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	<title>cinco dias &#187; Portugal</title>
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		<title>Aprende a nadar companheiro, que a maré se vai levantar!</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 06:35:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>franciscofurtado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Domingo foi dia de grandes decisões, na França, Grécia, mas também num dos estados da Federação Alemã. A primeira nota a fazer tem a ver com o contexto envolvente. Desde o inicio da crise os Governos Europeus têm caído uns atrás &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/05/07/aprende-a-nadar-companheiro-que-a-mare-se-vai-levantar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Lu8xsGIE_h0?version=3&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/Lu8xsGIE_h0?version=3&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Domingo foi dia de grandes decisões, na França, Grécia, mas também num dos estados da Federação Alemã.</p>
<p>A primeira nota a fazer tem a ver com o contexto envolvente. Desde o inicio da crise os Governos Europeus<a href="http://www.dw.de/dw/article/0,,15915310,00.html"> têm caído uns atrás dos outros</a>. As mais recentes quedas ocorreram na <a href="http://www.nytimes.com/2012/04/28/world/europe/austerity-creating-backlash-across-europe.html">Roménia</a> e muito importante, na <a href="http://www.ionline.pt/dinheiro/crise-da-divida-chega-aos-moralistas-governo-holandes-cai-defice-esta-risco">Holanda</a>. O último caso é estrategicamente muito relevante, um dos poucos com rating de triplo A e o<a href="http://5dias.net/2011/11/16/seculo-xxi-guerra-ditadura-e-revolucao/"> cão de fila da Merkel </a>no que toca à imposição da austeridade. Mesmo em governos recentemente eleitos, como no caso do <a href="http://www.guardian.co.uk/politics/2012/may/04/coalition-labour-election-gains1">reino Unido</a> e da Espanha (<a href="http://www.google.com/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;ved=0CGgQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2F5dias.net%2F2011%2F11%2F22%2Feleicoes-em-espanha-breves-notas%2F&amp;ei=7FqnT--ABoXk6QHGx-TABA&amp;usg=AFQjCNHOccToB6UHWeSCkFsE9Ro8WCldDg">como seria fácil prever</a>), o desgaste é já elevadíssimo.</p>
<p>Segunda nota. A derrota de Sarkosy, a derrota de Merkosy, a derrota de Merkel e <a href="http://www.economist.com/node/21553446">dos talibãs do mercado</a> que <a href="http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,830193,00.html">nem um centímetro querem ceder</a>, foi de uma enorme importância.   Duzentos ocupantes em Wall Street têm um maior impacto na correlação de forças que 20 000 numa praça em Lisboa. O Presidente da República Francesa ser um socialista (coisa não vista desde 88 ou 89), por mais &#8220;Seguro&#8221; que seja tem também um forte impacto nos rumos a seguir na Europa, muito mais que terá o mesmo &#8220;Seguro&#8221;, por exemplo na Dinamarca (que já há uns meses tem um governo &#8220;socialista&#8221;)  . Mais que não seja abre espaço de debate e gera espaço de manobra a quem luta por alternativas na Europa (mesmo que não sejam as propostas por Hollande!!!),  é uma importante machada no consenso austeritário imposto desde 2009, <a href="http://oinsurgente.org/2012/05/07/crescimento-em-franca-e-estabilidade-monetaria-na-grecia-3/">não é por acaso que os fariseus espumam</a>. Num momento como este, nem que seja apenas ganhar espaço para respirar é já um passo em frente. Muito bem esteve Melanchón, durante a sua campanha e posteriormente ao apoiar Hollande sem hesitações, ele percebeu bem a importância estratégica de quebrar  Merkosy, <a href="http://resistir.info/grecia/kke_23abr12.html">ao contrário de outros</a>. Obviamente se é para esperar pelos Hollandes deste mundo parar produzir mudanças substantivas bem podemos ficar sentados, mas com o oxigénio ganho quem tiver unhas à de tocar guitarra&#8230;</p>
<p>Terceira nota. Os resultados na Grécia superaram as minhas expectativas, mesmo com o &#8220;bónus&#8221; de 50 deputados ao partido mais votado, os <a href="http://ekloges.ypes.gr/v2012a/public/index.html?lang=en#{%22cls%22:%22main%22,%22params%22:{}}">partidos troikistas não irão conseguir formar governo</a>! Com 149 deputados ND e PASOK não têm os 151 necessários para governar! Estes resultados combinados com os Franceses e o contexto envolvente irão ter um efeito multiplicado pela Europa fora&#8230; Para já na Grécia, dificilmente se irá escapar a novas eleições. E sobre isso já <a href="http://5dias.net/2012/05/06/kke-deixem-se-porras-e-ouicam-manolis-glezos-o-heroi-da-resistencia-anti-fascista-grega/">aqui lancei um alerta</a>, sendo que a soma das partes não é igual ao todo (como se viu bem no caso de Alegre nas últimas presidenciais&#8230;), a esquerda anti-troika teria 147 deputados se fossem somados os seus resultados (mais o respectivo &#8220;bónus&#8221; por ser a força mais votada)&#8230; Nas próximas batalhas ou se assume a luta pelo poder e pelo governo (com todos os riscos que isso irá acarretar, mas não há vitória ,nem política, sem risco) ou o esmagamento do povo grego pelo fascismo será uma hipótese muito forte. A questão do Euro e da permanência na UE sem dúvida é fulcral e é necessário discutir isso, de resto é uma discussão muito<a href="http://arrastao.org/2522225.html"> </a><a href="http://arrastao.org/2522225.html">bem balizada aqui</a>, a minha posição pessoal não é a da Syriza <a href="http://www.newleftreview.org/?page=article&amp;view=2924">(aqui está uma análise sobre o euro e a situação grega em que me revejo bastante</a>). Mas nem sequer tentar uma frente, não entrar em negociações e oferecer uma saída ao povo Grego, isso é pura e simplesmente criminoso&#8230; Na melhor das hipótese os sectários desaparecerão nas próximas eleições, na pior abrirão as portas do poder aos Nazis. <a href="http://www.ekathimerini.com/4dcgi/_w_articles_wsite3_1_07/05/2012_440908">Aliás se uma coisa é certa, é que o nível de confronto físico vai se intensificar, e muito</a>. Neste blog <a href="http://5dias.net/2012/04/28/o-desafio-das-esquerdas/">já se tinha alertado para a questão do sectarismo em situações de crise aguda</a>, e se o autor do texto referenciado se queixa de Portugal, o que dizer do que se está a passar na Grécia? No mínimo que tiremos as devidas lições.</p>
<p>Quarta nota. Em Portugal bem pode reinar a Maria Pia e o Intendente Pina Manique, se na França os Jacabinos tomam o poder, ála de fazer as malas pó Brasil&#8230; é verdade que neste momento estando o Pina Manique e a Maria Pia no poder em Portugal, os Jacobinos estão longe de estar no poder em França. De qualquer das formas o impacte da quebra do consenso austeritário e a exlplosão dos partidos do regime na Grécia terão consequências em Portugal. O apoio internacional, que é necessário para a <a href="http://abrupto.blogspot.com/2012/03/senhor-encolhi-o-pais-versao-integral.html">prossecução do plano da elite nacional</a>, não desapareceu (longe disso) mas ficou mais frágil. Será interessante ver de que lado estará Portugal no caso de se formar um bloco mais pró-austeridade e outro mais pró-crescimento&#8230; De que lado estará Portugal? A pedir mais xibatadas nas suas costas porque ainda não se penitenciou o suficiente, ou a pedir algum alívio? Aqui vai estar uma óptima fenda a explorar.</p>
<p>E por último, <a href="http://www.washingtonpost.com/world/europe/ireland-launches-campaign-to-ratify-eu-treaty-in-referendum-warns-stability-of-euro-at-risk/2012/04/30/gIQAvUDTrT_story.html">dia 31 de Maio há referendo à Austeridade na Irlanda</a>, sim na Irlanda aquela que é o &#8220;modelo a seguir&#8221;, nessa Irlanda o povo irá,<a href="http://uk.news.yahoo.com/sinn-fein-sees-route-power-irish-austerity-163318983.html"> ou não</a>, rectificar o tratado/pacto fiscal que o Hollande quer renegociar e que já causou a queda do governo Holandês&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/bUVSvit98Zw?version=3&amp;hl=pt_PT" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/bUVSvit98Zw?version=3&amp;hl=pt_PT" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object><br />
<em></em></p>
<p><em>&#8220;Death to ev&#8217;ry foe and traitor! Forward! strike the marchin&#8217; tune,</em><br />
<em>And hurrah, my boys, for freedom! &#8216;Tis the risin&#8217; of the moon&#8221;.</em><br />
<em>&#8216;Tis the risin&#8217; of the moon, &#8216;Tis the risin&#8217; of the moon,</em><br />
<em>And hurrah my boys for freedom! &#8216;Tis the risin&#8217; of the moon.</em></p>
<p><em><br />
</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Strange things happenin&#8217;, diz o Gustavo Imigrante</title>
		<link>http://5dias.net/2012/02/20/strange-things-happenin-diz-o-gustavo-imigrante/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 16:43:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Santos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[críse]]></category>
		<category><![CDATA[espanha]]></category>
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		<category><![CDATA[gustavo imigrante]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Strange things happenin&#8217; from Gustavo Imigrante on Vimeo. Why do people protest in Europe? Portugal, Greece and Spain&#8230; there are strange things happening? A protest edit by Gustavo Imigrante]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/25817206?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0" width="400" height="225" frameborder="0" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen></iframe>
<p><a href="http://vimeo.com/25817206">Strange things happenin&#8217;</a> from <a href="http://vimeo.com/user3080829">Gustavo Imigrante</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>Why do people protest in Europe?<br />
Portugal, <a href="http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gkRldhkDfPLS-seOdB44YS_xFIrw?docId=CNG.106cf68f9800fa1729e7042e60abf176.31" target="_blank">Greece </a>and <a href="http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=2313998" target="_blank">Spain</a>&#8230; there are strange things happening?<br />
A protest edit by Gustavo Imigrante </p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Argentina 2001 &#8211; Grécia 2011/2012 &#8211; Portugal? &#8211; Europa??</title>
		<link>http://5dias.net/2011/11/07/argentina-2001-grecia-20112012-portugal-europa/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 00:36:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>franciscofurtado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[crise económica]]></category>
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		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[A história está acelerar e aquilo que se passou na Argentina em 2001 (com congelamento dos depósitos nos bancos) é mais do que previsível vir a passar-se na Grécia e muito provavelmente em Portugal. Acima está um óptimo documentário sobre o que &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/11/07/argentina-2001-grecia-20112012-portugal-europa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/rH6_i8zuffs?version=3&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/rH6_i8zuffs?version=3&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>A história está acelerar e aquilo que se passou na Argentina em 2001 (com congelamento dos depósitos nos bancos) é mais do que previsível vir a passar-se na Grécia e muito provavelmente em Portugal. Acima está um óptimo documentário sobre o que lá se passou. Fruto emgrande medida das brilhantes políticas incentivadas pelo FMI, as mesmas políticas que a Troika de forma ainda mais insistente impõe ao sul da Europa.</p>
<p>Para sair do abismo os <a href="http://www.cepr.net/documents/publications/argentina-success-2011-10.pdf">Argentinos tiveram de rejeitar o FMI</a>. Também aqui sem a derrota da Troika e dos seus cipaios não há saída.</p>
<p>Só que as consequências do colapso do sul da Europa serão quantitativa e qualitativamente, política e economicamente, muitos mais intensos do que a crise Argentina de 2001. E que muitas das &#8220;lutas de rua&#8221; que irão surgir serão verdadeiras guerras. Quanto ao seu desfecho, não partilho das certezas dos <a href="http://blasfemias.net/2011/11/06/um-copinho-de-agua-com-acucar-sff/">fariseus</a> (acima temos um exemplo entre muitos de como o Fariseu está errado, aliás basta ver o<a href="http://5dias.net/2011/10/29/as-sondagens-valem-o-que-valem-mas/"> nível de apoio que tem a greve geral</a>), só sei que iremos assistir (<a href="http://www.ekathimerini.com/4dcgi/_w_articles_wsite3_1_21/10/2011_411356">como já estamos</a>) a níveis de violência não vistos há muito e que cada vez mais me parece difícil escaparmos a uma grande guerra.</p>]]></content:encoded>
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		<title>quem se manifesta na rua, quem faz greve, quem é contra este rumo que é um suicídio para o país, tem menos legitimidade democrática do que quem tem de facto o poder &#8211; 1% , os donos dos bancos e das bolsas &#8211; que se escondem, que não são eleitos e que estão a decidir em nosso nome?</title>
		<link>http://5dias.net/2011/10/26/quem-se-manifesta-na-rua-quem-faz-greve-quem-e-contra-este-rumo-que-e-um-suicidio-para-o-pais-tem-menos-legitimidade-democratica-do-que-quem-tem-de-facto-o-poder-1-os-donos-dos-bancos-e-das-bol/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 01:07:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>raquel freire</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Constituição da República Portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
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		<description><![CDATA[cronica raquel freire 25 10 2011 antena 1 este tempo (mp3) em Portugal estamos a viver um pesadelo: os nossos governantes entraram numa espécie de sonambulismo em que deixaram de ouvir as pessoas, o país, e só sabem obedecer à &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/10/26/quem-se-manifesta-na-rua-quem-faz-greve-quem-e-contra-este-rumo-que-e-um-suicidio-para-o-pais-tem-menos-legitimidade-democratica-do-que-quem-tem-de-facto-o-poder-1-os-donos-dos-bancos-e-das-bol/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object data="http://boos.audioboo.fm/swf/fullsize_player.swf" height="129" id="boo_embed_519189" type="application/x-shockwave-flash" width="400"><param name="movie" value="http://boos.audioboo.fm/swf/fullsize_player.swf" /><param name="scale" value="noscale" /><param name="salign" value="lt" /><param name="bgColor" value="#FFFFFF" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="wmode" value="window" /><param name="FlashVars" value="mp3=http%3A%2F%2Faudioboo.fm%2Fboos%2F519189-cronica-raquel-freire-25-10-2011-antena-1-este-tempo.mp3%3Fsource%3Dembed&amp;mp3Title=cronica+raquel+freire+25+10+2011+antena+1+este+tempo+&amp;mp3Time=12.53am+26+Oct+2011&amp;mp3LinkURL=http%3A%2F%2Faudioboo.fm%2Fboos%2F519189-cronica-raquel-freire-25-10-2011-antena-1-este-tempo&amp;mp3Author=raquel&amp;rootID=boo_embed_519189" /><a href="http://audioboo.fm/boos/519189-cronica-raquel-freire-25-10-2011-antena-1-este-tempo.mp3?source=embed">cronica raquel freire 25 10 2011 antena 1 este tempo  (mp3)</a></object></p>
<p>em Portugal estamos a viver um pesadelo: os nossos governantes entraram numa espécie de sonambulismo em que deixaram de ouvir as pessoas, o país, e só sabem obedecer à chanceler alemã, ao bce, ao fmi, aos mercados, essas entidades misteriosas com costas largas que servem para justificar todas as medidas de austeridade e que na realidade, são o quê? São o 1% , os super-ricos que provocaram esta crise e inventaram o capital financeiro e especulativo. Somos governados por poderes políticos e económicos, as troikas dirigidas pelo 1%, os banqueiros e amigos. Que nós cidadãs e cidadãos não elegemos.<br />
O governo e os economistas do regime que ouvimos falar na televisão, que nos levaram ao estado actual, parece que foram mordidos pela mosca tsé tsé e que não vêem o óbvio para quase toda a gente: as medidas aplicadas à Grécia e que agora estão a aplicar a Portugal, não resultam, pelo contrário, pioram.<br />
As medidas deste governo não podem resultar, porque é impossível recuperar duma crise sem crescimento. e estão a afundar o país na maior recessão desde há 37 anos, com quebras do investimento e do consumo que não se verificam desde os anos 80.<br />
quem se manifesta na rua, quem faz greve, quem é contra este rumo que é um suicídio para o país, tem menos legitimidade democrática do que quem tem de facto o poder &#8211; 1% , os donos dos bancos e das bolsas &#8211; que se escondem, que não são eleitos e que estão a decidir em nosso nome?<br />
a minha crónica ESTE TEMPO. antena 1. </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2011/10/26/quem-se-manifesta-na-rua-quem-faz-greve-quem-e-contra-este-rumo-que-e-um-suicidio-para-o-pais-tem-menos-legitimidade-democratica-do-que-quem-tem-de-facto-o-poder-1-os-donos-dos-bancos-e-das-bol/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
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		<title>Deus está morto, Nietzsche está morto e eu mesmo ando algo escaralhado ultimamente&#8230;</title>
		<link>http://5dias.net/2011/07/15/deus-esta-morto-nietzsche-esta-morto-e-eu-mesmo-ando-algo-escaralhado-ultimamente/</link>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 12:17:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Mira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Galiza]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das expressões que mais me surpreendem do que falam por aqui é “Já cá não está quem falou”. Encontro-a deliciosa, com um sentido muito honesto, quase fofinho. (Outra das expressões que mais me assombram é o “Caralhos me fodam!”, &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/07/15/deus-esta-morto-nietzsche-esta-morto-e-eu-mesmo-ando-algo-escaralhado-ultimamente/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma das expressões que mais me surpreendem do que falam por aqui é “Já cá não está quem falou”. Encontro-a deliciosa, com um sentido muito honesto, quase fofinho. (Outra das expressões que mais me assombram é o “Caralhos me fodam!”, tão ambígua ela… nunca sei se estão a maldizer ou implorar).</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece-me hoje como na primeira frase, mas ao inverso (os que achavam que isto era sobre caralhos, podem deixar de ler). Quem fala agora não está. Não é. Voces até podem achar piada, mas é uma questão enrevesada. E eu vivendo todos estes anos  na ignorância (como, por outra banda, 80% da blogosfera portuguesa… só que eu não faço questão de disfarçar). Ainda bem que chegou o <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/5188284.html" target="_blank">31 da Armada.</a></p>
<p><span id="more-68331"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://5dias.net/2011/07/15/deus-esta-morto-nietzsche-esta-morto-e-eu-mesmo-ando-algo-escaralhado-ultimamente/mocidade/" rel="attachment wp-att-68339"><img class="alignleft size-medium wp-image-68339" title="mocidade" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/07/mocidade-137x300.jpg" alt="" width="137" height="300" /></a>Resulta que um gajo vai levando como pode os seus ossos por aí adiante sem saber que não é um próprio. E isso, reconheçam, é grave. Se o oráculo de Delfos advertia “Conhece-te a ti próprio” (Nosce te ipsum na tradução latina… não achem que eu não tenho estudos ou Google), na blogosfera portuguesa já está Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada para solucionar o assunto. “Ouve lá que eu já te conto” comenta o blogger anunciado na TV. E eu, que tenho tendência em acreditar em adultos que se transvestem como personagens de filmes de ficção científica, acredito e ouço (que já me conta). O coiso é que não existo. Não há Galiza nem galegos do norte, sul ou centro-oeste. Existem, <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/5188284.html" target="_blank">explica Rodrigo</a> (observem, por certo, o detalhe de <em>gentleman</em> de colocar dois links para a concorrência&#8230; vão também os <a href="http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1903652&amp;opiniao=Jorge%20Fiel" target="_blank">artigos</a> que <a href="http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/1182894.html" target="_blank">iniciaram</a> isto), portugueses do norte da península. Não achem que aquilo não me deixa perturbado… (que um adulto se disfarce como se fosse um nerd norte-americano numa ComicCon também, claro, mas principalmente o dos galegos). Não posso deixar de imaginar um senhor com barba vestido à mocidade portuguesa enquanto escreve, com um mapa do eixo atlântico bem grande na parede cheio de desenhos de trincheiras (e eu faço mesmo questão que, quando imagino alguém em fato escolare, essa pessoa seja do género feminino).</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de mais queria agradecer ao Rodrigo. Primeiro por, apesar de escrever no 31, ter só dois apelidos, para citar é muito mais cómodo. Depois por chamar-se de Deus. Sempre teve confiança nas pessoas que vinham recomendadas. Já o Moita tem aquela reminiscência ao sotaque do norte que não deixa de ter piada visto o assunto, para além de uma origem obscura (do dark side) segundo a <a href="http://www.infopedia.pt/pesquisa.jsp?qsFiltro=0&amp;qsExpr=Moita" target="_blank">infopedia</a> (já viram a minha capacidade para citar fontes completamente insustentáveis só porque dá jeito?). Finalmente: por pensar e reflectir sobre a identidade do norte do Minho (desconfio que não falava da Galitzia centro-europeia, embora não fecho essa porta), ocupação com a qual eu achava que só perdíamos tempo os galegos. Caro de Deus: Os galegos,  já sabes, somos boa onda. Mas se começarmos com insultos, mau assunto. Esta cena de espalhar a portuguesidade por aí pode trazer problemas com a OMS. Não é bom armar-se em Egas Moniz que o homem já fez o seu trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é novo ou coisa à qual não esteja acostumado, isto da galeguidade dos galegos. Cada pouco tenho que ouvir a um português explicar-me (que detalhe!) o que eu sou e o que deveria ser (mas até agora nunca por nenhum monárquico). E sempre chega o momento do “o que os galegos queriam era ser portugueses”. Delicioso: não só este senhor sabe o que eu sou ou deixo de ser mas também o que eu quero! Porém, Rodrigo não se interessa com os desejos dos galegos. Afirma que somos portugueses do norte e acabou. O que não deixa de ser útil, já que poupa imensa discussão. E o galego, nesta caso este que escreve, suspira&#8230; Não nos chega com aturar espanhóis (sim, também vão nas férias falar aos gritos à Galiza), mas agora também portugueses&#8230; estamos feitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que vos tenho carinho. Muito. Levo seis anos neste país (que terminam agora, por certo) e reconheço que fiquei algo português, como diziam <a href="http://k-stalker.blogspot.com/2008/02/vai-e-vem-joao-cesar-monteiro-2002.html" target="_blank">no filme</a>. As chamuças, Alfama, a alta de Coimbra, as chamuças, a ribeira do Douro, os cafés a 0´60, a possibilidade de poder viver em galego (a sério, não têm a menor ideia de quanto é que agradecemos isso), as chamuças&#8230; Vários exemplos (algum até indiano) do que me faz desfrutar de vocês e o país nosso (se me permitem a apropriação sentimental). Mas não percebo como é que os portugueses querem ser portugueses, quanto menos os galegos. E, pelos vistos, não ando longe do assunto, segundo o jornal SOL (mais outra vez, como no caso da infopedia…não tenho remédio).</p>
<div id="attachment_68338" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://5dias.net/2011/07/15/deus-esta-morto-nietzsche-esta-morto-e-eu-mesmo-ando-algo-escaralhado-ultimamente/200px-jorge_andrade_31mar2007-2/" rel="attachment wp-att-68338"><img class="size-full wp-image-68338" title="200px-Jorge_Andrade_31mar2007" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/07/200px-Jorge_Andrade_31mar20071.jpg" alt="" width="200" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">ai, Jorge....</p></div>
<p style="text-align: justify;">Não faço, isso sim, mínima ideia do que queremos os galegos. Um povo que se debate entre o “Deus fratesque gallaecia” e o “Somos galegos e non nos entendemos” só pode ser esquizofrénico (olha que se calhar o Moniz…). O debate anda, resumindo, entre ser espanhóis, galegos, as duas coisas ou não sabe não contesta (opção, por certo, de preferência, o que demonstra a sabedoria do povo galego). Ainda sendo conscientes da proximidade do norte de Portugal e da continuidade que supõe em muitos aspectos, não estamos muito na onda de anexar território ou entrar já nas sessões SM da Troika. Temos bastantes problemas com tomar, mal, conta de nós. (e ainda não perdoamos aquela semi-final contra o Porto&#8230; grrrrr).</p>
<p style="text-align: justify;">Não digo que não desse jeito, atenção: poderíamos juntar as piores TVs públicas que conheço, as equipas galegas poderiam voltar a Europa, ter chamuças… mas está aquilo da dívida e do Alberto João Jardim e mais o Toni Carreira… não sei. Esta coisa de colocar a bandeira portuguesa em azul e branco é um detalhe mas, Rodrigo, acho que não dá. Além do mais, o cantor galego mais português já dissera aquilo de &#8220;Camaradas lá do norte venham ao sul trabalhar que nas nossas cooperativas há sempre mais um lugar&#8221;. Porra! Trabalhar?? Oh Xosé, faz favor!</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, o mais perturbador na ideia do Rodrigo é que declara ter uma visão &#8220;<em>imperialista&#8221; </em>da coisa. O galego, pessimista <em>per se</em>, espera o pior. Não tínhamos suficiente com o terrível campeonato das nossas equipas, as portagens no norte, termos um verão de merda todo grisalho (o que, infelizmente, não impede que cheguem madrilenos para berrar por todo o lado) ou o roubo do Códice Calixtino, que agora chega uma cambada de viriatinhos com capacetes da guerra das estrelas prontos para a conquista… Tenham dó, pessoal!</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, vou embora para Galiza a impedir a desfeita. Galegos somos boa onda, já disse, mas no rural não suportam palhaçadas e andam todos com caçadeiras. Já houve <a href="http://www.youtube.com/watch?v=XLGIaYoCf-g&amp;feature=related" target="_blank">quem </a>ficasse contente com a ideia da visita&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Por certo, e falando do Códice Calixtino, Se forem a Compostela vejam o Panteão Real (e aproveitem para devolver o livro, não sejam ruins). No sartego do Conde da Traba, justo entre as pernas, anda a origem de muitas destas questões.</p>
<p style="text-align: justify;">/ abraços a todos, ao <a href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/5188284.html" target="_blank">Rodrigo </a>(mais links! mais visitas!) e ao <a href="http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/1182894.html" target="_blank">Fernando </a>(ainda se poderia falar mais do tema da euro-região, da Galiza e do Norte de Portugal, mas fica para outra), e boas férias. Foi um prazer. /</p>]]></content:encoded>
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		<title>a massa crítica tem muitas caras e nem todas nascidas ontem.</title>
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		<pubDate>Fri, 27 May 2011 15:24:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sassmine</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No fim do ciclo de debates na Associação 25 de Abril tenho a dizer, apenas, que estar no meio dos capitães foi um privilégio e uma felicidade. Apaixonei-me. E ao ouvi-los e vê-los, sempre juntos e sempre ligeiramente discordantes uns &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/05/27/a-massa-critica-tem-muitas-caras-e-nem-todas-nascidas-ontem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No fim do ciclo de debates na Associação 25 de Abril tenho a dizer, apenas, que estar no meio dos capitães foi um privilégio e uma felicidade. Apaixonei-me. E ao ouvi-los e vê-los, sempre juntos e sempre ligeiramente discordantes uns dos outros, ao ver tanta sabedoria e pêlo na venta, compreendi, finalmente, como foi possível uma Revolução como a nossa. Não podia vir do nada. Obrigada.*</p>
<p><iframe width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/DRNy3fquDkY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
&nbsp;</p>
<p>os restantes vídeos do segundo debate <a href="http://www.youtube.com/user/A25Abrilhttp://">AQUI</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O farsolas e o pote</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2011 10:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zenuno</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;O farsolas e o pote&#8221; por Miguel Portas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="YouTube video player" width="640" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/yrsSlofyt3I?rel=0&amp;hd=1" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<small>&#8220;O farsolas e o pote&#8221; por Miguel Portas.</small></p>]]></content:encoded>
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		<title>As massas entram em cena</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Mar 2011 01:50:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>franciscofurtado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que extraordinário é poder ter como primeiro post neste fórum uma breve reflexão acerca do mais marcante protesto social em Portugal da última década! É uma mobilização que deixará a sua marca na História. Por razões tanto quantitativas como qualitativas. A malta &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que extraordinário é poder ter como primeiro post neste fórum uma breve reflexão acerca do mais marcante protesto social em Portugal da última década! É uma mobilização que deixará a sua marca na História. Por razões tanto quantitativas como qualitativas. A malta saiu em números que superaram as minhas mais optimistas expectativas, não tenho memória de tanta gente assim na Rua, talvez nalgumas da CGTP, mas nesse caso eram manifes nacionais convocadas apenas pa Lisboa, neste caso houve protestos de Faro a Ponta Delgada&#8230; São largos contingentes que se juntam à “Luta” (de abstracção inócua na boca dos do costume começa agora a tomar forma no espírito das mais amplas massas), é um mar de gente que nunca antes tinha estado num protesto ou estado numa organização e agora toma o seu lugar na luta social.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-59564" href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/tunisia/"><img class="alignnone size-medium wp-image-59564" title="tunisia" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/03/tunisia-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Como todos os outros grandes movimentos populares, qualquer que seja o espaço ou lugar, os momentos germinais exibem sempre um caleidoscópio de reivindicações, razões de queixa, proveniências e propostas as mais diversas…</p>
<p><a rel="attachment wp-att-59568" href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/naorganizacoes-2/"><img class="size-medium wp-image-59568 alignright" title="naorganizacoes" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/03/naorganizacoes1-278x300.jpg" alt="" width="278" height="300" /></a></p>
<p><a rel="attachment wp-att-59569" href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/img_35011-2/"><img class="size-medium wp-image-59569 aligncenter" title="img_35011" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/03/img_350111-224x300.jpg" alt="" width="224" height="300" /></a></p>
<p><a rel="attachment wp-att-59570" href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/pnr-2/"><img class="alignnone size-medium wp-image-59570" title="pnr" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/03/pnr1-224x300.jpg" alt="" width="224" height="300" /></a></p>
<p>Mas trazem uma Determinação, Criatividade, Alegria, fundamentais a qualquer processo de transformação social, que pouco se vislumbra nos protestos convocados pela fotocópia no placard da entrada da repartição&#8230;  E num movimento genuíno é assim mesmo que tem de ser, aqui, como em Fevereiro de 1917 ou Abril de 74 não há uma voz de comando a ditar as palavras de ordem, é a frustração e o descontentamento larvar que finalmente emerge! E que positivo é que apesar de todas essas diferenças e contradições, em vários pontos fulcrais a malta esteja bastante esclarecida e saiba identificar os responsáveis pela situação.<span id="more-59302"></span></p>
<p><a rel="attachment wp-att-59572" href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/fotografia4/"><img class="size-medium wp-image-59572 aligncenter" title="fotografia4" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/03/fotografia4-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><a rel="attachment wp-att-59574" href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/bpnbpp-2/"><img class="size-medium wp-image-59574 aligncenter" title="bpnbpp" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/03/bpnbpp1-230x300.jpg" alt="" width="230" height="300" /></a></p>
<p>No meio do sofrimento e tremendo sentido de revolta sentido pela população em geral há também imensa confusão, a malta não sabe bem para onde focar a revolta e que soluções procurar. Para já, apesar de tudo o espírito predominante é positivo, é aproveitar! Quem tiver unhas tocará guitarra , as massas já deram o sinal (<a href="http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1799662&amp;seccao=Europa">por outras bandas a par com um pujante movimento social</a>&#8230;), que resposta têm as forças organizadas a isto?</p>
<p>Parece-me que BE e  PCP cada um por si não irão a lado nenhum (ou ficarão muito longe do necessário, que vai dar ao mesmo), juntos os dois (mesmo que conseguissem superar o seu intenso sectarismo) não sei se não subtrairiam mais do que somariam. A solução sempre me pareceu ser BE-PCP e mais quem vier por bem (Alegristas talvez, se bem que isso agora é campo queimado…). A irrupção das massas na cena políticó-social era a variável que faltava a esta equação. De facto, só com raízes num forte movimento popular poderia uma plataforma de Esquerda a sério ter alguma esperança de primeiro ganhar o país e segundo governá-lo. Só a pressão popular poderá superar o sectarismo existente sobretudo ao nível das direcções. Mais, só assim poderão surgir novos actores que junto com BE e PCP  dêem a um projecto de refundação da República uma face em que a maioria da população se possa rever. Neste momento uma importante tarefa dos que procuram uma mudança de rumo de sentido progressista para a Nação só poderá ser dar força a esta dinâmica, e sem a partidarizar, politizá-la.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-59575" href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/actores/"></a></p>
<p><a rel="attachment wp-att-59576" href="http://5dias.net/2011/03/16/as-massas-entram-em-cena/actores-2/"><img class="size-medium wp-image-59576 aligncenter" title="actores" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/03/actores1-300x221.jpg" alt="" width="300" height="221" /></a></p>
<p>Estamos no início de uma nova era, a vários níveis, porque várias são as contradições: emergência dos BRIC e estagnação dos PIGS, migrações, finitude dos recursos para sustentar o actual modelo de desenvolvimento, insustentabilidade do contrato social que surgiu na Europa ocidental no pós segunda guerra… Todas essas crises se estão a conjugar. Aqui em Portugal, o actual regime apresenta sinais de podridão avançada. A questão do regime, por estranho que pareça, aparece sobretudo associada a sectores de direita que volta menos volta propõe alterações à constituição, ou mesmo, uma completamente nova. Regra geral a Esquerda, fora (sem juízos depreciativos) certos sectores marginais, mete-se na trincheira e defende o bastião “a constituição de Abril”. Esta é a primeira grande discussão, não será a altura de abandonar a trincheira e partir à ofensiva? Não será a altura da Esquerda, e <a href="http://www.compromissoportugal.pt/?id_categoria=86">não apenas a direita ultra liberal</a>, falar de REVOLUÇÃO e falar de forma consequente nisso! Não ser apenas slogan de franjas ultras, mas uma exigência, uma necessidade para sairmos desta situação? Parece-me que sim, aliás o tempo das meias medidas já passou e se não forem as “nossas” a triunfar serão as “deles” (vidé as recentes propostas do PSD e os PECs sem fim PS-PSD). A direita exige rupturas, se bem que por vezes é necessário jogar à defesa, sem atacar é impossível vencer, a Esquerda Política e Social se quer (e deve) ser fiel a este movimento que agora surge tem de sair da trincheira. Só uma nova Revolução, poderá salvar o que de Abril ainda há neste país. Defender o regime é afundarmo-nos com ele.</p>
<p>PS – Considero-me da Esquerda Radical e Popular, com a consciência de que a História não começou em Outubro de 1917, nem muito menos terminou com a queda do Muro em 1989, muitos e variados foram as personagens e eventos que deram contributos positivos ao desenrolar do Processo Histórico (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=u6r7FN8j-Pw">alguns exemplos estão neste vídeo, com um ganda som a acompanhar</a>). Também acho que é importante ter em atenção certos pormenores da História, como por exemplo o Lénine ter sido levado pá Russia em 1917 pelo estado maior Prussiano (que também ajudou financeiramente os Bolcheviques), and so what??? Parece-me que fizeram muito bom proveito da “ajuda” dada e em pouco ou nada se comprometeram… A arte da política e da Revolução tem muito que se lhe diga. Mas claro para lá dos pormenores o fulcral é mesmo a dinâmica das massas.</p>
<p>Por isso viva o protesto das Gerações à Rasca, eterna glória aos jovens que fizeram o chamado e quem ajudou no &#8220;back stage&#8221;! Vivam as Massas, os Homens da Luta, o Coelho, tudo o que nos faça avançar e a Malta Pá! e até dia 19.</p>
<p><object width="480" height="390"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/84qWb8i_Q_A?fs=1&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/84qWb8i_Q_A?fs=1&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		<title>Liberdade de dissidência</title>
		<link>http://5dias.net/2010/10/05/liberdade-de-dissidencia/</link>
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		<pubDate>Tue, 05 Oct 2010 12:34:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Fortes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de ouvir alguns excertos das intervenções de Cavaco e de Sócrates nas comemorações do dia de hoje na TSF. O apelo de Cavaco ao consenso, à responsabilidade, à diluição das diferenças acompanhado das palavras de Sócrates falando de agitação irresponsavel, &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/05/liberdade-de-dissidencia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de ouvir alguns excertos das intervenções de Cavaco e de Sócrates nas comemorações do dia de hoje na TSF. O apelo de Cavaco ao consenso, à responsabilidade, à diluição das diferenças acompanhado das palavras de Sócrates falando de agitação irresponsavel, oposição inconsequente ao mesmo tempo que o PSD pela voz de um seu representante fazia questão de definir a sua autonomia (autonomia, não independência&#8230;) fazem com que me pergunte se em Portugal ainda existe liberdade de dissidir sem anátema social e politico.</p>]]></content:encoded>
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		<title>avante!? só se for para trás&#8230; :(</title>
		<link>http://5dias.net/2009/06/29/avante-so-se-for-para-tras/</link>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 18:48:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zenuno</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
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		<category><![CDATA[CIA]]></category>
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		<category><![CDATA[irão]]></category>
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		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[[ artigo original do jornal www.avante.pt ] Irão acusa imperialistas de ingerência O Conselho dos Guardiões rejeitou anular as presidenciais iranianas das quais resultou a reeleição do actual presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, com quase dois terços dos votos, contra &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/06/29/avante-so-se-for-para-tras/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small>[ artigo original do jornal <a href="http://www.avante.pt/noticia.asp?id=29599">www.avante.pt</a> ]</small></p>
<p><strong><em>Irão acusa imperialistas de ingerência</em></strong></p>
<p><em>O Conselho dos Guardiões rejeitou anular as presidenciais iranianas das quais resultou a reeleição do actual presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, com quase dois terços dos votos, contra pouco mais de um terço do seu principal opositor, Mir-Hossein Mousavi.<br />
De acordo com informações fornecidas pela máxima autoridade constitucional iraniana, as irregularidades registadas no sufrágio do passado dia 12 não são suficientes para anular a consulta em que participaram mais de 40 milhões de pessoas. Apesar de em 50 dos mais de 360 distritos eleitorais iranianos terem sido registados mais votos que votantes, num total de aproximadamente três milhões, o Conselho sublinha que o resultado não se altera a favor de Mousavi, uma vez que este foi derrotado nas urnas por mais de 11 milhões de votos de diferença, explica. Acresce que a maioria das queixas da oposição refere-se a alegadas irregularidades anteriores à realização da consulta, diz ainda o Conselho.<br />
Simultaneamente, continuam nas ruas do Irão os confrontos envolvendo as autoridades, partidários de Mousavi e apoiantes de Ahmadinejad. Apenas estes últimos acatam a proibição dos protestos decretada pelo governo para evitar tumultos. Segundo dados oficiais divulgados pela imprensa iraniana, citados pela Prensa Latina, em mais de uma semana de crise política morreram 19 pessoas, mil foram feridas, entre as quais 400 polícias, e 457 foram presas.<br />
O governo iraniano diz que os detidos são agitadores ao serviço de potências estrangeiras e, face à colossal mobilização de meios contra o regime (milhões de dólares investidos pela CIA, manipulação de informação, instrumentalização de plataformas de comunicação para difundir uma situação de aparente caos e mobilizar sectores da população com base em boatos), acusa o imperialismo de ingerência nos assuntos internos do país.<br />
EUA, Alemanha, França e Grã-Bretanha estão apostados numa campanha para derrubar o governo do Irão, que depois de convocar vários embaixadores estrangeiros acreditados em Teerão para os esclarecer sobre a situação, equaciona rever as relações com as três potências europeias.</em></p>
<p>sem mais comentários meus.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Golf Courses Destroying Iberian Water</title>
		<link>http://5dias.net/2009/03/26/golf-courses-destroying/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2009 19:07:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bicyclemark</dc:creator>
				<category><![CDATA[bicyclemark]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
		<category><![CDATA[espanha]]></category>
		<category><![CDATA[golf]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[UE]]></category>

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		<description><![CDATA[A report from the European Environment Agency points to water use in southern Europe, specifically the unsustainable building of more golf courses and swimming pools in the south of the Iberian Penninsula. While on the European Union level much attention &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/03/26/golf-courses-destroying/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A report from the European Environment Agency <a href="http://www.euractiv.com/en/environment/europe-urged-curtail-water-use/article-180440?Ref=RSS" target="_blank">points to water use</a> in southern Europe, specifically the unsustainable building of more golf courses and swimming pools in the south of the Iberian Penninsula. While on the European Union level much attention is given to finding new sources of water and increasing access, the report points out the little is done to address water use through conservation.</p>
<p>The EEA points to one regional example:</p>
<blockquote><p>Taking Spain&#8217;s Júcar River Basin as an example, it points out that 55 new golf courses are planned there in addition to the existing 19. Each golf course typically uses 500,000 m3 of water. On top of this, huge amounts of water are needed to fill up swimming pools for tourists.</p></blockquote>
<p>Anyone who&#8217;s made their way around the South of Portugal and Spain has seen the rabid growth of<a href="http://www.eea.europa.eu/articles/golf-courses-and-washing-machines-obstacles-and-opportunities-for-sustainable-water-management" target="_blank"> golf courses</a> and elaborate swimming pools.  The neverending push for more tourism and more luxurious water consuming activities has rarely taken stock of the way the region would be effected by the increase in use.</p>
<p>The report doesn&#8217;t only look at recreation, agriculture is also brought into question in terms of water use and efficiency.  To learn more, <a href="http://www.eea.europa.eu/publications/water-resources-across-europe" target="_blank">read the study</a>.</p>
<p><img style="border: 2px solid black; margin: 12px;" title="Praia del Rey" src="http://farm4.static.flickr.com/3077/2677449398_45cfe738c8_m.jpg" alt="" width="199" height="150" /></p>]]></content:encoded>
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		<title>Da tradução para o acordo ortográfico</title>
		<link>http://5dias.net/2008/10/08/da-traducao-para-o-acordo-ortografico/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 02:01:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por &#8220;Antónimo&#8221;) ao texto da Fernanda encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto): &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/10/08/da-traducao-para-o-acordo-ortografico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por &#8220;Antónimo&#8221;) ao texto da Fernanda encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto):</p>
<blockquote><p>Embora as editoras mais do que abusem (por exemplo, é raro pagarem direitos de autor &#8211; só o fazem a consagrados -, escondem as vendas a sete chaves e os livros que saem aí com jornais e revistas &#8211; tiragens de 30 mil exemplares &#8211; têm um custo de produção de 90 cêntimos) é um bocado complicado os livros em português ficarem ao preço de um da Penguin, não é?<br />
Uma Guerra e Paz da Penguin, em inglês tem centenas de milhões de leitores. Até podiam dar os livros que não se sentia. Não há direitos de autor e imagino que as traduções foram pagas há décadas. Se os nossos leitores ainda preferem ir comprá-los em vez dos desgraçados três mil exemplares que a exemplar tradução portuguesa não esgota, mesmo se publicada desde 2005, a coisa piora.<br />
No fundo, paga 15 euros por uma coisa que não custou nada a produzir em vez de pagar 60 euros por algo que custou consideravelmente mais.</p></blockquote>
<p>Pois é, <a href="http://5dias.net/2008/10/07/da-tradicao-e-da-traducao/" target="_blank">Fernanda</a>, o que falta para termos livros baratos em português é um verdadeiro mercado global do livro em língua portuguesa!</p>
<p>(Já agora: à entrada da livraria do Instituto Superior Técnico está um anúncio <a href="http://www.fca.pt/lidel_index2.html" target="_blank">desta editora</a> onde ela se gaba de publicar &#8220;autores nacionais&#8221;, e recomenda aos estudantes que escolham os livros por ela publicados em detrimento das &#8220;traduções brasileiras&#8221; (inclui mesmo a frase &#8220;Não estudes por traduções brasileiras!&#8221;). Esta editora tem desenvolvido um trabalho meritório na publicação de bons livros técnicos de autores portugueses. Mas precisava de os &#8220;promover&#8221; utilizando um &#8220;argumento&#8221; tão mesquinho e rasteiro?)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Esta não é a Ana Sá Lopes</title>
		<link>http://5dias.net/2008/08/20/esta-nao-e-a-ana-sa-lopes/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Aug 2008 21:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda o assalto à agência de Campolide do BES. Numa crónica no suplemento Gente do DN de sábado, Ana Sá Lopes insurge-se contra quase toda a opinião publicada na imprensa e na blogosfera, que apoia incondicionalmente a suposta arbitrariedade da &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/08/20/esta-nao-e-a-ana-sa-lopes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda o assalto à agência de Campolide do BES. Numa <a href="http://dn.sapo.pt/2008/08/16/dngente/esta_e_a_minha_policia_diga_outra_ve.html" target="_blank">crónica no suplemento Gente do DN de sábado</a>, <a href="http://gloriafacil.blogspot.com/" target="_blank">Ana Sá Lopes</a> insurge-se contra quase toda a opinião publicada na imprensa e na blogosfera, que apoia incondicionalmente a suposta arbitrariedade da polícia, sendo que praticamente a única excepção viria da parte de João Miranda, no DN e no blogue <a href="http://blasfemias.net/2008/08/08/direito-de-matar/" target="_blank">Blasfémias</a>. &#8220;Esta não é a minha polícia&#8221;, afirma a jornalista, indignada, e pede ao ministro da Administração Interna que diga ou faça alguma coisa &#8220;de esquerda&#8221;.<br />
Ninguém deveria ter ficado feliz com a morte do sequestrador. É verdade que muitos comentadores parecem ter ficado, mas tal não resulta de se aceitar a acção da polícia neste caso. Eu e muitas outras pessoas apoiámo-la como mais um entre tantos males que infelizmente por vezes são necessários, mas sinceramente lamento a morte (e como eu, tenho a certeza, muita gente).<span id="more-4762"></span><br />
Dito isto, creio que há um equívoco da parte de Ana Sá Lopes relativamente à posição de João Miranda. Não vi João Miranda lamentar nenhuma morte. Conforme já aqui escrevi há uns dias atrás, o que incomoda João Miranda em todo este processo não é a morte do sequestrador em si, mas o facto de esta ter sido perpetrada pelo Estado (neste caso, representado pelo agente da polícia). Permitisse a legislação o livre porte de armas, resultasse a morte do sequestrador, nas mesmas circunstâncias, da acção de um segurança privado do banco ou de qualquer outro civil armado (mas nunca de um agente do Estado) e tudo estaria bem para João Miranda. Até poderia ser não só um mas vários sequestradores a morrerem. É esta a forma de pensar da direita libertária.<br />
Embora não concorde, posso respeitar a opinião de quem acha que a polícia não deveria ter aberto fogo, dependendo dos argumentos apresentados (gostaria era de saber qual seria a sua opinião se estas pessoas fossem os reféns). Agora, pedir ao ministro que &#8220;faça alguma coisa de esquerda&#8221; e, no mesmo texto, invocar a direita libertária, como faz Ana Sá Lopes, é que me custa a perceber. Parece-me que se é assim, como diria outro Lopes, está mesmo tudo doido&#8230;<br />
Com os seus cronistas supostamente de esquerda a invocarem desta forma a mais direitista das direitas, quem se fica a rir é o director João Marcelino.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>we are the web (net neutrality)</title>
		<link>http://5dias.net/2008/05/06/we-are-the-web-net-neutrality/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 13:43:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zenuno</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[net neutrality]]></category>
		<category><![CDATA[neutralidade da net]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[A Net Neutrality Message for Everyone: We Are the Web The issue of net neutrality is reaching a boiling point, and the results will affect every Internet user in the US. We Are the Web is here to raise awareness &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/05/06/we-are-the-web-net-neutrality/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8VrCCpaEoxI&#038;hl=en"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/8VrCCpaEoxI&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></p>
<blockquote><p>A Net Neutrality Message for Everyone: We Are the Web<br />
The issue of net neutrality is reaching a boiling point, and the results will affect every Internet user in the US. We Are the Web is here to raise awareness with the help of some of the web&#8217;s biggest names: Leslie Hall, The Tron Guy, and Peter Pan. Check out the music video, and share this important message.</p></blockquote>
<p>Esta é uma mensagem a pedir a neutralidade da net nos EUA.</p>
<p>É um assunto que infelizmente em Portugal não é aparentemente falado e que na minha opinião é bastante real a falta dessa neutralidade.<br />
<span id="more-2964"></span></p>
<p>Para mim há três factores estranhos em Portugal:</p>
<ul>
<li>a artificial distinção em alguns fornecedores de internet (ISP) entre tráfego Nacional e Internacional</li>
<li>os limites de tráfego imposto aos utilizadores <small>(*)</small ></li>
<li>a velocidade de upload anormalmente baixa em alguns ISP&#8217;s em Portugal</li>
</ul>
<p>Estes factores impõem alguma restrição quer no consumo quer na criação de conteúdos por cada uma das pessoas conectadas à Internet. <small>(*)</small > Em alternativa os ISP&#8217;s podem impôr um sistema de prioridades para que os utilizadores possam de uma forma igualitária aceder em cada ISP.<br />
<strong>A Internet deseja-se participativa &#8211; leitura+escrita e globalizada / glocalizada.</strong></p>
<p>Neste vídeo do Arin Crumley (<a href="http://www.youtube.com/user/foureyedmonsters">FourEyedMonsters</a>)  temos uma boa explicação para o que é a Neutralidade da Net:</p>
<p><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8rNg_FVaPek&#038;hl=en"></param><param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/8rNg_FVaPek&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></p>
<p>(mais informação sobre este documentário em: <a href="http://foureyedmonsters.com/neutrality/">http://foureyedmonsters.com/neutrality/</a>)</p>
<ul>
<li><a href="http://www.wearetheweb.org">http://www.wearetheweb.org</a></li>
<li><a href="http://www.savetheinternet.com">http://www.savetheinternet.com</a></li>
<li><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Network_neutrality">http://en.wikipedia.org/wiki/Network_neutrality</a></li>
<li><a href="http://www.google.com/help/netneutrality.html">http://www.google.com/help/netneutrality.html</a></li>
<li><a href="http://www.masternewmedia.org/news/2007/01/13/network_neutrality_what_it_is.htm">http://www.masternewmedia.org/news/2007/01/13/network_neutrality_what_it_is.htm</a></li>
</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Retratos do trabalho na São Caetano à Lapa</title>
		<link>http://5dias.net/2008/04/30/retratos-do-trabalho-na-sao-caetano-a-lapa/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2008 23:29:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Os apoiantes de Manuela Ferreira Leite querem um souvenir (TM). (Foto do DN.)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://bp1.blogger.com/_zzvbihekF-I/SBethwU1PaI/AAAAAAAAAMI/pCCdYIUz1uU/s400/Pacheco_Pereira.jpg" alt="" width="404" height="284" /></p>
<p>Os apoiantes de Manuela Ferreira Leite querem um <em>souvenir</em> (<a href="http://abrupto.blogspot.com/" target="_blank">TM</a>).</p>
<p>(Foto do <a href="http://dn.sapo.pt/2008/04/29/nacional/ferreira_leite_quer_recuperar_respei.html" target="_blank">DN</a>.)</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Viva a liberdade, viva a igualdade, viva a democracia</title>
		<link>http://5dias.net/2008/04/25/viva-a-liberdade-viva-a-igualdade-viva-a-democracia/</link>
		<comments>http://5dias.net/2008/04/25/viva-a-liberdade-viva-a-igualdade-viva-a-democracia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 00:09:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Existe a tendência de chamar ao 25 de Abril o Dia da Liberdade. É verdade que, durante o fascismo salazarista, o bem mais escasso, o bem mais reprimido, era a liberdade. Não havia liberdades políticas, liberdades cívicas, liberdades mínimas. Porém, &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/04/25/viva-a-liberdade-viva-a-igualdade-viva-a-democracia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe a tendência de chamar ao 25 de Abril o Dia da Liberdade. É verdade que, durante o fascismo salazarista, o bem mais escasso, o bem mais reprimido, era a liberdade. Não havia liberdades políticas, liberdades cívicas, liberdades mínimas. Porém, num regime totalitário existe sempre uma classe para quem tudo é permitido. Para essa classe a liberdade existe, e é uma liberdade que não conhece limites. Que se confunde com prepotência. Que não acaba nos limites dos que não a têm, ou seja, é uma liberdade que não é admissível numa democracia. No fascismo salazarista, a liberdade era para muito poucos; com o 25 de Abril, a liberdade passou a ser para todos. E isto é liberdade, mas também é igualdade. É a esta combinação que se chama democracia, e é esta a grande conquista do 25 de Abril. Por isso, a meu ver o 25 de Abril deveria chamar-se não Dia da Liberdade, mas Dia da Democracia.<br />
Não é correcto associar-se o 25 de Abril somente à liberdade (ignorando a igualdade) porque, como é bem sabido (na blogosfera é o que não falta) há muita gente que defende a liberdade e não quer nada com a igualdade. A recente (com pouco mais de um ano) campanha para o branqueamento do ditador Salazar, que culminou na sua designação como “O Maior Português” num programa de televisão, <a href="http://oinsurgente.org/2007/01/26/sobre-as-razoes-para-votar-em-salazar-no-concurso-grandes-portugueses/" target="_blank">teve origem na blogosfera que só defende a liberdade</a> (mas que eu nunca vi defender a democracia). Aliás eu tenho cá para mim que a <a href="http://oinsurgente.org/2007/03/11/o-salazarismo-nao-foi-um-totalitarismo/" target="_blank">maior ameaça à democracia</a>, presentemente, provém (não só em Portugal) dos chamados “libertários”, os defensores incondicionais da liberdade. Eles próprios dizem: <a href="http://oinsurgente.org/2007/04/25/deverao-os-liberais-festejar-o-25-de-abril/" target="_blank">o 25 de Abril não é o dia deles</a>.<br />
A liberdade não pode ser ilimitada, porque acaba por colidir com a liberdade dos outros. Só pode ser irrestrita quando tal não originar conflitos com a igualdade. Senão, tal viola a democracia. Sobretudo, a mais liberdade corresponde sempre mais responsabilidade. Querer mais liberdade só por querer tem sempre outras consequências. Para o indivíduo e para todos. Pensem nisto.<br />
Bom 25 de Abril.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Miguel Sousa Tavares: uma sociedade sem deveres</title>
		<link>http://5dias.net/2008/04/08/miguel-sousa-tavares-uma-sociedade-sem-deveres/</link>
		<comments>http://5dias.net/2008/04/08/miguel-sousa-tavares-uma-sociedade-sem-deveres/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 15:32:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho tido oportunidade de escrever sobre as propostas de lei do casamento civil do PS e do Bloco de Esquerda. Mas subscrevo quase todo o conteúdo do último artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso. Para não entrar numa &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/04/08/miguel-sousa-tavares-uma-sociedade-sem-deveres/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tenho tido oportunidade de escrever sobre as propostas de lei do casamento civil do PS e do Bloco de Esquerda. Mas subscrevo quase todo o conteúdo do último artigo de Miguel Sousa Tavares no <a href="http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/287163" target="_blank">Expresso</a>. Para não entrar numa outra discussão que agora não vem a propósito, transcrevo-o omitindo uma pequena parte.</p>
<p>Uma sociedade sem deveres<br />
Começo por apresentar o meu cadastro &#8216;fracturante&#8217;: fui sempre a favor da despenalização do aborto, porque nunca entendi que a maternidade pudesse ser imposta como um castigo a quem engravidou sem querer, ou o aborto, nessas circunstâncias, fosse tratado como um crime; sou a favor da equiparação de direitos entre as uniões de facto e os casamentos &#8211; mas sou contra a transposição integral dos direitos do casamento para as uniões de facto, que é um regime onde apenas existem direitos e não existem deveres; sou a favor do casamento entre homossexuais, exactamente porque a simples união de facto, ainda que com deveres consagrados legalmente, não lhes permite aceder a um regime em que possam ter todos os direitos conjugais e respectivos deveres, apenas porque é diversa a sua orientação sexual; (&#8230;) sou contra &#8216;o fim do divórcio litigioso&#8217;, tal como previsto no projecto chumbado do BE e a ser retomado em breve pelo PS, em moldes semelhantes. Em matérias ditas fracturantes, estou assim completamente fracturado. Mas tenho a presunção de manter alguma coerência neste ziguezague ideológico: defendo os regimes em que existem direitos a que correspondem obrigações. Rejeito aqueles em que apenas existem direitos sem deveres.</p>
<p>A lei actual prevê que, não havendo acordo para um divórcio por mútuo consentimento, o cônjuge que se ache não culpado da situação de ruptura conjugal possa intentar contra o outro uma acção de divórcio litigioso, com fundamento em qualquer facto que, pela sua gravidade, comprometa a possibilidade de continuidade da vida comum, designadamente a violação dos deveres de coabitação, assistência e fidelidade. Num mundo perfeito e numa situação serena, esta possibilidade deveria manter-se letra morta, porque um divórcio litigioso nunca aproveita a ninguém: nem ao requerente, nem ao requerido, nem, sobretudo, aos filhos comuns. Mas, apesar de tudo, há alguma salvaguarda que a lei garante ao cônjuge declarado não culpado de um divórcio litigioso &#8211; na partilha de bens, por exemplo &#8211; e é legítimo que quem não teve culpa no divórcio possa reclamá-la para si. E, acima de tudo, existe uma razão de ordem pessoal e íntima para que alguém recuse divorciar-se contra sua vontade ou, no limite, só aceite fazê-lo de forma litigiosa e pedindo ao tribunal que declare então o outro culpado pela ruptura: acontece com os que pensam que o casamento é um contrato inquebrável, até à morte, e que defendê-lo sempre, por mais difíceis que sejam as circunstâncias, é um dever e um direito que lhes assiste. Eu não penso assim, mas não me sinto no direito de impor o que penso aos casamentos alheios.<span id="more-2628"></span></p>
<p>Isto quer dizer que não há actualmente, na nossa lei civil, a possibilidade de requerer o divórcio, mesmo que o outro não queira, dizendo simplesmente que se deixou de o amar. Dito desta maneira, pode parecer muito chocante, nas sociedades urbanas e sentimentalmente libérrimas em que vivemos, mas convém olhar as coisas com mais cautela. Em primeiro lugar, embora o princípio legal vigente seja este, existe uma excepção que tudo muda: a lei prevê que possa ser fundamento de divórcio litigioso a separação de facto existente &#8211; dantes, ao fim de seis anos, agora de três e em breve de um ano apenas, que é quase o mesmo que nada. Ou seja, não apenas o cônjuge abandonado pode invocar tal facto como fundamento de divórcio, como também aquele que abandonou o pode fazer: sai de casa, espera um tempo e obtém o divórcio contra a vontade do outro e sem culpa do outro. Parece que já chegava e sobrava como defesa suficiente da instabilidade sentimental. Mas não: pretende-se também acabar de vez com a possibilidade de alguém obter em tribunal a declaração de que não foi culpado no divórcio. E, na reveladora justificação do líder parlamentar do PS, consagrar um regime legal que estipule que &#8216;o casamento baseia-se nos afectos e não nos deveres&#8217;.</p>
<p>Eu sou contra isto. Contra uma sociedade que, em todos os domínios da vida, acha que faz parte dos direitos fundamentais do indivíduo nunca ter deveres. Pegando num exemplo recente, são os pais que acham que não têm o dever de educar os filhos e que basta dar-lhes telemóveis e iPod&#8217;s para que eles não chateiem; são os filhos que acham que não têm o dever de obedecer e respeitar os professores na escola; os professores e os conselhos directivos que acham que não têm o dever de impor disciplina e respeito, custe o que custar; e os teóricos da educação que acham que não têm o dever de castigar a sério os alunos mal-educados, pondo-os a fazer trabalhos para a comunidade nos dias de folga, em lugar de os suspender ou transferi-los de escola. Esta teoria chega agora ao casamento e ao direito de família, pela mão da modernidade imbecil do PS e do Bloco de Esquerda. Estão convencidos de que assim mostram a sua abertura de &#8216;esquerda&#8217;, mas estão completamente enganados: fora dos meios urbanos, ricos e cultivados das grandes cidades, no país pobre, interior e onde a família conjugal é, a maior parte das vezes, a única defesa contra a solidão, a doença e as agruras da vida, o fim instantâneo do casamento por simples vontade de uma das partes vai traduzir-se apenas na vontade do mais forte contra o mais fraco. Mas talvez isto seja demasiado complicado para explicar àquelas cabecinhas pré-formatadas dos socialistas e dos bloquistas.</p>
<p>O PSD levou a sua liderança bicéfala ao &#8216;Alentejo profundo&#8217; &#8211; o que quer dizer Alqueva. E quando um político vai ao Alqueva, é fatal que oiça queixas. Tantos anos a reclamar a barragem e, afinal, depois de pronta, depois dos milhões a perder de vista investidos na albufeira e nos sistemas de irrigação agrícola, quando seria de esperar que estivessem agradecidos ao esforço financeiro do país, é o contrário que se passa. Porque, como explicou um autarca local a Luís Filipe Menezes, &#8220;temos água com fartura, mas não temos mais nada&#8221;. A Aldeia da Luz queixa-se que (depois de lhes terem feito uma aldeia nova, inteirinha) ainda não fizeram o centro de dia; a Aldeia da Estrela queixa-se que tem a água à porta, mas não tem um pontão para barcos; outros queixam-se do &#8220;olival intensivo dos espanhóis&#8221; (a quem eles venderem as terras por um preço dez vezes acima do que vigorava antes do Alqueva); e outros ainda queixam-se porque &#8220;o Governo não previu os efeitos económicos das alterações climáticas&#8221; e eles venderam aos espanhóis o girassol (que serve para fazer biocombustíveis) a 250 euros a tonelada e agora vale 620. Menezes ouviu tudo e concordou: &#8220;o governo fez questão de não apostar no empreendedorismo local&#8221;. Eis um retrato do Portugal profundo: todos têm direitos inesgotáveis, sem deveres alguns. Nem ao menos o de aproveitarem as oportunidades que lhes caiem do céu. Menezes, como está na oposição, chama a isto &#8220;empreendedorismo&#8221;. Eu chamo-lhe a atitude de estar sentado no café à espera do subsídio e a dizer mal de tudo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Trinta anos a ser sustentado por todos os portugueses</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Mar 2008 18:42:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[A receber o que Alberto João Jardim todos os anos recebe do &#8220;continente&#8221;, qualquer um teria a &#8220;obra feita&#8221; (que eu em parte admito que ele tenha). O que nem toda a gente faria era manter um controlo policial sobre &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/03/17/palhaco-rico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/wp-content/uploads/2008/03/ajj.jpg" title="ajj.jpg"><img src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2008/03/ajj.jpg" alt="ajj.jpg" /></a><img border="0" width="1" src="http://5dias.net/wp-admin/" height="1" /></p>
<p>A receber o que Alberto João Jardim todos os anos recebe do &#8220;continente&#8221;, qualquer um teria a &#8220;obra feita&#8221; (que eu em parte admito que ele tenha). O que nem toda a gente faria era manter um controlo policial sobre a ilha, controlar a imprensa, pagar a colunistas e manter sob seu controlo (como empregador) um quarto da população. Mas parece que agora já não lhe chega o subsídio: quer mais <a target="_blank" href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1322890">dois mil euros</a> do <a target="_blank" href="http://arrastao.org/medeira/ha-festa-na-aldeia/">Daniel Oliveira</a> (fora os juros) a título pessoal.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes liberais e pequenos vigaristas (2)</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2008 15:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comércio]]></category>
		<category><![CDATA[Comida]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há nenhuma reacção especial a registar na blogosfera ao meu texto Grandes liberais e pequenos vigaristas. No Blasfémias, Carlos Abreu Amorim bem se enrola em argumentação da “teoria liberal”, mas não consegue refutar um facto simples: a liberdade do &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/02/25/grandes-liberais-e-pequenos-vigaristas-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoBodyText2"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Não há nenhuma reacção especial a registar na blogosfera ao meu texto <a href="http://5dias.net/2008/02/22/grandes-liberais-e-pequenos-vigaristas/" target="_blank">Grandes liberais e pequenos vigaristas</a>. No Blasfémias, Carlos Abreu Amorim bem se enrola em argumentação da “teoria liberal”, mas não consegue refutar um facto simples: a liberdade do consumidor fica salvaguardada retirando-se por completo o couvert da mesa. Qualquer couvert colocado a priori significa uma coacção. Tal como na questão do tabaco, Carlos Abreu Amorim só se preocupa com a liberdade dos donos dos restaurantes. Eu preocupo-me com os consumidores. </font></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman">Bem mais interessantes foram as discussões nas caixas de comentários. Aqui no <em>Cinco Dias</em> o estimado <a href="http://verdade-ou-consequencia.blogspot.com/" target="_blank">Dorean Paxorales</a> lembrou que <o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><font face="Times New Roman"><em><span style="font-size: 11pt; color: #606060" lang="PT">Por exemplo, o português que visita o R.U. ou os E.U.A. também não sabe que há um custo adicional à refeição: é a gorjeta obrigatória que vai pagar o salário ao empregado. Parece-me um hábito mais vigarista pois, acabada a comezaima, já não se pode mandar nada para trás. E ainda por cima é contemporizador de uma filosofia contratual que me parece injusta.</span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><o:p></o:p></span></em></font><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman">Devo esclarecer que estou completamente de acordo com o Dorean na sua apreciação ao sistema de gorjetas nos países anglo-saxónicos, algo que me incomoda bastante. Mas há uma diferença importante em relação ao caso português: o sistema é sempre o mesmo. O cliente pode sentir-se surpreendido na primeira vez, mas a partir daí já sabe sempre com o que conta. Pode sentir-se então revoltado (como eu me sentia nos EUA), mas nunca mais se sente enganado. A lei é a mesma, provavelmente estabelecida pelo governo central (estadual, nos EUA). Na pátria do liberalismo!<o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman">Já em Portugal a regra varia de restaurante para restaurante: há os que só colocam pão e manteiga, e há os que colocam queijo, presunto e entradas mais caras. Há os que, honestamente, só cobram os bens consumidos, e há os que cobram um misterioso “couvert” onde cabe tudo, tenha sido consumido ou não. Há diferentes procedimentos perante a mesma lei, pelo que se justifica a intervenção do governo.<o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span></p>
<p><span id="more-2135"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman">Por sua vez no <em>Blasfémias</em> o João Miranda, nos <a href="http://blasfemias.net/2008/02/22/sobre-a-importancia-ideologica-do-couvert-para-a-teoria-liberal/#comments" target="_blank">comentários</a>, aprofunda a questão, e expõe-nos o seu ponto de vista:<o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em>O erro de muitas análises é que o couvert é um serviço, não é um produto. O cliente paga pela experiência de estar no restaurante, incluino pela tradição do couvert. A experiência do couvert não é igual se for opting in ou opting out. O valor para o cliente não é o mesmo. O custo para o restaurante também não. Logo, proibir o couvert com opting out impediria que essa experiência específica pudesse ser comprada por quem a quiser comprar.<o:p></o:p></em></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT">Acho estranho como os restaurantes fora de Portugal nunca descobriram essa espantosa ideia de que o couvert é um serviço, e não um produto. Sendo assim, por que é que o João Miranda não explora esse inexplicável nicho do mercado? Sugiro-lhe que abra uma cadeia de restaurantes em Londres, Paris e Nova Iorque com o lema “o nosso couvert não é um produto &#8211; é um serviço!”, e que coloquem as entradas sempre na mesa sem os clientes as pedirem. Estou certo de que fará sucesso. Força, João, mostra-nos o teu empreendedorismo! Mostra-nos de que é feito um liberal português!</span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><o:p></o:p></span></font><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em>Qualquer mecanismo que permita aos restaurantes distinguir clientes que valorizam pouco um serviço dos clientes que o valorizam muito contribui para a eficiência económica.</em> </font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman">O próprio João reconhece que deve haver sempre a liberdade de recusar o couvert por parte do cliente. No meu modelo, o couvert só vem para a mesa se for pedido (senão, não há trabalho nenhum). No modelo do João, se o cliente quiser legitimamente recusar as entradas, há um duplo trabalho desperdiçado: o de pôr as entradas na mesa e o de as retirar. Qual é o modelo mais eficiente? (Nem falemos por agora das questões de higiene básica.)</font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em>O mesmo para mecanismos que permitam distinguir clientes ricos de pobres. O couvert desempenha essa função. Só aqueles que não valorizam o serviço ou que têm pouco dinheiro é que recusam o couvert. Os outros pagam. A mesma lógica aplica-se aos vinhos, à sobremesa e à gorjeta. Todas estas instituições permitem que os restaurantes cobrem pelo serviço preços diferentes a clientes diferentes.</em></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em><o:p></o:p></em></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman">Aqui temos uma divergência importante. É evidente que aceito que deve haver restaurantes diferentes, com categorias diferentes, serviços diferentes, clientes-alvo diferentes e preços diferentes. Mas a diferenciação social deve terminar aqui, na escolha de um restaurante. A partir do momento em que entro num restaurante que escolhi (e desde que tenha meios de pagar a conta), sou um cliente como os outros. Não aceito ser tratado como um cliente de segunda só porque não quero consumir entradas (ou porque tenho <a href="http://5dias.net/2007/08/01/filipe-moura-em-madrid-desde-que-o-cafe-e-cafe/" target="_blank">as mãos todas cagadas</a>). Um admirador do liberalismo como o João Miranda dará conta de quão anti-americano é o que ele defende? Não tarda nada e temos o João Miranda a defender o “direito de admissão” (em nome da liberdade, claro).</font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em>Já agora, é uma ilusão pensar que quando se paga o couvert se paga o que se comeu no couvert. Os restaurantes vendem essencialmente serviços e não produtos. O que se paga no couvert é o serviço. Se o couvert fosse proibido, o preço do resto da refeição teria que subir para pagar o serviço.</em></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em><o:p></o:p></em></font></span><span style="font-size: 11pt; font-family: 'Times New Roman'" lang="PT">Daqui se conclui que o couvert deve sempre ser cobrado, senão o restaurante tem prejuízo (caso contrário, o couvert só reflectiria o que se comeu, ao contrário do que o João afirma). É claro que reflectir este custo do serviço no preço da refeição, como se faz em todos os outros países (e não artificialmente no couvert), mesmo que aumentasse um pouco este preço, seria muito mais honesto e transparente. Mas transparência é algo a que os comerciantes portugueses são alérgicos. Pela desfaçatez com que esta posição é aqui defendida (e subscrita por outros comentadores), sou mesmo obrigado a concluir que estamos cheios de pequenos vigaristas. Que os nossos grandes liberais fazem questão de proteger e preservar.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes liberais e pequenos vigaristas</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 13:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comércio]]></category>
		<category><![CDATA[Comida]]></category>
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		<description><![CDATA[Há alguns indícios claros de que somos um povo de pequenos vigaristas. Um deles é a forma como esses pequenos vigaristas que são os programadores televisivos nos aldrabam deliberadamente todos os dias comunicando-nos programas que sabem que não vão transmitir &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/02/22/grandes-liberais-e-pequenos-vigaristas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Há alguns indícios claros de que somos um povo de pequenos vigaristas. Um deles é a forma como esses pequenos vigaristas que são os programadores televisivos nos aldrabam deliberadamente todos os dias comunicando-nos programas que sabem que não vão transmitir em horários que sabem que não vão cumprir, de forma a forçarem-nos a ficar agarrados à espera deles e a ver o que não nos interessa. E a outra é esse hábito extraordinário de, no restaurante, nos colocarem na mesa artigos que não pedimos, obrigando-nos a ter que os mandar para dentro se não os quisermos pagar. São dois hábitos que não ocorrem com mais nenhum povo civilizado, e que me fazem seriamente duvidar de que mereçamos pertencer a esta categoria.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">O último hábito, o de impingir entradas nos restaurantes, é particularmente significativo. <span id="more-2104"></span>Só quem já foi ao restaurante com estrangeiros em Portugal (eu já fui muitas vezes) sabe como isto é confrangedor. Não se sabe se se lhes há-de explicar (e não os deixar à vontade) ou não dizer nada (e explicar no fim, quando vem a conta). A explicação para esta pequena vigarice ser tão generalizada é que ela traduz-se num lucro certo para o restaurante. Se o cliente for estrangeiro não sabe e é enganado (e dificilmente reclama num país estrangeiro onde nada funciona). Se o cliente for português, provavelmente também paga. E isto porque tal demonstra que “não se quer pagar”, ou seja, “não se quer gastar dinheiro”, e isso é fazer “figura de pobre”. Talvez por Portugal ser um país onde historicamente sempre houve muita pobreza, ninguém quer fazer “figura de pobre”. E acaba-se sempre por pagar.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Que este hábito é uma enorme (porque generalizada) “pequena vigarice” é evidente. (E refiro “pequena vigarice” desde que só envolva pão, manteiga, pastas e, às vezes, azeitonas. Ainda assim não deixa de ser uma vigarice. Mas há restaurantes onde pode envolver queijo ou presunto, e por vezes salgados, saladas e acepipes mais elaborados. Aí a vigarice já não é nada pequena.) Talvez nem demos por isso, de tão habituados que estamos. Mas quem não esteja habituado a isso (nomeadamente, por vir do estrangeiro) apercebe-se melhor por comparação. Creio que este hábito é dos que dão pior imagem de Portugal no exterior, não contribuindo de nenhuma maneira para a hospitalidade.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Parece <a target="_blank" href="http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=917640&amp;div_id=1730">afinal que há uma lei</a> (que ninguém conhece) que visa proteger os consumidores dos pequenos vigaristas, e que nunca é aplicada. Para os nossos grandes liberais, claro, só a “liberdade individual”, esse valor supremo, dos pequenos vigaristas, é que deve ser protegida e salvaguardada. O direito do consumidor a não ser vigarizado é responsabilidade dele próprio. É sempre assim – liberdade para o empresário, responsabilidade para os outros. Mesmo que a liberdade do empresário seja fazer vigarice. Gostaria de ver se algum liberal português defende isto no estrangeiro, ou se algum liberal estrangeiro gostou de ser vigarizado em Portugal.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Entretanto, se a lei passar a ser aplicada (da minha parte, enquanto consumidor, passará), é provável que as entradas oferecidas acabem ou se limitem, como nos outros países, a algum pão e água da torneira (as outras entradas virão, sempre que o cliente livremente e responsavelmente as deseje, como é justo e transparente). Se assim for, desejo uma boa dieta de pão e água ao <a target="_blank" href="http://blasfemias.net/2008/02/21/entradas-gratis/">João Miranda</a>. Talvez isso o cure do liberalismo.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Ao mesmo tempo, é provável que tenhamos aqui nova matéria para as fiscalizações da ASAE – o cumprimento da lei sobre o pagamento de entradas. Esperemos que sim. Abençoada ASAE que nos protege dos pequenos vigaristas. E abençoado estado central, que nos protege dos liberais.</font></span></p>
<p><span lang="PT"><font face="Times New Roman"> <o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman'" lang="PT">PS – Honra lhes seja feita, <a target="_blank" href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/1386802.html">nem toda a direita</a> pensa deste modo.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>No metro</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jan 2008 16:44:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>António Figueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Uns palmos debaixo da terra, eu a ir para a Duque de Loulé e ele para o Saldanha, cruzo-me com o J., meu colega no 6.º e 7.º anos do liceu e parceiro de canasta nos interins. Ambos gordos e &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/01/08/no-metro-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uns palmos debaixo da terra, eu a ir para a Duque de Loulé e ele para o Saldanha, cruzo-me com o J., meu colega no 6.º e 7.º anos do liceu e parceiro de canasta nos interins. Ambos gordos e já meio-acabados, sabíamos pouco um do outro: ele a julgar-me ainda no <em>Palais des Besoins</em>, eu a julgá-lo atrás de uma farta banca de advogado. Pois nada disso, eu agora vendo os meus magros talentos ao grande capital (<em>so to say</em>) e ele vai exportar-se para Fortaleza (CE), tentar a inutilidade sob os trópicos (pretexto: gestão hoteleira). Eu contra o ócio não tenho nada, pelo contrário, sabe-me sempre a pouco, e se há alguém que o mereça é o J., que já há trinta anos me impressionava pelo fôlego das suas leituras (ainda lá tenho em casa uma edição da <em>Grundrisse</em> assinada pelo seu punho que eu, uma vez, para imitar um personagem de romance que lia Hegel no metro parisiense e muito me impressionava, levei para o Guincho numa tarde ventosa, e na qual pespeguei uma nojenta e sempiterna nódoa de protector solar); do que eu suspeitava mesmo era do interesse de Fortaleza &#038; do seu sertão, uma paisagem desoladora que me parecia (e parece) um degredo sem sentido, tipo Zabrisky Point. Aí o J. fez uma observação sagaz: que a paisagem é para ver nos filmes, ou melhor, de modo fílmico (<em>to be watched, not seen</em>), que, como dizia o grande Eça, um homem não pode gastar os anos a cantar as veigas do Mondego, e que o que interessa mesmo é a ilha em que vive e de que faz a sua casa. Ah J.!, sempre filósofo, explicaste-me nesse instante o segredo de Portugal, país feio, de paisagem arruínada, mas onde nós nos sentimos bem saltando de ilha em ilha, entre o nosso próprio refúgio e o refúgio de outros parecidos connosco, a quem nós chamamos os nossos amigos, fechando os olhos (e tapando o nariz) <em>in between</em>. -Não achas que há alguma coisa de árabe em tudo isto?, perguntei-lhe eu, -Talvez, disse ele, de sueco é que não há. Trocámos cartões, com sorte voltamos a ver-nos daqui a uns anos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dizer mal, desporto nacional – ou a prosa neotrovadoresca no português contemporâneo</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jul 2007 11:20:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marta Rebelo]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando há cerca de dois meses a Fernanda Câncio me dirigiu o colectivo convite de ser a «quinta-feira» do Cinco Dias, aceitei sem pensar, mas também a pensar nesta coisa magnífica que são as caixas de comentários. A Fernanda, vítima &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/07/12/dizer-mal-desporto-nacional-%e2%80%93-ou-a-prosa-neotrovadoresca-no-portugues-contemporaneo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando há cerca de dois meses a Fernanda Câncio me dirigiu o colectivo convite de ser a «quinta-feira» do Cinco Dias, aceitei sem pensar, mas também a pensar nesta coisa magnífica que são as caixas de comentários. A Fernanda, vítima habitual dos predadores anónimos – e outros nem tanto – da blogosfera, dizia-me que a coisa habitualmente não corria mal. Mas a verdade é que no meu blogue (linha.de.conta) não há caixas nem caixotes, há um e-mail e quem quiser comentar, para lá comente.<br />
Acontece que é diversão nacional dizer mal, sabe melhor ao palato verbal dizer mal do que dizer bem, e há alvos e alvos. É genético, séculos de herança cultural. Já os Trovadores, que tinham grande liberdade de expressão – comecem, então, as hostilidades: venham lá os «tiques de autoritarismo», a «intimidação» e a «crise da democracia», porque a autora até é socialista, e gostam tanto de, volta não volta, dizê-la menina de fretes e do aparelho –, e entravam em questões políticas, exercendo um destacado papel social desde os primórdios do século XII, elaboravam líricas composições trabalhadas, as «Mestrias», onde se incluíam as cantigas de escárnio e maldizer. Mais tarde a «classificação» mudou, e na literatura galaico-portuguesa os trovadores dividiam-se entre a lírica amorosa e a satírica – o escárnio e o maldizer.<br />
Esta veia trovadoresca veio e ficou. «Trovador» é um francesismo, à época os poetas do norte da França eram conhecidos por «trouvère», cujo radical é «trouver», ou seja, achar. E isso, nós somos muito, com ou sem dotes de retórica e escrita: «achistas». Achamos muito, sobre tudo, sobre o nada que passa a ser qualquer coisa, mas sobretudo achamos mal.<br />
Com esta liberdade sem fronteiras – ainda – que a blogosfera nos proporciona, o neotrovadorismo, na sua vertente satírica, ganha novo fôlego. São verdadeiros cânticos em caixas de comentários, em posts, de escárnio gratuito ou maldizer de borla.<br />
E vem isto a propósito de quê? Da singela observação do comportamento dos frequentadores desta «casa». E de outras, naturalmente.<br />
Eu, que não sou mais do que os outros, também digo mal. E gosto, às vezes gosto. Também sou «achista», não sou menos do que os demais. Porque carrego esse fardo genético. Por desporto, eu que nem vou ao ginásio por preguiça, não obrigada. Mas, continuo a dizer, estejam à vontade. Afinal, eu escrevo sobre sítios desconhecidos nesta metrópole agigantada, sobre a França que não interessa a viv’alma, sobre a diversidade em coisas mais prosaicas do que opções sexuais, ou, pecado mortal, sobre o aborto e dou vivas pela regulamentação – urra! – sem obrigação de olhar para a fotografia.<br />
Se querem dizer mal, continuem. Se preferirem uma variação, bem. Justiça seja feita, por aqui no Cinco Dias há debates animados, com escárnio, enamoramento lírico, maldizer, amizade e veneno doseado – por quem, não sei; podia ser por nós, os cinco-dias-da-semana, mas de censores temos pouco. Justiça seja feita, há por aí muita gente com défice de pimenta na língua maternalmente aposta na infância.<br />
Deixo uma pergunta, para efeitos de discussão, caso alguém queira discutir ou acender: entre o fadinho triste que nos veste a alma lusitana, e as cantigas de escárnio e maldizer dos idos mil e cens, quem é que vence a maratona?<br />
Já dizia o Jorge Palma, esse grande Trovador, «Ai Portugal, Portugal, enquanto tu estás à espera, ninguém te pode ajudar»…</p>]]></content:encoded>
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		<title>Geração de 70 e muitos</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 15:35:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marta Rebelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Poul Rasmussen, Presidente do Partido Socialista Europeu, esteve em Lisboa esta semana. Veio falar da «sua» flexigurança, conceito económico-social da era da economia global e da disseminação tecnológica. Deixou um aviso com a classificação de «inevitabilidade»: os jovens portugueses terão &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/06/07/geracao-de-70-e-muitos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Poul Rasmussen, Presidente do Partido Socialista Europeu, esteve em Lisboa esta semana. Veio falar da «sua» flexigurança, conceito económico-social da era da economia global e da disseminação tecnológica. Deixou um aviso com a classificação de «inevitabilidade»: os jovens portugueses terão de mudar de emprego entre 20 a 30 vezes ao longo da sua vida laboral. Sob pena de perderem o norte na rapidez do mercado das competências e das competições.<br />
Não pretendo discutir o conceito. De flexigurança (que, citando o DN em citação de Withagen e Rogowski será «uma estratégia política que procura, de forma sincronizada e deliberada, aumentar a flexibilidade do mercado laboral, por um lado, e reforçar a segurança laboral e social dentro e fora do mercado, por outro.»). Interessa-me listar as certezas de gerações anteriores à minha e às que se seguem – dos meus alunos, nomeadamente, que me chegam da geração de oitentas – e procurar as nossas certezas, os nossos valores, contra-valores e as nossas falhas.<br />
Não somos uma «geração rasca», não devemos ser uma «geração à rasca», acho que somos de uma geração-que-se-desenrasca.<br />
As gerações dos nossos pais e avós viviam sobre pressupostos quotidianos e existênciais muito distintos daqueles que hoje se nos perspectivam. Havia «emprego para a vida», havia «estabilidade», havia menos familias «monoparentais» e mais bebés, um país e um mercado pequenitos, os aviões levavam menos gente a menos lugares, os automóveis eram mais poluentes mas menos. A geração de 60 viu nascer ou foi produtora de novos paradigmas. Que aproveitaram à geração de 70, e muito à geração de 70 e muitos. E fomos apanhados na curva.<br />
A minha geração distancia-se dos «baby booms», e contribui muito pouco para um «boom» da natalidade. A minha geração trabalha e vicía-se, independentemente da produtividade decorrente do «vício». A minha geração é protoconservadora, mas cedo percebe que dá razão às estatísticas no que toca a relações e afectos. A minha geração é egoista – ou egocêntrica? –, é tribalista e sobranceira. Altiva e competitiva. Desde os bancos da escola até à cadeira do escritório. Um desenrasca-desconfiado.<br />
A geração de 70 e muitos, e a dos oitentas, é consumista, depressiva, acelerada, ansiosa. Desinteressada das acções em colectivo tendentes à mudança em escala. Crítica da coisa pública, afastada da política, feroz em relação aos partidos, as nossas unidades filiadoras são os clubes de futebol. Para estimular a adrenalina rivalizante. Vamos descobrindo o espaço d(n)a «sociedade civil», num desenrasca tão apático quanto competitivo.<br />
Até aqui, os parágrafos que dedico à minha malha geracional parecem de crítica enraízada. Não é verdade. Mas aqui e ali também não é mentira. A verdade é que o mundo mudou muito, e apanhou-nos em má altura. Estávamos de fraldas no pós-25 de Abril, e de bibe na adesão à CEE. Crescemos em democracia, mas enquanto ela crescia também. Crescemos «na Europa», que é indefinida. Crescemos aproveitando o melhor que a abertura do país ao mundo nos trouxe, mas fomos apanhados pela «globalização». Temos o Euro, mas temos o défice. Temos um acesso muito mais democratizado ao ensino superior e ao conhecimento, mas não temos uma economia preparada para absorver plenamente as nossas altas qualificações. Ou sequer para nos permitir as qualificações altas.<br />
Mas o que mais me atinge no meio deste desenrascanço que nos fulmina, é a descrença individualista na remota hipótese de mudar o que for, milimetricamente, do mundo. Mudamos de casa, vão crescendo as assoalhadas. Mudamos de par, porque o vício laboral é muito, o colega do lado espreita e ambiciona-nos o lugar ou a promoção, e numa economia de mercado a oferta afectiva é liberal e muita. Mudamos de emprego – parece que inevitavelmente condenados a mudar 20 a 30 vezes na vida, em regime de flexigurança. Até nos podemos vir a juntar a gerações que agora mudam da urbe para o campo. Mas mudamos no singular ou num plural de dois ou três. O que é que nós mudamos, efectivamente? Ficaremos na história do país com que marca? À rasca é que não! Desenrascados já não é mau. Somos um país de conservadores polvilhados com pensamentos liberais. E os de 70 e muitos ainda não desdenham a herança.<br />
Não nos revemos em minorias senão para lhes acentuar a diferença. Somos crentes na igualdade dos géneros, mas praticamos pouco. Na roda viva da era globalizada e dos «gadgets», resta pouco espaço para a tolerância, para as mudanças que não mudem nada nas nossas difíceis e exigentes existências, e que mudem mesmo que muito pouco existências alheias.<br />
Claro que a regra não escapa a excepções. É óbvio que estou a partir da abstracção generalizada para dar características a toda uma geração, e às suas sucessoras mais próximas. E, naturalmente, é uma personificação crítica, auto-crítica, mas consciente e nunca desistente. Quem se vai desenrascando como nós, pode muito bem virar o jogo e ser a geração que riscou o à rasca, ultrapassou o desenrasca e aproveitou as portas e janelas, e mudou. Daqui a nada temos 40. E esperam – não esperamos nós de nós próprios? – que mudemos qualquer coisa.<br />
Mudaremos, seguramente!</p>]]></content:encoded>
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		<title>Que pena, Vasco</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2007 00:57:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Câncio</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[etc]]></category>
		<category><![CDATA[Pascoa]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Vasco-Pulido-Valente]]></category>

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		<description><![CDATA[Como muita gente, já tive um crush pelo Vasco Pulido Valente. É fácil ter um crush pelo VPV. Escreve bem, naquelas frases compassadas, com a pontuação toda nos sítios certos, o alinhamento das palavras num ritmo nonchalant, como se não &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/04/09/que-pena-vasco/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como muita gente, já tive um crush pelo Vasco Pulido Valente. É fácil ter um crush pelo VPV. Escreve bem, naquelas frases compassadas, com a pontuação toda nos sítios certos, o alinhamento das palavras num ritmo nonchalant, como se não requeresse esforço nenhum escrever assim. É esse o tom dele: o de quem escreve como se não se importasse, como se não importasse. O tom maçado de quem se dá à maçada de escrever sobre coisas maçadoras. Coisas que não merecem o esforço de pegar numa caneta ou de carregar numa tecla, mas vá: é preciso fazer alguma coisa. </p>
<p>Quando tive o tal crush, há coisa de quase vinte anos, o tom dele já era esse, exactamente esse. A maçada que é, foi e será sempre Portugal e o desinteressantes, incapazes e estúpidos que são, foram e serão sempre os portugueses os temas recorrentes. Havia outros, às vezes &#8212; no livro Às avessas, editado pela Assírio e Alvim com textos da Kapa e do Independente, escreveu sobre ele, o ficar velho, uma doença súbita. Há textos magníficos de VPV, e esses estão entre os melhores. A maioria, no entanto era já o costume: dizer mal de nós. Dizer que vamos de mal para pior, que nunca fazemos nada certo &#8212; e se fazemos é por acaso &#8212; e que mais vale estarmos quietos.</p>
<p>É um tom e uma teoria com um certo capital de fascínio para uma miúda de vinte e tal anos, com toda a arrogância e a soberba dos vinte e tal anos, toda a ignorância dos vinte e tal anos e todo o desprezo pelos outros, principalmente pelos que se dedicam a certas actividades particularmente desprezíveis para quem tem vinte e tal anos, como a política, que os vinte e tal anos permitem. </p>
<p>Passaram-me &#8212; hélas &#8212; os vinte e tal anos e passou-me o crush por VPV. Aliás, creio que me passou antes de fazer trinta anos, quando, em 1991, houve na ainda URSS uma espécie de arremedo de golpe dos comunistas ortodoxos contra Gorbachev e VPV festejou a inevitabilidade, tipo &#8216;a URSS é irreformável, não democratizável, estejam mas é quietos&#8217;. Acho que foi aí que me dei pela primeira vez conta do pânico absurdo, quase infantil, que VPV tem da mudança. Pode ser uma coisa interessante, trágica, uma espécie de recusa da esperança, mas não deixa de ser um cansaço. </p>
<p>Foi o cansaço, mais do que as contradições &#8212; aquela coisa de ser deputado do PSD de Fernando Nogueira e ainda por cima ir para o parlamento fazer ares de enjoado, por exemplo &#8212; que me deu cabo do crush. </p>
<p>Tenho pena, porém. Tanta pena que ainda o leio. Com intermitências, para desenjoar de tanto apocalipse e de tanto enjoo com o mundo em geral e Portugal em particular, de tanta aspa em revolução, democracia, trabalhadores e intelectuais, de tanto decreto de inutilidade, de tanta vez ler &#8220;nunca esqueceram nada e nunca aprenderam nada&#8221; mais as várias conjugações do verbo &#8220;pastorear&#8221;. E, sobretudo, claro, de tanta presunção de superioridade.</p>
<p>Não me entendam mal: eu gosto de gente arrogante. Com a mania. Gosto da soberba. Não consigo é perceber o facilitismo da pose e esse insistente pânico da mudança &#8212; e VPV hoje em dia é sobretudo isso. De tal modo que, no domingo de Páscoa, lhe deu para escrever, imagine-se, sobre &#8220;a trivialidade em que se tornou a vida&#8221; porque as pessoas usam os feriados da Páscoa para viajar em vez de, supõe-se, comer peixe e pensar na ressureição de Cristo. Não que VPV seja cristão &#8220;e muito menos católico&#8221;, adverte-nos, nem que o &#8220;surpreenda ou aflija esta indiferença pelo calendário cristão&#8221;. Mas entristece-o. Aliás, vai por aí fora: entristece-o também, pelos vistos, que o &#8220;povo&#8221; (aspas minhas, também posso fazer as minhas blagues) use do mesmo entusiasmo com as festas seculares, como o 5 de Outubro ou o 25 de Abril ou o 10 de Junho. VPV quer marchas e majorettes e confetti e a malta toda na rua de bandeira, portanto? Mas se sabemos o que VPV pensa dessas manifestações populares. Ainda nos lembramos do que escreveu sobre as marchas de Lisboa, por exemplo. E é fácil imaginar o que VPV escreveria se o &#8220;povo&#8221; se lembrasse de festejar em peso o 25 de Abril, a tal revolução que não houve (segundo VPV) ou o 5 de Outubro. Ou de vir todo para a rua fazer encenações da crucificação, a la Filipinas, em vez de a trabalhar para o bronze em Punta Cana.</p>
<p>Não, não é possível acertar. Com VPV, estamos sempre mal. Nunca chegaremos a sofisticação, nunca seremos cosmopolitas. Saloios para sempre, miseráveis forever, por mais viagens que façamos, por mais que nos afastemos do terço e do jugo dos caciques. </p>
<p>O golpe de misericórdia está porém para vir: nem sequer temos uma época de teatro nem uma época de música, lamenta-se VPV, que foi, há muito muito tempo, secretário de Estado da Cultura ou coisa que o valha (não tenho idade para me lembrar bem disso, sorry) e que defende que a cultura deve sobreviver sem subsídios do Estado. Nem sequer, continua, direito ao que mais dói, temos futebol de jeito. Não festejamos verdadeiramente nada, conclui ele, o homem que há décadas garante que não há nada na nossa história nem nos nossos feitos que valha a pena festejar, nada na nossa cultura que mereça loas, nada que suceda que não fosse melhor não ter sucedido. </p>
<p>Afinal, descobriu VPV, os portugueses tornaram-se terrivelmente parecidos com ele. E ele não acha graça nenhuma. Acha uma tristeza. Uma maçada. Percebo-o muito bem. </p>]]></content:encoded>
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		<title>E subitamente Portugal perdeu a graça</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Feb 2007 13:58:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[gémeos-Kaczinsky]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[referendo]]></category>

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		<description><![CDATA[Um gajo acorda um dia e, tirando um abalo sísmico, não há contrariedades. Os mais fanáticos dos religiosos são, como é normal serem, minoria. Os eleitores decidiram que não é crime uma coisa que, efectivamente, não é crime. Abre-se um &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/02/12/e-subitamente-portugal-perdeu-a-graca/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um gajo acorda um dia e, tirando um abalo sísmico, não há contrariedades. Os mais fanáticos dos religiosos são, como é normal serem, minoria. Os eleitores decidiram que não é crime uma coisa que, efectivamente, não é crime. Abre-se um jornal e vê-se, como vencedores, toda a esquerda uma parte da direita liberal que ainda tem alguma consequência no seu liberalismo. Perdedores: a Igreja Católica, o PSD, o CDS, Marcelo Rebelo de Sousa (este em grande), Bagão Félix, Paulo Portas.</p>
<p>E se o nosso trabalho tiver acabado? Resta emigrar para a Polónia.</p>]]></content:encoded>
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