Resistência Islâmica – rescaldo de um debate
1 de Março de 2010 por Renato Teixeira
Ao longo da última semana lancei um conjunto de posts que pretendiam levantar a questão da resistência islâmica. O facto de serem posts com poucas coisas escritas, entre o provocatório e o iconográfico, permitiu que o debate entre os comentaristas ganhasse relevância. Era a intenção e viu as suas melhores expectativas ultrapassadas. Num único tema e ao longo de sete entradas foram feitos mais de trezentos comentários o que dá expressão e actualidade ao tema. Infelizmente a quantidade dos comentários não é sinónimo de grande eloquência. Mesmo em comentaristas que costumamos ver menos presos a dogmas e preconceitos ouvimos dizer expressões como capitulação ao islamo-fascismo, paralelos entre a resistência islâmica e a Al-Qaeda e mistificações de todas as espécies e feitios relativamente aos povos muçulmanos. Boa parte desses comentários parecem tirados do tempo da guerra entre os povos ibéricos e os povos magrebinos, da albarda de um qualquer cruzado devoto.
Passemos então à desmistificação:
tags: Guerra-ao-terrorismo, iran, irão, israel, liberdade, obama
Uma achega aos posts do Renato Teixeira: mirar e pensar, sff
24 de Fevereiro de 2010 por Carlos Vidal
JENIN, 2002: uma cidade “limpa”: nada de muito especial.
Eu acho que toda a gente sabe de fonte segura que os antecessores e seguidores “ideológicos” de Ariel Sharon pretendiam expulsar, “conduzir”, toda a população palestiniana para a outra margem do rio Jordão. Toda quer dizer toda. Se calhar, não é bem genocídio, é outra coisa. É um convite, muitos e vários convites.
Sugestões. Matar sem matar. Está bem.
tags: israel
Erdogan contra Shimon Peres em Davos – Bravo Erdogan! Chama-se a isto coragem e ética!
30 de Janeiro de 2009 por Carlos Vidaltags: israel
Israel usou urânio nos bombardeamentos de Gaza
20 de Janeiro de 2009 por Carlos VidalEfeitos do urânio (Urânio-238) empobrecido utilizado:
“É comprovado a partir de diversos estudos laboratoriais que o Urânio-238 é tóxico para mamíferos, ataca o sistema reprodutivo e o desenvolvimeto do feto causando fertilidade reduzida, abortos e deformações no naciturno. Testes citológicos mostram que à exposição crônica ele é leucogênico, mutagênico e também neurotóxico“ (Wikipedia).
O que, a confirmar-se, significa que os bombardeamentos terão consequências nos filhos dos filhos dos habitantes de Gaza. E um “cessar-fogo” não tem aqui grande significado.
tags: israel
A animalidade de Israel poderá produzir poetas? (Presença de Mahmoud Darwish)
16 de Janeiro de 2009 por Carlos VidalSe Israel fosse a Grécia e a Palestina ocupada fosse Tróia, o que Mahmoud Darwish procura, procurou, é o poeta de Tróia que relatasse a derrota, o poema da derrota, a voz da derrota, não Homero, não Eurípedes. Onde está o poeta troiano da guerra e do colapso da cidade de Cassandra? Será Mahmoud Darwish?
Bom, ouçamos esta pungente participação de Darwish no “Notre Musique” (2004) de Godard, genial Godard. Forever Godard. Será que a nação com poetas, grandes poetas, eliminará, terá o direito de eliminar a nação sem poetas? Há poetas judeus, claro. E israelitas? O país de Olmert, Barak, Sharon, Livni, Peres terá poetas? Ou melhor, o lugar concebido por Gurion, Begin, Shamir, Olmert, Barak …. poderá ter poetas? Há poesia nas mentes de Livni, Olmert e Barak?
Não sei, eu não sei nada. Passemos já para Godard. Ele também não sabe, por isso dá a voz a Darwish. Mas dá-lhe a voz de forma sublime. E Darwish é sublime na sublimidade do espaço godardiano.
ADENDA: Peço muita desculpa por ter alterado o título do post – passou de “ferocidade” para “animalidade”. Peço desculpa, porque deveria ser obviamente “animalidade” desde sempre. Até porque há pouco um deputado dessa coisa chamada Israel sugeriu o emprego da bomba atómica em Gaza. Ferocidade? Animalidade? Nem isso, claro. Talvez outra coisa.
tags: israel
Um dos lugares mais sórdidos do mundo: recordar a prisão israelita de Khiam (porque é preciso não a esquecer)
14 de Janeiro de 2009 por Carlos Vidal
Deveria falar, por exemplo, de Abu Ghraib?
Não leitor, apesar do que foi esse nome e lugar trágico não creio que se possa comparar com o que sabemos de Khiam, no sul do Líbano.
Poderia falar de Guantánamo? Não leitor, quanto a prisões sórdidas e abjectas creio que pouco ou nada se pode comparar ao campo de detenção e tortura israelita de Khiam. Evoco aqui Khiam, por várias ordens de razões – porque os crimes de guerra cometidos ao longo de décadas por Israel não devem ser esquecidos. O Médio-Oriente terá de negociar um futuro, qualquer que ele seja, sem esquecer o passado.
Evoco Khiam porque creio que, neste momento Israel, e creio-o convictamente, não pretende derrotar o Hamas, mas humilhar a comunidade palestiniana de Gaza por inteiro. Ora tal humilhação, deverá ser seguida, é norma nestes casos, por uma forma qualquer de ocupação e “monitorização”, e isso só se possibilita com uma guerra de propaganda e violência que levará tarde ou cedo à criação de outros lugares como Khiam, a Khiam do sul do Líbano – aparecerão outras “khiams” para combater quem não se deixa tomar ou quem se alia a quem não se deixa nunca tomar (e “tomar” é mais certeiro que “ocupar”, pois Israel não pretende ocupar, mas “tomar” uma comunidade cancelando a sua existência o mais possível). É neste sentido que evoco Khiam, o campo israelita de detenção, terror e tortura no sul do Líbano, instrumento que foi de uma outra invasão e ocupação. Pois só se pode ocupar, ou “tomar”, com muitos “khiams”, e outros ainda nascerão por certo. Seguidamente, em Gaza.
Edward Said visitou com a família (filho e filha e respectivos noiva e companheiro) o sul do Líbano já liberto de Israel em 2000. Descreve deste modo a visita a Khiam: “Em primeiro lugar visitámos a [entretanto abandonada] prisão de Khiam, o que nos causou uma terrível impressão. Vi muita coisa desoladora ao longo da minha vida, mas este lugar foi provavelmente o pior que visitei. As celas de confinamento solitário, as câmaras de tortura. Os instrumentos de tortura ainda estavam nos seus lugares, todos os instrumentos eléctricos que eles usavam. O lugar exalava abusos de toda a ordem e um intenso cheiro de excrementos humanos. Poucas palavras expressavam o terror desta visita, tanto assim que a minha filha se prostrou num pranto soluçante” (1). Vamos ler e ver o “resto”.
tags: israel
Um macabro passatempo em Israel: massacrar o próximo e observar a carnificina
12 de Janeiro de 2009 por Carlos Vidal
tags: israel
Quero felicitar uma vez mais Hugo Chavez, claro!
9 de Janeiro de 2009 por Carlos VidalAgenda
4 de Janeiro de 2009 por Tiago Mota SaraivaFim do ataque israelita e do bloqueio a Gaza!
Lisboa
05.01.2009 (amanhã) Largo de S. Domingos às 18.00h
08.01.2009 Embaixada de Israel às 18.00h
Porto
08.01.2009 “Noite de inquietação”, Púcaros-Bar, Arcos da Ribeira às 22 horas
[Fonte Mudar de Vida]
[Apelo do Movimento Português pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente no Papéis de Alexandria]
As tropas israelitas já entraram em Gaza
3 de Janeiro de 2009 por Tiago Mota SaraivaUma palavrinha curta sobre a arte contemporânea israelita
1 de Janeiro de 2009 por Carlos Vidal
Digo uma “palavrinha curta”, poque vou falar de um só autor, e, apesar disso, muito sinteticamente. Yael Bartana é uma das artistas mais interessantes de Israel, nascida em Afula em 1970, vive entre Tel Aviv e Amesterdão. Entre vídeos, filmes e instalações faz parte de uma primeiríssima linha da arte contemporânea e israelita em particular.
Na última “DOCUMENTA” de Kassel (Junho-Setembro de 2007), Bartana apresentava “Summer camp”, um vídeo de 2006. Nessa altura, Bartana acompanhou os trabalhos do ICAHD (Israeli Committee Against House Demolitions), onde palestinianos e israelitas, juntos, reconstruíam uma casa palestiniana demolida pela autoridade municipal de Jerusalém em 2005. A casa reconstruída iria ser, obviamente e de novo, demolida. Mas o trabalho artístico de Bartana aqui era interessantíssimo. Tratava-se de usar a velha ideia da propaganda sionista em torno da “construção do país” para criticar essa mesma propaganda. Porque o que Bartana filmou iria de novo ser destruído.
No filme de que aqui apresento um excerto, e com sorte apanhei no Youtube não sei como, “Mary Koszmary”, Bartana dirige um actor pedindo aos 3 000 000 de judeus que a Polónia perdeu que voltem a casa, à Polónia. Isto é, o que Bartana nos diz é que uma Polónia pura ou sem estrangeiros (em geral) para nada serve, como um Israel puro para nada serve. Três milhões de judeus fazem falta à Polónia, porque foram e seriam polacos. Não é o território ou as suas míticas implicações bíblicas que faz de nós o que somos. O que faz de nós o que somos é aquilo que construímos e onde construímos. Lição de Yael Bartana.
tags: israel
Shamir, herói de Israel e colaborador da Alemanha nazi: uma investigação em aberto (e conhecida)
30 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidal
(b. Ruzinoy, Poland, 1915) Israeli; Foreign Minister 1980 – 3, 1984 – 6, Prime Minister 1983 – 4, 1986 – 92 Yitzhak Yezernitsky became a revisionist Zionist and emigrated to Palestine in 1935. There he resumed his interrupted legal studies and joined the Irgun terrorist group in 1937. With its most militant members, he broke away in 1940 to form the extremist terrorist group LEHY (Lohamei Herut Yisrael), under the leadership of Abraham Stern. He was party to its notorious attempts at alliance with Fascist Italy, Nazi Germany, and the USSR and, after Stern’s death in 1942, he led the fascistoid Stern Gang in its campaign of indiscriminate terrorism. Shamir continued his lethal career as head of Mossad’s assassination unit between 1956 and 1964.
(A ligação Shamir-nazismo é tão conhecida que até a banal Wikipedia regista: In secret contacts with German representatives at Beirut the group – LEHY - offered to open up a military front against the British in the Middle East in return for the expulsion (rather than extermination) of the Jewish population of Europe to Palestine.
In 1941 Shamir was imprisoned by British authorities. After Stern was killed by the British in 1942, Shamir escaped from the detention camp and became one of the three leaders of the group in 1943, reforming it as “Lehi”. In October 1944 he was exiled and interned in Africa by the Mandate authorities. He made an attempt to escape from one of the camps by hiding in a water tank.He was returned, along with the other detainees, after the Israeli Declaration of Independence in 1948.
As one of Lehi’s triumvirate, he authorized the assassination of the United Nations representative in the Middle East, Count Folke Bernadotte [...].)
Trata-se de um excerto da biografia do herói até 1964. Sem qualquer dúvida que a investigação se pode desenvolver. Isto também responde a quem insiste nas ligações do mufti de Jerusalém à Alemanha no mesmo período de Shamir. Mas, quanto a Shamir, até onde este homem estaria disposto a ir ?? (Gostaria de informações mais concretas, por exemplo, a enviar para a caixa de comentários). (NOTA: este post teve última versão às 20:05)
tags: israel
Israel: a lista da matança – para estudar e indexar
30 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidal|
The King David Massacre |
Sabra And Shatila Massacre |
Atenção que todos estes eventos estão linkados (NOTA: terá de clickar apenas aqui e não no nome do evento) e contêm informação detalhada. Que o Range-o-Dente contraponha. Que o Fiel Inimigo contraponha com o seu “campo de tiro”. Força, bravos.
tags: israel
Gaza, Jenin, Sabra, Chatila, os massacres de Israel, ainda e sempre (e mais um case study)
30 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidal
Esta foto é de Gaza. Há milhões de outras iguais de outros lugares da Palestina mostrando a obra de Israel nestes últimos 60 anos.
Tenho escrito sobre Israel tomando como referência Edward W. Said e Daniel Barenboim, um palestiniano e um judeu que acreditam que a música é política. Tenho recebido comentários absolutamente desprezíveis a este propósito, uns chamando animais (!?) a Said e a Berenboim, mas mais a Said (talvez por ter sido um árabe de Nova Iorque, não sei), outros comparando Allende (?????) a Hitler e ambos ao Hamas (porque todos foram “ditadores eleitos”), e todos eles à sociedade palestiniana (que é sub-humana e inferior, para essa gente, porque votou Hamas em Gaza).
De todos os comentários e palavreado um blogue chamado “Fiel Inimigo”, pela sua obsessão fascizante, me despertou a atenção (arruma o 5dias, o arrastão e o sem muros numa secção chamada “campo de tiro” !!). Os comentários que recebo são assinados por um tal “Range-o-Dente”. São tão desprezíveis que assumindo e clamando em voz alta o meu gesto como gesto de liberdade e intervenção, não os apago, mostro-lhos e literalmente os despejo na própria caixa de comentários do tal “Range-o-Dente”. Sugiro-lhe depois que faça sangue com eles, muito sangue.
tags: israel
EDWARD W. SAID (III) e DANIEL BARENBOIM (I): Almas gémeas, amigos gémeos, uma obra comum que se prolongará
29 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidal
A Orquestra Sinfónica West-Eastern Divan, criada em 1999, é constituída por músicos egípcios, israelitas, jordanos, palestinianos, foi o último sonho de EDWARD SAID, o último dos humanistas como eu gosto de o chamar, foi e é concretizada diariamente pela alma gémea de Said, o judeu DANIEL BARENBOIM, um dos grandes maestros do século XX (que dispensa apresentações, obviamente), Barenboim que também foi alma gémea da ideia e do projecto, hoje gerido pela Barenboim-Said Foundation.
De Barenboim, pouco mais há a dizer para além do que eu disse, mas um episódio recente merece referência. Em Israel, há pouco tempo, atreveu-se a interpretar Wagner, um excerto orquestral do “Tristão” se não me engano. Explicou porque o fazia e, na sua terra, viu metade da sala sair. A música impôs-se e Barenboim, conhecido wagneriano, continuou e permitiu que saísse quem quisesse.
Este vídeo é de Londres, dos Proms, e nele a Orquestra Divan interpreta a abertura dos “Mestres Cantores” (um excerto). Barenboim dirige-se à assistência londrina: “não estou aqui para apontar o que está mal no Médio-Oriente, estou aqui para dizer o que está bem” e aponta para a “sua” orquestra. Bem haja Barenboim, bem haja Wagner.
tags: israel
EDWARD W. SAID (II): Uma lição obrigatória de apenas 10 minutos
29 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidaltags: israel
Sobre a culpa
29 de Dezembro de 2008 por Tiago Mota SaraivaApós uma leitura rápida da blogosfera nacional, constata-se um conjunto de textos que nos alertam para “leituras simplistas” ou “fáceis” da guerra em Gaza. Os argumentos centram-se, fundamentalmente, na atribuição da culpa. Sou sensível a este argumento, até porque a minha leitura e estudo da situação, se tem suportado a partir da análise de israelitas e judeus. Lembro-me de sentir o ambiente de terror, conversando com um arquitecto israelita, que me dizia nunca deixar os seus três filhos irem para a escola no mesmo autocarro. Por maior desespero em que se tenha vivido, não consigo compreender aquele que se faz explodir junto do maior número possível de pessoas.
Também sei que a guerra actual se faz sempre na cidade, matando sobretudo quem dela procura fugir. Todos sabemos que nos ataques de homens/mulheres-bomba raramente morrem as altas patentes do Estado ou do Exército israelita e que as operações israelitas vêm em qualquer palestiniano um alvo a abater. É a guerra a esta guerra que, sem prudências e sem disfarces, se deve declarar. É meio século de carnificina que atinge os povos.
Mas há uma coisa que sinto intelectualmente inegociável.
A violência, os meios e as proporções com que Israel investe, numa atitude periódica, destruindo qualquer forma de ocupação e vida palestiniana é uma forma de genocídio. E, num processo de genocídio, os culpados existem!
EDWARD W. SAID: A única e última voz avisada, o último judeu-palestiniano
29 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidal
Muito bem, vou seguir uma vez mais o conselho do leitor GL, propor que se abandone toda e qualquer demagogia sobre algo tão trágico como o conflito Israel-Palestina, tragédia que necessitaria da dimensão de um Bach para ser descrita, como diz Edward Said numa célebre entrevista a Ari Shavit, publicada a 18 de Agosto de 2000 no Ha’aretz de Tel Aviv. O problema é que em vez de Bach temos hoje Ehud Olmert, Abbas, Hamas.
Sem demagogia, portanto:
1) Reafirmo o que antes postei: o texto de J P Castro é uma ignomínia de extrema-direita (nem sei se islamofóbica se anti-semita, se “pós-humano”, tão desconcertante a coisa se apresenta)
Retomando a entrevista de Said ao jornal judaico, dela retiro dois ou três pontos:
2) Israel tem de reconhecer a tragédia infligida aos palestinianos ao longo da sua história de 60 anos APENAS.
3) A questão da posse da terra é a grande razão de todas as destruições, ou melhor, a ideia de que há uma ligação de tipo sanguínea entre identidade e território (como se todos não soubéssemos que a identidade judaica sobreviveu milhares de anos SEM TERRITÓRIO).
4) Por fim, temos a exposição por Said da solução “dois povos, um só estado” com direitos iguais para todos (o que chamamos “cidadania”), abandonando-se, quer para um lado quer para o outro, o estado confessional.
Passemos a Said:
tags: israel



