1 de Março de 2009 por Tiago Mota Saraiva

É sabido que ser-se um ex-militante do PCP não é necessariamente prova que se é de esquerda. Embora compreenda a necessidade de comentadores de direita como Pedro Marques Lopes (no Eixo do Mal) ou Henrique Burnay, em identificarem a escolha de Sócrates como uma concessão à chamada “ala esquerda” para que o PS saia de cima do eleitorado de direita, é pouco compreensível que Ricardo Costa na SIC-N ou o noticiário da RTP difundam a mesma ideia errada.
É certo que Vital foi um excelente deputado do PCP – coisa que alguns só agora repararam, teve um papel muitíssimo importante na elaboração da Constituição e é um académico com um percurso assinalável. Agora o seu posicionamento político deve ser avaliado, não pelo que foi em tempos ou pela sua actividade académica, mas sim pela sua actividade política recente, designadamente, nas opiniões que tem emitido.
Assim vejamos qual é o pensamento político de Vital, a partir dos textos que publica, deixando deliberadamente de fora toda a forma pré-eleitoral ou pré-escolha-de-cabeça-de-lista como tem abordado o caso Freeport:
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28 de Fevereiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva
Para quem entende que a alternativa política de esquerda não passa por nenhum dos actores que dirigem o actual PS, a notícia da presença de Alegre na Comissão de Honra do Congresso, o discurso ultra-sectário de António Costa e a escolha de Vital Moreira para cabeça de lista às eleições europeias são óptimas notícias.
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28 de Fevereiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva
Nota de imprensa
(actualizado) “Está” mas parece que não vai.
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28 de Fevereiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva
Alguém me saberá informar quantos pensionistas, desempregados ou operários são delegados do Congresso do PS? É que pelas figuras anónimas que se vêem nas televisões e por quem se inscreve para intervir, tenderia a dizer não existe grande pluralidade social.
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28 de Fevereiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva
Desconfio que o que gosto menos em Chávez é o que Sócrates mais aprecia, e que o que gosto mais de Chávez é o que Sócrates abomina.
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28 de Fevereiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva
Começou o Congresso do PS e Sócrates fez um discurso inaugural assassino.
Era previsível que José Sócrates falasse sobre os feitos deste governo, sobre as duas ou três questões ditas fracturantes e que constam da sua moção global e que procurasse mobilizar e unir o partido para as eleições que se avizinham. Sócrates fez tudo isto.
Contudo, foi surpreendente que no discurso de abertura se referisse ao caso Freeport nos termos em que se referiu, sabendo (porque o sabia certamente!) que esse passaria imediatamente a ser o principal soundbyte do seu discurso inicial e que pairará até ao dia do encerramento do Congresso. Já aqui defendi que há questões políticas por esclarecer no caso Freeport, marginais ao processo de investigação do caso, mas José Sócrates com este discurso coloca todo o caso como uma questão política e coloca o PS, e não Sócrates, como o acossado.
Com o seu discurso inicial Sócrates termina a fase da campanha negra contra si, passando-a para o partido. Será expectável que vários congressistas, sem dados concretos sobre a investigação, intervenham sobre a matéria em sinal de apoio ao líder transformando-a na questão política de fundo do congresso.
Se é verdade que este tipo discurso até pode ser galvanizador do aparelho partidário não é minimamente fundamentado numa unidade política comum, tornando-o dependente dos tempos, se é poder ou não, e da investigação judicial.
Sócrates teria muito a aprender se olhasse para o que se passou com o Partido Socialista Italiano.
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