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	<title>cinco dias &#187; Comércio</title>
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		<title>Grandes marcas com quanto por cento de desconto?</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 22:04:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Anuncia-nos o Continente o vinho tinto regional da Adega Cooperativa de Nelas (colheita normalíssima) a 2,50€, com 50% de desconto em cartão, ou seja, para portadores do cartão “Continente” o referido vinho sai ao módico preço de 1,25€ a garrafa. &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/05/05/grandes-marcas-com-quanto-por-cento-de-desconto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small; font-family: Times New Roman;">Anuncia-nos o Continente o vinho tinto regional da Adega Cooperativa de Nelas (colheita normalíssima) a 2,50€, com 50% de desconto em cartão, ou seja, para portadores do cartão “Continente” o referido vinho sai ao módico preço de 1,25€ a garrafa. Aparentemente um grande negócio… não se desse o facto de o preço normal desse mesmo vinho, no Minipreço, ser 1,39€. Então, das duas uma: ou o Continente vende em geral o vinho muito mais caro do que o Minipreço, ou o preço deste vinho foi inflacionado durante esta promoção, de forma a um desconto de 0,14€ ser assim apresentado como de 50%, ou seja, de 1,25€. Este tipo de inflação temporária, de forma a um pequeno desconto ser apresentado como substancial, é prática comum nas grandes superfícies (não só do Continente). A ASAE deveria estar atenta a estes casos. Se o mais importante aqui é a liberdade de o hipermercado fixar os preços do vinho, há que ser consistente com o preço fixo não só durante o período de promoção. Neste caso, haveria que obrigar o Continente a vender aquele vinho ao preço regular de 2,50€ durante um período considerável, digamos seis meses.<br />
</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Pequenas vigarices que a ASAE não detecta</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Mar 2008 00:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pelo meu texto anterior talvez possam concluir que sou favorável ao encerramento das grandes superfícies ao domingo. Não é necessariamente verdade; simplesmente gosto que as leis sejam cumpridas. (Sobre a abertura das grandes superfícies ao domingo, em princípio sou favorável, &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/03/25/pequenas-vigarices-que-a-asae-nao-detecta-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo meu texto anterior talvez possam concluir que sou favorável ao encerramento das grandes superfícies ao domingo. Não é necessariamente verdade; simplesmente gosto que as leis sejam cumpridas. (Sobre a abertura das grandes superfícies ao domingo, em princípio sou favorável, pois o contrário parece-me anacrónico. Mas não faço disso um combate: há assuntos muito mais importantes e, de resto, é minha opinião que desde que o Carrefour voluntariamente saiu de Portugal deixou de haver grandes superfícies que valham mesmo a pena.)<br />
No sábado de Páscoa desloquei-me ao Continente para comprar um folar. No folheto de propaganda vinham anunciados a 3,45€ o quilo. Ao chegar lá, encontro o sinal grande pendurado: “artigo de folheto: folar &#8211; 3,45€/kg”. Mesmo por baixo, todos os folares que encontro têm o mesmo preço: 2,24€. O seu peso não vem indicado em lado nenhum. Desconfiado, pego num e levo-o à frutaria para pedir que mo pesem. 400 g, têm aqueles folares. Não é preciso ter uma grande cabeça para concluir que o preço ao quilo daqueles folares é bem superior aos 3,45€ anunciados. Queixo-me na padaria; dizem-me que os folares àquele preço estavam a chegar; era uma questão de esperar um bocadinho. E acabaram por chegar, a 3,45€ o quilo, de tamanhos diferentes, com pesos diferentes e sempre indicados. A maior parte deles eram maiores e mais baratos que os outros sem peso indicado. Desapareceram rapidamente. E lá continuaram os folares que estavam antes: de 400 g, mas sem indicação do peso (só o preço e a data), vendidos a um preço bem superior. Mesmo por baixo do cartaz que indicava: “artigo de folheto: folar &#8211; 3,45€/kg”.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes comerciantes e pequenos vigaristas</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Mar 2008 00:37:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comércio]]></category>

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		<description><![CDATA[ASAE encerra cinco hipermercados na tarde de sexta-feira santa. Parabéns, ASAE &#8211; continuem a fazer os pequenos vigaristas cumprirem a lei.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_blank" href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1323338&amp;idCanal=62">ASAE encerra cinco hipermercados</a> na tarde de sexta-feira santa. Parabéns, ASAE &#8211; continuem a fazer os pequenos vigaristas cumprirem a lei.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes liberais e pequenos vigaristas (2)</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2008 15:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comércio]]></category>
		<category><![CDATA[Comida]]></category>
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		<description><![CDATA[Não há nenhuma reacção especial a registar na blogosfera ao meu texto Grandes liberais e pequenos vigaristas. No Blasfémias, Carlos Abreu Amorim bem se enrola em argumentação da “teoria liberal”, mas não consegue refutar um facto simples: a liberdade do &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/02/25/grandes-liberais-e-pequenos-vigaristas-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt" class="MsoBodyText2"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Não há nenhuma reacção especial a registar na blogosfera ao meu texto <a href="http://5dias.net/2008/02/22/grandes-liberais-e-pequenos-vigaristas/" target="_blank">Grandes liberais e pequenos vigaristas</a>. No Blasfémias, Carlos Abreu Amorim bem se enrola em argumentação da “teoria liberal”, mas não consegue refutar um facto simples: a liberdade do consumidor fica salvaguardada retirando-se por completo o couvert da mesa. Qualquer couvert colocado a priori significa uma coacção. Tal como na questão do tabaco, Carlos Abreu Amorim só se preocupa com a liberdade dos donos dos restaurantes. Eu preocupo-me com os consumidores. </font></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman">Bem mais interessantes foram as discussões nas caixas de comentários. Aqui no <em>Cinco Dias</em> o estimado <a href="http://verdade-ou-consequencia.blogspot.com/" target="_blank">Dorean Paxorales</a> lembrou que <o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><font face="Times New Roman"><em><span style="font-size: 11pt; color: #606060" lang="PT">Por exemplo, o português que visita o R.U. ou os E.U.A. também não sabe que há um custo adicional à refeição: é a gorjeta obrigatória que vai pagar o salário ao empregado. Parece-me um hábito mais vigarista pois, acabada a comezaima, já não se pode mandar nada para trás. E ainda por cima é contemporizador de uma filosofia contratual que me parece injusta.</span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><o:p></o:p></span></em></font><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman">Devo esclarecer que estou completamente de acordo com o Dorean na sua apreciação ao sistema de gorjetas nos países anglo-saxónicos, algo que me incomoda bastante. Mas há uma diferença importante em relação ao caso português: o sistema é sempre o mesmo. O cliente pode sentir-se surpreendido na primeira vez, mas a partir daí já sabe sempre com o que conta. Pode sentir-se então revoltado (como eu me sentia nos EUA), mas nunca mais se sente enganado. A lei é a mesma, provavelmente estabelecida pelo governo central (estadual, nos EUA). Na pátria do liberalismo!<o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman">Já em Portugal a regra varia de restaurante para restaurante: há os que só colocam pão e manteiga, e há os que colocam queijo, presunto e entradas mais caras. Há os que, honestamente, só cobram os bens consumidos, e há os que cobram um misterioso “couvert” onde cabe tudo, tenha sido consumido ou não. Há diferentes procedimentos perante a mesma lei, pelo que se justifica a intervenção do governo.<o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span></p>
<p><span id="more-2135"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman">Por sua vez no <em>Blasfémias</em> o João Miranda, nos <a href="http://blasfemias.net/2008/02/22/sobre-a-importancia-ideologica-do-couvert-para-a-teoria-liberal/#comments" target="_blank">comentários</a>, aprofunda a questão, e expõe-nos o seu ponto de vista:<o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em>O erro de muitas análises é que o couvert é um serviço, não é um produto. O cliente paga pela experiência de estar no restaurante, incluino pela tradição do couvert. A experiência do couvert não é igual se for opting in ou opting out. O valor para o cliente não é o mesmo. O custo para o restaurante também não. Logo, proibir o couvert com opting out impediria que essa experiência específica pudesse ser comprada por quem a quiser comprar.<o:p></o:p></em></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"> </font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT">Acho estranho como os restaurantes fora de Portugal nunca descobriram essa espantosa ideia de que o couvert é um serviço, e não um produto. Sendo assim, por que é que o João Miranda não explora esse inexplicável nicho do mercado? Sugiro-lhe que abra uma cadeia de restaurantes em Londres, Paris e Nova Iorque com o lema “o nosso couvert não é um produto &#8211; é um serviço!”, e que coloquem as entradas sempre na mesa sem os clientes as pedirem. Estou certo de que fará sucesso. Força, João, mostra-nos o teu empreendedorismo! Mostra-nos de que é feito um liberal português!</span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></font></p>
<p><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></font><font face="Times New Roman"><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt" lang="PT"><o:p></o:p></span></font><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em>Qualquer mecanismo que permita aos restaurantes distinguir clientes que valorizam pouco um serviço dos clientes que o valorizam muito contribui para a eficiência económica.</em> </font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman">O próprio João reconhece que deve haver sempre a liberdade de recusar o couvert por parte do cliente. No meu modelo, o couvert só vem para a mesa se for pedido (senão, não há trabalho nenhum). No modelo do João, se o cliente quiser legitimamente recusar as entradas, há um duplo trabalho desperdiçado: o de pôr as entradas na mesa e o de as retirar. Qual é o modelo mais eficiente? (Nem falemos por agora das questões de higiene básica.)</font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em>O mesmo para mecanismos que permitam distinguir clientes ricos de pobres. O couvert desempenha essa função. Só aqueles que não valorizam o serviço ou que têm pouco dinheiro é que recusam o couvert. Os outros pagam. A mesma lógica aplica-se aos vinhos, à sobremesa e à gorjeta. Todas estas instituições permitem que os restaurantes cobrem pelo serviço preços diferentes a clientes diferentes.</em></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em><o:p></o:p></em></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman">Aqui temos uma divergência importante. É evidente que aceito que deve haver restaurantes diferentes, com categorias diferentes, serviços diferentes, clientes-alvo diferentes e preços diferentes. Mas a diferenciação social deve terminar aqui, na escolha de um restaurante. A partir do momento em que entro num restaurante que escolhi (e desde que tenha meios de pagar a conta), sou um cliente como os outros. Não aceito ser tratado como um cliente de segunda só porque não quero consumir entradas (ou porque tenho <a href="http://5dias.net/2007/08/01/filipe-moura-em-madrid-desde-que-o-cafe-e-cafe/" target="_blank">as mãos todas cagadas</a>). Um admirador do liberalismo como o João Miranda dará conta de quão anti-americano é o que ele defende? Não tarda nada e temos o João Miranda a defender o “direito de admissão” (em nome da liberdade, claro).</font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em>Já agora, é uma ilusão pensar que quando se paga o couvert se paga o que se comeu no couvert. Os restaurantes vendem essencialmente serviços e não produtos. O que se paga no couvert é o serviço. Se o couvert fosse proibido, o preço do resto da refeição teria que subir para pagar o serviço.</em></font></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"></span><span style="font-size: 11pt; color: #303030" lang="PT"><font face="Times New Roman"><em><o:p></o:p></em></font></span><span style="font-size: 11pt; font-family: 'Times New Roman'" lang="PT">Daqui se conclui que o couvert deve sempre ser cobrado, senão o restaurante tem prejuízo (caso contrário, o couvert só reflectiria o que se comeu, ao contrário do que o João afirma). É claro que reflectir este custo do serviço no preço da refeição, como se faz em todos os outros países (e não artificialmente no couvert), mesmo que aumentasse um pouco este preço, seria muito mais honesto e transparente. Mas transparência é algo a que os comerciantes portugueses são alérgicos. Pela desfaçatez com que esta posição é aqui defendida (e subscrita por outros comentadores), sou mesmo obrigado a concluir que estamos cheios de pequenos vigaristas. Que os nossos grandes liberais fazem questão de proteger e preservar.</span></p>]]></content:encoded>
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		<title>Grandes liberais e pequenos vigaristas</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 13:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Comércio]]></category>
		<category><![CDATA[Comida]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[Há alguns indícios claros de que somos um povo de pequenos vigaristas. Um deles é a forma como esses pequenos vigaristas que são os programadores televisivos nos aldrabam deliberadamente todos os dias comunicando-nos programas que sabem que não vão transmitir &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/02/22/grandes-liberais-e-pequenos-vigaristas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Há alguns indícios claros de que somos um povo de pequenos vigaristas. Um deles é a forma como esses pequenos vigaristas que são os programadores televisivos nos aldrabam deliberadamente todos os dias comunicando-nos programas que sabem que não vão transmitir em horários que sabem que não vão cumprir, de forma a forçarem-nos a ficar agarrados à espera deles e a ver o que não nos interessa. E a outra é esse hábito extraordinário de, no restaurante, nos colocarem na mesa artigos que não pedimos, obrigando-nos a ter que os mandar para dentro se não os quisermos pagar. São dois hábitos que não ocorrem com mais nenhum povo civilizado, e que me fazem seriamente duvidar de que mereçamos pertencer a esta categoria.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">O último hábito, o de impingir entradas nos restaurantes, é particularmente significativo. <span id="more-2104"></span>Só quem já foi ao restaurante com estrangeiros em Portugal (eu já fui muitas vezes) sabe como isto é confrangedor. Não se sabe se se lhes há-de explicar (e não os deixar à vontade) ou não dizer nada (e explicar no fim, quando vem a conta). A explicação para esta pequena vigarice ser tão generalizada é que ela traduz-se num lucro certo para o restaurante. Se o cliente for estrangeiro não sabe e é enganado (e dificilmente reclama num país estrangeiro onde nada funciona). Se o cliente for português, provavelmente também paga. E isto porque tal demonstra que “não se quer pagar”, ou seja, “não se quer gastar dinheiro”, e isso é fazer “figura de pobre”. Talvez por Portugal ser um país onde historicamente sempre houve muita pobreza, ninguém quer fazer “figura de pobre”. E acaba-se sempre por pagar.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Que este hábito é uma enorme (porque generalizada) “pequena vigarice” é evidente. (E refiro “pequena vigarice” desde que só envolva pão, manteiga, pastas e, às vezes, azeitonas. Ainda assim não deixa de ser uma vigarice. Mas há restaurantes onde pode envolver queijo ou presunto, e por vezes salgados, saladas e acepipes mais elaborados. Aí a vigarice já não é nada pequena.) Talvez nem demos por isso, de tão habituados que estamos. Mas quem não esteja habituado a isso (nomeadamente, por vir do estrangeiro) apercebe-se melhor por comparação. Creio que este hábito é dos que dão pior imagem de Portugal no exterior, não contribuindo de nenhuma maneira para a hospitalidade.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Parece <a target="_blank" href="http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=917640&amp;div_id=1730">afinal que há uma lei</a> (que ninguém conhece) que visa proteger os consumidores dos pequenos vigaristas, e que nunca é aplicada. Para os nossos grandes liberais, claro, só a “liberdade individual”, esse valor supremo, dos pequenos vigaristas, é que deve ser protegida e salvaguardada. O direito do consumidor a não ser vigarizado é responsabilidade dele próprio. É sempre assim – liberdade para o empresário, responsabilidade para os outros. Mesmo que a liberdade do empresário seja fazer vigarice. Gostaria de ver se algum liberal português defende isto no estrangeiro, ou se algum liberal estrangeiro gostou de ser vigarizado em Portugal.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Entretanto, se a lei passar a ser aplicada (da minha parte, enquanto consumidor, passará), é provável que as entradas oferecidas acabem ou se limitem, como nos outros países, a algum pão e água da torneira (as outras entradas virão, sempre que o cliente livremente e responsavelmente as deseje, como é justo e transparente). Se assim for, desejo uma boa dieta de pão e água ao <a target="_blank" href="http://blasfemias.net/2008/02/21/entradas-gratis/">João Miranda</a>. Talvez isso o cure do liberalismo.</font></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify" class="MsoNormal"><span lang="PT"><font face="Times New Roman">Ao mesmo tempo, é provável que tenhamos aqui nova matéria para as fiscalizações da ASAE – o cumprimento da lei sobre o pagamento de entradas. Esperemos que sim. Abençoada ASAE que nos protege dos pequenos vigaristas. E abençoado estado central, que nos protege dos liberais.</font></span></p>
<p><span lang="PT"><font face="Times New Roman"> <o:p></o:p></font></span><span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman'" lang="PT">PS – Honra lhes seja feita, <a target="_blank" href="http://31daarmada.blogs.sapo.pt/1386802.html">nem toda a direita</a> pensa deste modo.</span></p>]]></content:encoded>
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