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COMENTÁRIOS

Lisboa

19 de Agosto de 2009 por Tiago Mota Saraiva

A 26 de Março decidi, por livre e espontânea vontade, deixar de escrever sobre temas relacionados directamente com o Concelho de Lisboa em virtude da minha participação nas próximas eleições autárquicas. Esta auto-inibição temática apenas foi suspensa quando escrevi sobre o apelo à convergência de esquerda.
Entretanto muitos e bons temas foram-se passando por baixo do teclado do computador, nos quais teria opinião bem diferente do verdismo (cor utilizada por ambas as candidaturas) que une campanhas do PS e PSD e que inundou de uma forma absolutista toda a comunicação social.
O meu post de ontem sobre uma notícia pouco perceptível do Público e, sobretudo, o desenrolar dos comentários e o esclarecimento de Paulo Pedroso, levantam algumas questões que me são caras e sobre as quais gosto de pensar.
Desta forma declaro a auto-inibição suspensa.

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José Gil, Conferências de Lisboa

18 de Junho de 2009 por zenuno

Em 18 de Junho a aula foi com José Gil e como habitualmente decorreu no salão nobre da CML e foi transmitida em directo na Internet.

fotografia de José GilJosé Gil nasceu em Moçambique e doutorou-se em Filosofia na Universidade de Paris (1982), com um estudo sobre «O Corpo como Campo de Poder», sob orientação de François Châtelet. Colabora com revistas portuguesas e estrangeiras de várias áreas e é autor de algumas entradas na enciclopédia Einaudi. Foi Directeur de Programme do Collège International de Philosophie de Paris e ensina actualmente na Universidade Nova de Lisboa. Na Relógio D’Água tem publicados onze ensaios e dois livros de ficção narrativa (A Crucificada e Cemitério dos Desejos). Algumas das suas obras estão publicadas no Brasil e traduzidas em Espanha, França, Itália e nos EUA.

[ programa de Junho/Julho ]

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Breves notas sobre o Apelo à Convergência de Esquerda

24 de Abril de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Abrindo uma excepção ao que aqui escrevi, em virtude do destaque e mediatismo acrítico que esta petição tem merecido, julgo que será de salientar uma ou outra coisa que tem ficado à margem desta pretensa discussão sobre uma eventual  “Convergência de Esquerda”:

1. O abaixo assinado é promovido pela Associação Política Renovação Comunista (RC), única organização que apoia o vereador Sá Fernandes.

2. Apesar de grande parte dos seus destacados primeiros subscritores serem figuras de proa do PS, é de destacar e enaltecer a manifesta vontade de tantos outros em voltar a ter forças de esquerda (designadamente a CDU), no executivo da Câmara Municipal de Lisboa.

3. É de estranhar o aparente (e recente) saudosismo que PS e RC têm da experiência das coligações, em especial na altura de Jorge Sampaio, num momento em que ambas as forças políticas desempenham ou subscrevem as políticas do actual executivo.

4. Sendo sensível ao argumento do perigo do regresso da coligação de direita ao governo da cidade, é de salientar que ao contrário do que sucedeu nos tempos de Krus Abecassis (e que motivou a primeira coligação encabeçada por Sampaio), durante a gestão de Santana, o PS tomou quase sempre papel activo e solidário para com o seu executivo – veja-se por exemplo a famosa permuta de terrenos do Parque Mayer, a divisão de lugares nas administrações das SRU’s…

5. No governo da cidade de Lisboa é preciso uma alternativa que construa políticas de esquerda, sem chantagens eleitoralistas e fundamentadas num projecto político sólido.

Como o André Levy já aqui escreveu no 5dias, não se deve desperdiçar um único voto de esquerda no PS. Só se justifica o voto útil no PS, se vier da direita.

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Lisboa

26 de Março de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Nunca escondi a minha ideologia nem as minhas opções políticas. Aqui no 5dias julgo que isso sempre foi claro e assumido desde o primeiro instante.
Nos próximos tempos estarei envolvido num combate político que considero fundamental para o futuro próximo da cidade de Lisboa, integrando as listas de candidatos da CDU à autarquia. Consequentemente, a minha participação no 5dias será mais espaçada e, por opção pessoal, afastar-se-á dos temas da campanha autárquica em Lisboa.

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Reabilitação?

12 de Março de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Depois de ter iniciado a procura da minha primeira casa em Lisboa, nunca mais deixei de ver anúncios e de visitar edifícios, sobretudo, para venda. Recentemente, vários amigos têm-me pedido ajuda nas suas procuras, cientes das poucas qualificações técnicas do “braço amigo” que o agente imobiliário sempre oferece e à espera de um olhar mais avisado.
Não sei o que sucederá noutras zonas do país, mas em Lisboa diria, quase como regra, que fogos recuperados e a preços aceitáveis são de evitar.

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Das promessas eleitorais

11 de Março de 2009 por Tiago Mota Saraiva


Num dos últimos dias de campanha, António Costa anunciou 10 medidas, para os seus primeiros 100 dias de governação. Na altura não os guardei e o site de candidatura foi previdentemente apagado.
Contudo recordo a que mais me impressionou. O actual edil prometia acabar com o estacionamento em segunda fila. Na altura irritei-me com o descabido da ideia e com o vazio que estava para além da demagogia. Será que Costa não percebia que o problema do estacionamento em 2ª fila se inseria em problemáticas mais vastas que terão de ser resolvidas no quadro metropolitano, como o estacionamento na cidade ou a carga de movimentos migratórios entre Lisboa e as suas periferias, e que a resolução desses problemas complexos demoram anos e nunca poderão/deverão ser resolvidos à força da multa?
Depois das eleições já ninguém se preocupou com a promessa, o PS na CML nada deve ao do país. Pouco, ou nada, foi feito para começar a planear/organizar, num quadro metropolitano, estes fluxos migratórios diários que devastam a cidade de Lisboa.

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MayDay Lisboa 2009!

11 de Março de 2009 por zenuno


www.maydaylisboa.net

Toda a gente está convocada!
Próxima Assembleia :: 4ª feira, dia 11 de Março, às 21 horas ::

Associação Solidariedade Imigrante :: Rua da Madalena, 8 – 2º
(ao Campo das Cebolas)
metro: Terreiro do Paço (linha azul)

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Petição

6 de Março de 2009 por Tiago Mota Saraiva

A Ordem dos Arquitectos lançou uma petição online solicitando à Câmara Municipal de Lisboa que classifique o edifício na R. de Alcolena nº28/44. A obra em causa é um significativo exemplo do modernismo português e da arquitectura do pós-Segunda Grande Guerra Mundial, da autoria do arquitecto António Varela, e com um mural de azulejos do pintor Almada Negreiros. Esta casa está a ser objecto de um licenciamento municipal que implicará a sua integral demolição, segundo uma notícia do Público (verão impressa) de hoje.
Sinal da relação entre a Ordem dos Arquitectos e a comunidade, é o facto da petição já estar online, pelo menos desde ontem, e à hora a que escrevo apenas contar com 14 assinaturas (uma repetida e seis de actuais dirigentes da OA – que são perto de 140).
Subscreva e ajude a fazer pressão pública para que a Câmara Municipal de Lisboa inicie o processo de classificação municipal deste imóvel.

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O Gato de Uppsala

3 de Março de 2009 por zenuno

capa do livro“O Gato de Uppsala” (edição Sextante), uma história para todas as idades assinada por Cristina Carvalho e com ilustrações de Danuta Wojciechowska, vai ser apresentado no dia 4 de Março (quarta-feira) no El Corte Inglés de Lisboa. A sessão, que terá lugar no restaurante deste espaço comercial, está agendada para as 18h30, cabendo a apresentação a Nuno Crato.

Esta é uma história de amor entre dois jovens, Elvis e Agnetta, uma história feliz de iniciação, de descoberta e sonho: a viagem, a pé, desde Uppsala até Estocolmo, movidos pelo desejo de descobrir o mistério do mar e de ver uma das maravilhas do seu tempo – o grande e rico Vasa – navio de guerra mandado construir por Gustavus II Adolphus, rei da Suécia. Quis o destino que, no dia 10 de Agosto de 1628, dia da viagem inaugural, a vida de Elvis e Agnetta fosse salva por um gato.

Cristina Carvalho nasceu em Lisboa, a 10 de Novembro de 1949. Durante a sua actividade profissional, contactou com milhares de pessoas e visitou inúmeros países sendo a Escandinávia e o Oeste português as regiões que mais ama e que mais influência exercem sobre a sua personalidade enquanto transitório ser humano do sexo feminino, habitante do planeta Terra e por acaso, escritora. Publicou até à data 4 livros: Até Já Não é Adeus (Signo); Momentos Misericordiosos, Ana de Londres e Estranhos Casos de Amor (Relógio D’Água).

Estão convidadas/os para a apresentação já amanhã dia 4, 4ª feira, pelo Nuno Crato, no restaurante do Corte Inglés em Lisboa, às 18:30h!

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O equilibrio das vidas precárias! Mayday Lisboa 09

27 de Fevereiro de 2009 por zenuno


Querem-nos precários, descartáveis e fáceis de despedir.

Atacam-nos direitos e fazem chantagem. Dizem que temos de aceitar o inaceitável. Dizem que é da crise, que vem de fora. Dizem que contra ela, nada se pode fazer. Mas será a crise para todos?
Enquanto nos contorcemos para tentar equilibrar as nossas vidas, outros aumentam lucros e cobrem as falcatruas com uma ajudinha do estado. Nós respondemos na luta diária. Por todos os direitos que nos garantam uma condição digna. Respondemos uns com os outros. Para mudar colectivamente as nossas vidas, decidimos organizar, no dia 1 de Maio, o Mayday!
O Mayday! é um apelo geral contra a precariedade. Uma luta que junta trabalhadores de call-center e outras vítimas das empresas de trabalho temporário, estagiários a trabalhar por uma migalha, técnicos e artistas intermitentes do espectáculo, trabalhadores a recibos verdes, imigrantes a quem cortam duas vezes os direitos, todos os que têm míseros contratos a prazo e baixos salários, sindicalizados ou não, desempregados, todos a quem a promessa de futuro é viver sob a ameaça e a chantagem.

O Mayday! é um protesto que sai à rua no primeiro de Maio, mas é também um caminho de debate, contestação e festa. À chantagem da precariedade propomos a insubmissão dos precários. Precários nos querem, rebeldes nos terão.
Até ao Mayday!, há um caminho a fazer. E é p’ra já.

Próxima Assembleia dia 4 de Março, às 21h no Espaço Solidariedade Emigrante
www.maydaylisboa.net

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o rossio na betesga

6 de Fevereiro de 2009 por zenuno


uma reportagem especial da SIC: O Rossio na Betesga.
Reportagem: Miriam Alves e Filipe Ferreira (Imagem)
Edição de Imagem: Andrés Gutierrez
Grafismo: Diogo Bobone
Pós-Produção Áudio: Pedro Miguel Carvalho
Produção: Isabel Mendonça e João Nuno Assunção
Coordenação: Cândida Pinto

E não posso deixar de escrever:
“Obrigado Miriam por mais um momento (raro) de televisão interessante”

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O Zé cheira a chulé (corrigido)

23 de Janeiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

“A Concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda considera injustificável a exposição de animais em plena Praça de Espanha (continua)”

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Biblioteca de Lisboa, a urgência dos ajustes directos ou crónicas do país relativo

22 de Janeiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

João Soares invocando urgência para não haver discussão ou concurso público, nomeou por ajuste directo quem deveria projectar a nova Biblioteca de Lisboa. Santana, deu-lhe gás, fez avançar o projecto, e deu-o a conhecer como mais uma das “suas obras”. Agora, os vereadores do PS, chamam-lhe de “megabiblioteca” e, sem dar cavaco aos cidadãos e aos projectistas, dizem que a Câmara desistiu de fazer o projecto.

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Na semana da mobilidade

22 de Setembro de 2008 por Filipe Moura

Mais uma vez, o “Dia sem carros” que, em Lisboa, consiste em fechar o trânsito entre o Rossio e o Terreiro do Paço. De utilidade muito duvidosa esta medida. Bem mais úteis são as medidas anunciadas para o transporte público nocturno ao fim de semana e véspera de feriado. De parabéns a Câmara Municipal de Lisboa, Secretaria de Estado dos Transportes e Ministério da Administração Interna.
O “Dia sem carros” é presentemente uma iniciativa simbólica que não incomoda ninguém, e não resolve o problema principal – andar de carro, em Portugal, é uma questão de status. Ainda “parece mal” andar de transporte público ou bicicleta. O “crédito fácil”, a “bolha” que parece que está a rebentar e que se traduz em os portugueses viverem aima das suas possibilidades também se reflecte no número elevado de carros novos. No entanto, conforme é visível, cada vez há mais portugueses a andarem de bicicleta. Por muito que isso custe aos bondosos proponentes destas campanhas cívicas, tal atitude dos portugueses só começou quando começaram a sentir no bolso os efeitos da – abençoada! – “crise do petróleo”.
É útil aliás perder um pouco de tempo a ler os comentários dos leitores destas notícias e comparar os comentários dos portugueses residentes no estrangeiro com alguns dos de residentes em Portugal. Como sempre, em Portugal, o bom exemplo tem que vir de fora – dos países onde há muito andar de bicicleta é um hábito corrente. Talvez assim se torne moda – se torne chic!

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As duas faces do proteccionismo no arrendamento

9 de Julho de 2008 por Filipe Moura

Vale a pena atentar nos comentários que um tal “Luís” (não é Lavoura nem Rainha), que alguma relação terá com a Associação Lisbonense de Proprietários, tem vindo a deixar nos meus textos. É isso que faço agora. Diz Luís:

Fique sabendo que grande parte de Lisboa foi construída dos anos 30 em diante, com o objectivo de arrendar. Sim, foi a aplicação de poupanças. Deu emprego a muita gente e permitiu a muito mais ter habitação. De forma geral, os prédios foram construídos com esse fim específico. Não existiriam se assim não fosse.

É notável a convicção com que afirma que os imóveis “não existiriam”. Bem, não é essa a história de todos os imóveis construídos em Lisboa durante o Estado Novo. Há bairros sociais como o Arco Cego, Alvalade (atrás do Campo Grande) e a Encarnação. Não são as zonas mais dinâmicas de Lisboa, é verdade, mas ainda hoje existem e estão para durar.
Mesmo assim, se é verdade que grande parte de Lisboa foi construída no Estado Novo com o objectivo de arrendar, tal resultou de um contrato social. Imposto pelo salazarismo, é certo, mas nem por isso deixa de ser um contrato. Em que consistia o tal contrato? Em troca de acesso à compra de prédios para alugar, era imposto o congelamento de rendas. Aos senhorios Salazar facilitava a compra de casa (como facilitou muita coisa, noutra escala, a senhores como Mello e Champalimaud); aos inquilinos, era facilitado o arrendamento. O Luís lá terá as suas razões para afirmar que a construção destes prédios “deu casa a muita gente” e “não teria sido possível” se não fosse para arrendar. O que o Luís se esqueceu de perguntar foi: teriam esses prédios sido construídos, teriam essas casas sido ocupadas sem o regime de congelamento de rendas imposto por Salazar? Pois é…
De qualquer maneira não defendo de forma nenhuma o congelamento de rendas como opção ideal. Se na prática indirectamente o defendo (ou seja, se sou contra um aumento brutal das rendas) é porque tal é um mal menor. Com efeito, a meu ver a grande injustiça do mercado imobiliário está na grande concentração de prédios inteiros nessas famílias de senhorios do tempo do salazarismo (pequenos burgueses proprietários protegidos por Salazar – verdadeiros Champalimauds de trazer por casa). Uma concentração que, hoje em dia, em pleno século XXI, várias décadas depois do Estado Novo, não faz sentido absolutamente nenhum.
Dito isto, não sou contra o mercado de aluguer de casas, embora ache que não deva ser encorajado. Mas acho notável o descaramento dos vários herdeiros dos protegidos de Salazar que têm comentado os meus textos, quando afirmam que hoje em dia, com a precariedade e a instabilidade, é preferível alugar uma casa a comprá-la e que é melhor ter um senhorio “à antiga” do que ter o banco como senhorio. Embora reconheça que é preocupante a quantidade de crédito mal-parado em Portugal e me revoltem os enormes lucros do sector bancário (muito à custa dos empréstimos para comprar casa), tal comparação é profundamente desonesta. Se tudo correr bem, em condições normais, ao fim de um certo número de anos a casa comprada está paga ao banco e pertence a quem pediu o empréstimo. Hoje em dia é ainda mais uma operação de risco, e por isso quem a faz merece apoio e admiração. Uma casa alugada está a ser paga uma vida inteira pelo inquilino para no fim ficar… para os netos e bisnetos dos pequenos burgueses que compraram o prédio. Bem entendemos onde eles querem chegar, bem percebemos o que eles têm a ganhar (com um novo contrato ou se a renda for descongelada) e bem dispensamos os seus “conselhos”.

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Aviso à tripeiragem ressabiada

13 de Junho de 2008 por Filipe Moura

Fora de Lisboa, saudoso, longe de Alfama, das festas de Santo António. Ainda por cima nem à minha novela tenho direito: a SIC ocupa toda a sua programação com as tais “Marchas de Santo António”, uma “competição” entre “bairros” que há quem queira transformar numa versão alfacinha do Carnaval do Rio. E é este aviso que eu quero deixar à tripeiragem que, como eu, também gostaria de ver a novela (ou, pelo menos, não acha que tais “marchas” justifiquem uma transmissão em directo em horário nobre): não julguem que os lisboetas médios estão mais interessados neste evento que vocês (refiro-me às marchas e não aos Santos Populares). Confundir quem está interessado e aparece nesse evento (artistas de teatro de revista e colunáveis novos ricos) com “Lisboa” ou os “lisboetas” é um erro grave que vocês, tripeiros ressabiados, cometem frequentemente. Não sei se por ignorância se por má fé.

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marcha LGBT 2008

8 de Junho de 2008 por zenuno

Príncipe Real
28 junho
16 horas

marchalgbt2008.blogspot.com

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Ir à Feira do Livro e não ver a Caminho nem a D. Quixote

3 de Junho de 2008 por Filipe Moura

Estava à espera de encontrar na Feira do Livro de Lisboa uma “Praça Leya” muito melhor que as outras supostas “barracas”, muito mais vistosa, com muito mais espaço. Puro engano. A Leya representa algumas das editoras portuguesas com melhores catálogos (caso da D. Quixote e da Caminho). Por isso mesmo, anteriormente estas editoras tinham um merecido lugar de destaque na Feira do Livro, ocupando várias das tais “barracas” que são “todas iguais”. Mas não: uma barraquita para a Caminho, duas para a D. Quixote, semivazias, apenas com as principais novidades. Das três ou quatro barracas que cada uma destas editoras costumava ocupar, a atafulharem com todo o seu catálogo, nem sinal. É para isso que eu e, creio, a maioria das pessoas vão a Feiras do Livro: as “novidades” encontram-se em qualquer livraria. Tanto barulho causado pela Leya e, afinal, o resultado é ir à Feira do Livro e não encontrar a Caminho e nem a D. Quixote. Se era esse o objectivo da Leya (desconfio que sim), poderiam ter dito logo, e escusavam de ter vindo com os estafados argumentos do “direito à diferença” e da “liberdade” contra o “igualitarismo” do modelo tradicional. Os “liberais” da Leya, sob o argumento hipócrita da “liberdade individual” de cada editora ter o espaço que quiser, não estão nada interessados na Feira do Livro. Tal como outros liberais falam muito mas não estão nada interessados na escola pública e nem no sistema nacional de saúde.

O José Saramago, que nos outros anos era presença obrigatória na Feira do Livro de Lisboa a dar autógrafos, este ano (segundo li) não vai lá nem um dia.

Para ler mais: Francisco José Viegas (subscrevo inteiramente este texto) e José Mário Silva.

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As cidades

18 de Dezembro de 2006 por Rui Tavares

[do Público de 16 dezembro 2006]

Se à escala macro as cidades são os nós que atam as redes globais, à escala micro é nelas que se dá a experiência quotidiana dos fracassos das políticas públicas.

Na Grécia antiga, os cidadãos que governavam o dia-a-dia das cidades democráticas como Atenas, onde tinham o nome de buleutas, eram escolhidos por sorteio. Não é um método que eu defenda. Mas é um método que dá que pensar: imaginem que alguém abria ao acaso uma lista telefónica da capital e punha o dedo em cima do nome da senhora Maria da Conceição Silva, de São Domingos de Benfica, ou do senhor Manuel Ferreira, de Marvila. Alguém acredita francamente que seriam piores presidentes da Câmara Municipal de Lisboa do que Carmona Rodrigues?

Muitos lisboetas devem ter sentido o mesmo, esta semana, durante a emissão daquela maratona televisiva que dá pelo nome de Prós-e-Contras. Só ali, na mesa em frente, estavam quatro vereadores da oposição — por ordem crescente de votação, Maria José Nogueira Pinto, José Sá Fernandes, Ruben de Carvalho e Manuel Maria Carrilho — e pelo menos três desses quatro parecem passar como mais sérios e consequentes do que o Presidente da Câmara. Pior ainda para Carmona Rodrigues, os “seus” vereadores na Câmara também não estão longe de andar convencidos que são melhores do que o chefe, e pareciam olhá-lo com cara de quem o considera um mero pretexto para que cada um deles se mantenha no seu respectivo pelouro. A presidente da Assembleia Municipal, Paula Teixeira da Cruz, também já fez questão de demonstrar que tem vida própria. Nada disto pode ser bom para a “liderança” de Carmona Rodrigues, caso não fosse este um termo demasiado caridoso: desconfio que parte da sua equipa não desdenharia fazer o mesmo que fez Maria José Nogueira Pinto, e fugir ao primeiro pretexto desta presidência em torpor radioactivo.

Carmona Rodrigues sabe que deve a sua eleição a ter-se mantido inodoro, insípido e incolor perante dois termos de comparação que eram as personagens mais escarnecidas do Portugal do momento: Pedro Santana Lopes (de quem ele foi braço-direito) e Manuel Maria Carrilho. No início era importante não ser o primeiro, com cujos desastres colaborou, e no fim teve a sorte de não ser o segundo, queimado numa campanha suicida. Com essas comparações, Carmona Rodrigues consegue parecer menos um produto da imagem do que efectivamente ele é. Carmona Rodrigues tem imagem de engenheiro tecnocrata mas não consegue acabar um túnel. Tem imagem discreta mas não há condomínio que ele não aprove. Tem imagem de “independente” mas veta o nome de um administrador em obediências ao líder de um partido. Tem imagem de não ser “político profissional” mas quando acossado recorre a todas as manhas da cartilha politiqueira (incluindo trazer uma claque organizada para o aplaudir). E finalmente, tem uma imagem de eficiência absoluta conquistada a fazer rigorosamente nada.

A gravidade de tudo isto em Lisboa seria menor no tempo em que o estado-nação era a unidade quase exclusiva da política, cuja acção determinava por arrasto a evolução das capitais. Então o presidente de uma cidade não precisaria de ser mais do que um regedor, e talvez Carmona Rodrigues chegasse para isso. Hoje, com as fronteiras nacionais diluídas (por causa da “globalização”, da concorrência intra-europeia e até da emergência de certas regiões), as escalas misturaram-se e o papel das cidades sofreu uma mutação notável. Há poucos anos, Londres não tinha sequer um mayor; hoje em dia não será propriamente uma cidade-estado como a Atenas do tempo dos buleutas mas aparece aos olhos contemporâneos como uma realidade autónoma, uma cidade-mundo que possui uma identidade particular ao mesmo tempo que é um motor do seu próprio país. Isto — que não começou ontem — não vale só para uma cosmopolis como Londres.

Se à escala macro as cidades são os nós que atam as redes globais, à escala micro é nelas que se dá a experiência quotidiana dos fracassos das políticas públicas. O deficiente que não consegue contornar o carro estacionado no passeio, a mãe que não passa com o carrinho de bébé, o filho de imigrantes que não sai do subúrbio, o idoso que está preso no centro — é aqui que se jogam os conflitos futuros. É nas cidades que se sente a primeira exclusão e injustiça (ou é nelas que, se as políticas forem boas, nos é dada a primeira oportunidade — que se entra na primeira biblioteca pública — que se participa num torneio desportivo).

Nada disto deixa de ser banal; inquietante é que Carmona Rodrigues não tenha sabido cumprir com nenhuma das estratégias possíveis e evidentes. Não tem servido para competir globalmente (tirando a ideia vaga — e lenta, lenta, lenta — de imitar Bilbao, sem pensar que Bilbao não chegou lá pela imitação). Mas o pior é que não tem sequer servido para tapar buracos no passeio.

(Olhando em torno, o panorama não é melhor. No Porto governa um populista que elegeu como principais adversários, não os especuladores, não a precariedade, mas os artistas. Braga parece ter passado directamente do feudo do Arcebispo para o feudo de Mesquita Machado. Coimbra curte ainda e sempre a sua crise de personalidade.)

Se passarmos cinco anos — os mesmos cinco anos que Carmona Rodrigues já leva de responsabilidade política na capital — sem visitar uma qualquer cidade europeia, as mudanças saltam imediatamente à vista. Em Lisboa é preciso puxar muito pela cabeça para lembrar algo que Carmona tenha feito (começado e acabado) ou que vá melhorar a cidade para o futuro. E não faltam coisas para fazer: de ano para ano Lisboa é cada vez mais dura para os seus habitantes, mais infestada de automóveis, entupida até à asfixia, com quartéis vazios a ocuparem espaços nobres na zona antiga (à espera do imobiliário?) e uma rede de transportes sem soluções. O potencial de Lisboa é grande e reconhecido, mas a cidade está hoje mais longe de o cumprir do que de tornar-se insustentável. Carmona Rodrigues não tem unhas para esta guitarra.

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Um caso de polícia?

24 de Novembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

Carmona Rodrigues apareceu ao eleitorado como um anti-político: um homem independente e simpático que prometia ser o contrário de Santana Lopes. O antigo primeiro-ministro era superficial, arrogante, vistoso, Carmona afirmava-se estudioso, dialogante e discreto. Com a ajuda da péssima campanha do Partido Socialista e do seu candidato Manuel Maria Carrilho o actual presidente da câmara foi eleito.
Passado pouco tempo, a magia da propaganda desfez-se em fumos de corrupção. Na autarquia Lisboeta os escândalos sucedem-se: empreendimentos construídos sem licença de obras e com a conivência da autarquia, administrações de empresas municipais como a EPUL que criam prémios milionários para si próprios, dinheiros mal explicados dados a clubes de futebol e agora a cereja em cima do bolo: a câmara autoriza o loteamento de um terreno em Marvila, contra pedido expresso do governo, onde com muita probabilidade vai passar o TGV, permitindo a uma empresa privada vir a obter à conta do Estado uma choruda indemnização de cerca de 60 milhões de euros.
O mandato de Carmona Rodrigues arrisca-se a ser conhecido como a altura que Lisboa foi entregue por meia dúzia de patacos a grandes empresas do imobiliário. Ninguém compreende a necessidade de apoiar tal fúria construtora, existem na cidade dezenas de milhar de casas à venda e igual número de casas devolutas, não há visivelmente necessidade de tal política. Começa a ser claro que esta é não só uma gestão politicamente criminosa, como uma gestão muito turva nos seus motivos. No próprio PSD há quem, como a Presidente da Assembleia Municipal, Paula Teixeira da Cruz, comece a não querer alinhar em tal descalabro.
É preciso que esta câmara se demita antes que estrague irremediavelmente a cidade.

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