A Plataforma Construir Ideias vai organizar uma conferência com o Professor André Sapir, membro do Bruegel – Brussels European and Global Economic Laboratory – que vem a Portugal falar sobre as Medidas Anti-Crise da Europa.
Veja a transmissão em directo, aqui, a partir das 19h de hoje, dia 7 de Abril.
No Blasfémias, por exemplo, nem uma palavra sobre o Krugman. O João Miranda só fala sobre o casamento gay. O mesmo se pode dizer do Insurgente, excepção feita a umas citações colocadas há uns minutos.
Há um argumento curioso dos defensores do arrendamento de casa – que geralmente defendem também a precariedade laboral. Estes senhores primeiro querem acabar com tudo o que seja segurança no emprego, para depois dizerem que “já não há empregos seguros” que permitam comprar casa – com a instabilidade laboral, hoje em dia quem não herdou uma casa ou não tem pais que lha ofereçam só deve alugar casa e não comprar.
Mais vale estas pessoas defenderem de vez, e abertamente, que querem acabar com o direito à casa própria (tal como querem acabar com o emprego seguro). Eu admito – considero que o mercado de aluguer de casas deve ser a excepção e não a regra. Deve ser desencorajado ao máximo. A menos que desejem uma situação como a da música do vídeo (ouçam até ao fim).
Nesta questão das rendas de casa há vários aspectos que acho espantosos.
Acho espantoso que quem defende a “iniciativa” e o “empreendedorismo” acabe a defender uma actividade que de iniciativa e empreendedorismo tem muito pouco ou quase nada. Que empreendedorismo existe em gastar dinheiro em casas para alugar, em vez de fazer aplicações no banco ou jogar na bolsa? Que benefícios traz tal actividade para o crescimento da economia? Que empregos se criam? Que riqueza é produzida em concentrar-se um recurso que deve ser finito e, portanto, não produzido mais do que o necessário (a habitação nas grandes cidades) nas mãos de alguns senhorios endinheirados? Ler o resto »
Diziam os antigos que quem conhece o nome verdadeiro das coisas tem poder de as controlar. Deus teria criado as coisas nomeando-as.
Uma visita ao serviço de empresas na hora, promovido no âmbito do programa governamental Simplex (mais um expediente cabalístico), revelou-me que o governo tem uma visão muito própria do que deve ser a economia portuguesa. Já toda a gente sabe que temos mais de 400 mil desempregados, quase um milhão de precários e 400 mil pessoas que trabalham através de empresas de trabalho temporário. A maioria das pessoas até já percebeu que em Portugal as soluções são poucas: ou somos criados de mesa no Algarve, ou vamos para um call center ou criamos uma empresa. No futuro, com a implosão do papel do Estado e a destruição dos direitos sociais, feita por sucessivos governos, seremos todos (os que trabalham) empresários sem dinheiro. Bem-vindos ao país dos 10 milhões de patrões!
Como saber é poder, o governo já preveniu as depressões através de um expediente simples. Cada vez que alguém vai constituir uma empresa tem a possibilidade de registar na hora, desde que utilize um menu de palavras livres oferecido pelos serviços. Todos nós podemos ter uma empresa chamada Abóbila, Antrofa, Apopólia, Bambulesco, Bicadinha, Boboneira, Cacarejo, Casa do Chorão, Folhirote, Fraldinhas e Travesuras, Milagrete, Olhonopé, Zoomais (nomes típicos da lista de nomes de empresas livres, disponibilizados pelos serviços, na quarta-feira passada), infelizmente nesse dia já não estavam livres os nomes “Ébano dourado”, “Graças e travessuras” e “Anconelo”… o país progride! Com muita probabilidade seremos miseráveis, mas vamos morrer a rir.