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COMENTÁRIOS

Do discurso à realidade no “socialismo democrático”

21 de Janeiro de 2010 por Tiago Mota Saraiva

Anúncio de apoios a 30.000 PME’s no valor de 3,75 mil milhões de euros
O Governo propõe-se apoiar 30.000 PME por ano e a “manter as linhas de crédito bonificado PME Invest, no montante actual de 3,75 mil milhões de euros”. Por outro lado, é proposto “articular o acesso às linhas de crédito e os mecanismos de regularização de dívidas ao fisco e à segurança social”

Verba gasta com 1 instituição bancária: 4,19 mil milhões de euros
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) já injectou 4190 milhões de euros no Banco Português de Negócios (BPN), a título de empréstimos de liquidez, desde a sua nacionalização, em Novembro de 2008. O número foi divulgado pelo presidente do banco público, Faria de Oliveira, ontem ouvido na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças para explicar a actuação da Caixa no BPN e no processo de reprivatização em curso.

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Antes tarado que carneiro

20 de Dezembro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Sobre o tema da violência faço minhas as palavras do Nuno. É redutor tratá-la como uma relação dicotómica entre o Bem e o Mal, entre seres superiores e tarados radicais ou, como o faz Irene Pimentel em mais uma das suas elucubrações, entre bravos e “alguns” cobardolas.
Mas não é isso que me preocupa.
Concentrando-me sobre quem pairou à volta desta discussão, sem lhe acrescentar valor (obviamente retirando o Daniel), constata-se que utiliza como modo de actuação privilegiado as mais velhas práticas do hooliganismo. Cientes da sua incapacidade para discutir o resultado dentro das quatro linhas, opta-se pelo cânticos de apoio à sua parte e pelo insulto soez aos demais. Não descem a terreiro porque lhes falta a técnica e se, de algum modo, decidirem participar no jogo é interrompendo-o pela violência.
Nos últimos tempos, tenho vindo a escrever, sobre o “socialismo democrático” nos termos em que Sócrates o pratica e, parece-me que esta forma de agir é uma das suas características orgânicas, da blogosfera à administração do Estado.
O ódio e os insultos de carácter a Pacheco Pereira e a todos os que, como Carlos Botelho refere, se atrevem a pensar liderados por figuras sinistras que o “socialismo democrático” foi colocando como controleiros do pensamento (quem não se recorda de Margarida Moreira da DREN), são os capatazes do “socialismo democrático”. O seu perfil é facilmente identificável, gente sem muita capacidade e reconhecimento entre pares, mas com um longo curriculum de nomeações e prémios, na sua maioria, onde o partido tem algum influência.
Por isso, não se assuste o cidadão de esquerda se, na discussão política e na blogosfera, se sentir mais entusiasmado pelos textos de Pacheco Pereira e outras pessoas de direita, do que pelos escritos de quem anda colado ao governo. Isso só prova que não deixou de pensar.

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O “socialismo democrático” e o “o grande partido popular”

17 de Dezembro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Esta declaração de Sócrates é muito interessante, de acordo com a tese que desenvolvo aqui.

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O “socialismo democrático” e o “fazer pela vida”

16 de Dezembro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

No seguimento do que aqui escrevi é lapidar que o último “Prós e Contras”, logo no dia seguinte, tenha sido sobre “Fazer pela Vida“.

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O “socialismo democrático” e a transformação do PS num partido de classe

13 de Dezembro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Esmiucemos um pouco o discurso de Armando Vara na sua entrevista a Judite de Sousa à luz daquilo que o partido socialista tem vindo a denominar como o socialismo democrático, e retirando desta análise o Caso Face Oculta.
Ao contrário de outros partidos inscritos na Internacional Socialista, o PS português não abdicou de reivindicar para a sua orientação política o socialismo, na sua vertente muito repetida recentemente, de socialismo democrático. Contudo, embora a sua acção prática seja visível, sabe-se pouco de onde vem e para onde vai este socialismo.
Não me parece que, actualmente, algum dirigente do PS reconheça no socialismo científico a base do “socialismo democrático” (se assim fosse havia que perguntar “como?” e “em trânsito para o quê?”) e também não encontro a vontade de pensar no amanhã igualitário de Saint-Simon ou More.
Do “socialismo democrático” sabe-se que defende a economia de mercado e o papel central do estado como dinamizador da iniciativa privada. O “socialismo democrático” diverge de Marx, entre muitas outras coisas, ao não interpretar o socialismo como um processo transitório para uma sociedade mais justa e igualitária, discorda da necessidade de colectivização dos bens de produção e defende que os principais meios financeiros deverão ser privados, embora regulados pelo Estado.
Mas é chegados à “luta de classes” que o “socialismo democrático” começa a revelar uma das suas principais características. O “socialismo democrático”, não abdica da luta de classes, mas sim da emancipação colectiva. Atente-se à lógica política dos principais exemplos de sucesso do “socialismo democrático” seja do deputado da província (a expressão é do próprio) Ricardo Gonçalves aqui relatado, de todo o discurso de classe de Armando Vara aquando da entrevista a Judite de Sousa e, porque não lembrá-lo, da forma como José Sócrates se orgulhou publicamente dos projectos que fazia.
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Estão de parabéns

12 de Dezembro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

O episódio entre Maria José Nogueira Pinto e o deputado do PS Ricardo Gonçalves não me motivaria grandes comentários se fosse uma coisa entre deputados. Nogueira Pinto chamou palhaço ao deputado do PS, um insulto estético, cujo conteúdo estravaza o sentido literal do profissional das artes circenses e Ricardo Gonçalves respondeu identificando a deputada eleita pelo PSD como uma troca-tintas “que se vende por qualquer coisa só para ser eleita por qualquer partido”. Até aqui tudo bem.
O que é mais interessante e revelador é a transposição desta discussão para o campo do preconceito de classe, que ninguém parece ter notado. A determinada altura do desvario, Ricardo Gonçalves, diz representar a província, fazendo imediata referência à alegada proveniência de Nogueira Pinto da linha de Cascais.
Ora, este exemplo, mais do que mostrar duas pessoas de cabeça perdida ou com pouca educação, revela a falta de qualidade política dos principais representantes do partido rosa.
O deputado Ricardo Gonçalves, nunca terá ouvido falar de luta de classes nos termos em que o explorado se confronta com a classe dominante (a sua, importa recordar), no seu partido nunca ninguém lhe terá explicado que a maioria dos aglomerados populacionais da “linha de Cascais” foram construídos a partir da concentração de famílias operárias, cujos vestígios já são difíceis de encontrar (decorrente de um violento processo de segregação, dispersão e descaracterização durante o período em que José Luís Judas esteve à frente da Câmara Municipal de Cascais) ou que a maioria dos actuais habitantes do Concelho de Cascais não aufere 1/4 do salário do Sr. deputado. Este ricardismo provinciano que atinge o PS (não nos esqueçamos que Ricardo Gonçalves é uma autêntica estrela da bancada socialista), tornou-se ainda mais claro quando, na sua entrevista, Armando Vara, procurava fazer os espectadores verter uma lágrima quando afirmava ter subido na vida à custa de muito trabalho, contrariando o seu destino de classe, nas suas palavras, ser gerente de balcão, acrescento eu, de uma agência de província.

(também publicado no Aparelho de Estado)

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