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COMENTÁRIOS

Srs. Directores de Informação:

13 de Julho de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Será que a apresentação de Presidentes de Juntas de Freguesia do PSD, em Lisboa, como futuros candidatos do PS terá o mesmo destaque que o previsível acordo assinado entre o vereador da maioria Sá Fernandes e o Presidente António Costa?

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Greve na Controlinveste

2 de Março de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Dirigentes e delegados sindicais do Sindicato dos Jornalistas que prestam serviço nos jornais “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “24 Horas” e “O Jogo”, do Grupo Controlinveste, apelaram à participação na greve de 24 horas convocada para o dia 4 de Março, apresentando “seis boas razões” para a participação nessa jornada.

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old media… new media…

27 de Janeiro de 2009 por zenuno

Old Media Crunch

Jeff Jarvis of Buzzmachine and Alan Rusbridger of the Gaurdian talk about the crisis and it’s effect on old media.
Um vídeo dos meus amigos Gabemac e GabeB e gravado na Conferência DLD ‘09 (Digital, Life, Design) que decorre neste momento em Munique. Os vídeos e resumos das sessões também vão estando disponíveis na página da conferência.

Uma conversa sem dúvida interessante para quem segue e aprecia o tema. Nesta altura neste como noutros assuntos há mais questões formuladas que respostas com solução à vista. É a vida. :)

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Entrevista ao Primeiro Ministro

6 de Janeiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva


Vi a entrevista com intermitências. Para além da irritação, arrogância e simpatia por Alegre de José Sócrates, não me pareceu que houvesse nada de relevante.
Depois continuei a ver a SIC Notícias e os seus comentadores, e aí fiquei a saber melhor o que ouvi. A abrir Bettencourt Resendes enquadrou-me dizendo que o Primeiro Ministro tinha estado muito bem. A grande novidade, parece, foi a possibilidade de eleições antecipadas. Na palavra dos comentadores, José Sócrates, enunciou a possibilidade da Assembleia da República ser dissolvida em Junho, para as eleições legislativas serem no mesmo dia que as Europeias – não percebo as vantagens para Sócrates a menos que o 2º semestre do ano ainda se preveja pior que o 1º e não percebo as vantagens para Cavaco, as vantagens para os portugueses ninguém me pareceu muito interessado em discuti-las, portanto julgo que não estarão em cima da mesa.
Por último, da discussão entre comentadores, gerou-se um “interessante” debate se os portugueses teriam “maturidade” para votar no mesmo dia para eleições diferentes… “Maturidade” diziam eles! Na sequência veio a pérola de José Manuel Fernandes. Ficámos todos a saber que nas eleições autárquicas em que Santana foi eleito para presidir aos destinos da capital, o PS tinha ganho a Assembleia Municipal! Só não consigo explicar é que, tendo o PS ganho esta eleição, por que é que foi João Amaral (PCP) e, depois do seu falecimento Modesto Navarro (PCP), que presidiram à referida Assembleia.

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Bill Moyers vs Porter Barry (Bill O’Reilly producer/FOX)

9 de Junho de 2008 por zenuno

Fox Ambushes Bill Moyers at NCMR2008


click to play

At the National Conference for Media Reform 2008. Fox personality Bill O’Reilly producer, Porter Barry ambushes PBS Bill Moyers to pepper him with questions regarding his political affiliations and his “refusal” to appear on O’Reily’s show. Moyers disputes Fox’s “facts.”
Uptake Political Correspondent Noah Kunin was nearby and obtained this raw video

uma notícia e vídeo do TheUpTake.org

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media snackers?

5 de Novembro de 2007 por zenuno

MediaSnackers is a site/weblog/project/call to action for people interested in how young people consume and create media across the globe.

Sobre o mesmo tema “Media Snacking” Theme Echoed at VON Conference in Boston,
Jim Long da NBC:

Video thumbnail. Click to play
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E a opinião do Jeremiah Owyang em Do you respect Media Snackers? Tell me why. Ainda a opinião de Elizabeth Dunn em snicker snack no seu blog Small Dots, nonprofit technology in a tech-resistant world.

A própria revista Wired teve um artigo dentro do tema Minifesto for a New Age.

Esta discussão está a decorrer neste “momento”, tod@s podem participar. :-)
boa semana.

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My name is Fernandes, José Manuel Fernandes

3 de Dezembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

O inenarrável José Manuel Fernandes, uma espécie de comissário político honorário da administração Bush em Portugal, escreveu estas linhas:

O site do Bloco de Esquerda era uma delícia (…) Na primeira notícia dava-se conta, de forma amigável e mesmo simpática, da manifestação do Hezbollah que tinha por objectivo derrubar o governo democrático do Líbano. Na segunda exultava-se com o alegado fracasso de uma greve contra o golpe de Estado constitucional em curso na Bolívia, onde o recém-eleito Presidente quer aprovar uma nova constituição por maioria simples e não de dois terços (era interessante saber o que pensaria o Bloco se o PS, que tem maioria na nossa AR, tivesse idêntico projecto). Na terceira exulta-se com a vitória antecipada de Hugo Chávez, o caudilho venezuelano. Hezbollah, Morales, Chavez -é caso para dizer ao Bloco: «Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és…».

Os leitores podem ler o Esquerda.net julgar com a sua inteligência. Apesar de ser um espaço partidário, no Esquerda gostamos de dar artigos diversificados para as pessoas reflectirem. Por exemplo, no dossier sobre a Venezuela publica-se até um interessante texto de Francis Fukuyama de denúncia do chavismo.

Digamos que a única diferença, em relação à cobertura do Público (que esta semana destaca Cuba, Venezuela e Líbano) é que no Esquerda também se publicam opiniões favoráveis a Chávez.

Sintomaticamente, o director do Público não divulga o endereço do Esquerda, para as pessoas não poderem ajuizar por si. Mas, o que seria de esperar de um director que teve uma posição tão compreensiva a quando do golpe de Estado promovido pelos Estados Unidos, contra o presidente eleito da Venezuela…

Nota: Sou editor do Esquerda, embora esteja fora do país e, por isso, não tenha responsabilidade directa sobre os textos em questão.

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Feito em casa

15 de Novembro de 2006 por Joana Amaral Dias

Em dez, metade das citações da coluna Diz-se, do Público de hoje, foram retiradas de blogs. Exemplo de como a imprensa tradicional transformou a ameaça em aliado, o que Diana Andringa assinala no retornado e bem vindo Le Monde Diplomatique, edição portuguesa.

Diana Andringa, recebeu agora uma menção honrosa na Primeira Edição do Prémio de Jornalismo “Direitos Humanos, Tolerância e Luta contra a Discriminação na Comunicação Social”, promovido pela Comissão Nacional da UNESCO e pelo Instituto de Comunicação Social. O premiado vídeo “Era Uma Vez um Arrastão” foi divulgado exclusivamente pela Internet, com o objectivo de denunciar a farsa em torno de um um “arrastão” na Praia de Carcavelos, que nunca existiu.

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Brevíssima meditação sobre a escatologia do poder e dos media

3 de Novembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

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A secção mais esclarecedora da imprensa portuguesa encontra-se na Pública. Chama-se “O Lixo dos Famosos” e consiste em mostrar , para deleite dos leitores, o conteúdo do lixo de uma pessoa “conhecida”. Embora quase toda a imprensa se tenha transformado num revelador de intimidades e excreções, é natural que tenha sido o diário de Belmiro o primeiro a destapar a tampa e a ir directamente ao lixo, em si. O hábito faz o público, e os leitores desse diário já estão habituados a esse tipo de eflúvios: lêem a sua secção editorial e têm acesso ao telúrico universo mental do director. Enquanto a imprensa sensacionalista oficial se concentra na roupa interior e no luxo dos ricos, o “jornal de referência” inova e com um toque de José Manuel Fernandes transforma, num passe de mágica, o “luxo” em “lixo” e coloca a populaça ignara a prestar vassalagem aos despojos dos poderosos. Estamos perante o último degrau do domínio ideológico. Os cientistas sociais criaram o conceito de empowerment para falar de práticas que concedem mais poder a determinados grupos e populações, podemos dizer que a acção do Público tem o efeito contrário: é um completo ‘enlixerment’ (num inglês do Casaquistão) dos leitores: a ideia que os compradores de um jornal devem adorar os excrementos dos ricos, para além de determinadas taras sexuais entre adultos consentâneos, transforma-os literalmente em gente abaixo da merda dos ditos.
Um dos aspectos mais geniais neste processo é que o sistema tornou rentável esta abjecção: as revistas e os jornais que vendem a vida maravilhosa dos muito ricos, do casamento até ao caixote de lixo, têm imensos pobres a comprar. Estamos perante uma submissão muito lucrativa. Não só exploram, não só criam um sistema económico que atira 80% da população do mundo para a miséria, como ainda lhes vendem a vida fantástica dos ricos, em fascículos.
O lugar dos jornalistas neste processo é um dos maiores achados: antigamente, pedia-se aos profissionais da comunicação social que noticiassem aquilo que de importante aconteceu no mundo; hoje pede-se que escrevam, gravem, filmem aquilo que vai “vender” e que o público quer, supostamente, conhecer. Num dos grupos de media em que trabalhei, o proprietário explicou-me que ‘a maioria das pessoas tem vidas horríveis e que não querem ver a sua situação retratada ou denunciada, o que as pessoas querem é sonhar’. Para isso devemos mostrar-lhes os ricos e famosos. Por um passe de mágica entramos no eugenismo jornalístico, em grande parte das revistas portuguesas, ditas de informação, está proibido, pelas direcções editoriais, aparecerem “pobres, velhos, negros e feios”. Toda a gente sabe que não vendem. Há, obviamente, excepções: uma negra voluptuosa e famosa pode ter fotografia e um multimilionário parecido com uma abóbora tem de ser publicado. Mas são excepções que confirmam o espírito da regra.
Nem o mais horrível dos totalitarismos conseguiu fazer isso às suas vítimas, por muito que tentasse, duvido que Hitler conseguisse impingir aos judeus que iam para os campos de concentração as crónicas sentimentais dos chefes das SS.
Digamos que para quem vê, chegámos a um momento profundamente esclarecedor: no fundo, tanto do ponto de vista do conteúdo, como do ponto de vista da propriedade a maioria da nossa comunicação social não passa de “lixo dos ricos”.

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Grandes portugueses

3 de Novembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

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…“a Internet interessa-me zero. Todo esse universo de “chats” e dos blogues não apenas me é absolutamente estranho como ainda o acho, paradoxalmente, uma preocupante manifestação de um processo de dessocialização e de sedentarização das solidões para que o mundo de hoje parece caminhar. Saber que nesses “sítios” imateriais é possível fazer praticamente tudo, desde arranjar parceiros amorosos até recrutar terroristas para a Al-Qaeda, não é, a meu ver, um progresso”.
Miguel Sousa Tavares, In Expresso de 28/10/2006

“O mundo anda aturdido. A rádio, o jornal, a revista, o informador, o comunicado, a gravura, o comentário; os exageros, as verdades e o resto que não será nem uma nem outra coisa sopram em rajada, desabam em bátegas fortíssimas, que escurecem o horizonte. Não se vê a dois passos”.
António Oliveira Salazar, in Discursos e Notas Políticas volume III, 1938-43, Coimbra Editora, Lda, 1944, pág 27

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Falhados da Nação

27 de Outubro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

Vivíamos no século passado. Estava desempregado. Tinha trabalhado mais de 16 horas por dia no semanário “Já”. As duas dezenas de trabalhadores tinham dado o máximo, durante um ano, mas apesar do esforço o jornal acabou. Tentámos fazer um jornal de esquerda, com 100 mil contos, e falhámos. Durante a ressaca do “Já”, tinha lido numa revista um artigo sobre um novo programa escândalo num canal de televisão norte-americano. Parecia que um tal de Michael Moore fazia uma emissão chamada “TV Nation” que encurtava as fronteiras entre ficção e realidade: fazia acções estranhas, tinha candidatado um ladrão, vindo da prisão, a presidente dos Estados Unidos da América, no Estado do governador George W. Bush.
Não me apetecia voltar para a redacção da SIC. O Sérgio Figueiredo propôs-me a editoria de Cultura no Diário Económico, mas eu tinha uma ideia fisgada. Não me saia da cabeça o texto do Moore e mandei a proposta de um formato ao Emídio Rangel. A SIC ficou interessada, falei com o Luís Rainha a quem tinha “cravado”, muitos anos antes, para imaginar com o Armando Lopes a campanha inicial e o símbolo do SOS Racismo. E fizemos o guião de vários programas. Rangel tinha visto o espanhol “Caiga quien Caiga” e os debates do “Moros y Cristianos”. A nossa proposta, que era uma espécie de um telejornal alternativo, transformou-se num programa de debate com reportagens algo especiais. Os “factoídes” alimentavam o debate sobre questões polémicas. Começámos a rodar o programa sabendo que a partir do momento que ele fosse para o ar , seria muito difícil passar despercebido.
Tentámos “atirar-nos” a todos os nossos alvos ao mesmo tempo. Forjámos uma manifestação de loiras que diziam contestar “os mecanismos de imposição do machismo na cultura popular e nas anedotas de loiras”, para provar que agendas noticiosas estavam cada vez mais sensacionalistas: não houve órgão de comunicação que não desse um grande destaque, maior do que dão a qualquer manifestação de dezenas de milhar de professores; candidatámos um jovem cigano à Câmara Municipal de Vila Verde, para demonstrar que continuávamos num país racista; e criámos uma Igreja que atraiu uma centena de fieis à nossa missa em Beja, para demonstrar como este é um Portugal à espera de milagres fáceis.
Armámos uma verdadeira tempestade. Passámos rapidamente a inimigos públicos de uma série de bem pensantes, mal pensantes e assim-assim. Acusavam-nos de levar à prática a ideia de querer “vender presidentes como pastas de dentes”, diziam que preparávamos a candidatura de Pinto Balsemão à Presidência da República, o presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas inventou que tínhamos despedido uma figurante da manifestação das loiras. Como cantava Brassens em “La Mauvaise Réputation” : “Tout le monde me montre du doigt sauf les manchots, ça va de soi”. Apesar de termos tido um milhão de duzentos mil espectadores por noite, a pressão era muito grande. Rangel não temia o confronto e “aguentou-nos” durante 23 programas até acabar com os “Filhos da Nação”. Conseguimos perceber à nossa custa, que um hoax feito dentro da televisão é muito difícil. As pessoas pensam que tudo o que vêem na televisão é real, tanto a telenovela como o telejornal. De nada servia denunciar as falsidades no meio da falsidade. Provavelmente, Michael Moore safou-se disso, porque já tinha uma grande reputação como activista. O contexto é grande parte da leitura. A ingenuidade e a culpa foi sobretudo nossa. O programa estava a léguas das nossas ideias. Mas a imprensa mais imbecil da Europa ajudou ao disparate. Vejamos, por exemplo, os nossos comentadores: há mais de 30 anos que são os mesmos. Já na altura estes “jovens turcos”, eram “jovens” comentadores com 20 anos de serviço. Só podia dar raia. A maior parte desses tipos faz a mesma crónica há dezenas de anos e não conseguiam ver uma notícia mesmo que ela lhes caísse ao colo.
Temos de facto, uma cultura de subserviência, como dizia, num outro contexto, Steven Colbert na gala dos Correspondentes em Washington: ‘a administração é quem manda, envia-vos os textos, vocês corrigem os erros ortográficos e depois vão para casa ter com as vossas mulheres e escrever aqueles romances sobre o intrépido jornalista que afronta a corrupção e os poderosos, livros de ficção”.
Num dos últimos “Filhos da Nação” refizemos, numa rádio em Monsanto, uma versão da emissão da “guerra dos mundos” de Orson Welles, a população foi para a rua de noite, pensando ter aterrado uma nave espacial. Há coisas que resultam sempre.

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(Mais) um título lamentável

17 de Outubro de 2006 por António Figueira

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Lendo-se a notícia, fica-se a saber que a vítima deste boicote estúpido e mau não tem sida, é simplesmente seropositiva – uma diferença que faz ou devia fazer parte da cultura geral de qualquer jornalista nos dias que correm. Mas o “Correio da Manhã” abdicou de registar esse facto no título, e preferiu fazer coro com a população ignara, nesta versão pós-moderna da caça às bruxas.

É verdade que os leitores do CM podem ter dificuldades com os polissílabos (se-ro-po-si-ti-va), e que VIH ou HIV não são siglas muito evidentes; mas o CM também podia ter escrito no título “com vírus da sida” (como de resto fez no corpo da notícia) e, preferindo simplificar, acabou por ser lamentavelmente simplista.

Agora um ponto importante: a diferença entre direita e esquerda continua a fazer todo o sentido, mas não é para aqui chamada; no plano das ideias (e é porque os jornais são poderosos veículos de ideias que merece a pena perder tempo a criticar os títulos do CM), a grande diferença (que não se sobrepõe senão tendencialmente à anterior) é a que opõe o obscurantismo às luzes; ora títulos como este (e o aqui referido na semana passada) são títulos obscurantistas – e bem poderiam os seus autores defender o fim do Estado e a felicidade geral que continuariam a ser, objectiva e lamentavelmente, um bando de reaccionários.

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Para acabar de vez com os jornais

10 de Outubro de 2006 por António Figueira

As perfídias do Google e outros parecidos num filme de meia-dúzia de minutos que conta como é que os jornais tal qual os conhecemos vão desaparecer em meia-dúzia de anos: disponível em http://epic.makingithappen.co.uk/ e altamente recomendado.

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Um título lamentável

10 de Outubro de 2006 por António Figueira
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Perdoem-me a iconoclastia: o “Correio da Manhã” é o meu diário português preferido. Certo, o DN e o “Público” têm melhor opinião, mais alguma sofisticação intelectual e outros pós de civilização: mas perdem invariavelmente contra o CM se eu os submeto ao teste do value for money, que para mim consiste no seguinte: Pelo mesmo dinheiro, que jornal é que me dá mais tempo de leitura? – tal como, de resto, o CM também perde para “A Bola” ou o “Record” nos pouquíssimos dias em que eu os compro…

Deverá daqui inferir-se que eu só quero junk literature como alimento espiritual? Até certo ponto: os grandes plumitivos nacionais que me perdoem, mas há coisas que eu prefiro ler em publicações estrangeiras, e nas nacionais quero aquilo que só estas me podem dar: futebol, claro, mas também fait-divers, aquilo que hoje se chama, com um ar um tudo nada pedante, “local” e “sociedade”, e que quando eu era pequeno tinha títulos como “Na cidade”, “Dia-a-dia” e “Sangue no Asfalto”. E quem me dá mais dessa dieta é o CM, que reagiu da melhor maneira ao aparecimento do “24 Horas”, reposicionando-se um pouco mais acima na escala que vai do tablóide ao jornal de referência e situando-se naquela posição média do jornal no nonsense que em Inglaterra é ocupada pelo excelente Evening Standard.

O meu problema com o CM é que, em vez de se conformar em ser o Evening Standard – um jornal de factos (se é que tal coisa existe…), esforçadamente neutral e incontroverso – o CM insiste, por obscuras razões (e cometendo, do meu ponto de vista, um grosseiro erro de cálculo) em querer ser antes um Daily Mail nacional, ou seja, um jornal tão terra-a-terra como o primeiro, mas com uma agenda própria, uma agenda político-social conservadora que o torna no porta-voz da chamada “middle England”. Em resumo, o que é que define o Daily Mail? O Daily Mail é o jornal dos preconceitos: em matéria de costumes, não gosta de modernices, é xenófobo senão racista q.b. e apoia sempre a law’n’order.

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A reestruturação do Público

6 de Outubro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

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A imagem resume bem o espírito que preside às “purgas” no jornal da Sonae. A minha única dúvida é quem é o segundo gajo?

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As mamas para a família cristã

29 de Setembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

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(Isto não é o Ferreira Fernandes)

O Correio da Manhã publicou, 27 anos depois da sua fundação, o seu estatuto editorial. O documento reza (a palavra é propositada) o seguinte: “O Correio da Manhã apoiará de forma firme a instituição Família, o direito à Vida e assume o seu apreço pelas raízes cristãs da sociedade portuguesa”. Ficamos sem saber quem elaborou estas pias letrinhas e quem as aprovou: o proprietário? o director? a redacção? o antigo revolucionário Ferreira Fernandes, hoje convertido em carmelita descalça?
Para reflexão dos proprietários do Correio da Manhã (o jornal diário mais vendido em Portugal), aqui fica uma historinha sobre a imprensa do Reino Unido. Na genial série “Yes minister” definiram, um dia, os jornais britânicos da seguinte forma: “O Times é lido pela as pessoas que pensam que ainda mandam no Reino Unido; o Guardian é comprado pelas pessoas que julgam que deviam mandar no país; o Financial Times é adquirido pelas pessoas que de facto mandam na Grã-Bretanha; o Sun é levado pelas pessoas que se estão nas tintas para quem manda aqui, desde que tenha mamas”.
Amiguinhos, já bastam os colunistas de extrema-direita, não dêem cabo da galinha dos ovos de ouro com gargarejos de água benta.

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Dahrendorf: o “Novo Autoritarismo”

25 de Setembro de 2006 por Rui Tavares

Este homem, como diria João Carlos Espada, é um sir. O problema é que, nos velhos tempos, João Carlos Espada e a direita portuguesa auto-proclamada de liberal não conseguiria alinhar duas palavras sem citar Ralf Dahrendorf. Hoje, sir Ralf anda mais desaparecido da prosa nacional, talvez por escrever coisas como este artigo sobre “o 11 de Setembro e o novo autoritarismo”. Algumas frases-chave:


«Mas terá mesmo começado uma guerra a 11 de Setembro de 2001? Nem todos se contentam com esta definição americana. Na época alta do terrorismo irlandês no Reino Unido, sucessivos governos britânicos se esforçaram ao máximo para não conceder ao IRA a ideia de que se estava a travar uma guerra. “Guerra” teria significado a aceitação dos terroristas como inimigos legítimos…»

«…os actos terroristas devem ser melhor descritos como actos criminosos. Ao chamar-lhes guerra… o governo dos EUA justificou políticas internas que, antes dos ataques de 11 de setembro, seria inaceitáveis em qualquer país livre.»

«Desde cedo, o campo-prisão de Guantánamo em Cuba tornou-se o símbolo de uma coisa inaudita: a prisão sem julgamento de “combatentes ilegais” privados de todos os direitos humanos. Resta ao mundo imaginar quantos mais destes homens não-humanos permanecem neste momento em quantos outros lugares.»

«As características fundamentais do Ocidente, a democracia e o estado de direito, sofreram mais às mãos dos seus defensores do que dos seus atacantes.»

«…os nossos líderes devem procurar acalmar, ao invés de explorar, a ansiedade pública. Os terroristas com quem estamos em “guerra” não podem vencer, porque a sua visão feita de trevas nunca ganhará ampla legitimidade popular. Essa é mais outra razão para nos erguermos em defesa dos nossos valores — em primeiro lugar, e acima de tudo, agindo de acordo com eles.»

O TPC para esta semana é: traduzir e divulgar este texto, insistir na sua publicação nos nossos jornais. Mostrar à nossa direita quão afastados e adversos andam dos valores que dizem defender.

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Um Sol frio

22 de Setembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

Perdoe-se a explosiva incoerência, mas a gente afeiçoa-se-lhe, às incoerências, e depois é o diabo. Haverá alguma coisa por dizer acerca desse tristonho Sol que nasce apenas uma vez por semana para tentar fazer sombra a um Expresso que vai andando parado? Afinal, a «criatividade que é privilégio só de alguns» em que país de maravilha os privilégios serão de todos?) – perdeu-se algures na fascinante aventura de criar um jornal novo que afinal é velho. A montanha pariu um rato, apesar de muitas páginas e secções e cronistas. Não cabe aqui nem na minha paciência analisar raio por raio o modelo que assenta no auto-elogio, nas reportagens umbiguistas que prometem até folhetim, nos cronistas de sempre e da mesma maneira, na obsessão com uma concorrência que antes de ser já o era. Vou alinhavar duas questões para mais tarde recordar e nunca responder.
Para que servirá um jornal?, eis a primeira. A ideia que vai pública e instalada, até a propósito do desaparecimento do Independente ou da moribundice do Semanário, é que dá jeito apenas para servir um projecto político, os projectos e as caras de um político, uma determinada opinião económica ou quando muito fatia social, o conjunto mascarado de nebuloso desígnio de progresso. Mas o que vale, de uma maneira ou de outra, é a política e uma ideia de política. Não apenas teima em aparecer como parece desaparecer a ideia política de jornalismo enquanto lugar de despoder ou, quando muito, de contra-poder. Há-de haver aqui pitada de romantismo, quando sabemos que os jornais foram inventados para vender sabão e facultar horários dos navios, mas aqui e ali, ainda no século XX, aconteceram projectos onde a justificação maior era a vontade de saber tudo e todas as maneiras, incluindo segredos de cada um dos poderes, podres ou nem por isso. Não esperava isso, nem mais ou menos, do Sol Millenium, mas fazer um jornal só para concorrer com outro ou vender uma qualquer banha a cobra política parece-me exagero morno.
Para que servirá tanta política na informação?, eis a segunda. O arquitecto e senhor do Sol ofereceu abundante doutrina acerca da espantosa novidade que se anunciava. O país ansiava, as mulheres e os jovens leriam, a crise de leitura e leitora acabaria logo ali, num sábado ou dois. Pois que trouxe de novo o modelito, vagamente inspirado em tablóides britânicos mas sem lhe importar nem garra, nem grafismo, nem virtudes ou os alegres defeitos? Por enquanto, nada. Daí o imenso peso que a “informação” política e a opinião vedetizada ganha nas suas páginas, espelho dos outros, mais correio ou diário, mais 24 ou notícias. O quotidiano, as abordagens radicais, enfim, a banal teologia da resposta à crise dos jornais (à qual faltou apenas a inetvitável versão web) arruma-se com visitas ao jet-set e colunas de jardinagem. Amanhã há mais, mas cai fora destes (cinco) dias.
A incoerência? Não justificava tanta atenção. É mais do mesmo país do vamos andando.

JOÃO PAULO COTRIM

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Cristiano Superstar

20 de Setembro de 2006 por Joana Amaral Dias

O autor:
André Murraças

Nasceu em 1976. Estudou Cenografia, acabando com Distinção o Master of Arts in Scenography da Hogeschool voor de Kunsten, em Utrecht, Holanda. Na área da escrita frequentou seminários com Jorge Silva Melo, David Harrower e Roxana Silbert. Na área da performance teve formação com William Forsythe, Thomas Lehmen, Jan Ritsema, Bojana Cvejic e Rebecca Schneider.

Foi intérprete, cenógrafo e dramaturgo de Um Marido Ideal, Pour Homme, Swingers, as peças amorosas e as palavras são o meu negócio/words are my business. Escreveu ainda Os Inconvenientes. Publicou as peças O Espelho do Narciso Gordo e as peças amorosas, estando também incluído na colectânea Jovens Escritores ´03, todas elas editadas pela 101 Noites. O seu texto Túlipas está publicado no número um da revista BASE.
Cristiano Superstar
cristiano_superstar1.jpgHá uns meses atrás, no dia em que foi feita a mais bela bandeira do mundo, a Denise, de 15 anos, voltou do Estádio do Jamor extasiada com a experiência. A caminho de jantares diferentes, eu e ela trocámos algumas ideias sobre o ídolo. Ela ainda tinha um lenço vermelho à cintura. Eu, embora não tivesse ido à concentração, levava vestida a minha camisa da Selecção, que por acaso até tem o número 17 do Cristiano Ronaldo nas costas. Pelo caminho ela conta-me que houve um momento, um momento durante aquela tarde quente, durante a visita da equipa ao Estádio, em que o Cristiano lhe sorriu. Eu pergunto-lhe a brincar se ela se importaria se o Cristiano fosse gay. Ela responde-me, indiferente: “Não fazia mal. Eu gosto dos gays.”

cristiano_superstar1.jpgCristiano Ronaldo corresponde totalmente à minha queda para o pop e ao meu supérfluo deslumbramento por figuras masculinas de aspecto marcadamente chunga. Coisa garota, eu sei. Mas, para este corrente artigo, interessou-me antes perceber porque desperta o Cristiano tanto fascínio por entre a camada teen feminina. Durante o Mundial foi o que se viu. Se havia entrevistas na televisão às fãs da Selecção, era a ele que escolhiam. A publicidade preferiu-o a outros jogadores. O puto maravilha esteve e está por todo o lado. Há até um dedicadíssimo site: www.cristianosantosronaldo.blogspot.com, da autoria de um grupo de raparigas devotas, acompanhando-o nos jogos e na imprensa. Mas estas miúdas não se ficam por calorosas manifestações cada vez que o rapaz aparece. É certo que há wallpapers e fotos para todos os gostos e os comentários são autênticas declarações amorosas. Mas este grupo segue-o no campo e nas entrevistas, partilha vídeos encontrados na Internet e comenta as suas jogadas no relvado. A dedicação é total. Andava eu por estes lados mais adolescentes, quando leio numa entrevista do miúdo que o facto de ser considerado um “ícone gay” o incomodava. Isto levou-me a outro target de fanáticos – os gays. Coleccionam as inúmeras produções de moda com o Cristiano em tronco nu, seguem a novela das supostas tentativas de violação da jovem rapariga inglesa, o caso das fotografias transvestido e, claro, o actual romance – agora em fase de separação. Sabem tudo. Há suspiros, alcunhas que se dão ao jogador e também manifestações contra as injustiças cometidas durante os jogos.

cristiano_superstar1.jpgConfuso com as reais motivações dos dois grupos em relação ao rapaz, procurei saber mais junto de quem o conhece bem. A Sara tem 16 anos. É “loka pelo número 17”, como ela própria se descreve. Para ela, o jovem futebolista é um exemplo para todos, porque vem de um meio humilde e venceu. “Isso ensina-nos a perseguir os nossos sonhos.” O aspecto físico do Cristiano ajuda à loucura saudável da Sara. Garante ter o quarto forrado com cartazes e um autógrafo roubado no aeroporto. Sabe todos os golos que ele marcou e é a primeira a zangar-se quando ele tem ataques de mau feitio nos jogos. “Ele é lindu, lindu, lindu!”, escreve-me num e-mail. Já a Helena, um pouco mais velha e desiludida com o futebol, mas acompanhante da Selecção, dava-lhe a volta ao style. E quanto ao comentário sobre a diversidade de fãs, Helena diz: “Eu li… Ele disse que preferia ser um ícone hetero. Vejo mais esse comentário vindo de um puto que preferia ser (só) adorado pelas miúdas e que deve ser um pouco gozado pelos amigos “machos”. Míudas e gays… ele tem tudo!!!! E acreditando na máxima da Samantha do Sexo e a Cidade, o Cristiano é um exemplo do sucesso global. Segundo ela: “primeiro os gays, depois as mulheres e, por último, o mundo”.

cristiano_superstar1.jpgSerá? A maioria dos gays com quem falei acha realmente que o Cristiano Ronaldo está na galeria dos mais engraçados da Selecção. E quando confrontados com a pergunta se o rapaz é um pouco “chunga”, o Marcelo, de 32 anos, até nem contesta: “Chunga. E insuportavelmente gostoso, o que não quer dizer o mesmo que bonito!” Marcelo também acha que alguém devia ensinar ao miúdo o significado de “ícone”. Por aqui, ainda há quem defenda o súbito e exagerado mediatismo: “Porque é o mais giro e o Figo já está gasto.”, diz o Joaquim. Se é o físico que prende alguns aos jogos e às revistas, outros há que o seguem pelas outras mesmas razões que algumas raparigas. O Miguel, de 25 anos, é do Sporting e não perde um jogo com o Cristiano, quando joga a Selecção. “Ele é uma fonte de inspiração. É muito giro, muito mesmo. Mas também tem aquela história de vida que é inspiradora para muitos jovens. Tipo Cinderella.” O salto para a fama não convence todos. O Carlos acha que: “os portugueses, saloios como somos, comparamos logo o rapaz ao Beckham. E o Cristiano está a caminho de se tornar insuportável.”

cristiano_superstar1.jpgQue mistura perigosa de “chunga/macho/metrossexual” é esta que tanto seduz o Paulo? Possivelmente a mesma que leva a Mariana de apenas 14 anos a dizer que é a namorada que o Cristiano nunca teve, ou aquela que fascina “até os heteros”, como diz o João.

O desempenho e o físico de Cristiano Ronaldo são adorados e idolatrados com as mesmas medidas. Conclui que ambas as partes partilham uma só paixão. A paixão tem um nome em honra de Cristo e um apelido em homenagem a Ronald Reagan, em quem os pais insulares também acreditavam.

Um agradecimento especial à Sónia da Ronaldonewsteam pela foto exclusiva de Cristiano Ronaldo.

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Intelectuais e media #3

18 de Setembro de 2006 por Rui Tavares

[resposta a um inquérito DN/6a]

A mediatização tornou os intelectuais mais dependentes das massas do que das elites?

Em Portugal dá-se uma inversão curiosa: temos uma elite sem grandes realizações que necessita, para se sentir elite, de rebaixar constantemente as massas. Isto vale tanto para a velha elite que se aguentava com a ditadura como para aquela a quem o estado caiu no colo com a democracia. A nossa elite não tem grande mérito e no fundo sabe-o: basta olhar para aquela necessidade um pouco histriónica de se escandalizar com as ignorâncias dos jovens, a rusticidade do povo, os hábitos da classe média — o écran de plasma e o cartão de crédito e o futebol. Os nossos intelectuais não dependem das massas porque não pensam que as massas sejam o verdadeiro alvo do seu desempenho nos media. Pelo contrário: o público-alvo de que dependem é precisamente essas elites, muitíssimo inseguras com a contemporaneidade, que precisam de ser contantemente mimadas, consoladas e convencidas de que continuam a contar para alguma coisa. Noutros países, a resposta varia muito com o contexto e depende de cada história social. Um factor essencial é o do tamanho e da abertura da esfera pública. Pessoalmente, gosto da concepção do Padre António Vieira, “quem fala para o baixo também o entende o alto”. Quer dizer: o intelectual deve depender apenas de si e falar para toda a gente.

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