</p>]]></content:encoded>
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