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Resistência Islâmica – rescaldo de um debate

1 de Março de 2010 por Renato Teixeira

Ao longo da última semana lancei um conjunto de posts que pretendiam levantar a questão da resistência islâmica. O facto de serem posts com poucas coisas escritas, entre o provocatório e o iconográfico, permitiu que o debate entre os comentaristas ganhasse relevância. Era a intenção e viu as suas melhores expectativas ultrapassadas. Num único tema e ao longo de sete entradas foram feitos mais de trezentos comentários o que dá expressão e actualidade ao tema. Infelizmente a quantidade dos comentários não é sinónimo de grande eloquência. Mesmo em comentaristas que costumamos ver menos presos a dogmas e preconceitos ouvimos dizer expressões como capitulação ao islamo-fascismo, paralelos entre a resistência islâmica e a Al-Qaeda e mistificações de todas as espécies e feitios relativamente aos povos muçulmanos. Boa parte desses comentários parecem tirados do tempo da guerra entre os povos ibéricos e os povos magrebinos, da albarda de um qualquer cruzado devoto.

Passemos então à desmistificação:

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a democracia está a passar por aqui!

5 de Julho de 2009 por zenuno

Iran Tehran 03 July 09 Allah o Akbar & Down with DICTATOR night chants

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Informação sobre o Irão (actualizado)

5 de Julho de 2009 por Tiago Mota Saraiva

A nossa ex-comentadora militante, De Puta Madre, está a fazer um excelente trabalho sobre o Irão.
Sigam-na no twitter ou no Aventar.

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O Irão para lá das notícias

3 de Julho de 2009 por zenuno

Iran: Underneath the Headlines

Reportagem da correspondente vanguard da Current TV: Mariana Van Zeller.

Uma hora de estórias, que não conseguem ser vistas em mais lado nenhum, e que versam sobre as vidas, as esperanças e os sonhos e medos de jovens que arriscam a vida para se fazerem ouvir.
Este programa especial inclui um olhar exclusivo sobre ser jovem no Irão, quer quando vão a festas alternativas/underground de dança, quer como polícia cultural/de costumes do Irão (Basij – Iran’s culture cops).

(a introdução é da Current TV e foi traduzida por mim. há também um trailer.)

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Irão em 2008 pela Current TV

30 de Junho de 2009 por zenuno

Vanguard: America’s Secret War With Iran (Video)

um vídeo da jornalista Mariana Van Zeller (Current.com publicado em Outubro de 2008)

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avante!? só se for para trás… :(

29 de Junho de 2009 por zenuno

[ artigo original do jornal www.avante.pt ]

Irão acusa imperialistas de ingerência

O Conselho dos Guardiões rejeitou anular as presidenciais iranianas das quais resultou a reeleição do actual presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, com quase dois terços dos votos, contra pouco mais de um terço do seu principal opositor, Mir-Hossein Mousavi.
De acordo com informações fornecidas pela máxima autoridade constitucional iraniana, as irregularidades registadas no sufrágio do passado dia 12 não são suficientes para anular a consulta em que participaram mais de 40 milhões de pessoas. Apesar de em 50 dos mais de 360 distritos eleitorais iranianos terem sido registados mais votos que votantes, num total de aproximadamente três milhões, o Conselho sublinha que o resultado não se altera a favor de Mousavi, uma vez que este foi derrotado nas urnas por mais de 11 milhões de votos de diferença, explica. Acresce que a maioria das queixas da oposição refere-se a alegadas irregularidades anteriores à realização da consulta, diz ainda o Conselho.
Simultaneamente, continuam nas ruas do Irão os confrontos envolvendo as autoridades, partidários de Mousavi e apoiantes de Ahmadinejad. Apenas estes últimos acatam a proibição dos protestos decretada pelo governo para evitar tumultos. Segundo dados oficiais divulgados pela imprensa iraniana, citados pela Prensa Latina, em mais de uma semana de crise política morreram 19 pessoas, mil foram feridas, entre as quais 400 polícias, e 457 foram presas.
O governo iraniano diz que os detidos são agitadores ao serviço de potências estrangeiras e, face à colossal mobilização de meios contra o regime (milhões de dólares investidos pela CIA, manipulação de informação, instrumentalização de plataformas de comunicação para difundir uma situação de aparente caos e mobilizar sectores da população com base em boatos), acusa o imperialismo de ingerência nos assuntos internos do país.
EUA, Alemanha, França e Grã-Bretanha estão apostados numa campanha para derrubar o governo do Irão, que depois de convocar vários embaixadores estrangeiros acreditados em Teerão para os esclarecer sobre a situação, equaciona rever as relações com as três potências europeias.

sem mais comentários meus.

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isto não é o Irão

29 de Junho de 2009 por zenuno

This is not Iran – trailer 1 por James Peret

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we are one

29 de Junho de 2009 por zenuno

On June 24, Iranian Superstar Andy Madadian went into an LA recording studio with Jon Bon Jovi, Richie Sambora and American record producers Don Was and John Shanks to record a musical message of worldwide solidarity with the people of Iran.

This version of the old Ben E. King classic is not for sale – it was not meant to be on the Billboard charts or even manufactured as a CD…..it’s intended to be downloaded and shared by the Iranian people…to give voice to the sentiment that all people of the world stand together….the handwritten Farsi sign in the video translates to “we are one”.

If you know someone in Iran – or someone who knows someone in Iran – please share this link: http://www.MyDamnChannel.com/DonWas.

se quiserem ver a introdução vejam esta outra versão:
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Iranianos unidos

28 de Junho de 2009 por zenuno

FIGHT FOR DEMOCRACY IN IRAN – IRANIANS UNITE!

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Freedom Freedom Free’ dom

26 de Junho de 2009 por zenuno

Mir Hossein Mousavi’s official message to Iranians abroad

In the Name of the God, The Compassionate, The Merciful

Dear compatriots,
Honorable Iranians living abroad,

Your widespread and energetic presence in this year’s 22 Khordad elections is indicative of your ties to our beloved Iran, and your admirable worries about the future of your country, and as I mentioned to you in my election message, Iran belongs to all Iranians and all layers of the populous are responsible for its future, and enjoy the same rights in it.

I feel obliged to thank you for your epic presence in determining the future of your country. Your widespread welcoming of these elections and your green and energetic presence at the ballot boxes was so large that it even forced the government and the organizers of the elections to admit to a 300% increase in the participation of Iranians in the tenth presidential elections outside of the country.

Your trust in this insignificant civil servant and your decisive vote for me in most of the voting stations outside of the country has placed a heavy burden on my shoulders. I would like to give you my assurance that I remain true to my existing pact with you and all layers of the great people of Iran, and using all legal avenues will demand your deserved rights that have been violated at the ballot boxes.

Unfortunately, as you witness in the international media, contrary to the letter of the constitution, and the stated freedoms in the Islamic Republic, all my communication with the people and you has been cut off, and people’s peaceful objections are being crushed. The national media which is being financed with public funds, with a revolting misrepresentation is changing the truth, and labels the peaceful march of close to three million people as anarchist, and the media that are being controlled by the government have become the mouthpiece of those who have stolen the people’s votes.

I’d like to thank you again for your peaceful objections which have received widespread coverage across the world, and would like to ask you that by using all legal channels, and by remaining faithful to the sacred system of the Islamic Republic, to make sure that your objections are heard by the authorities in the country. I am fully aware that your justified demands have nothing to do with groups who do not believe in the sacred Islamic Republic of Iran’s system. It is up to you to distance yourself from them, and do not allow them to misuse the current situation.

Mir Hossein Mousavi
1388/4/3

Azadi Azadi A zaa di (Freedom Freedom Free’ dom)

youtube.com/ny2germany

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Lee Sustar: Irão em Ebulição

20 de Junho de 2009 por Nuno Ramos de Almeida

Lee Sustar, do Socialist Worker, analisa a dinâmica dos protestos populares e da repressão no Irão, na sequência das eleições presidenciais fraudulentas.
No Esquerda, com tradução de José Pedro Fernandes

O Irão atravessa um terreno político desconhecido após os protestos populares contra o que quase certamente foi uma vitória eleitoral fraudulenta do candidato Mahmoud Ahmadinejad. As há muito latentes divisões nas classes dirigentes do Irão tornaram-se feridas abertas, em resultado do apoio popular ao candidato presidencial reformista Mir Hussein Moussavi.

Uma selvática intervenção policial contra manifestações na capital, Teerão, foi acompanhada pela prisão de mais de 130 proeminentes apoiantes de Moussavi, incluindo Mohammad Reza Khatami, irmão do anterior presidente Mahmoud Khatami, antes porta voz do parlamento, e o genro do aiatola Ruhollah Khomeini, líder da revolução islâmica de 1979.

Outras figuras apanhadas pela polícia incluem Mostafa Tajzadeh, ministro do interior do governo de Khatami; Behzad Nabavi, um antigo ministro da indústria; e Mohsen Mirdamadi, organizador da ocupação de 1979 da embaixada dos EUA. Ler o resto »

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comparações idiotas

20 de Junho de 2009 por zenuno
The Daily Show With Jon Stewart Mon – Thurs 11p / 10c
Irandecision 2009 – The Oppression of House Republicans
www.thedailyshow.com
Daily Show
Full Episodes
Political Humor Jason Jones in Iran

há pessoas que são bons exemplos de como “a ignorância é a mãe de muitas asneiras”… :)

bom fim de semana!

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Robert Fisk: Irão, a luta continua!

20 de Junho de 2009 por Nuno Ramos de Almeida

Este artigo foi retirado de um interessante dossier sobre o assunto do Esquerda

Apesar da intimidação, a vontade de derrubar Ahmadinejad continua forte, afirma o jornalista Robert Fisk neste artigo publicado originalmente no The Indepedent de Londres. O “presidente” Ahmadinejad é cada vez mais um homem muito solitário, afirma o famoso jornalista

O “presidente” Mahmoud Ahmadinejad – e as aspas são cada vez mais apropriadas no Irão de hoje – está mesmo em maus lençóis. Há neste momento três inquéritos oficiais sobre a sua suposta vitória eleitoral e a violência que lhe seguiu, enquanto deputados iranianos conservadores se enfrentam usando os punhos numa reunião privada atrás do plenário da assembleia, depois de seguidores de Ahmadinejad terem-se oposto a uma referência oficial à “dignidade” com que o líder da oposição, Mir Hussein Moussavi, respondeu às perguntas dos parlamentares. Os que se mantêm próximos ao homem que ainda credita ser o presidente do Irão dizem que o próprio está muito abalado – mesmo traumatizado – pelas manifestações maciças contra ele em todo o país.

Na quinta-feira 18/6, dezenas de milhares de apoiantes de Moussavi manifestaram-se vestidos de preto pelas ruas do centro de Teerão, numa emotiva demonstração de luto – a segunda em dois dias – pelos mortos do pós-eleição. Numa cidade simbolizada pelo seu trânsito brutal e altíssimos níveis de decibéis, marcharam em silêncio total por quase cinco quilómetros, levando faixas e cartazes lamentando as mortes da Praça Azadi e da Universidade de Teerão e noutras cidades iranianas. E não tinham dúvidas sobre os riscos políticos – e físicos – que estavam a assumir. Ler o resto »

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Beyond the Pale

19 de Dezembro de 2006 por António Figueira

Beyond the pale” é uma expressão curiosa: “para lá da paliçada, não há civilização”. Eu julgava que tinha origem na história da ocupação inglesa da Irlanda, mas afinal parece que não é bem assim. A Conferência que foi organizada em Teerão sobre o sionismo e o holocausto situa-se claramente para lá dos limites da civilização, mas o editorial que o de costume tão razoável Financial Times lhe dedicou, intitulado precisamente “Beyond the Pale”, não é menos inquietante, pela justificação que parece fornecer para um ataque militar ao Irão (leia-se o último parágrafo). Estará tudo doido? Olhando para o lado, para o atoleiro do Iraque, lembro-me de uma velha canção do Maxime Le Forestier: “Dien-Bien-Phu leur a pas suffi / ils viennent s’installer ici”.

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O angelismo americano

16 de Outubro de 2006 por Rui Tavares

Este fim-de-semana passou na Sic-notícias um “60minutes” recente em que é feito um perfil de Condoleezza Rice por Katie Couric, a nova starlet do jornalismo americano. É, como sempre, uma peça competente, abrangente, e que sem ser propriamente esclarecedora, se deixa ver com facilidade (há uma cópia aqui). O ponto de partida da mini-biografia é a experiência de segregação no Sul dos EUA – Condoleezza Rice vivia em Birmingham, Alabama, quando uma bomba colocada por racistas brancos explodiu numa igreja baptista negra e matou quatro meninas da sua idade – e o ponto de chegada a guerra do Iraque.

É aqui que se torna notório um elemento perturbante da cultura e do jornalismo americanos. Katie Couric — para compensar a complacência dos jornalistas antes da guerra — tenta “apertar” com Condoleezza sobre as mentiras da guerra. Dá para ver (pelo menos de um ponto de vista pouco caridoso como o meu) que o faz sem alma, por razões meramente de obrigação. Mas isso não é o pior. O que é estranho para um olhar não-americano é a maneira como Couric já coloca nas suas perguntas o seguinte pressuposto: mesmo que errando, tudo foi feito com a melhor das intenções. Não poderia ser de outra forma; é inconcebível que pudesse ser de outra forma; a questão, aliás, nem se coloca. Nenhuma mentira, nenhuma torção ao direito internacional, nenhum acto de guerra pode ter tido uma má motivação.

Isto é para lá de pró-americanismo. Não se trata do apoio incondicional que (por exemplo) os nossos bushistas dão aos EUA. É uma coisa diferente, puramente interna, de que nos esquecemos com frequência mas que nos surpreende a cada vez que contactamos com a cultura dominante americana: a ideia de que os EUA são um país inteiramente à parte, que as suas motivações não têm nada a ver com as dos outros países, que o seu coração é puro e as suas intenções são, por definição, as melhores. É chocante pensar nisto, mas para muitos americanos os EUA são um país de anjos.

É uma espécie de adolescência eterna, com os resultados que conhecemos. E que me fez lembrar esta citação de William R. Polk, estudioso de relações internacionais, numa conferência recente sobre a questão iraniana. Eis como Polk, ele próprio oriundo de uma família da aristocracia política americana (ele próprio é descendente de um presidente americano do século XIX, James R. Polk), descreve a relação do seu país com a memória e o mundo exterior:

Como povo, somos muito esquecidos. A história deveria ter-nos ensinado que um poder estrangeiro não consegue ganhar uma guerra de guerrilha. Os britânicos aprenderam-no com os nossos antepassados durante a Revolução Americana e e voltaram a aprendê-lo na Irlanda; Napoleão aprendeu-o em Espanha; os alemães aprenderam-no na Jugoslávia; nós devíamos tê-lo aprendido no Vietname; os russos aprenderam-no no Afeganistão e estão a voltar a aprendê-lo na Tchetchénia; nós estamos a aprendê-lo no Iraque.
Como povo, somos orgulhosos. A nossa maneira é a única maneira. Devíamos ter aprendido que os ricos e poderosos não podem sempre levar a melhor contra os pobres e menos poderosos. [...]
Como povo, somos incrivelmente ignorantes sobre o mundo. [...] Há muito tempo, o grande satirista americano Ambrose Bierce notou que a guerra era a forma que Deus arranjara para ensinar Geografia aos americanos. Mas provámos ser maus alunos.

Já para atalhar as críticas do costume, direi o que sempre digo sobre o anti-americanismo: que é uma forma de racismo e que deve ser deplorada como qualquer forma de racismo. Isso, contudo, nada tem a ver com olhar atentamente e sem complacência para uma cultura que tem um papel central no mundo e cuja crença no seu excepcionalismo tem sido o principal motor dos acontecimentos internacionais nos últimos anos. A propósito, deixo-vos o vídeo da conferência de William R. Polk na Foreign Policy Association, de onde estas palavras foram retiradas. É um bom resumo, embora alarmista, sobre as opções na mesa para com o Irão. O video está aí abaixo, o texto completo está aqui.

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