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	<title>cinco dias &#187; ciência</title>
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		<title>Marx: uma relíquia?</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 16:38:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Valente Aguiar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; Quando um congresso que pretende estudar Marx e&#8230; 1) &#8230; só tem um único painel sobre lutas dos trabalhadores (apesar de contar com três meritórios e interessantíssimos autores); 2) &#8230; dedica cerca de 30 &#8230; <a href="http://5dias.net/2012/05/05/marx-uma-reliquia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://5dias.net/2012/05/05/marx-uma-reliquia/cristianismo-e-comunismo/" rel="attachment wp-att-82342"><img class="size-full wp-image-82342 alignleft" title="Cristianismo e Comunismo" src="http://5dias.net/wp-content/uploads/2012/05/Cristianismo-e-Comunismo.jpg" alt="" width="400" height="289" /></a></p>
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<p>Quando um congresso que pretende estudar Marx e&#8230;</p>
<p>1) &#8230; só tem um único painel sobre lutas dos trabalhadores (apesar de contar com três meritórios e interessantíssimos autores);</p>
<p>2) &#8230; dedica cerca de 30 comunicações a assuntozinhos filosóficos/ontológicos e apenas cinco sobre a actual crise económica no capitalismo;</p>
<p>3) &#8230; prefere fechar-se preferencialmente a amigos, conhecidos e entre-paredes e incapaz de se relacionar com o exterior;</p>
<p>três (tristes) conclusões são possíveis de se colocar:</p>
<p>1) o marxismo teórico está, infelizmente, cada vez mais afastado da vida concreta dos trabalhadores (o que não parece afligir muitos dos organizadores deste tipo de eventos celebratórios e encomiásticos). Desde que se cite e/ou coloque o nome de Marx no título das comunicações o certificado de &#8220;cientificidade&#8221; parece estar assegurado;</p>
<p>2) quem não conhecer, pensa que o marxismo acabou em 1844, com os &#8220;Manuscritos Económico-Filosóficos&#8221; e obras como o &#8220;Manifesto do Partido Comunista&#8221;, &#8220;O Capital&#8221; ou &#8221;O 18 de Brumário de Luís Bonaparte&#8221; são, na melhor das hipóteses, atiradas para um painel filosofante&#8230; A teoria da crítica da economia política fica reservada a uma ou duas mesas, portanto, como se tratasse de um aspecto periférico do marxismo. E mesas sobre classes sociais ou sobre diferentes produtos ideológicos, nem uma&#8230; O que virá a seguir? Da substituição da centralidade da exploração capitalista à busca de uma metafísica ontológica do marxismo é um passo. Crentes que se tornaram párocos, puros que se afirmam de marxistas, para alguns dos promotores e dos oradores que se dane a ciência, desde que a fé frutique junto das almas sensaboronas de alguns dos seus participantes&#8230;</p>
<p>3) ao contrário do que hoje se pensa, o marxismo ganhou espaço nas mais variadas ciências sociais porque, por um lado, decorreu do avanço das lutas operárias em vários momentos do século XX e porque, por outro lado, era (e é) a teoria que melhor descreve o modo de funcionamento das sociedades. Nessa sequência, o marxismo ganhou espaço no meio académico (ao contrário do que sucede hoje) também porque os marxistas apresentaram-se como excelentes cientistas sociais, portanto capazes de estudar os processos sociais de modo inovador a partir dos princípios fundamentais do marxismo. E porque também viram esses princípios à luz da sua operacionalidade específica num determinado contexto e porque foram capazes de se afirmar perante as correntes sociológicas, económicas e historiográficas não-marxistas. Ora, quando um congresso se edifica a partir de convite a amigos e conhecidos e não a partir de critérios de cientificidade, de avaliação entre pares e de selecção das propostas, então pode-se garantir que, no final da história, quem fica a ganhar com tudo isto não é certamente o marxismo&#8230;</p>]]></content:encoded>
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		<title>ler para relaxar!</title>
		<link>http://5dias.net/2009/05/04/ler-para-relaxar/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 23:46:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Jorge Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Boaventura]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[No final desta tarde de domingo resolvi &#8211; para relaxar &#8211; começar a ler o livro que o meu companheiro me ofereceu ontem na Feira do Livro: &#8220;Epistemologias do Sul&#8220;. Estamos perante um volume colectivo constituído por um conjunto de &#8230; <a href="http://5dias.net/2009/05/04/ler-para-relaxar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final desta tarde de domingo resolvi &#8211; para relaxar &#8211; começar a ler o livro que o meu companheiro me ofereceu ontem na Feira do Livro: &#8220;<a href="http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=8365">Epistemologias do Sul</a>&#8220;. Estamos perante um volume colectivo constituído por um conjunto de ensaios de investigadores procedentes, na sua maioria, dos estudos pós-coloniais, e organizado por <a href="http://www.boaventuradesousasantos.pt/pages/pt/homepage.php">Boaventura de Sousa Santos</a> e <a href="http://www.ces.uc.pt/investigadores/cv/maria_paula_meneses.php">Maria Paula Meneses</a>.<br />
Folheei o livro várias vezes, coisa que gosto de fazer nos primeiros dias na posse de um destes objectos. Depois comecei a ler, e parei a pensar, nestas duas frases retiradas das primeiras páginas da introdução e da autoria dos organizadores:<br />
<em>&#8220;Toda a experiencia social produz e reproduz conhecimento e, ao fazê-lo, pressupõe uma ou várias epistemologias. Epistemologia é toda a noção ou ideia, reflectida ou não, sobre as condições do que conta como conhecimento válido. É por via do conhecimento válido que uma dada experiência social se torna intencional e inteligível. Não há, pois, conhecimento sem prácticas e actores sociais. E como umas e outros não existem senão no interior de relações sociais, diferentes tipos de relações sociais podem dar origem a diferentes epistemologias.</p>
<p>(&#8230;) Por que razão, nos dois últimos séculos, a epistemologia dominante eliminou da reflexão epistemológica o contexto cultural e político da produção e reprodução do conhecimento? Quais as consequências desta descontextualização? São hoje possíveis outras epistemologias? &#8221; </em>(pp.9/10)</p>]]></content:encoded>
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		<title>Isto diverte mas começa a ser cansativo</title>
		<link>http://5dias.net/2008/12/17/isto-diverte-mas-comeca-a-ser-cansativo/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Dec 2008 17:50:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos meus textos e nos comentários (aos meus e aos do Carlos Vidal) eu disse não sei quantas vezes que não pretendo tornar a arte mais “fácil” ou mais acessível. Nesse sentido arte e ciência não são democráticas: não é &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/12/17/isto-diverte-mas-comeca-a-ser-cansativo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos meus textos e nos comentários (aos meus e aos do Carlos Vidal) eu disse não sei quantas vezes que não pretendo tornar a arte mais “fácil” ou mais acessível. Nesse sentido arte e ciência não são democráticas: não é qualquer um que pode começar a fazê-las. Sou totalmente contra os governos darem qualquer tipo de indicações aos investigadores ou aos artistas para seguirem linhas pré-determinadas. Sou investigador e isso afecta-me. A liberdade académica é fundamental. A arte, a ciência, tudo o que involva criação requer liberdade e não democracia (que como já disse várias vezes são coisas diferentes e por vezes incompatíveis). Não é isso que está em causa.</p>
<p>O que entendo por “democratizar a ciência” ou “democratizar a arte” é torná-las acessíveis aos cidadãos que por elas se interessarem, mesmo sem serem especialistas, sem nunca alterar o seu conteúdo. Por “tornar acessíveis” entendo fazer divulgação (algo que nem todos os cientistas ou artistas são obrigados ou vocacionados a fazer), ou em alternativa permitir que se faça divulgação desse mesmo trabalho para quem esteja interessado. Este público não é especialista e não deve ser tratado como tal. É até provavelmente à partida muito ignorante, mas é interessado e tem o direito de ver a sua curiosidade satisfeita.</p>
<p>No caso dos artistas, a divulgação mais imediata consiste na realização de exposições, abertas a todos os que as quiserem ver. Não há absolutamente nenhuma bitola diferente para as ciências e as artes. Defendo exactamente a mesma coisa. O que verifico é que os cientistas estão muito mais habituados a este procedimento. Certos artistas pelos vistos resistem. Não podem fazê-lo se receberem dinheiro do estado (enquanto artistas). Mas, repito, não defendo que o Estado interfira na sua liberdade e na sua criatividade de nenhum modo.<span id="more-11684"></span></p>
<p>Tudo isto vem a propósito dos textos de Carlos Vidal. No <a href="http://5dias.net/2008/12/17/totalitarismo-de-gosto-inaceitavel-disparates-insensiveis-arte-e-divulgacao-a-partir-daqui-nao-entro-mais-nesta-discussao/" target="_blank">mais recente</a>, Carlos Vidal atribui-me entre outros qualificativos uma frase que nunca escrevi: “a função de qualquer artista [é] fazer com que as pessoas gostem um pouco mais de arte”.</p>
<p>O que eu <a href="http://5dias.net/2008/12/16/a-arte-para-o-povo-explicada-aos-velhinhos-que-gostam-de-elites/" target="_blank">escrevi</a> (nos comentários) foi “<em>Entendo que faz parte da minha função fazer com que as pessoas gostem mais um pouco de física. Tal como faz parte da função de qualquer artista fazer com que as pessoas gostem um pouco mais de arte.</em>” “Faz parte” no sentido explicado nos parágrafos acima. E “faz parte” dessa função: nunca “é” essa função, unicamente (nem sequer principalmente). Mas quem é pago pelo Estado não se pode furtar a essa função.</p>
<p>A outra frase que Vidal me atribui até é verdadeira mas está descontextualizada. Escrevi “<em>querer tornar a arte acessível a todos não implica necessariamente ter que fazer concessões</em>”, exactamente no mesmo sentido em que (mais uma vez&#8230;) acima escrevi. “Acessível” nesta frase no sentido de “<em>estar acessível</em>” e não de “ser acessível”. São duas coisas muito diferentes (a língua portuguesa tem essa riqueza de distinguir o “ser” do “estar”). A minha tese resume-se na frase “<em>a arte não tem que ser acessível, mas deve estar acessível</em>”. Parece uma tese bastante óbvia mas pelos vistos não é para toda a gente. Carlos Vidal defendeu <a href="http://5dias.net/2008/12/11/uma-obra-de-arte-nao-pode-nem-deve-estar-acessivel-a-qualquer-pessoa/" target="_blank">aqui</a> que “<strong>Uma obra de arte não pode nem deve estar acessível a qualquer pessoa</strong>”. Para não deixar dúvidas, acrescentou: “<strong>a arte não pode ser para todos!</strong>” É contra esta posição que eu me tenho vindo a insurgir.</p>
<p>Carlos Vidal não entendeu (ou fingiu que não entendeu, por lhe dar jeito) a minha distinção entre “ser” e “estar” acessível, e tem-me vindo a responder (nos comentários e em texto) como se eu defendesse que a arte tem que “ser” acessível, algo que não defendo e nunca defendi. Não têm pois qualquer procedimento as respostas que me tem vindo a dar. Este tipo de confusões e desarticulação do pensamento não é novidade em Carlos Vidal, conforme os seus leitores poderão testemunhar.</p>
<p>Com que critério julga Vidal quem é ou não merecedor de conhecer as obras de arte? A sua iluminada cabecinha, pois com certeza. Vejamos o julgamento que faz de mim. Sem me conhecer de lado nenhum, nem o que eu sei nem deixo de saber, <a href="http://5dias.net/2008/12/16/a-arte-para-o-povo-explicada-aos-velhinhos-que-gostam-de-elites/" target="_blank">declara</a> que “<strong>a ciência que eu sei</strong>” (e pelos vistos, se ele não me conhece, a ciência em geral) é “<strong>estrita, reduzida e muito especializada</strong>” (ficamos esclarecidos). Decide que, se eu me dedicasse só a ela, “<strong>todos teríamos a ganhar com isso</strong>”. (Devo agradecer o elogio? E se o Vidal se dedicasse só à arte?) E finalmente <a href="http://5dias.net/2008/12/16/a-arte-para-o-povo-explicada-aos-velhinhos-que-gostam-de-elites/" target="_blank">manda-me calar</a>, algo que os leitores que fazem comentários simpáticos ao PS sabem que é o que Vidal melhor sabe fazer: “<strong>Quem não percebe isto porque é que não se cala e fala de física, só?? Custa muito ?????</strong>”</p>
<p>(Para não me acusarem de descontextualizar, esta frase vinha a propósito da “crítica de arte”, algo que nunca fiz nem tive alguma vez pretensões de fazer. Vidal confunde uma legítima opinião sobre um filme de um espectador com uma crítica profissional de cinema.)</p>
<p>Finalmente, Vidal <a href="http://5dias.net/2008/12/11/para-quem-acha-que-manoel-de-oliveira-filma-mal-aqui-vai-um-autor-muito-la-de-casa-que-pintava-mal-muito-mal-mesmo-muito-mal-e-era-e-e-um-grande-chato/" target="_blank">proíbe</a> a minha entrada nas suas exposições. Para que conste (sinto-me orgulhoso): <strong>“nunca admitirei a entrada de F. Moura numa galeria onde tenha obras minhas expostas. Isto é irrevogável, caríssimos.”</strong></p>
<p>Curiosamente este mesmo autor que acha que a arte (em particular a sua arte, como referiu) “não é para todos” e me proibiu de a ver não se coibiria, dias depois, de exibir aqui, no <a href="http://5dias.net/2008/12/13/alain-badiou-e-a-arte-explicado-as-criancinhas-parte-2-a-minha-escola-e-esta-desigualdades-academicas-chateza-e-gajas/" target="_blank">Cinco Dias</a>, desenhos de sua autoria.</p>
<p>Isto é comigo. E com outros leitores? De <a href="http://no-mundo.weblog.com.pt/" target="_blank">Carlos</a> <a href="http://atlantico.blogs.sapo.pt/" target="_blank">Miguel Fernandes</a>, por exemplo, diz que a sua “<strong>arrogância reaccionária julga-se conhecedora de crítica</strong>”. Apesar de “<strong>não saber quem CMF é</strong>” nem “<strong>lhe interessar</strong>”, Vidal <a href="http://5dias.net/2008/12/16/a-arte-para-o-povo-explicada-aos-velhinhos-que-gostam-de-elites/" target="_blank">declara taxativamente</a> que CMF “<strong>não poderá alguma vez ser</strong>” um “<strong>apaixonado sensível das imagens</strong>”. Pois acontece que Carlos Miguel Fernandes, para além de <a href="http://www.carlosmfernandes.com/index_archivos/Page629.htm" target="_blank">cientista</a>, é um já <a href="http://carlosmfernandes.com/" target="_blank">reconhecido fotógrafo</a> com um currículo considerável de <a href="http://carlosmfernandes.com/index_archivos/Page308.htm" target="_blank">exposições</a> e <a href="http://carlosmfernandes.com/index_archivos/Page295.htm" target="_blank">obra publicada</a>.</p>
<p>Assim se demonstra o belo resultado que teria a aplicação do critério que Vidal defende: quem teria acesso à arte seriam os “escolhidos”. Por quem? Por quem já tem acesso à arte. Os melhores não seriam necessariamente os escolhidos, como o exemplo do Carlos Miguel Fernandes confirma.</p>
<p>Infelizmente, este caso exemplar ilustra bem o estado bafiento de algumas universidades portuguesas. Carlos Vidal é assistente da Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Conforme aqui já tem defendido, só lá deve ter acesso quem tiver passado pela sua formação, pela sua “escola”, que consiste em “<a href="http://5dias.net/2008/12/13/alain-badiou-e-a-arte-explicado-as-criancinhas-parte-2-a-minha-escola-e-esta-desigualdades-academicas-chateza-e-gajas/" target="_blank">desigualdades académicas, disciplina, hierarquia e gajas</a>”. Quando o interlocutor é alguém que nunca passou pela escola mas é famoso e reconhecido internacionalmente, como Jorge Calado, baixam logo a cabecinha. Quem não é conhecido, mesmo que tenha valor, como o Carlos Miguel Fernandes, é logo automaticamente barrado. Não é “da escola”, e não há escola como “a nossa”. Melhor retrato da academia tradicional portuguesa não há.</p>
<p>Com os insultos e delírios de Carlos Vidal posso eu bem, e julgo que o Carlos Miguel Fernandes também. Afinal, como eu já tenho dito, visto de fora isto até é divertido. Daqui de dentro começa é a ser cansativo. O problema (não é meu, mas não deixa de ser um problema) é que quem emite estes juízos baseados em puro preconceito é professor e – ele próprio o admite – aplica estes critérios aos seus alunos (e aos futuros colegas). E quer que se aplique a todos os cidadãos que ele entender.</p>
<p>Como resolver este problema? Não sei; no caso concreto do meio académico, o ministro Mariano Gago terá as suas ideias. Entretanto aqui no <em>Cinco Dias</em> a gente vai-se rindo com o espectáculo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Sobre o Prémio Nobel de Física de 2008</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 15:57:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para variar um pouco dos habituais temas &#8220;Sarah Palin &#8211; casamento gay &#8211; Pedro Rolo Duarte&#8221; (e Kant), proponho a quem estiver interessado que leia o que eu tenho a dizer sobre o assunto em dois textos &#8211; primeiro aqui &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/10/10/nobe-fisica-2008/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para variar um pouco dos <a href="http://5dias.net/2008/10/01/o-5dias-em-5-linhas/" target="_blank">habituais temas</a> &#8220;Sarah Palin &#8211; casamento gay &#8211; Pedro Rolo Duarte&#8221; (e Kant), proponho a quem estiver interessado que leia o que eu tenho a dizer sobre o assunto em dois textos &#8211; primeiro <a href="http://avesso-do-avesso.blogspot.com/2008/10/o-nobel-de-kobayashi-e-maskawa.html" target="_blank">aqui</a> e depois <a href="http://avesso-do-avesso.blogspot.com/2008/10/o-nobel-de-nambu.html" target="_blank">aqui</a>. Tem a ver com o <a href="http://cftp.ist.utl.pt/nobelprize2008.htm" target="_blank">tópico habitual de trabalho</a> de um <a href="http://cftp.ist.utl.pt/~balio/" target="_blank">fiel comentador do 5 Dias</a>. E, contrariamente à opinião de <a href="http://dererummundi.blogspot.com/2008/10/portugal-ainda-frente-do-japo.html" target="_blank">Carlos Fiolhais</a>, creio que este ano é um assunto controverso.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Grande texto, João Miranda</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Aug 2008 22:20:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Refiro-me a este, publicado no DN de 9 de Agosto. Começa por ser sobre o computador &#8220;Magalhães&#8221;, mas vai muito para além deste assunto. Leiam (também no De Rerum Natura), que vale bem a pena.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Refiro-me a <a href="http://dn.sapo.pt/2008/08/09/opiniao/o_magalhaes.html" target="_blank">este</a>, publicado no DN de 9 de Agosto. Começa por ser sobre o computador &#8220;Magalhães&#8221;, mas vai muito para além deste assunto. Leiam (também no <a href="http://dererummundi.blogspot.com/2008/08/o-magalhes.html" target="_blank">De Rerum Natura</a>), que vale bem a pena.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Colisionador de partículas do CERN ameaça a existência da Terra</title>
		<link>http://5dias.net/2008/04/01/colisionador-de-particulas-do-cern-ameaca-a-existencia-da-terra/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Apr 2008 12:15:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em causa a possibilidade de criação de um buraco negro que &#8220;engula&#8221; todo o planeta. Pormenores na edição de domingo do The New York Times.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em causa a possibilidade de criação de um buraco negro que &#8220;engula&#8221; todo o planeta. Pormenores na edição de domingo do <a target="_blank" href="http://www.nytimes.com/2008/03/29/science/29collider.html?_r=1&amp;em&amp;ex=1207022400&amp;en=fc4bb1d73347fe4e&amp;ei=5087%0A&amp;oref=slogin">The New York Times</a>.</p>]]></content:encoded>
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		<title>20 anos sem Dick</title>
		<link>http://5dias.net/2008/02/15/20-anos-sem-dick/</link>
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		<pubDate>Fri, 15 Feb 2008 19:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>

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		<description><![CDATA[Só quero aqui recordar que passam hoje 20 anos sobre a morte de Richard P. Feynman, o homem que disse que &#8220;a física é como o sexo: pode dar resultados práticos, mas não é por isso que a fazemos.&#8221;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ysfine.com/feynman/fb8.jpg" border="0" height="406" width="300" /></p>
<p>Só quero aqui recordar que passam hoje 20 anos sobre a morte de Richard P. Feynman, o homem que disse que &#8220;a física é como o sexo: pode dar resultados práticos, mas não é por isso que a fazemos.&#8221;</p>]]></content:encoded>
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		<title>Outras verdades inconvenientes</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Mar 2007 06:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Câncio</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Gays]]></category>
		<category><![CDATA[gene]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Vasco M. Barreto O debate sobre a importância do meio e da natureza na construção do indivíduo provavelmente nunca terá fim. Para isso contribuem a complexidade dos nossos comportamentos, as limitações éticas à experimentação em seres humanos, os &#8230; <a href="http://5dias.net/2007/03/12/outras-verdades-inconvenientes/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><b> Texto de </b> <a href="http://memoria-inventada.weblog.com.pt/"><b> Vasco M. Barreto </b></a></p>
<p>O debate sobre a importância do meio e da natureza na construção do indivíduo provavelmente nunca terá fim. Para isso contribuem a complexidade dos nossos comportamentos, as limitações éticas à experimentação em seres humanos, os acantonamentos ideológicos e a desconfiança de que qualquer conclusão salomónica resulta de um acordo tácito e não de uma busca implacável da verdade. </p>
<p>Exemplos clássicos são as discussões sobre a inteligência e a orientação sexual. Em ambos persiste a tensão meio <i>versus</i> natureza, que gera uma paleta de teorias e até de definições, mas com uma diferença: no primeiro caso, apesar de por vezes não haver um entendimento sobre o que é a inteligência, para os cientistas e o <i>grande público</i> a contribuição da natureza é inegável, enquanto que com a orientação sexual não existe esse consenso. Porquê?</p>
<p>A tarefa aqui não é discutir se a contribuição da natureza é decisiva para a orientação sexual, mas tentar perceber a resistência que existe a tal ideia. </p>
<p>Há uma explicação trivial: “orientação sexual” remete para a ideia de escolha e em comparação com a inteligência é de esperar que haja uma maior resistência às teorias deterministas. Como se ao rejeitarmos a genética e a fisiologia fôssemos resolver o problema do livre arbítrio&#8230; Mas avancemos.</p>
<p>Há também causas próximas e até fulanizáveis, cujo efeito extravasou para fora da academia. Refiro-me a intelectuais como Freud e Foucault. O primeiro elaborou explicações que assentam na interacção com os progenitores; o segundo arrancou a discussão pela raiz, ao propor que a homossexualidade é uma construção social, de resto bem recente. Não sou minimamente competente para discutir estas ideias, mas um <i>blogger</i> é na essência um diletante e seria aborrecido defraudar o leitor.</p>
<p>Freud tem sido muito atacado nas últimas décadas, sendo umas das acusações a de que as suas ideias não cumprem o critério da <i>falsificabilidade</i>, condição que as teorias científicas devem cumprir. Quando se propõe que um pai fraco ou ausente leva a que o filho se identifique com a mãe ao ponto de adoptar a sua orientação sexual, é difícil conceber um teste passível de gerar um resultado inequívoco de que não é assim e a forma subjectiva como a hipótese é formulada dá margem de manobra para que, perante situações não previstas, se improvise outra explicação. O certo é que estas ideias conservam alguma popularidade e muitos indivíduos julgam poder confirmá-las quando a elas recorrem para explicar a sua vida. Se essa é uma legitimação tão válida como a crença na quiromancia (ou não), pouco importa. As ideias de Freud podem ser boas ou simplesmente insidiosas, mas serão sempre poderosas.</p>
<p>Foucault parece ter esvaziado o problema. Se a homossexualidade, tal como a entendemos hoje, é uma invenção com poucos séculos e apenas uma das formas possíveis de categorizar a atracção sexual (além do sexo do parceiro, podemos pensar no status social, no poder económico, etc), o conflito natureza <i>versus</i> meio perde gás. É discutível saber se as ideias de Foucault resistem à análise de um <a href="http://www.fordham.edu/halsall/med/thorp.html">historiador</a>, mas percebe-se por que seduzem: são, apesar de tudo, libertadoras. </p>
<p>Estávamos então nisto: Freud trouxera a biografia individual para a orientação sexual, Foucault relativizara-a. Nas últimas décadas, a Biologia perturbou este arranjo.</p>
<p>Não tenho espaço para rever o que se tem aprendido sobre a genética e a fisologia da homossexualidade e sugiro a leitura desta <a href="http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/assault/genetics/nyreview.html"> excelente revisão</a> sobre o tema, feita por um dos editores da revista Lancet. Os dados relevantes para esta discussão incluem diferenças anatómicas no hipotálamo de homossexuais e heterossexuais, o efeito de androgénios durante o desenvolvimento,  a elevada concordância para o comportamento minoritário (homossexualidade) em gémeos homozigóticos (verdadeiros), estudos de mapeamento genético de genes que contribuem para a homossexualidade (embora aqui se recomende alguma cautela) e a curiosa observação de que cada irmão mais velho aumenta em 33% a probabilidade de que o irmão mais novo seja homossexual – o que me leva a pensar que talvez o meu irmão esteja na origem do fraquinho que tive na adolescência por Matts Wilander.</p>
<p>A genética das ervilhas dos olhos não desperta paixões, mas qualquer destes trabalhos sobre homossexualidade fica imediatamente sob escrutínio cerrado. Abundam as reacções em que, com fervor suspeito, se procura desmontar esses estudos (aqui, para um bom exemplo de uma  <a href="http://www.trueorigin.org/gaygene01.asp">crítica má</a>), mas é verdade que todo o cepticismo é bem-vindo. A matéria em discussão é complexa e, havendo pressões várias, nem sempre se segue ou é possível seguir a melhor metodologia. Por exemplo, sem deixar de reconhecer as enormes dificuldades práticas associadas para a obtenção da amostra necessária, creio que o argumento para os factores genéticos ficaria mais reforçado se nos estudos com gémeos homozigóticos tivessem sido usados irmãos separados à nascença, pois com irmãos criados na mesma casa podemos sempre argumentar que parte da concordância resulta de um fenómeno de mimetismo, que imagino ser mais forte entre gémeos verdadeiros do que entre gémeos falsos ou irmãos de gravidezes diferentes. </p>
<p>O comportamento dos media também não ajuda a serenar os ânimos. Os estudos são propagandeados com muito pouco rigor, como sucedeu em meados da década passada, aquando da publicação de um estudo de mapeamento de uma região no cromossoma X associada à homossexualidade, imediatamente equiparado à descoberta do <i>gene gay</i>. Mais de uma década passada, ninguém encontrou o gene gay, e o que se identificou na altura foi uma região no cromossoma X onde existem vários genes, que não é necessária nem suficiente para levar a um comportamento homossexual, mas cuja probabilidade de ter sido erroneamente associada à homossexualidade era, segundo os autores, extremamente baixa. Ironicamente, não se conseguiu depois reproduzir esse estudo e é muito improvável que haja um <i>gene gay</i>, no sentido de ser o único e de ser determinante. Um modelo poligénico (vários genes envolvidos) de predisposição para a homossexualidade vende menos jornais, mas é mais credível, por razões que também não tenho espaço para discutir. </p>
<p>Um dos aspectos mais curiosos desta discussão sobre os factores genéticos e fisiológicos da homossexualidade é que as reacções dividem os homossexuais, activistas gay e os <i>progressistas</i>, como dividem os grupos homofóbicos e os <i>conservadores</i>. A hipersensibilidade a este problema corta na perpendicular e em vez de dois campos passamos a ter quadrantes. Isto acontece porque se a homossexualidade tem causas naturais, deixa de ser uma opção e como tal não pode ser uma <i>escolha moral errada</i>. Por outro lado, com a identificação de uma causa natural alguns temem que se volte a estigmatizar a condição de homossexual  &#8211; só em 1973 deixou de ser considerada como um distúrbio psíquico pela <i>American Psychiatric Association</i>- , como temem que a eventual descoberta de moléculas e de genes conduza a um <i>tratamento</i> para a homossexualidade e a um diagnóstico pré-natal. Estamos ainda no domínio da ficção científica, mas quantas famílias não se sentiriam tentadas a recorrer a um teste destes? Sem arriscar uma resposta, e apesar do eventual e redentor certificado de comportamento natural, creio que acaba por pesar mais a ameaça de uma nova <i>frenologia molecular</i> e o espectro do eugenismo heterossexual sobre a minoria homossexual. </p>
<p>Este temor já levou à sugestão de que <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?CMD=search&#038;DB=pubmed">se acabe</a> com este tipo de estudos. Não tenho dúvidas que a pesquisa sobre a Malária é mais importante, mas interromper uma linha de investigação por se recear o uso que outros poderão fazer das descobertas é algo que só se justifica em casos excepcionais, como a produção de armamento biológico. Em regra, não é um bom princípio. Sobra é um problema: não sendo a homossexualidade uma doença e não se pretendendo concretizar os receios já discutidos, os espíritos mais pragmáticos perguntarão para que serve o conhecimento que vier a ser adquirido. “O saber pelo saber” pode soar algo pífio, mas é uma questão de gosto, ficando por esclarecer se estamos preparados para que não seja também uma resposta irresponsável.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Ideologia neo-conservadora contra a ciência</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Oct 2006 12:03:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joana Amaral Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Aquecimento-Global]]></category>
		<category><![CDATA[Bush]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Conservadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Criacionismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Autor: Rui Curado da Silva Licenciatura em Engenharia Física &#8211; Univ. Coimbra Doutoramento em Física Tecnológica &#8211; Univ. Louis Pasteur, Estrasburgo Direcção da Sociedade Portuguesa de Astronomia entre 2003 e 2005 Principais publicações científicas nas revistas: Experimental Astronomy, Nuclear Instruments &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/10/04/ideologia-neo-conservadora-contra-a-ciencia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Autor:<br />
<strong>Rui Curado da Silva</strong></p>
<p>Licenciatura em Engenharia Física &#8211; Univ. Coimbra<br />
Doutoramento em Física Tecnológica &#8211; Univ. Louis Pasteur, Estrasburgo<br />
Direcção da Sociedade Portuguesa de Astronomia entre 2003 e 2005<br />
Principais publicações científicas nas revistas: Experimental Astronomy, Nuclear Instruments and Methods e IEEE Transactions on Nuclear Science.</p>
<p><strong>Ideologia neo-conservadora contra a ciência</strong></p>
<p><a href="http://www.nytimes.com/2006/02/08/politics/08nasa.html?ex=1297054800&#038;en=dc3c509d1621f5af&#038;ei=5088&#038;partner=rssnyt&#038;emc=rss">No passado 7 de Fevereiro</a>, George Deutsch demitia-se do seu lugar de relações públicas da NASA, após um escândalo que envolvia a tentativa de censura de alguns investigadores da agência e a falsificação do seu curriculum vitae. George Deutsch que fora designado por George W. Bush para o lugar, ameaçou o climatologista da NASA James Hansen de terríveis consequências para a sua carreira se este continuasse a lançar alertas para a urgência em limitar a emissão de gases de efeito de estufa que contribuem para o aquecimento global. Numa outra ocasião, Deutsch deu ordens a um web designer para adicionar a palavra “teoria” sempre que se mencionasse o Big Bang no sítio internet da NASA.</p>
<p>Este é apenas um de uma série de episódios de falsificações e de ataques à comunidade científica norte-americana que estuda o aquecimento global por parte de grupos de pressão ligados à tendência neo-conservadora do Partido Republicano. Durante longos anos o empresário Glenn Kelly, que chefiava o grupo de pressão anti -Quioto intitulado Global Climate Coalition, liderou esta vaga de ataques até que uma sucessão interminável de resultados científicos que culminaram na publicação <a href="http://www.fco.gov.uk/Files/kfile/PostG8ClimChaAcademies.pdf">deste documento</a> por 11 academias das ciências (EUA, Rússia, Canadá, Brasil, China, Japão, França, Itália, Índia, Alemanha e Reino Unido) dando conta da gravidade do aquecimento global do planeta, levaram a organização de Glenn Kelly a perder toda a sua credibilidade e os seus aderentes. Actualmente, o sítio internet da <a href="http://www.globalclimate.org/">Global Climate</a> <a href="http://www.globalclimate.org/">Coalition</a> está inactivo como se pode verificar.</p>
<p>Outra das grandes falsificações científicas de cariz neo-conservador visa a apologia do criacionismo como matéria científica escolar em vez de matéria de cariz espiritual como é prática normal nos seminários e nos institutos religiosos com credibilidade. A exposição de fósseis no Dakota do Sul que pretende demonstrar o advento do Dilúvio Universal é um dos exemplos dessa falsificação. Trata-se de uma falsificação rasca e ignorante que nada tem de elegante quando comparada com o cálculo da idade do mundo realizado por Santo Agostinho, com a demonstração da existência de Deus de Descarte ou com a busca da árvore genealógica completa até Adão e Eva elaborada pelos Mormons.</p>
<p>Não é de espantar que a comunidade científica americana tenha uma apreciação bastante negativa sobre o desempenho da neo-conservadora Administração Bush, como o ilustra o resultado<br />
<a href="http://people-press.org/reports/display.php3?PageID=1019">desta sondagem</a> realizada pelo Pew Research Center em 2005 sobre a gestão do conflito iraquiano e da restante política internacional.</p>
<p><strong>O novo livro de <a href="http://www.simonyi.ox.ac.uk/dawkins/WorldOfDawkins-archive/Dawkins/Biography/bio.shtml">Richard</a></strong></p>
<p><a href="http://www.simonyi.ox.ac.uk/dawkins/WorldOfDawkins-archive/Dawkins/Biography/bio.shtml">Dawkins</a> (autor de “O Gene Egoísta”) intitulado <a href="http://www.waterstones.com/waterstonesweb/displayProductDetails.do?sku=5557372">The God Delusion</a> e a edição hors-série a lançar no próximo dia 8 da revista Ciel et Espace, <a href="http://www.cieletespace.fr/Shopping/DetailProduit.aspx?NumProduit=HS16&#038;Id=25&#038;origine=Une">L&#8217;Univers</a> <a href="http://www.cieletespace.fr/Shopping/DetailProduit.aspx?NumProduit=HS16&#038;Id=25&#038;origine=Une">a-t-il besoin de Dieu</a>, são duas respostas enérgicas de quem na comunidade científica já percebeu o carácter organizado e profundamente político da tentativa medieval de retorno ao criacionismo.</p>
<p>O padrão que encontramos nestes ataques à ciência encaixam perfeitamente nos mecanismos de controlo social da ideologia neo-conservadora: o controlo do indivíduo através de um moralismo religioso validado por fraudes científicas e o controlo do colectivo confinando o grosso do lucro e da produtividade a grupos empresariais fiéis à ideologia (industrias do petróleo, tabaco e sector alimentar). A tentativa de introdução do criacionismo nas escolas é um exemplo do primeiro mecanismo e o negacionismo do aquecimento global é um exemplo de tentativa de eliminação de obstáculos ao bom funcionamento do segundo.</p>]]></content:encoded>
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		<title>O Paleólogo</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Sep 2006 03:24:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rui Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[No Pobre e Mal Agradecido, o meu texto de sábado no Público sobre o célebre Discurso de Ratisbona do Papa. Começa assim: Quando no início do ano rebentou a polémica das caricaturas dinamarquesas, o Papa tomou uma posição clara: a &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/09/25/20060925-o-paleologo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No <em>Pobre e Mal Agradecido</em>, o meu texto de sábado no <em>Público</em> sobre o célebre <em>Discurso de Ratisbona</em> do Papa. Começa assim:</p>
<blockquote><p><a href="http://ruitavares.weblog.com.pt/2006/09/o_paleologo">Quando no início do ano rebentou a polémica das caricaturas dinamarquesas, o Papa tomou uma posição clara: a liberdade de expressão não inclui o direito a blasfemar. O Vaticano e toda a hierarquia católica foram unânimes em considerar que o jornal dinamarquês não deveria ter publicado as caricaturas porque, como disse então o Patriarca de Lisboa, &#8220;com o sagrado não se brinca&#8221;, ou melhor ainda, &#8220;o respeito pelo sagrado é algo que a cultura não pode pôr em questão, mesmo em nome da liberdade&#8221;. Quando a maior parte dos intelectuais defendia que a liberdade de expressão é sagrada, a igreja católica veio pôr as coisas nos seus termos: nem pensar; o sagrado é que é sagrado.</a></p></blockquote>]]></content:encoded>
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