5 de Maio de 2008 por Filipe Moura
Anuncia-nos o Continente o vinho tinto regional da Adega Cooperativa de Nelas (colheita normalíssima) a 2,50€, com 50% de desconto em cartão, ou seja, para portadores do cartão “Continente” o referido vinho sai ao módico preço de 1,25€ a garrafa. Aparentemente um grande negócio… não se desse o facto de o preço normal desse mesmo vinho, no Minipreço, ser 1,39€. Então, das duas uma: ou o Continente vende em geral o vinho muito mais caro do que o Minipreço, ou o preço deste vinho foi inflacionado durante esta promoção, de forma a um desconto de 0,14€ ser assim apresentado como de 50%, ou seja, de 1,25€. Este tipo de inflação temporária, de forma a um pequeno desconto ser apresentado como substancial, é prática comum nas grandes superfícies (não só do Continente). A ASAE deveria estar atenta a estes casos. Se o mais importante aqui é a liberdade de o hipermercado fixar os preços do vinho, há que ser consistente com o preço fixo não só durante o período de promoção. Neste caso, haveria que obrigar o Continente a vender aquele vinho ao preço regular de 2,50€ durante um período considerável, digamos seis meses.
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25 de Março de 2008 por Filipe Moura
Pelo meu texto anterior talvez possam concluir que sou favorável ao encerramento das grandes superfícies ao domingo. Não é necessariamente verdade; simplesmente gosto que as leis sejam cumpridas. (Sobre a abertura das grandes superfícies ao domingo, em princípio sou favorável, pois o contrário parece-me anacrónico. Mas não faço disso um combate: há assuntos muito mais importantes e, de resto, é minha opinião que desde que o Carrefour voluntariamente saiu de Portugal deixou de haver grandes superfícies que valham mesmo a pena.)
No sábado de Páscoa desloquei-me ao Continente para comprar um folar. No folheto de propaganda vinham anunciados a 3,45€ o quilo. Ao chegar lá, encontro o sinal grande pendurado: “artigo de folheto: folar – 3,45€/kg”. Mesmo por baixo, todos os folares que encontro têm o mesmo preço: 2,24€. O seu peso não vem indicado em lado nenhum. Desconfiado, pego num e levo-o à frutaria para pedir que mo pesem. 400 g, têm aqueles folares. Não é preciso ter uma grande cabeça para concluir que o preço ao quilo daqueles folares é bem superior aos 3,45€ anunciados. Queixo-me na padaria; dizem-me que os folares àquele preço estavam a chegar; era uma questão de esperar um bocadinho. E acabaram por chegar, a 3,45€ o quilo, de tamanhos diferentes, com pesos diferentes e sempre indicados. A maior parte deles eram maiores e mais baratos que os outros sem peso indicado. Desapareceram rapidamente. E lá continuaram os folares que estavam antes: de 400 g, mas sem indicação do peso (só o preço e a data), vendidos a um preço bem superior. Mesmo por baixo do cartaz que indicava: “artigo de folheto: folar – 3,45€/kg”.
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22 de Março de 2008 por Filipe Moura
ASAE encerra cinco hipermercados na tarde de sexta-feira santa. Parabéns, ASAE – continuem a fazer os pequenos vigaristas cumprirem a lei.
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25 de Fevereiro de 2008 por Filipe Moura
Não há nenhuma reacção especial a registar na blogosfera ao meu texto Grandes liberais e pequenos vigaristas. No Blasfémias, Carlos Abreu Amorim bem se enrola em argumentação da “teoria liberal”, mas não consegue refutar um facto simples: a liberdade do consumidor fica salvaguardada retirando-se por completo o couvert da mesa. Qualquer couvert colocado a priori significa uma coacção. Tal como na questão do tabaco, Carlos Abreu Amorim só se preocupa com a liberdade dos donos dos restaurantes. Eu preocupo-me com os consumidores.
Bem mais interessantes foram as discussões nas caixas de comentários. Aqui no Cinco Dias o estimado Dorean Paxorales lembrou que
Por exemplo, o português que visita o R.U. ou os E.U.A. também não sabe que há um custo adicional à refeição: é a gorjeta obrigatória que vai pagar o salário ao empregado. Parece-me um hábito mais vigarista pois, acabada a comezaima, já não se pode mandar nada para trás. E ainda por cima é contemporizador de uma filosofia contratual que me parece injusta.
Devo esclarecer que estou completamente de acordo com o Dorean na sua apreciação ao sistema de gorjetas nos países anglo-saxónicos, algo que me incomoda bastante. Mas há uma diferença importante em relação ao caso português: o sistema é sempre o mesmo. O cliente pode sentir-se surpreendido na primeira vez, mas a partir daí já sabe sempre com o que conta. Pode sentir-se então revoltado (como eu me sentia nos EUA), mas nunca mais se sente enganado. A lei é a mesma, provavelmente estabelecida pelo governo central (estadual, nos EUA). Na pátria do liberalismo!Já em Portugal a regra varia de restaurante para restaurante: há os que só colocam pão e manteiga, e há os que colocam queijo, presunto e entradas mais caras. Há os que, honestamente, só cobram os bens consumidos, e há os que cobram um misterioso “couvert” onde cabe tudo, tenha sido consumido ou não. Há diferentes procedimentos perante a mesma lei, pelo que se justifica a intervenção do governo.
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22 de Fevereiro de 2008 por Filipe Moura
Há alguns indícios claros de que somos um povo de pequenos vigaristas. Um deles é a forma como esses pequenos vigaristas que são os programadores televisivos nos aldrabam deliberadamente todos os dias comunicando-nos programas que sabem que não vão transmitir em horários que sabem que não vão cumprir, de forma a forçarem-nos a ficar agarrados à espera deles e a ver o que não nos interessa. E a outra é esse hábito extraordinário de, no restaurante, nos colocarem na mesa artigos que não pedimos, obrigando-nos a ter que os mandar para dentro se não os quisermos pagar. São dois hábitos que não ocorrem com mais nenhum povo civilizado, e que me fazem seriamente duvidar de que mereçamos pertencer a esta categoria.
O último hábito, o de impingir entradas nos restaurantes, é particularmente significativo. Ler o resto »
tags: Comércio, Comida, Portugal
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