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Avante.pt não usa open source!?!

29 de Junho de 2009 por zenuno

E no rodapé do artigo de que falei ainda há pouco, também fui surpreendido por esta frase: Microsoft OLE DB Provider for ODBC Drivers error ‘80040e21′ ODBC driver does not support the requested properties. /noticia.asp, line 310, que significa que a página do Avante funciona aparentemente sobre um programa da capitalista e proprietária empresa de Bill Gates e não num qualquer programa Open Source.

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avante!? só se for para trás… :(

29 de Junho de 2009 por zenuno

[ artigo original do jornal www.avante.pt ]

Irão acusa imperialistas de ingerência

O Conselho dos Guardiões rejeitou anular as presidenciais iranianas das quais resultou a reeleição do actual presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, com quase dois terços dos votos, contra pouco mais de um terço do seu principal opositor, Mir-Hossein Mousavi.
De acordo com informações fornecidas pela máxima autoridade constitucional iraniana, as irregularidades registadas no sufrágio do passado dia 12 não são suficientes para anular a consulta em que participaram mais de 40 milhões de pessoas. Apesar de em 50 dos mais de 360 distritos eleitorais iranianos terem sido registados mais votos que votantes, num total de aproximadamente três milhões, o Conselho sublinha que o resultado não se altera a favor de Mousavi, uma vez que este foi derrotado nas urnas por mais de 11 milhões de votos de diferença, explica. Acresce que a maioria das queixas da oposição refere-se a alegadas irregularidades anteriores à realização da consulta, diz ainda o Conselho.
Simultaneamente, continuam nas ruas do Irão os confrontos envolvendo as autoridades, partidários de Mousavi e apoiantes de Ahmadinejad. Apenas estes últimos acatam a proibição dos protestos decretada pelo governo para evitar tumultos. Segundo dados oficiais divulgados pela imprensa iraniana, citados pela Prensa Latina, em mais de uma semana de crise política morreram 19 pessoas, mil foram feridas, entre as quais 400 polícias, e 457 foram presas.
O governo iraniano diz que os detidos são agitadores ao serviço de potências estrangeiras e, face à colossal mobilização de meios contra o regime (milhões de dólares investidos pela CIA, manipulação de informação, instrumentalização de plataformas de comunicação para difundir uma situação de aparente caos e mobilizar sectores da população com base em boatos), acusa o imperialismo de ingerência nos assuntos internos do país.
EUA, Alemanha, França e Grã-Bretanha estão apostados numa campanha para derrubar o governo do Irão, que depois de convocar vários embaixadores estrangeiros acreditados em Teerão para os esclarecer sobre a situação, equaciona rever as relações com as três potências europeias.

sem mais comentários meus.

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A minha modesta contribuição para um debate de esquerda

13 de Fevereiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Já teremos perdido a conta dos milhões que o Estado tem oferecido à banca entre garantias, empréstimos e doações. Há uns dias atrás, ouvi dizer que o dinheiro que o Estado já tinha gasto no BPN era equivalente aos anunciados “incentivos” para todas as pequenas e médias empresas. Entretanto seguem-se os anúncios dos lucros na banca (aparentemente menores do que em outros anos, mas igualmente lucros).
Nada de inesperado.
O governo tem levado a banca em braços. Apoiou uma renovação de colarinhos no BCP, chamou a si (a nós) os prejuízos do BPN, deu colinho ao festival de fortunas que é o BPP e continua a dar garantias do tamanho do mundo à banca, sem nada exigir em troca.
Mas repare-se que todas estas medidas são secundadas pelo argumento da sua inevitabilidade. Aparentemente os governos já não governam e tomam decisões políticas. Limitam-se a anunciar inevitabilidades.
Estes anúncios são imediatamente secundados por agências de comunicação com os seus agentes políticos, nas televisões, jornais e blogues, declarando a sua inevitabilidade, aclamando as decisões e ironizando ou insultando quem não está de acordo (Luis, é claro que João Pinto e Castro percebe bem o que está em causa, não é preciso explicares-lhe como se fosse muito burro).
O que está em causa neste momento, é que as pessoas (ainda não as suficientes) se começam a aperceber que pode haver uma alternativa política à inevitabilidade de levar a banca ao colo – inevitabilidade apoiada pelo PS, PSD e PP.
PCP e BE estiveram contra a nacionalização dos prejuízos do BPN por deixar de fora o parente rico do banco, a Sociedade Lusa de Negócios. PCP e BE estão contra os apoios e regalias dadas ao banco dos ricos (BPP). PCP e BE defendem e propõe a nacionalização de parte significativa da banca – não só dos seus prejuízos mas também dos seus lucros.
É verdade que os spin doctors do sistema, rapidamente se posicionam dizendo que estas medidas seriam “impossíveis”, “demagógicas”, “garotas” e até perigosamente “socialistas” ou que são “todos iguais”.
Mas o que mais os irrita é que, de facto, PCP e BE são as únicas duas forças políticas que procuram construir alternativas que divergem das “inevitabilidades” do governo. E o que preocupa os mais sagazes é que a generalidade dos portugueses, que sente na pele as consequências das “inevitabilidades”, se possa revoltar.

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Sobre as convergências de Esquerda

9 de Janeiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

Já escrevi aqui o que penso sobre o assunto. Luís Fazenda fá-lo aqui e Paulo Pedroso parte para o ataque.

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“PCP e BE vão perder pau e bola”

15 de Dezembro de 2008 por Filipe Moura

Muita gente se queixa da marginalização a que o Bloco de Esquerda e, sobretudo, o PCP são votados. De o PS não contar com estes partidos para parceiros de governo. Admitindo tal como verdadeiro, será que a culpa é mesmo do PS? Sobre este assunto, e a propósito do recente Fórum das Esquerdas, aqui fica a maior parte de um artigo certeiro de Raposo Antunes no Público de hoje. Ler o resto »

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Da conflitualidade social

8 de Dezembro de 2008 por Filipe Moura

Vale a pena ler os comentários às postagens do Cinco Dias, e não somente as postagens propriamente ditas. Muitas vezes nos comentários travam-se debates interessantes.
Houve quem achasse um “disparate” eu ter afirmado que “a pluralidade de opiniões é desejável, a conflitualidade social não é”. Eu afirmei: “Conflitualidade social é algo que é legítimo, necessário por vezes, mas não é desejável. Eu pelo menos penso que não. O que não quer dizer que use esse argumento para a combater (isso seria antidemocrático). É justamente em essa conflitualidade não ser desejável que reside a força dos que a promovem.” Ou seja, um governo tem de estar preparado e saber lidar com a conflitualidade, mas essa conflitualidade não deve ser procurada nem deve ser tida como um objectivo, quer pelo governo quer pelos agentes sociais. Não pretendo com isto que os governos não tomem medidas impopulares: a função principal de um governo é cumprir o seu programa. Também não pretendo de forma nenhuma (deixem-me enfatizar este ponto) que os agentes sociais deixem de protestar quando acharem que tal se justifica. Sejam sindicatos, a defenderem os trabalhadores, sejam… patrões (esta última hipótese é académica e infelizmente parece risível, mas no meu governo ideal os patrões teriam muitas razões para protestar). Mas só quando acharem que tal se justifica: a contestação social não deve ser um objectivo a priori, e não pode ser um objectivo a priori de quem queira participar num governo. Uma esquerda que queira estar preparada para governar, que queira fazer parte de um projecto de governação, não pode afirmar que a conflitualidade social é desejável.

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Da vontade da maioria

8 de Dezembro de 2008 por Filipe Moura

Ao contrário do que alguns afirmam, nunca afirmei que um governo (mesmo de maioria) deveria ignorar os protestos de que seja alvo e prosseguir as suas políticas. Escrevi mesmo: “é evidente que os governos devem negociar com os sindicatos tudo o que tenha a ver com legislação laboral. Principalmente um governo que se diz de esquerda deve procurar chegar a acordos com os sindicatos. Mas na impossibilidade de esse acordo ser atingido, o governo tem legitimidade para seguir o seu programa, que será julgado nas eleições livres seguintes.” Tem legitimidade se assim o entender. Escrever que “tem legitimidade” para fazer algo é diferente de dizer que “tem que fazer algo”. Mas a discussão tem a ver mesmo com a questão da legitimidade. A isto acrescentei: “Os sindicatos têm o direito de continuar as suas lutas” (nunca pus isso minimamente em causa!), “mas não podem desobedecer às leis do governo escolhido por todos os cidadãos.
Um exemplo: há três anos, na França, o governo de Dominique de Villepin procurou impor o contrato de primeiro emprego (CPE). Foi alvo de uma grande contestação, que eu apoiei sem hesitações. Mas eu nunca qualificaria o governo de Villepin de “antidemocrático” se este não tivesse decidido recuar. E nem acho que tal qualificação fosse legítima. É aqui que a minha opinião é diferente da do Carlos Vidal, e foi por isso que eu escrevi este texto. Quem acha que a democracia fica “terraplanada” se um governo procura cumprir o programa com que foi eleito, apesar de protestos de sectores da população, facilmente acha comparável o odioso regime de Pinochet com o “regime” de Sócrates. Houve pessoas que se indignaram com esta postagem do Carlos Vidal (é o poder das imagens!), mas a ideia principal já havia sido exposta aqui.  É essa discussão que acho que vale a pena ter.

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do messenger

17 de Novembro de 2008 por Filipe Moura

Filipe says:
Lê aqui isto rapidamente e dá-me a tua opinião
says:
okok
says:
(knd e k vais a lx?)
Filipe says:

http://5dias.net/2008/11/14/sempre-preferi-george-w-bush-a-jose-socrates/

says:
e teu?
says:
n ta assinado p ti
Filipe says:

http://5dias.net/2008/11/16/descobri-um-critico-de-arte/

Filipe says:
não não
Filipe says:
carlos vidal
Filipe says:
acho que não é o avô cantigas
Filipe says:
esses dois
Filipe says:
e depois o meu
Filipe says:

http://5dias.net/2008/11/16/um-bushista-no-5-dias/

says:
tou a ler o teu
Filipe says:
ok
says:
hmm
says:
k kerx k t diga?
says:
eu ando muito pouco opinativo ultimamente
says:

says:
mas concordo contigo
says:
axo k o socrates e mau e é um apolitico
says:
talvez ainda pior k o durao e o cavaco e seguramente pior k o guterres
says:
mas axo k isso n e culpa dele
says:
ele e talvex o expoente máximo da aliança entro o nao politico e o nao tecnico… e é talvez a primeira vex k isso acontece e por isso faz tanta confusão as ‘elites’ pk o cavaco tb e nao politiko mas era um reconhecido tecnocrata (com ou sem razao) Ler o resto »

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Assim se vê a força do PC

26 de Setembro de 2008 por Filipe Moura

Creio que com as reformas que são no momento necessárias (e estão ainda em curso) a presença do PCP na governo não seria de todo desejável. (O mesmo se aplica ao Bloco de Esquerda: em política interna, não vejo diferença absolutamente nenhuma entre os dois partidos. Em política externa há e não é pouca, mas ninguém põe a hipótese de termos um ministro dos negócios estrangeiros destes partidos.) Não tenho votado na CDU nas eleições legislativas e nem tenciono votar nas próximas. Mas ao ler textos como este do João Galamba, palavra que me apetece ir a correr votar no PCP. Não o farei, mas outros o farão por mim. Se o João Galamba escolhe ostracizar estes portugueses, é com ele. Eu não ostracizo, e merecem-me todo o respeito, mesmo não concordando com eles. E sei que chegará o dia em que vão perceber melhor o mundo em que vivem. Mas parece-me um erro crasso julgá-los irrelevantes ou alheados deste mundo. Pelo respeito que me merecem, não me sinto capaz de os tratar como “dementes”. O João trata-os. Mas o João também se acha no direito de criticar António Damásio por não ter lido este ou aquele livro. Se ele me permite, recomendo-lhe este trecho de um artigo do Público de 18.09.2008, por Constança Cunha e Sá.

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Da conversa de Lula com o “doutor Mário”

18 de Julho de 2008 por Filipe Moura

… (quarta à noite, na RTP1), ficam principalmente estas frases, que cito de memória: “agora, que exerço o poder, não tenho o direito de sonhar mais. O mandato é de quatro anos, e eu tenho que fazer o melhor possível.” Só mesmo um homem muito sábio como Lula para arrumar numa frase a “imaginação ao poder” e os soixante-huitards (que mais depressa votam nos tucanos que nele).
Também ficou muito bem a Mário Soares citar Fidel Castro, no fim da entrevista: os homens de esquerda no poder têm que ser “cavaleiros da esperança”.

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Daniel do avesso do avesso

4 de Julho de 2008 por Filipe Moura

Escreve o Daniel Oliveira, directamente dos EUA:

Estou a adorar os comentários pró e anti-americanos aqui no blogue. Pró e anti o quê? Hoje estive numa gigantesca Marcha do orgulho gay, com polícias, pastores, bombeiros, congressistas e travestis. Os pró-americanos aplaudem? Os anti-americanos reprovam?

Eu compreendo perfeitamente o que o Daniel escreve. Também o senti muitas vezes, quando viva nos EUA. No meu caso foi, por exemplo, quando participava em manifestações gigantescas contra a Guerra no Iraque em Nova Iorque. Ou quando passava o Thanksgiving na companhia de americanos ecologistas e anarquistas. Uma vez mais, os pró-americanos aplaudiriam? E os anti-americanos reprovariam?
Muitos dos nossos antiamericanos não fazem a menor ideia do que são os EUA. Se fizessem essa ideia, talvez vissem as coisas com outros olhos. Mas exactamente o mesmo pode ser dito de muitos dos mais radicais pró-americanos, os mais ardorosos defensores da invasão do Iraque, que quanto muito dos EUA conhecem o Rockefeller Center e a Quinta Avenida.
O texto do Daniel confirma: ir aos EUA faz bem às pessoas de esquerda.
Bom 4 de Julho para todos.

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“A má matemática na aprovação do Tratado de Lisboa”

25 de Junho de 2008 por Filipe Moura

Numa altura em que tanto se fala do facilitismo nos exames de Matemática, um bom teste seria ver quanta gente percebe este artigo do Rui Curado Silva. Não só concordo com o dito artigo como acrescento: deveria avançar-se de vez para uma Europa a duas velocidades, com um pelotão “da frente” que quisesse aprovar uma Constituição Europeia e um “de trás” que não quisesse. O pelotão de trás haveria de querer juntar-se ao da frente passado algum tempo. É a história que o demonstra e a história, já diz Marx, é inevitável.

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Hoje corto uma fita

7 de Junho de 2008 por Filipe Moura

Passou-se o mês de Maio, os 40 anos do Maio de 68, e não referi a alergia que me causam slogans como “sejamos realistas, peçamos o impossível” e, sobretudo, “a imaginação ao poder”. Imaginação ao poder para quê? Sem abdicar das convicções e das ideias, em política é preferível o realismo e o bom senso. Já é sabido, desde Lenine a José Sócrates, passando por Hillary Clinton e, espero, por Barack Obama. 40 anos depois do Maio de 68, espero que a esquerda (francesa e não só) se livre da “tralha imaginosa”. Abordo esta questão, num contexto governativo e futebolístico português, num texto que escrevi para o Corta Fitas, através de um simpático convite do Pedro Correia (a quem aqui agradeço). Convido-vos agora a irem lê-lo.

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Um governo de esquerda

26 de Maio de 2008 por Filipe Moura

“A igualdade é o valor mais nobre da democracia”, declarou a nova ministra da Igualdade de Espanha, a andaluza Bibiana Aído, no seu discurso de posse. (Via Corta-Fitas.)

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O divórcio e o código laboral

23 de Abril de 2008 por Filipe Moura

Do editorial de sábado do DN:

José António Barros, o próximo presidente da Associação Empresarial de Portugal, veio a público lamentar o facto de “ser mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um empregado, o que é um contra-senso porque o casamento deveria ser mais estável do que a legislação laboral”. Casado pela quarta vez, o empresário sabe do que fala e põe o dedo na ferida de duas liberdades cuja ampliação esteve esta semana em cima da mesa. (…) Não faz sentido que continue a ser mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um empregado..

“Isto” é “João Marcelino” puro (mesmo que até nem tenha sido ele a escrever). A comparação entre o casamento e um contrato de trabalho não é para ser tomada à letra (como o editorialista, bem como o presidente da AEP, tomam). Isto porque o casamento é uma relação que deve pressupor igualdade de direitos e deveres entre ambos os cônjuges, não existindo perante a lei um mais poderoso. Já numa relação patrão-empregado tal igualdade não existe: o empregado será sempre o elo mais fraco. É isto que a direita liberalizadora se “esquece” sempre de referir. E será sempre assim, a menos que o trabalhador pudesse passar a poder despedir o patrão… Por isso os trabalhadores precisam de sindicatos e de legislação que lhes dê direitos e garantias (e que os proteja da arbitrariedade dos patrões). Não é legítimo querer alterar as leis laborais com base nas recentes alterações à lei do divórcio.
Dito isto, é claro que está implícita uma sensação de confiança e tranquilidade no trabalhador casado, que não existe se de um momento para o outro puder ser despedido ou o seu cônjuge pedir (e obtiver) automaticamente o divórcio. A sensação de insegurança é a mesma. É claro que se for essa a opção dos cônjuges, nada a opor. Em, teoria, nenhuma das opções (divórcio imediato a pedido ou só por comum acordo) viola a igualdade dos cônjuges, e a meu ver deveriam poder existir ambas. Cada casal escolheria a que quisesse e que mais se adaptasse à sua forma de encarar o casamento. Ao decidir assim unilateralmente pela possibilidade do divórcio a pedido, sem dar satisfações ao cônjuge, e sem salvaguardar o modelo anterior, o governo está a dar um sinal de que os termos de todos os contratos devem passar a ser assim, unilaterais. De que a precariedade deve passar a ser estendida ao casamento. Embora a nova legislação laboral não consagre esse princípio (e ninguém crê que alguém no governo julgue que devesse consagrar), o sinal dado é claro. Os editorialistas de direita e o patronato já estão a aproveitar esse sinal. Que o Bloco de Esquerda não o distinga, não me surpreende. O que me surpreende é o PS e, principalmente, o PCP não o distinguirem. Agora aturem-nos.

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Rogério Ribeiro (1930-2008)

10 de Março de 2008 por Filipe Moura

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Até amanhã, camarada.

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Por que gosto de Zapatero

7 de Março de 2008 por Filipe Moura

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Labirintos da derrota

17 de Novembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

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Era uma vez um fracasso. Neste caso, era anterior à derrocada do muro que espelha, como nada, o cumular dos fracassos. Aquele de que falo é uma revista com o nome de “Pott”, que quer dizer, mais uma vez, fracasso, em euskera (basco).
Vivia-se o início da segunda metade da década de 70. Na Europa Ocidental e civilizada eram os “anos de chumbo” (uma espécie de ressaca dos “68” de todas as promessas), no Estado espanhol a transição do franquismo ainda não se dera. Nas universidades de Madrid e Barcelona já não hasteavam a bandeira portuguesa como desafio da revolta. No pequeno e atrasado Portugal caíra ferida a paixão revolucionária, em muitos sítios do rectângulo sabia-se, agora, que ser realista era de facto exigir o impossível. Ainda soavam nos ares a voz do cantor catalão Lluis Llach, que assinalava a sangrenta repressão na catedral de Gazteiz (Vitória), a 3 de Março de 1976:
“Campanades a morts
fan un crit per la guerra
dels tres fills que han perdut
les tres campanes negres”.

No chão da Praça da Virgem Branca ficaram tombados cinco mortos (os três da canção e mais dois dos baleados) e quase cem feridos. Os cinco mil operários, reunidos na igreja, tinham sido expulsos do templo a tiros de gás lacrimogéneo. À saída, a polícia franquista tinha-os fuzilado à queima roupa. Nas ruas cinzentas de Bilbau alguns jovens tacteavam um novo caminho. Tomar os céus de assalto tinha, por enquanto, falhado. Seria possível, pelo menos, mudar a “terra dos que falam basco” (Eukal Herria), salvar a língua e construir uma comunidade imaginada. Três deles simbolizam, 30 anos depois, os diferentes caminhos da revista “Pott” (como fracasso). Fixemos os nomes: Jon Juaresti, José Irazu Garmendia (Bernardo Atxaga) e Joseba Sarrionandia. Na altura da fundação da revista apenas ultrapassavam os 20 anos e, como se sabe, nessa idade tudo é possível . Na senda do poeta e comunista Gabriel Aresti, falecido prematuramente aos 42 anos, queriam, nas palavras de Atxaga, “escrever numa língua estranha que nunca pisou os jardins da corte”.
Como gritava, nas letras, Gabriel Aresti, num dos mais célebres poemas bascos da época:
“Tirar-me-ão as armas, e, com as minhas mãos,
eu defenderei a casa do meu pai;
Cortar-me-ão as mãos e, com os meus braços,
eu defenderei a casa do meu pai;
Deixar-me-ão sem braços, sem peito e, com a minha alma,
eu defenderei a casa do meu pai;
Eu morrerei
a minha alma perder-se-á
a minha linhagem perder-se-á,
mas a casa do meu pai
continuará
de pé”

.
Trinta anos depois, a “Pott” é uma memória, mas o fracasso perdura. Vejamos os caminhos que levam cada um dos três bascos aos lugares e territórios que ocupam. Jon Juaresti converteu-se no intelectual de serviço na denúncia do nacionalismo como identidade assassina. Permanentemente sob a ameaça de uma bala na nuca, disparada pelos comandos da ETA Militar, dá entrevistas em sítios secretos e aparentemente seguros.
Nos seus livros, como “El Bucle Melancólico”, denuncia histórias escutadas e repetidas na sua juventude: “Muitos bascos da minha geração estiveram expostos aos significantes deleutérios deste tipo de histórias – narrações sacrificiais de amor e imolação, de heroísmo e de culpa, de traições e de derrotas” e, acrescenta Joresti, “porque o nacionalismo basco só sabe uma coisa (…) mas sabe-o muito bem: é necessário perder para ganhar, manter vivo os agravos para que o sacrifício das várias gerações se mantenha politicamente rentável”. Por sua vez, Bernardo Atxaga transformou-se no mais conhecido escritor basco, “Ababakoak”, “El Hombre Solo” e “Lista de Locos” são alguns dos seus livros. Politicamente apoiou a Esquerda Unida Basca (Comunistas) nas últimas eleições.
Num pequeno texto do livro “Nueva Etiópia”, Atxaga relata um diálogo com um amigo historiador mantido enquanto estavam parados nos engarrafamentos de Bilbau. O escritor diz ao companheiro de viagem que encontrou um armazém de livros invendáveis. Uma espécie de “cemitério de ilusões”. Aqui se encontrariam obras de Mao, de Marx, de Lenine e de Trostski e memórias de mulheres libertadas e revolucionárias.
“Os mesmos livros que há 15 ou 20 anos circulavam entre a juventude inquieta com desejos de mudar a realidade; os mil textos, tantas vezes citados e comentados, que tanto haviam influenciado a vida (…). Não tinha sido preso um companheiro de turma por ter as obras de Mao? Não tinha ido para o campo um grupo de estudantes da nossa faculdade, para trabalhar com os assalariados rurais, porque tinham lido Kropotkine? Por outras palavras, os livros que víamos mortos naquele armazém haviam sido mais do que um monte de páginas: repre- sentavam os desejos de muita gente, a sua rebeldia e a sua luta. E agora estavam abandonados naquele armazém perdido da periferia”.
O amigo responde-lhe que “seria reaccionário recusar a possibilidade de transformar uma realidade que, a todas as luzes, continua a ser indesejável. Porém, recusar um erro, uma simplificação, um ponto de partida falso, não pode ter nada de reaccionário”.
O vértice desta bifurcação, em que par- ticipam Joresti e Atxaga, é Sarri (aliás Joseba Sarrionandia), que é preso em 1980, acusado de ser membro da ETA Militar, e condenado a 28 anos de prisão. A 7 de Julho de 1985, escapa da cadeia de Matutene, escondido numa aparelhagem sonora que tinha sido utilizada para dar um concerto no estabelecimento prisional. Desde aí, este homem, que traduziu Pessoa e Jorge de Sena para euskera, continua fugido. Como por encantamento, todos os anos aparecem livros seus. O último é de 2002 e ganhou um dos mais conceituados prémios literários do Estado Espanhol.
O lugar em que se encontra permanece secreto, pistas, talvez, só a letra, em português, do fado que mandou ao cantor Mikel Laboa:
“Não és tu faculdade de sentir um espaço Terminado por linhas ou superfícies E não obstante chove sobre ti na cidade”.
Há um poema seu que ilustra bem – provavelmente sem ser essa a intenção do seu autor – a situação de fracasso daqueles que resistem nas suas convicções sem conseguirem fugir a uma lógica perversa, admiravelmente enredados, para além de toda a coerência. Talvez esta seja a conclusão possível desta primeira história.
“El viagero se aventura a través del labirinto aunque apenas sí recuerda cuándo ni por dónde entró.
Supone que el camino ha de ser un laberinto Pues advina en lo nuevo reflejos del ayer. Mas no son reflejos amables, son vástagos del miedo Pues le revelam que cae, que se derrumba hacia el centro.
Pero hay un centro acaso?
No cae hacia los bordes?”.

Excerto do texto “Momento e Movimento” que escrevi para a revista Manifesto nº2

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A esquerda moderna

12 de Novembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

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Depois de ouvir a verve sedutora, cheia de pulsão revolucionária, de Jaime Gama, José Lello e Jorge Coelho, no congresso do PS, consegui antever as maravilhas da esquerda moderna. Ficou-me apenas uma dúvida: por que razão a palavra mais repetida, no encontro do partido do governo, foi “esquerda”. Acham mesmo que a palavra tem poderes mágicos e que o seu uso como mantra pode iludir a realidade? Na fantástica série do Yes prime minister, um assessor avisado explicava ao primeiro-ministro que se ele tinha uma medida revolucionária, convinha anunciá-la na televisão usando um cenário clássico e vestir-se de fato e gravata. No caso de não fazer nada, devia usar um pulôver desportivo e um quadro vanguardista como fundo. Estamos pois no domínio da arte moderna. Viram à direita, enquanto berram “esquerda”, a plenos pulmões. Para completar a ilusão, nada melhor que umas imagens do 25 de Abril, uma musiquinha da altura e as palavras da Maria de Medeiros. Estamos em pleno reinado da esquerda soft, vendida como som ambiental de hotéis e elevadores. Já há móveis do IKEA com esse conceito?
Neste congresso assiste-se a uma blairização do PS. Nos próximos dez anos, os socialistas vão executar o programa da direita, esvaziar o PSD dos seus apoios políticos e empresariais e perpetuar-se, por ausência de alternativa política e eleitoral. A única possibilidade que impede este passeio neoliberal é a ténue hipótese de reconstrução de um pólo alternativo de esquerda que possa fazer convergir socialistas de esquerda (esse lugar mítico), PCP e Bloco. Daí a importância que o governo dá às reformas do sistema eleitoral, o PS vai apoiar qualquer iniciativa para reduzir administrativamente os partidos à sua esquerda, para impedir a existência de um pólo de protesto. O sectarismo da esquerda fará outro tanto, e estaremos, no final dos governos Sócrates, com uma sociedade mais pobre e desigual. Mas muito mais moderna (termo a que se dá a sociedades com normas laborais à chinesa e que só não convergem para o salário mínimo do Ruanda, porque no Ruanda não há salário mínimo).

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