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	<title>cinco dias &#187; democracia</title>
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		<title>COREIA DO NORTE: fome e pedido de adesão à UNIÃO EUROPEIA</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 14:36:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Vidal</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Coreia]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[União-Europeia]]></category>
		<category><![CDATA[Zona Euro]]></category>

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		<description><![CDATA[Os professores da Coreia do Norte, o estado mais secreto do mundo, estão preocupados com os inúmeros casos que se têm registado nos últimos meses de alunos que desmaiam nas escolas por fome e desnutrição, e já alertaram as autoridades &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/12/19/coreia-do-norte-fome-e-pedido-de-adesao-a-uniao-europeia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><img id="il_fi" src="http://www.portaldahora.com/imagens/noticias/temp/coreia_do_norte.jpg" alt="" width="555" height="386" /></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://economia.publico.pt/noticia/alunos-gregos-desmaiam-nas-escolas-com-fome-1525527">Os professores da Coreia do Norte, o estado mais secreto do mundo, estão preocupados com os inúmeros casos que se têm registado nos últimos meses de alunos que desmaiam nas escolas por fome e desnutrição, e já alertaram as autoridades de Pyongyang para o caso.</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://economia.publico.pt/noticia/alunos-gregos-desmaiam-nas-escolas-com-fome-1525527">O primeiro ocorreu há cerca de um ano e a ele seguiram-se mais denúncias de professores, que garantem que alunos seus estão na escola até às 16h00 sem comer todo o dia.</p>
<p>Os meios de comunicação deram conta do caso, mas as notícias foram catalogadas de exageros antipatrióticos até que, há cerca de duas semanas, um rapaz de 13 anos desmaiou num colégio de Yongbyong, importante centro industrial a norte do país.</p>
<p>Quando a directora avisou a mãe, que trabalha a tempo parcial numa empresa municipal e tem quatro filhos, ela disse que a sua família não comia nada há dois dias.</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://economia.publico.pt/noticia/alunos-gregos-desmaiam-nas-escolas-com-fome-1525527">Apesar de tudo, o país mantém o pedido de adesão à União Europeia, estando a assinatura do acordo marcada para o próximo dia 20 de Março, não se prevendo qualquer alteração à data, apesar de ter falecido hoje o presidente de República. A adesão à EU, já devidamente referendada como em todos os estados europeus, é vista como uma oportunidade económica sem paralelo para o país, e um passo decisivo para uma alteração constitucional que ponha freio ao seu crescente endividamento externo e orçamental. A opção “défice estrutural 0,5%” é muito popular no país.</a></strong></p>]]></content:encoded>
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		<title>Sempre que ouço a pandilha troikista portuguesa falar em democracia e liberdade&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 11:15:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Valente Aguiar</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Hipocrisia]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[troika]]></category>

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		<description><![CDATA[« &#8211; Eles não têm medo de vocês. Têm medo do que vocês significam.   &#8211; Significamos apenas alguém que precisa de levar uma carecada.   &#8211; Não! O que significam para eles é a liberdade. A liberdade é que &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/12/17/sempre-que-ouco-a-pandilha-troikista-portuguesa-falar-em-democracia-e-liberdade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>« &#8211; Eles não têm medo de vocês. Têm medo do que vocês significam.</div>
<div>  &#8211; Significamos apenas alguém que precisa de levar uma carecada.</div>
<div>  &#8211; Não! O que significam para eles é a liberdade. <strong>A liberdade é que é importante. Mas falar dela e pô-la em prática são duas coisas diferentes. É difícil sermos livres quando somos moeda de troca. Não lhes digam que eles não são livres, porque desatam a matar e a estropiar para tentar provar que são. Falam até à exaustão acerca da liberdade individual. Mas ficam assustados quando vêem um tipo livre.</strong></div>
<div>   &#8211; Não é bom que fiquem assustados.</div>
<div>   &#8211; Pois não. Tornam-se perigosos»</div>
<div>  Diálogo entre Jack Nicholson e Dennis Hoper em Easy Rider</div>]]></content:encoded>
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		<title>HÁ ALGUMAS HORAS no VIETNAME, perdão em SIRTE: foi encontrada (já estava há muito) a solução para a crise das dívidas soberanas</title>
		<link>http://5dias.net/2011/10/20/esta-encontrada-ja-estava-ha-muito-a-solucao-para-a-crise-das-dividas-soberanas/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 18:20:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Vidal</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>

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		<description><![CDATA[A solução: Matar, expropriar e disseminar/espalhar/aprofundar/desenvolver (ufa!) ao infinito a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Matar todo aquele ou aqueles que se oponham ao ocidente democrático (ainda que no fim se tenham revelado seus aliados, sobretudo se se revelam &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/10/20/esta-encontrada-ja-estava-ha-muito-a-solucao-para-a-crise-das-dividas-soberanas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="il_fi" src="http://4.bp.blogspot.com/-Oxt13HsKAY4/TlJW08FG90I/AAAAAAAAEEE/SsOHq8QYLag/s1600/gaddafi+death+photo%2527s.jpg" alt="" width="311" height="539" /></p>
<p>A solução:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Matar, expropriar</strong> e disseminar/espalhar/aprofundar/desenvolver (ufa!) ao infinito a <strong>democracia, a liberdade e os direitos humanos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Matar todo aquele ou aqueles que se oponham ao ocidente democrático (ainda que no fim se tenham revelado seus aliados, sobretudo se se revelam e são, de facto, aliados).</p>
<p style="text-align: justify;">Expropriar sempre os tendencialmente mais fracos (ou seja, os que ainda têm algo e podem resistir), o que têm e não têm, revelando que só destruindo o estado social se defende o estado social: o que é bem feito para quem defende o estado social - não percebendo que ele é parte desta máquina infernal capitalista que mentiu, sobre a coisa &#8220;social&#8221;, desde sempre. Usando a coisa &#8220;social&#8221; para poder sobreviver (e desde o século XIX), sobrevivência aparentemente garantida, altura para o capital demolir de vez a coisa &#8220;social&#8221; (quem é parvo que não o seja ou não o fosse!).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.guardian.co.uk/world/middle-east-live/2011/oct/20/gaddafi-killed-sirte-falls-live">Enfim, espalhar a democracia pelo mundo inteiro e, quiçá, um dia&#8230;.. até aos Estados Unidos da América. Pode ser que um dia tal seja possível. Veremos.</a></p>
<p style="text-align: justify;">( E agora, porque não?, <strong>vamos às canções:</strong> )</p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Continuam a aceitar a DEMOCRACIA REPRESENTATIVA, é? E até quando?</title>
		<link>http://5dias.net/2011/09/30/continuam-a-aceitar-a-democracia-representativa-e-e-ate-quando/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 14:45:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Vidal</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Importa-se de repetir]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma sondagem realizada entre 22 e 27 de Setembro mostra que o Partido Socialista é o único a crescer nas intenções de voto, sendo que ainda assim o PSD manteria uma confortável maioria. Entretanto, de um gajo muita conhecido: &#8220;Deve &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/09/30/continuam-a-aceitar-a-democracia-representativa-e-e-ate-quando/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.publico.pt/Política/sondagem-coloca-ps-a-subir-mas-psd-continuaria-a-vencer-eleicoes-1514439">Uma sondagem realizada entre 22 e 27 de Setembro mostra que o <span style="color: #ff0000;">Partido Socialista</span> é o único a crescer nas intenções de voto, sendo que ainda assim o PSD manteria uma confortável maioria.</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.zimbio.com/pictures/rATgSiFFWow/New+Riots+Break+Out+Greek+Capital/c-GWs1vYI1E" target="_blank"><img title="New Riots Break Out In Greek Capital" src="http://www4.pictures.gi.zimbio.com/New+Riots+Break+Out+Greek+Capital+c-GWs1vYI1El.jpg" alt="New Riots Break Out In Greek Capital" width="594" height="370" border="0" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, de um gajo muita conhecido:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Deve inferir-se que o que torna <span style="text-decoration: underline;">geral</span> a vontade pública <span style="text-decoration: underline;">não é o número de votantes</span>, mas o interesse comum que os une, porque nesta instituição cada um se submete necessariamente às condições que impõe aos outros.&#8221;</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Da democracia</title>
		<link>http://5dias.net/2011/08/19/da-democracia-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 22:26:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Valente Aguiar</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Não existe democracia num estado puro. Não existe democracia no vazio. A democracia é sempre portadora de um conteúdo de classe. Não há, portanto, um valor universal de democracia. Pelo contrário, a democracia antes sequer de ser um valor ou &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/08/19/da-democracia-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Não existe democracia num estado puro. Não existe democracia no vazio. A democracia é sempre portadora de um conteúdo de classe.</em></p>
<p>Não há, portanto, um valor universal de democracia. Pelo contrário, a democracia antes sequer de ser um valor ou conjunto de valores é uma <em>determinada</em> forma de organização política e, ao mesmo tempo, uma forma de como se estrutura a vida social e humana. Por outras palavras, democracia não é estritamente um regime político imutável e único mas é atravessada por variáveis sociais e históricas de classe bem definidas.<span id="more-70142"></span></p>
<p>Consideremos então a democracia parlamentar em termos de forma de organização política. Neste domínio, o que usualmente se denomina por democracia corresponde aos regimes parlamentares liberais que vigoram com particular destaque no ocidente capitalista. Aqui, o mecanismo eleitoral do sufrágio universal determina pretensamente a escolha dos líderes políticos. Contudo, estes não são representantes do povo ou da nação mas executantes dos interesses das classes dominantes. Executantes legitimados ideológica e politicamente pelo voto das massas.</p>
<p>Por conseguinte, perpassa pela representação parlamentar burguesa um princípio definido pela assunção dos seguintes requisitos:</p>
<ul>
<li>1) o Estado, sob o manto do direito moderno, aparece como o suposto representante de todos os cidadãos, pretensamente livre dos constrangimentos das classes;</li>
<li>2) os políticos profissionais não só desenvolvem discursos na linha do requisito anterior, como não fazem parte necessariamente da classe economicamente dominante. O facto de a condição de ex-governante ser mais favorável financeiramente do que a de executante político só prova que o ser-se um político competente e eficaz ao serviço do grande capital tem como recompensa um lugar num qualquer conselho de administração de um qualquer grande potentado financeiro (vd. Jorge Coelho, Armando Vara, Dias Loureiro, Mira Amaral, etc, etc.). Em paralelo, a ideologia que enforma os políticos do sistema (homóloga às intenções de classe do grande capital) é a condição <em>sine qua non</em> para que haja uma coincidência entre o programa político dos governos e as concepções da burguesia;</li>
<li>3) toda esta natureza de classe do poder político é obscurecida pelo facto de as eleições no Estado capitalista serem um falso universalismo. Ou seja, o tipo de mediação que ocorre entre o palco eleitoral e o aparelho de Estado opera uma ilusão de suposta determinação das políticas governamentais e de suposta escolha perfeitamente clarividente e consciente dos eleitos. Ora, na verdade, a manta ideológica dominante que perpassa os media, o Estado e os partidos da burguesia tem efeitos inegáveis na estruturação da consciência política das massas populares, facilitando a escolha eleitoral de candidatos que não firam os interesses de classe do grande capital. Em simultâneo, a despolitização provocada pela ideologia dominante pavimenta a ascensão da demagogia, do populismo e das falsas promessas.</li>
</ul>
<p>De facto, se o Estado democrático liberal o fosse de forma inequívoca como se procura apresentar aos seus cidadãos (ou seja, como o resultado de uma vontade colectiva consciente e participada de toda a população), então seria incompreensível que, por um lado, dispensasse a participação efectiva dos trabalhadores na definição das suas orientações políticas e, por outro lado, preconizasse directrizes políticas, económicas e sociais que pouco ou nada têm a ver com os interesses e aspirações das classes populares. Se o chamado Estado <em>democrático</em> correspondesse a um <em>Universal Absoluto</em>, as políticas neoliberais que os governos um pouco por todo o mundo vêm concretizado seria uma aberração ou uma disfunção sistémica do Estado e da democracia. Consequentemente, a &#8220;democracia&#8221; actualmente existente assenta arraiais na prossecução de condensados ideológicos e acções políticas e económicas que influenciam, ferem e prejudicam a vida da esmagadora maioria da população, sempre em benefício de uma minoria. A democracia burguesa é assim um <em>Particular Absoluto</em>.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>«O conjunto  das 358 pessoas mais ricas é igual ao rendimento dos 45% da população mundial mais pobre, ou seja, 2,3 biliões de pessoas. As 200 pessoas mais ricas do mundo mais do que dobraram as suas posses de 1994 a 1998, para mais de um trilião de dólares. Os portfólios financeiros dos três maiores bilionários do mundo representam um volume de capital superior ao Produto Nacional Bruto (PNB) de todos os países menos desenvolvidos do mundo e dos seus 600 milhões de habitantes».</p>
<p>In David Harvey, <em>A brief history of neoliberalism</em>. Oxford University Press, 2005, p.35.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Foi feita &#8220;Justiça&#8221;???</title>
		<link>http://5dias.net/2011/05/02/foi-feita-justica/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 18:56:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>franciscofurtado</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[bin laden]]></category>
		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra-ao-terrorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Popular]]></category>

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		<description><![CDATA[A execução sumária de Bin Laden não me tira o sono, a verdade é que teve o que merecia. O que me faz bastante confusão é as afirmação vinda de todo o establishment, governos, media, etc&#8230; de que foi feita &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/05/02/foi-feita-justica/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A execução sumária de Bin Laden não me tira o sono, a verdade é que teve o que merecia. O que me faz bastante confusão é as afirmação vinda de todo o establishment, governos, media, etc&#8230;<a href="http://publico.pt/Mundo/obama-sauda-um-grande-dia-para-a-america-com-a-morte-de-bin-laden_1492178"> de que foi feita Justiça</a>. Pensava que nas democracias liberais, para as suas instituições e para os seus defensores a afirmação &#8220;fez-se justiça&#8221; implicava julgamento num tribunal, nem que seja militar, mas sei lá um tribunal em que haja advogados e testemunhas e juízes&#8230; Afinal não&#8230; É que isto de execuções sumárias não é nada de novo, para o estado de Israel é mato, agora não me lembro de essas acções serem retratadas como actos de justiça. Se bem me lembro o termo empregue era de &#8220;assassinatos selectivos&#8221;.</p>
<p>E o engraçado é imaginar o que pensam os mesmos que salivam com a &#8220;justiça feita&#8221; a Bin Laden, sobre os eventos do video abaixo e outros que tais&#8230;</p>
<p><object width="425" height="349"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wUPqsh52QPc?fs=1&#038;hl=pt_PT"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/wUPqsh52QPc?fs=1&#038;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="349" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ah e tal votar é importante, mas há quem fale de outras maneiras e há maneiras mais importantes de falar.</title>
		<link>http://5dias.net/2011/01/28/ah-e-tal-votar-e-importante-mas-ha-quem-fale-de-outras-maneiras-e-ha-maneiras-mais-importantes-de-falar/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/01/28/ah-e-tal-votar-e-importante-mas-ha-quem-fale-de-outras-maneiras-e-ha-maneiras-mais-importantes-de-falar/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2011 16:42:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Teixeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Blogues]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>

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		<description><![CDATA[O fundamentalismo democrático de Daniel Oliveira está cada vez mais burguês uma vez que parece confiar às escolhas eleitorais todas as mudanças e está incapaz de ver que há vida inteligente para lá do acto. Como ele, entendo que a &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/01/28/ah-e-tal-votar-e-importante-mas-ha-quem-fale-de-outras-maneiras-e-ha-maneiras-mais-importantes-de-falar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><img class="size-large wp-image-55927 aligncenter" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2011/01/mafalda4-520x179.jpg" alt="" width="520" height="179" /><a href="http://arrastao.org/2156670.html" target="_blank">O fundamentalismo democrático de Daniel Oliveira</a> está cada vez mais burguês uma vez que parece confiar às escolhas eleitorais todas as mudanças e está incapaz de ver que há vida inteligente para lá do acto. Como ele, entendo que a conquista do voto não deve ser menosprezada pelos cidadãos, que no limite da falta de escolhas podem anular ou deixar branco o seu voto. Agora pensar que quem se deixou de dar ao trabalho é um imbecil com pouco mais de duas pernas e que nem sequer merece ser reflectido é mandar para o lixo numa só posta a história inteira do movimento operário. Como mostra bem o que se está a passar no Egipto  ou na Tunísia (Mubarak e Ben Ali foram eleitos há pouco tempo com maioria absoluta) e como bem mostraram diferentes momentos só do último século, as revoluções dificilmente serão anunciadas na televisão e muito menos virão de uma mesa de voto. As eleições apenas permitem uma visão distorcida da realidade e da vontade efectiva das pessoas. Se queremos espelhos é melhor procurar por outro lado.</p>
<p style="text-align: justify">]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Facultativo ou Obrigatório?</title>
		<link>http://5dias.net/2010/12/27/facultativo-ou-obrigatorio/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 Dec 2010 00:19:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danielmedinapt.wordpress.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Daniel Medina]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[obrigatório]]></category>
		<category><![CDATA[voto]]></category>

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		<description><![CDATA[Se o voto em Portugal fosse obrigatório, o que é que mudava? 1º &#8211; Seria democraticamente correcto? 2º &#8211; Que mecanismos deviam/poderiam ser implementados para esse efeito? 3º &#8211; Ganharia a esquerda mais votos? 4º &#8211; Tanta foi a luta &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/12/27/facultativo-ou-obrigatorio/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se o voto em Portugal fosse obrigatório, o que é que mudava?</p>
<p><a href="http://jdanielmedina.wordpress.com/"><img class="aligncenter size-large wp-image-53042" title="voto_obrigatorio" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/12/voto_obrigatorio-520x312.png" alt="" width="520" height="312" /></a><br />
1º &#8211; Seria democraticamente correcto?<br />
2º &#8211; Que mecanismos deviam/poderiam ser implementados para esse efeito?<br />
3º &#8211; Ganharia a <strong><em>esquerda</em> </strong>mais votos?<br />
4º &#8211; Tanta foi a luta para que as mulheres, por exemplo, pudessem exercer o direito de voto, porque não torna-lo agora obrigatório?<br />
5º &#8211; Quais os entraves que seriam colocados?</p>
<p><em><strong>PS:</strong></em> <em>Este post é apenas uma forma de debater a importância do voto no regime em que vivemos.<br />
</em></p>]]></content:encoded>
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		<title>Liberdade de dissidência</title>
		<link>http://5dias.net/2010/10/05/liberdade-de-dissidencia/</link>
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		<pubDate>Tue, 05 Oct 2010 12:34:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Fortes</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de ouvir alguns excertos das intervenções de Cavaco e de Sócrates nas comemorações do dia de hoje na TSF. O apelo de Cavaco ao consenso, à responsabilidade, à diluição das diferenças acompanhado das palavras de Sócrates falando de agitação irresponsavel, &#8230; <a href="http://5dias.net/2010/10/05/liberdade-de-dissidencia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de ouvir alguns excertos das intervenções de Cavaco e de Sócrates nas comemorações do dia de hoje na TSF. O apelo de Cavaco ao consenso, à responsabilidade, à diluição das diferenças acompanhado das palavras de Sócrates falando de agitação irresponsavel, oposição inconsequente ao mesmo tempo que o PSD pela voz de um seu representante fazia questão de definir a sua autonomia (autonomia, não independência&#8230;) fazem com que me pergunte se em Portugal ainda existe liberdade de dissidir sem anátema social e politico.</p>]]></content:encoded>
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		<title>de penoso a penal, um juízo do apalpão &#8212; here we go again</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2007 00:49:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Câncio</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[apalpão]]></category>
		<category><![CDATA[código-penal]]></category>
		<category><![CDATA[conselho-superior-de-magistratura]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[juízes]]></category>

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		<description><![CDATA[Na noite de passagem de ano, quase nunca há táxis em Lisboa. Às cinco da manhã, junto ao Lux, não havia táxis. A Maria, vamos fazer de conta que é esse o nome dela, saiu do Lux a essa hora. &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/05/de-penoso-a-penal-um-juizo-do-apalpao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na noite de passagem de ano, quase nunca há táxis em Lisboa. Às cinco da manhã, junto ao Lux, não havia táxis. A Maria, vamos fazer de conta que é esse o nome dela, saiu do Lux a essa hora. Como mora perto do Cais do Sodré, resolveu ir a pé para casa. Não lhe passou pela cabeça que podia correr perigo, só que ia ser uma chatice de um estirão, quando os pés já lhe doíam de dançar e só sonhava com a cama. Quando estava a 300 metros do destino, um grupo de três rapazes de vinte anos apareceu-lhe à frente. O primeiro mandou-lhe a mão ao rabo, o segundo imitou-o. O terceiro encostou-a à parede e passou-lhe revista. A Maria gritou, empurrou, debateu-se, deu pontapés, mas não conseguiu rechaçá-lo.</p>
<p>A Maria é bonita e loira e vestia uma mini de cabedal preto e um blusão de pêlo branco e caminhava só na rua, ao pé do Cais do Sodré, a caminho de casa. Quando os rapazes a largaram, ficou parada a insultá-los, aos gritos, até ficar rouca, mas eles riram e não voltaram para trás. Há uma esquadra ali perto. Mas Maria já lá foi algumas vezes, uma das quais quando roubaram um telemóvel a uma amiga que a ia visitar, e ficou com a ideia de que ir à esquadra só serve para perder tempo e ficar ainda mais irritada. Suspeitava aliás de que, se fosse à polícia queixar-se de ter sido apalpada na rua por três marmanjos, ainda acabaria a sentir-se gozada ou a ter de responder a perguntas do tipo ‘Então e o que estava a senhora a fazer na rua a esta hora, sozinha?’ ou ‘Não acha que é muito perigoso uma senhora tão atraente andar assim vestida por aí, a estas horas? Não acha que até teve muita sorte de não lhe ter acontecido pior?’</p>
<p><span id="more-843"></span><br />
É também possível que os polícias lhe confessassem não saber se os rapazes teriam cometido algum crime. Bem vistas as coisas, mexer no corpo de outra pessoa sem o consentimento da mesma, avaliar-lhe a consistência dos seios ou das nádegas ou do sexo não está descrito em nenhuma tipologia de crime do Código Penal – a não ser que a pessoa a quem isso seja feito seja menor e o perpetrador seja maior, caso em que será considerado abuso sexual. Mas quando ambos são maiores, pois que nada, no capítulo dos crimes contra a liberdade e auto-determinação sexual, penaliza especificamente aquilo que foi feito à Maria.</p>
<p>Já se, em vez de a apalparem de alto a baixo, os rapazes tivessem por exemplo baixado as calças e exibido o falo, cometeriam um crime, o de “actos exibicionistas” (“Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela actos de carácter exibicionista”), previsto no número 171º como prevendo uma pena de prisão até um ano ou pena de multa até 120 dias. Mas como lhe mexeram e só usaram as mãos, não é necessariamente crime.</p>
<p>Este vazio (para quem assim o entender, claro) legal já terá levado a que, num caso ou noutro, um apalpão tenha sido considerado “coacção sexual”, o crime previsto no número 163º do CP (&#8220;Quem, por meio de violência, ameaça grave, ou depois de, para esse fim, a ter tornado inconsciente ou posto na impossibilidade de resistir, constranger outra pessoa a sofrer ou a praticar, consigo ou com outrem, acto sexual de relevo é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos&#8221;), implicando não só que se entenda o dito apalpão como “acto sexual de relevo” como uma pena mínima de um ano.</p>
<p>Terá sido a ponderação destas questões que levou a Unidade de Missão para a Reforma do Código Penal a propor que o artigo 171º passe a intitular-se “importunação sexual” e preveja pena até um ano para quem “importunar outra pessoa praticando perante ela actos de natureza exibicionista ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual&#8221;.</p>
<p>Contra esta proposta, insurgiu-se, primeiro, a Associação Sindical dos Juízes, num parecer assinado por Pedro Albergaria e Mouraz Lopes, e depois o Conselho Superior de Magistratura. Este, que, recorde-se, é &#8220;o orgão do Estado a quem estão constitucionalmente atribuídas as competências de nomeação, colocação, transferência e promoção dos juízes dos tribunais judiciais e o exercício da acção disciplinar&#8221;, pareceu assumir como sua a tese do citado parecer e, numa ida à Assembleia da República, estabeleceu, pela voz do seu então vice-presidente, Santos Bernardino, que “O princípio que deve orientar a intervenção do direito penal na sociedade, segundo o qual este só deve intervir em situações de ultima ratio, parece ter sido aqui [na criação deste novo crime] ultrapassado, com a consequência de virem a cair no âmbito do preceito e punidas com prisão até 1 ano ou multa até 120 dias, situações desagradáveis, constrangedoras, mas não tão graves que reclamem protecção penal – como sejam os “encostos” nos transportes públicos”.</p>
<p>Para o juiz Santos Bernardino, ou seja, para o Conselho Superior de Magistratura &#8212; porque foi na qualidade de seu representante que fez doutrina sobre o assunto – e portanto para os juízes portugueses, o facto de se poderem verificar queixas de importunação sexual devidas aos tais ‘encostos’ nos transportes públicos justifica que situações como aquela pela qual Maria passou não tenham enquadramento penal específico, ou, em alternativa, sejam enquadradas no crime de coacção sexual, que prevê uma pena muito mais pesada (o que implicará, na prática, que a maioria dos agentes judiciais não o considerem enquadrável nessa categoria).</p>
<p>Mas, o que é talvez ainda mais interessante, o representante dos juízes parece, com as suas palavras, exprimir dois tipos de temores: o de que, subitamente, todas as pessoas vítimas de “encostos” nos transportes públicos se precipitassem para a esquadra mais próxima para apresentar queixa, propondo levar a tribunal o ‘encostador’, e o de que os seus colegas viessem a encarar a hipótese de penalizar efectivamente os tais ‘encostos nos transportes públicos’.</p>
<p>A outra hipótese, claro, é que o juiz Santos Bernardino considere que aquilo que aconteceu a Maria, e que já aconteceu a todas as Marias, não tem características de crime. Que não tem a gravidade, por exemplo, de um furto de telemóvel ou de um insulto. Que encostar a Maria à parede e submetê-la a um contacto que ela não deseja e sente como uma agressão de indiscutível natureza sexual é menos grave que chamar-lhe puta. Que, como me explicou um dos autores do parecer da Associação Sindical numa conversa telefónica, há “uma certa aceitação cultural” em relação às situações que o crime de importunação sexual se propõe penalizar.</p>
<p>Presumo que nem ao juiz Pedro Albergaria nem ao juiz Santos Bernardino tenha ocorrido a este propósito que uma das funções da lei penal é também sinalizar a intolerabilidade de certas situações em relação às quais se criou a ideia de que são aceitáveis. Um bom exemplo disso é a violência doméstica. Mas como tal se podem também indicar os maus-tratos infantis ou o abuso sexual de menores, que só têm enquadramento penal no Código português há pouco mais de uma década.</p>
<p>Note-se que a propósito deste debate há quem invoque o exemplo da interrupção voluntária da gravidez, questionando o facto de, havendo quem tivesse defendido a despenalização parcial desse acto invocando, entre outras razões, um sentimento geral (cultural) nesse sentido, o mesmo sentimento de &#8216;aceitabilidade&#8217; deveria funcionaria também a favor da não criação de um novo crime que englobe o apalpão. Muito francamente, escapa-me o fundamento desta analogia, que creio ninguém se lembraria de estabelecer caso se estivesse, por exemplo, a defender o formular de um crime como o já citado abuso sexual de menores. A não ser que nessa analogia prepondere o facto de se considerar que o que está em causa, numa e noutra posição, é uma visão ‘feminista’.</p>
<p>Eis uma perspectiva interessante, tanto mais que me parece óbvio que o fundamento da negação do carácter de crime à importunação sexual traduzida no ‘apalpão’ tem as suas raízes, como já tive ocasião de escrever numa crónica que suscitou a indignação (apopléctica até ao insulto) de vários membros da judicatura, no mais cristalino machismo.</p>
<p>E machismo porquê, pergunte-se. Afinal, o apalpão ou o encosto não são forçosamente, como já teve ocasião de frisar o juiz Santos Bernardino, perpetrados por um homem numa mulher. Não senhor, tem o meritíssimo toda a razão. Sucede que a maioria é. E que esse facto se prende com uma concepção do estatuto da mulher como inferior, subalterno, menos digno. Com uma ideia de menoridade, de submissão ao domínio masculino que lhe nega o direito ao seu corpo e à sua liberdade sexual. Que melhor forma de estabelecer essa menoridade, essa submissão, que considerar que qualquer corpo feminino está, &#8216;culturalmente&#8217;, ao dispor da curiosidade manipulatória dos homens? E que isso nem sequer é ofensa suficientemente grave para configurar um crime? Que não vale a pena dar esse sinal à sociedade?</p>
<p>Claro que os senhores doutores juízes poderão alegar que, num país em que as mulheres e homens têm perante a lei os mesmos direitos e dignidade, é de esperar que as mulheres, se de facto forem as vítimas preferenciais de apalpões e encostos na via e transportes públicos, ‘se virem’ aos homens. Que os ameacem, os insultem, os agridam. Que, em suma, cometam crimes previstos no Código Penal como reacção a um acto que o Código Penal não considera (por enquanto) crime. Caberia depois aos senhores juízes, postos perante a situação, ajuizar da justeza e legitimidade da reacção criminosa face ao acto que a teria desencadeado.</p>
<p>Sucede que os mesmos juízes, ou seja, as mesmas instituições que os representam, consideram que uma outra alteração proposta pela Unidade de Missão (na verdade, uma clarificação) &#8212; a de frisar que o novo crime de violência doméstica inclui a violência entre casais do mesmo sexo &#8211;, não faz sentido porque aí não se verifica “o ascendente físico” que os senhores juízes (no parecer e na opinião do CSM expressa no parlamento) consideram existir entre homem e mulher. Esta perspectiva, que aparentemente deveria surgir como contraditória em relação às asserções aduzidas pelos mesmos juízes no que respeita ao “crime de apalpão” (a existir uma espécie de inferioridade ou de vulnerabilidade congénita da mulher face ao homem, que justificaria que o crime de violência doméstica só configurasse abusos deste em relação àquela, então faria talvez sentido admitir que é necessário, pelas mesmas razões, criminalizar o apalpão), na verdade não o é. Tudo, afinal, tem a ver, não exactamente com o que os senhores juízes consideram ser a “aceitação cultural da sociedade” (a ser assim, talvez não se pudesse criminalizar a violência doméstica), mas com o que os senhores juízes consideram eles próprios aceitável. Ou ‘normal’.</p>
<p>Uma aceitabilidade e uma normalidade que há pouco mais de dez anos foi eloquentemente exemplificada pelo famoso acórdão do macho latino, denunciado  por Teresa Pizarro Beleza. Dizendo respeito a um caso de violação de duas estrangeiras no Alentejo, o dito acórdão, exarado pelo Supremo Tribunal de Justiça, considerava que ao andarem à boleia no Alentejo, as mulheres se tinham aventurado na “coutada do macho latino”.</p>
<p>Não se remetendo ao lugar de recato que lhes seria exigido, estas duas mulheres ‘habilitaram-se’ a ser violadas. Estabelecendo um paralelismo – provavelmente abusivo – quem pela sua aparência, vestuário, carácter aventuroso ou manifesta ausência de protecção masculina se colocar, como a Maria ‘se colocou’, em posição de ser apalpada no meio da rua, terá tido o que merecia, não podendo solicitar à sociedade que criminalize uma conduta que ela tornou, por assim dizer, ‘inevitável’ e que é o menos do mais que lhe poderia acontecer.</p>
<p>Todos os juízes pensam assim? Esperemos que não. Esperemos que o acórdão do Supremo seja uma aberração. Que não haja hoje um único juiz capaz de concordar, ainda que em privado, com um tal acórdão. E esperemos que haja muitos juízes que não se revêem no parecer da respectiva Associação Sindical nem nas posições expressas pelo juiz Santos Bernardino.</p>
<p>Esperemos até mais. Que nem todos os juízes se considerem incriticáveis, que nem todos leiam qualquer crítica que seja dirigida a este ou aquele acórdão, a esta ou aquela sentença, a este ou aquele parecer ou a esta ou aquela posição corporativa como um ataque pessoal e global, desencadeado com motivações inconfessáveis ou conspirativas. Esperemos que nem todos os juízes considerem que as críticas que lhes são dirigidas relevam de um qualquer parti-pris e devem ser lidas como insultuosas e portanto retribuídas com insultos.</p>
<p>Esperemos que haja juízes que saibam distinguir entre opiniões e alegadas campanhas. E entre direito de resposta e insultos &#8212; que, diria eu, é uma distinção que a lei explica muito bem.</p>
<p>(<em>declaração de interesses: este texto surge na sequência de uma minha crónica publicada no DN – O juiz macho e o apalpão latino – que motivou um direito de resposta do juiz Santos Bernardino, direito de resposta esse que foi considerado não publicável, nos termos da lei de Imprensa, pela então direcção do jornal. Esta convidou o juiz a reformular a sua resposta, de forma a que esta pudesse ser publicada. O juiz Santos Bernardino entendeu não o fazer, preferindo publicar o direito de resposta recusado &#8212; assim como a resposta da direcção do DN justificativa da não publicação do dito e a minha crónica&#8211;, no <a href="http://www.conselhosuperiordamagistratura.pt/index.php?idmenu=noticia&amp;lg=1">site do Conselho Superior de Magistratura</a>. Outros sites relacionados com juízes o fizeram, alguns em termos deploráveis e permitindo comentários com insinuações caluniosas, apesar de certificarem a existência de moderação de comentários nesses mesmos sites. Creio que tudo isto, que seria sempre lamentável, ainda o é mais por ser protagonizado por membros – alguns dos quais altos representantes &#8212; de uma classe profissional cuja função é assegurar a aplicação da lei e a limpidez da justiça, ou seja, a existência de um Estado de Direito. Há muitas formas de poder, decerto. O dos juízes, porém, será o mais nuclear numa democracia, já que é nos tribunais que reside a esperança de todos os que se sentem injustiçados. Quando é dos próprios juízes que surge, por via de uma posição corporativa ‘de princípio’ contra uma pessoa ou um grupo, a ameaça da denegação de justiça, há razões para temer que tal esperança esteja mal colocada. E que na tentativa reiterada de se afirmarem superiormente independentes de todos os poderes, os juízes soçobrem à paixão do seu próprio poder, encarniçando-se numa insana busca de bodes expiatórios para justificar aquilo que vêem como um decréscimo do seu prestígio social &#8212; e não é mais que a democracia a funcionar.)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Brevíssima meditação sobre a escatologia do poder e dos media</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Nov 2006 05:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Ramos de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Nuno Ramos de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[escatologia]]></category>
		<category><![CDATA[media]]></category>

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		<description><![CDATA[A secção mais esclarecedora da imprensa portuguesa encontra-se na Pública. Chama-se “O Lixo dos Famosos” e consiste em mostrar , para deleite dos leitores, o conteúdo do lixo de uma pessoa &#8220;conhecida”. Embora quase toda a imprensa se tenha transformado &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/03/brevissima-meditacao-sobre-a-escatologia-do-poder-e-dos-media/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img width="400" height="320" id="image328" alt="bullet-from-revolver-2.jpg" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2006/11/bullet-from-revolver-2.jpg" /></p>
<p>A secção mais esclarecedora da imprensa portuguesa encontra-se na <em>Pública.</em> Chama-se “O Lixo dos Famosos” e consiste em mostrar , para deleite dos leitores, o conteúdo do lixo de uma pessoa &#8220;conhecida”.  Embora quase toda a imprensa se tenha transformado num revelador de intimidades e excreções, é natural que tenha sido o diário de Belmiro o primeiro a destapar a tampa e a ir directamente ao lixo, em si. O hábito faz o público, e os leitores desse diário já estão habituados a esse tipo de eflúvios: lêem a sua secção editorial e têm acesso ao telúrico universo mental do director. Enquanto a imprensa sensacionalista oficial se concentra na roupa interior e no luxo dos ricos, o “jornal de referência” inova e com um toque de José Manuel Fernandes transforma, num passe de mágica, o “luxo” em “lixo” e coloca a populaça ignara a prestar vassalagem aos despojos dos poderosos. Estamos perante o último degrau do domínio ideológico. Os cientistas sociais criaram o conceito de <em>empowerment</em> para falar de práticas que concedem mais poder a determinados grupos e populações, podemos dizer que a acção do <em>Público</em> tem o efeito contrário: é um completo ‘enlixerment’ (num inglês do Casaquistão) dos leitores: a ideia que os compradores de um jornal devem adorar os excrementos dos ricos, para além de determinadas taras sexuais entre adultos consentâneos, transforma-os literalmente em gente abaixo da merda dos ditos.<br />
Um dos aspectos mais geniais neste processo é que o sistema tornou rentável esta  abjecção: as revistas e os jornais que vendem a vida maravilhosa dos muito ricos, do casamento até ao caixote de lixo, têm imensos pobres a comprar. Estamos perante uma submissão muito lucrativa. Não só exploram, não só criam um sistema económico que atira 80% da população do mundo para a miséria, como ainda lhes vendem a vida fantástica dos ricos, em fascículos.<br />
O lugar dos jornalistas neste processo é um dos maiores achados: antigamente, pedia-se aos profissionais da comunicação social que noticiassem aquilo que de importante aconteceu no mundo; hoje pede-se que escrevam, gravem, filmem aquilo que vai “vender” e que o público quer, supostamente, conhecer. Num dos grupos de media em que trabalhei, o proprietário explicou-me que ‘a maioria das pessoas tem vidas horríveis e que não querem ver a sua situação retratada ou denunciada, o que as pessoas querem é sonhar’. Para isso devemos mostrar-lhes os ricos e famosos. Por um passe de mágica entramos no eugenismo jornalístico, em grande parte das revistas portuguesas, ditas de informação, está proibido, pelas direcções editoriais, aparecerem “pobres, velhos, negros e feios”. Toda a gente sabe que não vendem. Há, obviamente, excepções: uma negra voluptuosa e famosa pode ter fotografia e um multimilionário parecido com uma abóbora tem de ser publicado. Mas são excepções que confirmam o espírito da regra.<br />
Nem o mais horrível dos totalitarismos conseguiu fazer isso às suas vítimas, por muito que tentasse, duvido que Hitler conseguisse impingir aos judeus que iam para os campos de concentração as crónicas sentimentais dos chefes das SS.<br />
Digamos que para quem vê, chegámos a um momento profundamente esclarecedor: no fundo, tanto do ponto de vista do conteúdo, como do ponto de vista da propriedade a maioria da nossa comunicação social não passa de “lixo dos ricos”.</p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Dahrendorf: o &#8220;Novo Autoritarismo&#8221;</title>
		<link>http://5dias.net/2006/09/25/dahrendorf-o-novo-autoritarismo/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Sep 2006 18:15:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rui Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[11-setembro]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[espaço-público]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra-ao-terrorismo]]></category>
		<category><![CDATA[intelectuais]]></category>
		<category><![CDATA[media]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Este homem, como diria João Carlos Espada, é um sir. O problema é que, nos velhos tempos, João Carlos Espada e a direita portuguesa auto-proclamada de liberal não conseguiria alinhar duas palavras sem citar Ralf Dahrendorf. Hoje, sir Ralf anda &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/09/25/dahrendorf-o-novo-autoritarismo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este homem, como diria João Carlos Espada, é um <em>sir</em>. O problema é que, nos velhos tempos, João Carlos Espada e a direita portuguesa auto-proclamada de liberal não conseguiria alinhar duas palavras sem citar Ralf Dahrendorf. Hoje, <em>sir </em>Ralf anda mais desaparecido da prosa nacional, talvez por escrever coisas como <a href="http://www.project-syndicate.org/commentary/dahrendorf54" target="_blank">este artigo sobre &#8220;o 11 de Setembro e o novo autoritarismo&#8221;</a>. Algumas frases-chave:<br />
<blockquote><a href="http://www.project-syndicate.org/commentary/dahrendorf54" title="Ralf Dahrendorf, 9/11 and the new authoritarianism"><br />«Mas terá mesmo começado uma guerra a 11 de Setembro de 2001? Nem todos se contentam com esta definição americana. Na época alta do terrorismo irlandês no Reino Unido, sucessivos governos britânicos se esforçaram ao máximo para não conceder ao IRA a ideia de que se estava a travar uma guerra. &#8220;Guerra&#8221; teria significado a aceitação dos terroristas como inimigos legítimos&#8230;»
</p>
<p>«&#8230;os actos terroristas devem ser melhor descritos como actos criminosos. Ao chamar-lhes guerra&#8230; o governo dos EUA justificou políticas internas que, antes dos ataques de 11 de setembro, seria inaceitáveis em qualquer país livre.»
</p>
<p>«Desde cedo, o campo-prisão de Guantánamo em Cuba tornou-se o símbolo de uma coisa inaudita: a prisão sem julgamento de &#8220;combatentes ilegais&#8221; privados de todos os direitos humanos. Resta ao mundo imaginar quantos mais destes homens não-humanos permanecem neste momento em quantos outros lugares.»
</p>
<p>«As características fundamentais do Ocidente, a democracia e o estado de direito, sofreram mais às mãos dos seus defensores do que dos seus atacantes.»
</p>
<p>«&#8230;os nossos líderes devem procurar acalmar, ao invés de explorar, a ansiedade pública. Os terroristas com quem estamos em &#8220;guerra&#8221; não podem vencer, porque a sua visão feita de trevas nunca ganhará ampla legitimidade popular. Essa é mais outra razão para nos erguermos em defesa dos nossos valores — em primeiro lugar, e acima de tudo, agindo de acordo com eles.»</a></p></blockquote>
<p>O TPC para esta semana é: traduzir e divulgar este texto, insistir na sua publicação nos nossos jornais. Mostrar à nossa direita quão afastados e adversos andam dos valores que dizem defender.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Jorge Palinhos: A Conspiração</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Sep 2006 13:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[convidado]]></category>
		<category><![CDATA[11-setembro]]></category>
		<category><![CDATA[conspiração]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia-de-grupo]]></category>

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		<description><![CDATA[[E agora apresento o primeiro craque das segundas-feiras: Jorge Palinhos, que já foi do Cruzes Canhoto e do Blogue de Esquerda. Nunca conheci pessoalmente o Jorge, mas sou um fã de longa data. Sei que será o meu primeiro acerto &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/09/25/jorge-palinhos-a-conspiracao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[E agora apresento o primeiro craque das segundas-feiras: Jorge Palinhos, que já foi do <a href="http://cruzescanhoto.weblog.com.pt/">Cruzes Canhoto</a> e do <a href="http://bde.weblog.com.pt">Blogue de Esquerda</a>. Nunca conheci pessoalmente o Jorge, mas sou um fã de longa data. Sei que será o meu primeiro acerto como editor do 5dias, mas o mérito é todo dele.]
</p>
<p>Uma parte significativa das pessoas que conheço acredita que o governo americano é responsável pelos atentados de 11 de Setembro de 2001.<br />Estas pessoas não são, note-se, anti-americanos destravados, leninistas ferozes ou maníacos da conspiração. São pessoas de ordinária normalidade, profissão regular, família burguesa e votantes de partidos centristas. Mas são também pessoas que dão crédito a teorias de que o Pentágono foi atingido por um míssil, de que as Torres Gémeas foram alvo de demolição sistemática, de que o Voo 93 foi abatido por um míssil, e que tudo, no fundo, não passou de uma elaborada e sangrenta desculpa para invadir o Iraque e o Afeganistão. E estas pessoas não estão sós na sua crença, visto que inquéritos recentes <a href="http://newspolls.org/story.php?story_id=55 ">revelam que quase 40 % dos americanos acreditam que o seu próprio governo teve mão nos atentados</a>.
</p>
<p>Por modéstia própria, e alguma auto-estima, não costumo desconfiar que as pessoas que me rodeiam precisam de apoio psiquiátrico. Acredito até que todos os governos são suspeitos até prova em contrário: não são novos os Estados que enganam e sacrificam os seus concidadãos para desencadear guerras e invasões, e o enorme poder económico e militar de que dispõem justificam a desconfiança e fiscalização extremas.
</p>
<p>Mas, apesar disso, olho para o 11 de Setembro e espanto-me: será possível que um governo destrua uma parte da sua sede militar e arrase um importante centro de negócios, no lugar do mundo com maior percentagem por metro quadrado de jornalistas, câmaras de vigilância e eleitores hostis ao governo, só para se ir meter em duas alhadas sem saída visível? E é possível recrutar, para tal operação, centenas de agentes de lealdade à prova de remorsos e inconfidências? E como se calam dezenas de milhar de especialistas capazes de suspeitar de algo? E como é que alguém poderia levar a bom termo uma operação de tanta audácia e inteligência e em seguida ter sucessivos desaires no Afeganistão e no Iraque? E, mais importante ainda, como continuar a discorrer com gosto sobre os índices de inteligência de George W. Bush se há a possibilidade de este ser o mais carismático génio operacional do mundo desde Amílcar Barca?
</p>
<p>Para tirar dúvidas, nada como ver a mais reputada denúncia desta alegada conspiração: um documentário divulgado na Internet, montado por um trio de empenhados adolescentes, que se basearam em teorias e factos postos a correr anonimamente na internet.
</p>
<p>A minha conclusão foi: é bom ver os jovens de hoje retomarem a sua leitura de Aristóteles! Porque a eficácia retórica do documentário é notável. Começa-se por apontar factos passados pouco abonatórios para o governo americano e indícios de que alguém teria lucrado com os atentados para pôr o espectador a levantar o sobrolho. Passa-se, em seguida, para o sumo da argumentação, apontando inconsistências, contradições e paradoxos da versão oficial de forma a deixar o receptor cheio de suspeitas. Entra-se, então, no acumular de pistas e pontas soltas, sem, contudo, se fornecer qualquer contexto ou sistematização.<br />Por fim aponta-se um culpado e sugerem-se possíveis motivos de culpa, nenhum deles aprofundado, e termina-se com os autores a dizerem-se perseguidos e ridicularizados pelas suas ideias e acenando patrioticamente a bandeira americana.
</p>
<p>O veredicto? 16 em estrutura, 4 em conteúdo. Porque se é admirável o trabalho e empenho destes adolescentes, e parece haver pormenores genuinamente estranhos que mereciam investigação, a existência de líderes maquiavélicos e agentes impiedosos continua a parecer-me do domínio de Ian Fleming. É que, para os paradoxos e inconsistências da versão oficial, continuo a achar mais verosímil a explicação de que muitos fenómenos físicos continuam incompreensíveis para nós e que as instituições americanas está tão cheio de incompetentes, indolentes, débeis mentais e corruptos como todas as outras organizações do mundo.
</p>
<p>Serei ingénuo? É uma possibilidade. Mas em toda esta alegada conspiração, o que mais me intriga é a quantidade e qualidade de pessoas que nela acreditam.
</p>
<p>Não me refiro à visibilidade e impunidade que os divulgadores da dita conspiração parecem ter, mas à necessidade que tantas pessoas comuns parecem ter em acreditar nela. Falo do facto de que milhões de americanos parecem suspeitar que o seu governo legitimamente eleito as enganou e usou como um horroroso isco e nada fazerem quanto isso. Um político húngaro admitiu recentemente ter mentido para ser reeleito e tem manifestações e protestos quotidianos à porta. O governo americano é suspeito de ter sacrificado mais de 3000 dos seus cidadãos e… nada?
</p>
<p>Isto leva-me a duas suspeitas. Uma, é a suspeita de que as pessoas preferem acreditar na omnipotência e perversidade do seu próprio governo a acreditar na fraqueza e impotência deste perante inimigos estrangeiros. A outra é a suspeita de que se as pessoas crêem que o seu governo eleito é totalitário e nada fazem contra isso é porque, talvez, no fundo, guardam o secreto desejo que este seja mesmo totalitário e omnipotente.
</p>
<p>E isto é a conspiração mais assustadora de todas.</p>]]></content:encoded>
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