5 de Março de 2009 por Pedro Ferreira
No seguimento do artigo do Ricardo Santos Pinto um comentário possível sobre a situação em França seria: ∅ (que Deus me perdoe a deformação profissional).
A França aboliu a concordata com o Vaticano em 9 de Dezembro de 1905 através da lei de separação da Igreja e do Estado de Aristide Briand. A adopção da lei foi conflitual e contou com uma enorme resistência dos meios católicos e dos monárquicos de diversas tendências. Antes disso, em 1881 e 1882, Jules Ferry tinha aprovado as leis que tornaram o ensino público universal, obrigatório e laico. Ler o resto »
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21 de Fevereiro de 2009 por Pedro Ferreira
Importámos muitas coisas do sistema francês mas no que toca ao ensino uma diferença enorme existe no recrutamento de professores do ensino secundário. Em Portugal o diploma do ensino superior determina a entrada na carreira docente, em França nenhum diploma dá directamente acesso à docência. Usando o meu caso como exemplo, em França mesmo tendo um doutoramento em Matemática não posso ensinar no secundário a não ser que passe um concurso onde estarei em pé de igualdade com outros candidatos.
Neste momento, em França, um movimento de protesto está em curso contra vários aspectos da reforma do ensino superior. Um dos pontos que os representantes dos professores e dos alunos do superior contestam é a “masterização” do acesso à docência no secundário. O que a ministra propõe é a adopção de um modelo próximo da prática portuguesa com o acesso à carreira docente a depender directamente do diploma de Master desvirtuando completamente o sistema de concursos actualmente em vigor. Um dos aspectos que mais choca na reforma é a substituição das provas da matéria que se vai ensinar por provas de didáctica, ou seja para se ensinar matemática deixa de ser preciso saber matemática, só se pede que se saiba didáctica da matemática.
A luta actual dos sindicatos de professores e estudantes em França parece-me totalmente oposta a algumas reivindicações que li na imprensa portuguesa contra a introdução de concursos de recrutamento (até vi argumentar que os concursos desvalorizam as licenciaturas). Ler o resto »
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12 de Fevereiro de 2009 por Pedro Ferreira
Uma reportagem da televisão pública emitida ontem põe em causa a gestão dos resíduos das minas de Urânio. A França é o país que mais depende da energia nuclear e durante anos explorou mais de 200 minas para alimentar a indústria do combustível nuclear. Só recentemente com o aumento da consciência ecológica se começou a dar atenção aos efeitos das radiações de baixa intensidade, há 20 anos atrás a preocupação era sobretudo com os resíduos das centrais. Um relatório recente mostra que durante anos as gangas das minas e os resíduos do processo de enriquecimento foram utilizados como materiais de construção, nomeadamente para construir aterros.
Em Portugal tivemos também a nossa mina de Urânio na Urgeiriça, será que estas questões estão a ser bem tratadas? Ler o resto »
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30 de Janeiro de 2009 por Pedro Ferreira

cartoon de rue89.
Ontem foi dia de greve em França, contrariamente ao que é costume nas grandes greves os transportes públicos estiveram relativamente pouco perturbados. Apesar disso a greve é considerada por todos os analistas como um sucesso, mesmo o Figaro, jornal catalogado como de direita, admite que “os sindicatos mobilizaram“.
No entanto Sarkozy parece não ter entendido a mensagem dos manifestantes, em vez de responder às questões que preocupam o mundo do trabalho e associativo: desinvestimento na educação com a redução dos quadros de professores, fecho de serviços públicos (correios, etc), baixa de salários e poder de compra, o presidente propõe aos sindicatos encontros para discutir da continuação das reformas em curso.
Por aqui o sentimento é que os políticos têm gerido a crise sem se preocupar com as pessoas: fez-se um enorme esforço financeiro (com dinheiro público) para evitar a falência do sistema bancário mas faz-se muito pouco pelas pessoas que vão perdendo os empregos e que vão perder as casas nos próximos meses. Na minha modesta opinião era necessário salvar os bancos para minimizar as consequências da crise de crédito na economia real. Ao método utilizado em França (empréstimos) prefiro o inglês (nacionalização) pois esse dá ao estado o poder directo de influir nas decisões do banco, enquanto Sarkozy pede aos banqueiros que não distribuam bónus este ano, Brown pode impôr uma decisão equivalente. Entretanto todos os dias se anunciam despedimentos em massa (Renault, Peugeot, Alcatel, Arcelor-Mittal, etc.) sendo o assunto tratado com resignação por parte do estado. Tudo isto após se ter vivido nos últimos anos uma política de orçamental de contenção de despesas sobretudo no que diz respeito aos programas sociais (saúde, educação, desemprego, etc), com medidas cada vez mais restritivas.
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26 de Janeiro de 2009 por Pedro Ferreira
O actual governo Francês decidiu uma reforma profunda da educação da pré-primária à universidade. Entre os muitos aspectos polémicos a reforma dos dispositivos de ajuda aos alunos em dificuldade é especialmente grave pois afecta uma população fragilizada. Para poder expor o meu ponto de vista sou obrigado a aderir à mania francesa das siglas e diminuitivos
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Existe actualmente no ensino primário um dispositivo chamado “Réseau d’Aide Spécialisé aux Elèves en Difficulté” (RASED). O funcionamento do dispositivo é assegurado por dois tipos de professores com formações especializadas: “Maîtres E” e “Maître G” assistidos, eventualmente, por psicólogos escolares. Os “Maître E” são professores especializados encarregados de ajuda de dominante educativa, ou seja, têm uma formação especial para tratar de alunos com dificuldades de aprendizagem. Os “Maître G” têm uma especialização em reeducação, ou seja, ajudam alunos com dificuldades de adaptação à escolaridade. Em geral o RASED funciona em coordenação com os professores de cada escola e trabalha com os alunos na classe e fora da classe; a finalidade do dispositivo é a de integrar o aluno numa escolaridade normal. O RASED ajuda alunos com dificuldades pontuais (problemas de disciplina, dificuldades de concentração, dificuldades de organização, etc) durante períodos curtos ou com dificuldades mais estruturais durante períodos longos. Da minha experiência associativa quando os meus filhos estavam no primário guardo uma grande admiração pelos professores do RASED que conheci, fazem um trabalho notável e extremamente difícil pois muitos aspectos, nomeadamente os familiares, são incontroláveis, mesmo assim com muito trabalho com os alunos e diálogo conseguem salvar a escolaridade de um bom número de jovens. Ler o resto »
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15 de Janeiro de 2009 por Pedro Ferreira
Entre as minha atribuições de representante eleito dos pais a que mais me custa é a participação nos conselhos de disciplina. Para quem não conhece o sistema Francês os estabelecimentos do ensino secundário são geridos de forma paritária por três corpos: representantes da administração, representantes do pessoal e representantes das famílias. O órgão principal é o conselho de administração (CA) onde participam os membros por inerência (director, sub-director, conselheiro principal de educação, etc) e membros eleitos representando professores, funcionários não docentes, alunos e pais. O CA elege (a palavra francesa é instala) comissões dedicadas a tarefas específicas. Algumas destas comissões são regulamentadas pela lei (Comissão de Higiene e Segurança, Comissão de concursos, Conselho de Disciplina, etc), outras (Comissão de sensibilização aos problemas de saúde, etc) são da iniciativa do estabelecimento.
Numa escola secundária francesa o director e o Conselheiro Principal de Educação (CPE) encarregam-se dos problemas disciplinares, no entanto, o castigo mais severo que podem aplicar é a suspensão até 1 semana. Para casos graves a lei obriga-os a convocar o conselho de disciplina que funciona como um pequeno tribunal e que tem poder para aplicar castigos que vão da repreensão escrita até à expulsão definitiva da escola. Ler o resto »
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14 de Janeiro de 2009 por Pedro Ferreira
Pretendo com este artigo iniciar uma troca de experiências com o Ricardo Santos Pinto sobre o ensino secundário. A minha ligação com o ensino secundário é completamente distinta da do Ricardo, eu sou pai e milito na maior federação francesa de associações de pais (FCPE), sou há vários anos, representante eleito dos pais no Conselho de Administração e no Conselho de Disciplina de um estabelecimento do ensino secundário em França. Espero que tenhamos oportunidade de confrontar experiências de professor e de pai assim como o sistema de ensino português com o francês.
Ontem fui à escola dos meus filhos para para encontrar os professores, por aqui os estabelecimentos organizam pelo menos duas vezes por ano um fim de tarde dedicado aos encontros entre os pais e os professores. Recebemos um papel no “caderno de correspondência”, (no meu tempo de estudante, em Portugal, não existia nada de comparável a este caderno agora não sei) trata-se de um caderno que serve para toda a comunicação entre os pais e a escola, contem montes de coisas como informações gerais, ausências de professores, notificação de castigos, pedidos de reuniões, o horário, etc. Quando chegamos à escola recebemos um papel com a lista dos professores e a sala em que cada um nos espera, nalguns casos recebemos previamente uma convocação de um professor, nos outros casos vamos ter à sala e esperamos para falar com o professor. Ler o resto »
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