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	<title>cinco dias &#187; eleições</title>
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	<description>cinco dias, cinco pessoas</description>
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		<title>Combater a abstenção</title>
		<link>http://5dias.net/2009/04/10/combater-a-abstencao/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2009 18:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Levy</dc:creator>
				<category><![CDATA[André Levy]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[União-Europeia]]></category>

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		<description><![CDATA[É preciso contrariar a tendência história de abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu. As eleições de 7 de Junho são demasiado importantes neste ano eleitoral carregado, para ser definido por apenas 40% da população portuguesa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No intenso período eleitoral que se aproxima, as eleições para o Parlamento Europeu virão em primeiro lugar, no dia 7 de Junho. Isto deve causar alguma preocupação a qualquer pessoa consciente da importância dos três actos eleitorais deste ano. Embora seja três actos isolados (apesar da persistente incerteza se as autárquicas serão agendadas para o mesmo dia que as legislativas – um erro na minha opinião), seria ingénuo pensar que os resultados do primeiro acto eleitoral não irá ter um profundo efeito no clima político que irá preceder os dois actos seguintes. Isto faz com que estas eleições para os deputados no Parlamento Europeu (PE) tenham um importância acrescida. A preocupação advém da forte taxa de abstenção que se tem verificado nos últimos actos eleitorais para o PE, nos últimos 3 sempre acima dos 60% (ver gráfico).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-18241 aligncenter" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2009/04/abstention_ep_portugal-300x190.jpg" alt="taxa de abstenção nas eleições portuguesas para o PE" width="300" height="190" /></p>
<p>Vários têm sido os factores apontados para estas altas taxas de abstenção: a falta de conhecimento sobre as actividades do PE, o poder relativamente limitado do PE face à Comissão Europeia (que não é eleita directamente pelos cidadãos europeus), a percepção (errada) que as decisões em Bruxelas e Estrasburgo têm pouco impacto na vida nacional, etc.<span id="more-18228"></span></p>
<p>Creio que deve constituir ponto de convergência de todas as forças políticas um forte apelo ao voto nestas eleições. Esse apelo deve ser tanto mais forte por parte dos partidos que tradicionalmente têm ficado entre as terceiro e quintas forças mais votadas, já que o número de deputados que cabem ao círculo Português ficou reduzido com o alargamento da União Europeia. Assim, pequenas diferenças entre votos nestas forças políticas, sobretudo havendo uma grande abstenção, poder ser determinante sobre  o número (ou mesmo eleição) de deputados que venham a ser por si eleitos.</p>
<p>O apelo à votação nestas eleções ao PE em particular deve ser conduzido, na minha opinião, em torno destas questões:</p>
<ul>
<li>votar no dia 7 de Junho é não só eleger deputados ao PE, mas também dar um claro sinal e uma expressão marcada da opinião sobre as políticas nacionais conduzidas pelas forças políticas portuguesas domesticamente. Nesse sentido, a<strong> forte rejeição popular</strong>, expressa nas múltiplas lutas de massas, das políticas de direita do Governo PS (e apoiadas no seu fundamental pelo PSD), <strong>tem de ser revertidas na rejeição destas forças</strong> como nossos representantes no PE. Embora sejam assembleias parlamentares distintas da Assembleia da República ou das assembleias autárquicas &#8230;</li>
<li>&#8230; as políticas conduzidas em território nacional, tanto pelo PS e PSD, reflectem uma enorme s<strong>ubserviência perante os interesses mais fortes na Europa</strong>, muitas vezes levando à aprovação de medidas contrárias aos interesses nacionais, tanto dos trabalhadores como dos sectores patronais</li>
<li>votar nestas eleições europeias será também o único momento em que podemos exprimir a nossa opinião sobre o <strong>curso da União Europeia</strong> adoptado pelo Tratado de Lisboa (já que o Governo Sócrates, usando malabarismo retórico se recusou a cumprir o seu programa eleitoral e realizar um referendo nacional): será a esta a Europa que queremos, uma Europa marcada pelos <strong>interesses económicos em prejuízo dos direitos laborais</strong> e democráticos, uma <strong>Europa cada vez mais militarizada</strong> e comprometida com os interesses dos EU?</li>
<li>a força política em que se votar é também um <strong>voto pela defesa (ou capitulação) da soberania nacional</strong>. Isto é, cremos que Portugal tenha instrumentos políticos, económicos (incluindo produtivos) e financeiros capazes de tomar decisões que sirvam os interesses nacionais (instrumentos fundamentais para sairmos da actual crise), ou que Portugal perda ainda mais autonomia e se torne ainda mais dependente das decisões de Bruxelas? Refiro-me aos acordos agrícolas e de pescas, que levaram à destruição destes sectores em Portugal e à perda da nossa soberania alimentar; à aceitação dos critérios de convergência, que os governos de direita usaram para privatizar interesses produtivos nacionais públicos (e rentáveis), agora em grande medida nas mãos de capital estrangeiro, e para privatizar e reduzir serviços públicos fundamentais; refiro-me à nossa soberania monetária e a nossa flexibilidade para definir taxas de juro de acordo com as condições económicas e financeiras nacionais, em vez de segundo os ditames do Banco Central Europeu (BCE). Recordo-me a este propósito a demagogia de Sócrates quando quis tirar proveito político da baixa das taxas de juro, quando essa decisão foi tomada pelo BCE. No fundo, queremos uma Europa cada vez mais federal e afastada dos cidadãos, ou uma Europa de cooperação entre estados em pé de igualdade?</li>
<li>Aos que não votam, porque julgam que pouco efeito terá nas suas vidas, desenganem-se. Apesar do poder relativamente menor do PE, não deixa de ser um fórum onde opiniões podem ser veiculadas, oposição expressa, alianças formadas, e percursos alterados, dependendo das forças que lá se encontram representadas.</li>
<li>Aos que se opõe a esta UE, e expressam essa oposição não votando, há que convencer que a melhor maneira de exprimir essa oposição é votar nas forças que representem a oposição a esta UE no seu seio, e que façam uso desse espaço e dos recursos que oferece para exigir um outro rumo para a Europa. Uma abstenção, ou mesmo um voto nulo ou branco, é um voto inconsequente (não vamos ter um cenário como o «Ensaio sobre a Lucidez» de Saramago).</li>
</ul>
<p>No ano em se celebram o 35º  aniversário da Revolução democrática de Abril, devemos encarar cada oportunidade de voto não apenas como um direito, mas um dever, uma responsabilidade cívica. É incoerente queixar-mo-nos da falta de democracia da UE, e depois não usufruírmos do único momento de participação que esta estrutura (no seu fundamento alienada das populações) nos oferece. O desanimo, cinismo e alieanação face à &#8220;Europa&#8221; longíqua são emoções que apenas favorecem o <em>status quo</em>. Nós, Portugueses, temos de votar para o PE, e nesse voto exprimir o que sentimos sobre a construção Europeia e sobre as forças políticas que se candidatam para nos presentar na UE.</p>]]></content:encoded>
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		<title>A única eleição que não é vital</title>
		<link>http://5dias.net/2009/03/15/a-unica-eleicao-que-nao-e-vital/</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 18:32:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Mota Saraiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[europeias]]></category>
		<category><![CDATA[legislativas]]></category>

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		<description><![CDATA[Num ano com três eleições em seis meses, europeias e legislativas não poderão ser pensadas de uma forma isolada. Só à luz desta ideia se poderá se poderá compreender a escolha de Vital Moreira para cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu.
Não sendo um homem do aparelho (como seria Lello) ou do governo (Amado), [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num ano com três eleições em seis meses, europeias e legislativas não poderão ser pensadas de uma forma isolada. Só à luz desta ideia se poderá se poderá compreender a escolha de Vital Moreira para cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu.<br />
Não sendo um homem do aparelho (como seria Lello) ou do governo (Amado), a escolha de um indefectível de Sócrates em todas as áreas e de todos os feitios, parece uma inabilidade política, mas até pode não o ser. O tradicional, no PS, recurso a uma figura histórica (Ferro), ainda terá sido tentando mas foi abandonado em benefício de outra estratégia.<br />
Sócrates sabia que, independentemente do cabeça de lista apresentado, seria muito difícil para este demarcar-se das questões de fundo da governação, ao ponto de não ter qualquer reflexo eleitoral.<br />
Neste sentido, Vital, é o candidato ideal para averbar um mau resultado nas europeias que não prejudique a votação nas legislativas (são reveladoras as declarações de Santos Silva ao DN/TSF, ao assumir que o PS não pedirá a maioria absoluta nas eleições europeias).</p>
<p><span id="more-17201"></span>O <em>socratismo full time</em> de Vital, colocará a governação no centro da discussão, sem expor Sócrates, e com a possibilidade de dar uma oportunidade de voto de protesto ao tradicional eleitorado socialista que se encontra descontente numas eleições que, em Portugal, sempre foram tidas como secundárias &#8211; um voto contra para aliviar a pressão. Por outro lado o hipervalorizado estatuto de &#8220;independente&#8221; de Vital e o facto de não ser um homem da primeira linha política socialista, poderá fazer com que não haja um vaso comunicante entre as duas eleições.<br />
Para Sócrates, uma eventual vitória do PSD é um mal menor. Se em Portugal são poucas as diferenças entre PS e PSD, na Europa essas diferenças são ainda menores e só, ocasionalmente, se vê uma ou outra divergência ao nível das nomeações para altos cargos do parlamento europeu.<br />
Neste contexto importa perceber o que se passará com a esquerda.<br />
A tradicional baixa participação eleitoral, um cabeça de lista do PS que não mobiliza à esquerda, o voto de protesto ou o irreversível divórcio do eleitorado de esquerda que se revia no antigo PS, poderá originar um resultado histórico de CDU e BE.<br />
É aí que está a chave da estratégia de Sócrates.<br />
A partir de um resultado (mais ou menos) negativo para o PS, eventualmente com uma vitória do PSD (ou não), uma histórica subida eleitoral dos partidos de esquerda permitir-lhe-á dramatizar o discurso para as legislativas retirando da campanha conteúdos políticos para, como gosta e sabe fazer, brandir preconceitos e adjectivos.<br />
Sob o cenário da ingovernabilidade e da necessidade da maioria absoluta, Sócrates agitar-se-á contra os perigos do comunismo e da esquerda irresponsável, conquistando votos à direita e arrematando o centro. Sócrates fará a campanha como gosta: afastar-se-á da discussão política, colocando-a no plano da propaganda e de quem mais grita.<br />
E, como já se percebeu, a grande discussão eleitoral vai estar à esquerda.<br />
Se é certo que, pela votação da CDU nas eleições europeias, se poderá medir o volume de perdas do PS de quem, com elevado grau de certeza, não voltará a votar em Sócrates, o mesmo não acontece com a votação no BE.<br />
A estratégia da &#8220;esquerda grande&#8221; de Louçã, corroborada na aproximação a Alegre e afastamento do PCP, coloca o BE como um partido sedutor do voto de protesto e (até) de militantes socialistas descontentes. Contudo, também o torna num partido com um eleitorado extremamente flutuante. Uma grande votação do BE nas europeias não significará necessariamente a existência de uma base social consolidada com um efectivo desejo de mudança e transformação social. A sua expressão nas legislativas poderá vir a ser muito condicionada, por culpa própria, pelos sinais e gestos do deputado e militante do PS, Manuel Alegre.<br />
Sócrates acredita que mesmo com um mau resultado nas europeias, gerindo o caso Alegre dentro do partido e agitando uma ou outra bandeira de &#8220;causas fracturantes&#8221; em paralelo com a sobre-adjectivação dos adversários, poderá conseguir minimizar as perdas à esquerda, sem ter de abdicar das suas políticas fundamentais.<br />
A ver vamos.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Maioria Não, Absoluta Nunca</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 23:08:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Mota Saraiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o aproximar das eleições legislativas começa o discurso recorrente da necessidade da maioria absoluta. PS e PSD, dependendo de quem está melhor colocado, inicia a gritaria sobre os perigos da instabilidade política, da crise, da ingovernabilidade&#8230;
Os patrões e outros mandatários da alta finança dão uma ajuda anunciando o caos se, ora PS ora PSD, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o aproximar das eleições legislativas começa o discurso recorrente da necessidade da maioria absoluta. PS e PSD, dependendo de quem está melhor colocado, inicia a gritaria sobre os perigos da instabilidade política, da crise, da ingovernabilidade&#8230;<br />
Os patrões e outros mandatários da alta finança dão uma ajuda anunciando o caos se, ora PS ora PSD, não conseguirem a absoluta, pois as suas negociatas são bem mais fáceis de tratar com um único interlocutor. Nada de novo.<br />
O que me parece novo, é este sentido de sobranceria e impunidade que leva um partido com maioria absoluta a chumbar, sozinho, propostas que mais tarde transformará em bandeiras da sua campanha. Aconteceu isto com o casamento de pessoas do mesmo sexo e, quer-me parecer que sucederá, com as taxas moderadoras na saúde.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Chico e Caetano: juntos e ao vivo</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Sep 2006 22:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rui Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano-Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[Chico-Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de fechar o meu dia e passar as chaves ao António Figueira, tempo para falar das eleições brasileiras, que são já este domingo. Se eu fosse brasileiro, não votaria em Lula; a naturalidade com que os líderes do PT encararam a corrupção no seu próprio partido e no sistema político brasileiro não pode ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de fechar o meu dia e passar as chaves ao António Figueira, tempo para falar das eleições brasileiras, que são já este domingo. Se eu fosse brasileiro, não votaria em Lula; a naturalidade com que os líderes do PT encararam a corrupção no seu próprio partido e no sistema político brasileiro não pode ser premiada com uma eleição à primeira volta. Tampouco votaria em Alckmin ou em Heloísa Helena. O meu voto iria para Cristóvam Buarque, ex-ministro da Educação nos primeiros tempos do governo Lula, que foi afastado à bruta, acusado de ser irrealista, pelos mesmos pragmáticos e realistas (desde logo, José Dirceu) que depois prestaram à democracia o belo serviço do &#8220;mensalão&#8221;.
</p>
<p>As declarações que se seguem pertencem a entrevistas de Chico Buarque e Caetano Veloso à Folha de São Paulo e à Carta Capital. O primeiro vai votar em Lula, o segundo talvez vá votar em Cristóvam, o &#8220;meu&#8221; candidato (percebe-se pelas entrelinhas quando Caetano diz que ainda é Brizola; Cristóvam é candidato pelo PDT, partido fundado por Brizola). No entanto, concordo com muito do que diz Chico Buarque, nomeadamente em relação à agressividade contra-producente com que Lula tem sido tratado pela &#8220;elite&#8221; brasileira (a <em>Veja</em>, único título brasileiro que é distribuído regularmente em Portugal, é o exemplo acabado). Enfim; na arte como na política, vale a pena ler Chico Buarque e Caetano Veloso em conjunto. Os estilos são diferentes, as conclusões também, mas os conteúdos iluminam-se um ao outro.
</p>
<p>Chico Buarque: <br />
<blockquote>«É claro que esse escândalo abalou o governo, abalou quem votou no Lula, abalou sobretudo o PT. Para o partido, esse escândalo é desastroso. O outro lado da moeda é que disso tudo pode surgir um partido mais correto, menos arrogante. No fundo, sempre existiu no PT a idéia de que você ou é petista ou é um calhorda. Um pouco como o PSDB acha que você ou é tucano ou é burro (risos).<br />Agora, a crítica que se faz ao PT erra a mão. Não só ao PT, mas principalmente ao Lula. Quando a oposição vem dizer que se trata do governo mais corrupto da história do Brasil é preciso dizer ‘espera aí’. Quando aquele senador tucano canastrão diz que vai bater no Lula, dar porrada, quando chamam o Lula de vagabundo, de ignorante – aí estão errando muito a mão. Governo mais corrupto da história? Onde está o corruptômetro? É preciso investigar as coisas, sim. Tem que punir, sim. Mas vamos entender melhor as coisas. A gente sabe que a corrupção no Brasil está em toda parte. E vem agora esse pessoal do PFL, justamente ele, fazer cara de ofendido, de indignado. Não vão me comover&#8230;<br /><strong>Preconceito de classe</strong><br />O preconceito de classe contra o Lula continua existindo – e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente para quem agride, porque o sujeito mais humilde ouve e pensa: ‘Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?’. Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! – até assassino eu já ouvi. Fizeram o diabo para impedir que o Lula fosse presidente. Inventaram plebiscito, mudaram a duração do mandato, criaram a reeleição. Finalmente, como se fosse uma concessão, deixaram Lula assumir. ‘Agora sai já daí, vagabundo!’. É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu o luxo de ocupar a Casa Grande. ‘Agora volta pra senzala!’. Eu não gostaria que fosse assim.<br /><strong>Eu voto no Lula!</strong><br />A economia não vai mudar se o presidente for um tucano. A coisa está tão atada que honestamente não vejo muita diferença entre um próximo governo Lula e um governo da oposição. Mas o país deu um passo importante elegendo Lula. Considero deseducativo o discurso em voga: ‘Tão cedo esses caras não voltam, eles não sabem fazer, não são preparados, não são poliglotas’. Acho tudo isso muito grave.  Hoje eu voto no Lula. Vou votar no Alckmin? Não vou. Acredito que, apesar de a economia estar atada como está, ainda há uma margem para investir no social que o Lula tem mais condições de atender. Vai ficar devendo, claro. Já está devendo. Precisa ser cobrado. Ele dizia isso: ‘Quero ser cobrado, vocês precisam me cobrar, não quero ficar lá cercado de puxa-sacos’. Ouvi isso dele na última vez que o vi, antes dele tomar posse, num encontro aqui no Rio.<br /><strong>Sobre o PSOL [de Heloísa Helena]</strong><br />Percebo nesses grupos um rancor que é próprio dos ex: ex-petista, ex-comunista, ex-tudo. Não gosto disso, dessa gente que está muito próxima do fanatismo, que parece pertencer a uma tribo e que quando rompe sai cuspindo fogo. Eleitoralmente, se eles crescerem, vão crescer para cima do PT e eventualmente ajudar o adversário do Lula.<br /><strong>Papel da mídia</strong><br />Não acho que a mídia tenha inventado a crise. Mas a mídia ecoa muito mais o mensalão do que fazia com aquelas histórias do Fernando Henrique, a compra de votos, as privatizações. O Fernando Henrique sempre teve uma defesa sólida na mídia, colunistas chapa-branca dispostos a defendê-lo a todo custo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais.»</p></blockquote>
<p>Caetano Veloso:<br />
<blockquote>«&#8221;FOLHA &#8211; Ao contrário de Chico Buarque, você já disse que não votará em Lula. Por quê?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Não vou. Não me arrependo de ter votado nele, mas sou contra a reeleição. Não votei pela reeleição de Fernando Henrique, que nos deu de presente oito anos de esquerda marxista da USP. E como eu já estou com 64 anos e ele e Lula são a mesma coisa, eu acho que seria demais 16 anos com essa turma.
</p>
<p>FOLHA &#8211; O sociólogo Gilberto Vasconcellos se referia a &#8220;essa turma&#8221;, que veio a se dividir entre PT e PSDB, como a coalizão CUT-USP-Fiesp&#8230;
</p>
<p>CAETANO &#8211; Eu acho essa expressão dele totalmente certa.
</p>
<p>FOLHA &#8211; Em quem você vota?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Não sei em quem vou votar. Não gosto de votar nulo. Eu preferiria que Lula pelo menos não fosse eleito no primeiro turno.
</p>
<p>FOLHA &#8211; Como você vê o escândalo do mensalão?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Eu acho que foi realmente vergonhoso e ruim. Há uma certa regressão no país -que fez o impeachment de Collor- quando se passa uma esponja no escândalo do mensalão. Lula e o PT afastaram os acusados, Lula se disse traído, mas a cada solenidade de despedida dos que cometeram delitos levantou a voz para dizer loas morais a essas figuras. E pôs a culpa num possível complô das elites através da mídia, o que eu acho completamente incongruente. Eu não sou burro, nem maluco, então não vou votar nele. Votei em Lula contra Collor no segundo turno, mas meu candidato não era ele. Era o Brizola. E continua sendo (risos). Na última eleição, eu achei que era a hora de um operário chegar ao poder, de o PT enfrentar a realidade e de se desmistificar tudo isso. Se o Serra tivesse ganhado, ele, que é um excelente candidato, seria massacrado por essa mitologia do Lula, da esquerda e do PT. Quando justifiquei meu voto em Lula, disse que esperava que ele fosse empossado, que governasse e que passasse a faixa para outro. Continuo pensando da mesma maneira.
</p>
<p>FOLHA &#8211; É como naquela canção: &#8220;Mamãe eu quero ir a Cuba e quero voltar&#8221;?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Exatamente. E eu cantei isso em Cuba.
</p>
<p>FOLHA &#8211; Por que há essa leniência em relação ao escândalo?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Eu acho que é por causa da esquerda. A esquerda é como torcida de futebol. As pessoas ficam cegas. Eu sou um simpatizante da esquerda por sede de harmonia, de dignidade e de Justiça. Mas vejo freqüentemente que a esquerda é quem mais ameaça essas coisas que me levaram a me aproximar dela.»</p></blockquote>]]></content:encoded>
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