[ original http://gizmodo.com/5481418/a-hypothetical-look-inside-the-webcam+spying-principals-office ] You’ve probably heard about the school district that installed spy software on laptops issued to its students so they could spy on them without their knowledge. Creepy! Well, here’s a peek at the principal who came up with the idea. The other fellow in the video is DC Pierson, of Derrick Comedy fame.
NY Vice-Principal Brags About School’s Laptop Spying to PBS [REAL]
No seguimento do artigo do Ricardo Santos Pinto um comentário possível sobre a situação em França seria: ∅ (que Deus me perdoe a deformação profissional).
A França aboliu a concordata com o Vaticano em 9 de Dezembro de 1905 através da lei de separação da Igreja e do Estado de Aristide Briand. A adopção da lei foi conflitual e contou com uma enorme resistência dos meios católicos e dos monárquicos de diversas tendências. Antes disso, em 1881 e 1882, Jules Ferry tinha aprovado as leis que tornaram o ensino público universal, obrigatório e laico. Ler o resto »
Na polémica sobre a publicação de livros o Ricardo Santos Pinto está em boa companhia, assim de repente vêm-me à memória os nomes de Daniel Pennac e de Vergílio Ferreira, ambos escritores e professores do ensino secundário.
Importámos muitas coisas do sistema francês mas no que toca ao ensino uma diferença enorme existe no recrutamento de professores do ensino secundário. Em Portugal o diploma do ensino superior determina a entrada na carreira docente, em França nenhum diploma dá directamente acesso à docência. Usando o meu caso como exemplo, em França mesmo tendo um doutoramento em Matemática não posso ensinar no secundário a não ser que passe um concurso onde estarei em pé de igualdade com outros candidatos.
Neste momento, em França, um movimento de protesto está em curso contra vários aspectos da reforma do ensino superior. Um dos pontos que os representantes dos professores e dos alunos do superior contestam é a “masterização” do acesso à docência no secundário. O que a ministra propõe é a adopção de um modelo próximo da prática portuguesa com o acesso à carreira docente a depender directamente do diploma de Master desvirtuando completamente o sistema de concursos actualmente em vigor. Um dos aspectos que mais choca na reforma é a substituição das provas da matéria que se vai ensinar por provas de didáctica, ou seja para se ensinar matemática deixa de ser preciso saber matemática, só se pede que se saiba didáctica da matemática.
A luta actual dos sindicatos de professores e estudantes em França parece-me totalmente oposta a algumas reivindicações que li na imprensa portuguesa contra a introdução de concursos de recrutamento (até vi argumentar que os concursos desvalorizam as licenciaturas). Ler o resto »
O actual governo Francês decidiu uma reforma profunda da educação da pré-primária à universidade. Entre os muitos aspectos polémicos a reforma dos dispositivos de ajuda aos alunos em dificuldade é especialmente grave pois afecta uma população fragilizada. Para poder expor o meu ponto de vista sou obrigado a aderir à mania francesa das siglas e diminuitivos .
Existe actualmente no ensino primário um dispositivo chamado “Réseau d’Aide Spécialisé aux Elèves en Difficulté” (RASED). O funcionamento do dispositivo é assegurado por dois tipos de professores com formações especializadas: “Maîtres E” e “Maître G” assistidos, eventualmente, por psicólogos escolares. Os “Maître E” são professores especializados encarregados de ajuda de dominante educativa, ou seja, têm uma formação especial para tratar de alunos com dificuldades de aprendizagem. Os “Maître G” têm uma especialização em reeducação, ou seja, ajudam alunos com dificuldades de adaptação à escolaridade. Em geral o RASED funciona em coordenação com os professores de cada escola e trabalha com os alunos na classe e fora da classe; a finalidade do dispositivo é a de integrar o aluno numa escolaridade normal. O RASED ajuda alunos com dificuldades pontuais (problemas de disciplina, dificuldades de concentração, dificuldades de organização, etc) durante períodos curtos ou com dificuldades mais estruturais durante períodos longos. Da minha experiência associativa quando os meus filhos estavam no primário guardo uma grande admiração pelos professores do RASED que conheci, fazem um trabalho notável e extremamente difícil pois muitos aspectos, nomeadamente os familiares, são incontroláveis, mesmo assim com muito trabalho com os alunos e diálogo conseguem salvar a escolaridade de um bom número de jovens. Ler o resto »
Entre as minha atribuições de representante eleito dos pais a que mais me custa é a participação nos conselhos de disciplina. Para quem não conhece o sistema Francês os estabelecimentos do ensino secundário são geridos de forma paritária por três corpos: representantes da administração, representantes do pessoal e representantes das famílias. O órgão principal é o conselho de administração (CA) onde participam os membros por inerência (director, sub-director, conselheiro principal de educação, etc) e membros eleitos representando professores, funcionários não docentes, alunos e pais. O CA elege (a palavra francesa é instala) comissões dedicadas a tarefas específicas. Algumas destas comissões são regulamentadas pela lei (Comissão de Higiene e Segurança, Comissão de concursos, Conselho de Disciplina, etc), outras (Comissão de sensibilização aos problemas de saúde, etc) são da iniciativa do estabelecimento.
Numa escola secundária francesa o director e o Conselheiro Principal de Educação (CPE) encarregam-se dos problemas disciplinares, no entanto, o castigo mais severo que podem aplicar é a suspensão até 1 semana. Para casos graves a lei obriga-os a convocar o conselho de disciplina que funciona como um pequeno tribunal e que tem poder para aplicar castigos que vão da repreensão escrita até à expulsão definitiva da escola. Ler o resto »
Pretendo com este artigo iniciar uma troca de experiências com o Ricardo Santos Pinto sobre o ensino secundário. A minha ligação com o ensino secundário é completamente distinta da do Ricardo, eu sou pai e milito na maior federação francesa de associações de pais (FCPE), sou há vários anos, representante eleito dos pais no Conselho de Administração e no Conselho de Disciplina de um estabelecimento do ensino secundário em França. Espero que tenhamos oportunidade de confrontar experiências de professor e de pai assim como o sistema de ensino português com o francês.
Ontem fui à escola dos meus filhos para para encontrar os professores, por aqui os estabelecimentos organizam pelo menos duas vezes por ano um fim de tarde dedicado aos encontros entre os pais e os professores. Recebemos um papel no “caderno de correspondência”, (no meu tempo de estudante, em Portugal, não existia nada de comparável a este caderno agora não sei) trata-se de um caderno que serve para toda a comunicação entre os pais e a escola, contem montes de coisas como informações gerais, ausências de professores, notificação de castigos, pedidos de reuniões, o horário, etc. Quando chegamos à escola recebemos um papel com a lista dos professores e a sala em que cada um nos espera, nalguns casos recebemos previamente uma convocação de um professor, nos outros casos vamos ter à sala e esperamos para falar com o professor. Ler o resto »
No meu modesto entendimento, o julgamento do Carlos Vidal neste seu texto parte da confusão frequente por parte das pessoas entre “democracia” e “liberdade”, que já aqui referi. O Carlos apela à “desobediência”. A desobediência é um atributo fundamental da liberdade, mas inaceitável em democracia (pelo menos sem sofrer as consequências). Em democracia os governos são eleitos por sufrágio universal para fazerem leis, que os cidadãos devem acatar. Tal aplica-se a todos, mas mais ainda aos funcionários públicos (incluindo neste caso os professores). As profissões onde cada um é livre de fazer tudo o que quiser chamam-se justamente – voilà – “liberais”. Não consta que a profissão de professor o seja.
Dito isto, é evidente que os governos devem negociar com os sindicatos tudo o que tenha a ver com legislação laboral. Principalmente um governo que se diz de esquerda deve procurar chegar a acordos com os sindicatos. Mas na impossibilidade de esse acordo ser atingido, o governo tem legitimidade para seguir o seu programa, que será julgado nas eleições livres seguintes. Os sindicatos têm o direito de continuar as suas lutas, mas não podem desobedecer às leis do governo escolhido por todos os cidadãos. O trabalho (neste caso o dos professores) diz respeito a toda a sociedade, e não somente à classe profissional. Cada sindicato é escolhido somente pela classe profissional e não por todos os cidadãos. Tal desobediência seria assim profundamente antidemocrática.
Não digo com isto que não seja possível (e às vezes até desejável) a desobediência mesmo em democracia, mas em democracia quem desobedece tem que sujeitar-se às consequências. A desobediência é um acto de liberdade, e todos os actos de liberdade têm responsabilidades associadas. Mais do que desejável, indispensável é a desobediência na ausência de democracia, em regimes ditatoriais. Neste caso não consta que o governo seja ditatorial. Se quem apela à desobediência pensa ser esse o caso, deve assumi-lo claramente.
Ponto prévio: acredito que a principal preocupação de muitos pais ainda seja o controlo total dos filhos adolescentes, e partilho a grande preocupação da Maria João Pires quanto a este facto.
Dito isto, eu não vejo a introdução de um cartão magnético necessariamente ou exclusivamente como uma medida de “controlo total”. É-o em parte e é aí que eu o critico. Não me parece razoável que um aluno do secundário não possa entrar e sair livremente da escola. Não me parece sobretudo razoável que alunos do 2º ciclo (de 10 e 11 anos) sejam tratados da mesma forma que adolescentes pré-universitários. São idades muito diferentes, e esta indistinção origina uma imaturidade que hoje já se nota nos alunos do primeiro ano das universidades.
De qualquer forma, da maneira como o cartão é apresentado pela Maria João, parece que as escolas passam a ser uma espécie de “Big Brother”, onde todos os passos lá dentro são vigiados, os intervalos, o convívio com colegas, eventuais demonstrações de afecto e experiências que é suposto ter-se nesta idade. Não é assim, e ainda bem que não é. O cartão parece-me positivo até ao 9º ano, e com algumas alterações e salvaguardas importantes (poder vir cá fora ao café da D. Maria fumar um cigarrinho no intervalo – afinal não se pode fumar dentro das escolas, não é?) também mesmo no secundário. Ler o resto »
No último Prós e Contras (de há uma semana), Carlos Abreu Amorim referiu que a “classe média” está cada vez mais a abandonar o ensino secundário público e a transferir os seus filhos para o privado. Na sua última crónica no Correio da Manhã (entre algumas considerações que julgo acertadas, como o grau de esforço exigido pela aprendizagem), insiste: “muitos” suspeitam do sistema público. Só que os números (sempre os números!) parecem não lhe dar razão: de acordo com a excelente Isabel Fevereiro, que se sentava ao seu lado, no mesmo programa, somente 7% dos alunos frequentam o ensino privado. Esses 7% estão muito longe de ser a “classe média”, pelo menos no ensino secundário. Mas a culpa desta confusão não é (só) de Carlos Abreu Amorim: reside no profundo equívoco do conceito que a média e alta burguesia faz da “classe média”. A “classe média” é trabalhadora por conta de outrem, vive no subúrbio e esfalfa-se para pagar uma casa, quando pode. Não pode colocar os seus filhos no ensino privado. A média e alta burguesia que Carlos Abreu Amorim conhece e que coloca os filhos no privado não é “classe média”. Recomendo uma leitura, também no Blasfémias, do texto Revolta contra a curva de Gauss.
Quando eu andava no secundário ia-se de bicicleta para a escola pelo menos até aos 16 anos. O parque para bicicletas era grande e estava normalmente cheio, se bem que é verdade que a rainha era a motorizada. Hoje isso acabou. O parque para carros quadruplicou de tamanho. Uma lista candidata a um conselho directivo fazia campanha prometendo lugares de estacionamento para todos. Dizem que é uma questão de prestígio, demorar 5 minutos de carro para o trabalho em vez de 5 minutos de bicicleta.
Num dos meus baldios preferidos estão já há um tempo a construir um novo centro comercial gigante, que vai entupir ainda mais a sobrelotada V6. Já se vão vendo encasinamentos fora da época alta. E a cidade é plana. E as ruas do centro são estreitas. E há uma ponte em que só podem passar bicicletas. E só os ucranianos é que andam de bike como transporte. Os mesmos ucranianos cujos filhos se queixam da escola ser demasiado fácil e de haver muita indisciplina nas escolas portuguesas. Os filhos.