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ler para relaxar!

4 de Maio de 2009 por Paulo Jorge Vieira

No final desta tarde de domingo resolvi – para relaxar – começar a ler o livro que o meu companheiro me ofereceu ontem na Feira do Livro: “Epistemologias do Sul“. Estamos perante um volume colectivo constituído por um conjunto de ensaios de investigadores procedentes, na sua maioria, dos estudos pós-coloniais, e organizado por Boaventura de Sousa Santos e Maria Paula Meneses.
Folheei o livro várias vezes, coisa que gosto de fazer nos primeiros dias na posse de um destes objectos. Depois comecei a ler, e parei a pensar, nestas duas frases retiradas das primeiras páginas da introdução e da autoria dos organizadores:
“Toda a experiencia social produz e reproduz conhecimento e, ao fazê-lo, pressupõe uma ou várias epistemologias. Epistemologia é toda a noção ou ideia, reflectida ou não, sobre as condições do que conta como conhecimento válido. É por via do conhecimento válido que uma dada experiência social se torna intencional e inteligível. Não há, pois, conhecimento sem prácticas e actores sociais. E como umas e outros não existem senão no interior de relações sociais, diferentes tipos de relações sociais podem dar origem a diferentes epistemologias.

(…) Por que razão, nos dois últimos séculos, a epistemologia dominante eliminou da reflexão epistemológica o contexto cultural e político da produção e reprodução do conhecimento? Quais as consequências desta descontextualização? São hoje possíveis outras epistemologias? ” (pp.9/10)

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Isto diverte mas começa a ser cansativo

17 de Dezembro de 2008 por Filipe Moura

Nos meus textos e nos comentários (aos meus e aos do Carlos Vidal) eu disse não sei quantas vezes que não pretendo tornar a arte mais “fácil” ou mais acessível. Nesse sentido arte e ciência não são democráticas: não é qualquer um que pode começar a fazê-las. Sou totalmente contra os governos darem qualquer tipo de indicações aos investigadores ou aos artistas para seguirem linhas pré-determinadas. Sou investigador e isso afecta-me. A liberdade académica é fundamental. A arte, a ciência, tudo o que involva criação requer liberdade e não democracia (que como já disse várias vezes são coisas diferentes e por vezes incompatíveis). Não é isso que está em causa.

O que entendo por “democratizar a ciência” ou “democratizar a arte” é torná-las acessíveis aos cidadãos que por elas se interessarem, mesmo sem serem especialistas, sem nunca alterar o seu conteúdo. Por “tornar acessíveis” entendo fazer divulgação (algo que nem todos os cientistas ou artistas são obrigados ou vocacionados a fazer), ou em alternativa permitir que se faça divulgação desse mesmo trabalho para quem esteja interessado. Este público não é especialista e não deve ser tratado como tal. É até provavelmente à partida muito ignorante, mas é interessado e tem o direito de ver a sua curiosidade satisfeita.

No caso dos artistas, a divulgação mais imediata consiste na realização de exposições, abertas a todos os que as quiserem ver. Não há absolutamente nenhuma bitola diferente para as ciências e as artes. Defendo exactamente a mesma coisa. O que verifico é que os cientistas estão muito mais habituados a este procedimento. Certos artistas pelos vistos resistem. Não podem fazê-lo se receberem dinheiro do estado (enquanto artistas). Mas, repito, não defendo que o Estado interfira na sua liberdade e na sua criatividade de nenhum modo. Ler o resto »

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Sobre o Prémio Nobel de Física de 2008

10 de Outubro de 2008 por Filipe Moura

Para variar um pouco dos habituais temas “Sarah Palin – casamento gay – Pedro Rolo Duarte” (e Kant), proponho a quem estiver interessado que leia o que eu tenho a dizer sobre o assunto em dois textos – primeiro aqui e depois aqui. Tem a ver com o tópico habitual de trabalho de um fiel comentador do 5 Dias. E, contrariamente à opinião de Carlos Fiolhais, creio que este ano é um assunto controverso.

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Grande texto, João Miranda

13 de Agosto de 2008 por Filipe Moura

Refiro-me a este, publicado no DN de 9 de Agosto. Começa por ser sobre o computador “Magalhães”, mas vai muito para além deste assunto. Leiam (também no De Rerum Natura), que vale bem a pena.

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Colisionador de partículas do CERN ameaça a existência da Terra

1 de Abril de 2008 por Filipe Moura

Em causa a possibilidade de criação de um buraco negro que “engula” todo o planeta. Pormenores na edição de domingo do The New York Times.

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20 anos sem Dick

15 de Fevereiro de 2008 por Filipe Moura

Só quero aqui recordar que passam hoje 20 anos sobre a morte de Richard P. Feynman, o homem que disse que “a física é como o sexo: pode dar resultados práticos, mas não é por isso que a fazemos.”

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Ideologia neo-conservadora contra a ciência

4 de Outubro de 2006 por Joana Amaral Dias

Autor:
Rui Curado da Silva

Licenciatura em Engenharia Física – Univ. Coimbra
Doutoramento em Física Tecnológica – Univ. Louis Pasteur, Estrasburgo
Direcção da Sociedade Portuguesa de Astronomia entre 2003 e 2005
Principais publicações científicas nas revistas: Experimental Astronomy, Nuclear Instruments and Methods e IEEE Transactions on Nuclear Science.

Ideologia neo-conservadora contra a ciência

No passado 7 de Fevereiro, George Deutsch demitia-se do seu lugar de relações públicas da NASA, após um escândalo que envolvia a tentativa de censura de alguns investigadores da agência e a falsificação do seu curriculum vitae. George Deutsch que fora designado por George W. Bush para o lugar, ameaçou o climatologista da NASA James Hansen de terríveis consequências para a sua carreira se este continuasse a lançar alertas para a urgência em limitar a emissão de gases de efeito de estufa que contribuem para o aquecimento global. Numa outra ocasião, Deutsch deu ordens a um web designer para adicionar a palavra “teoria” sempre que se mencionasse o Big Bang no sítio internet da NASA.

Este é apenas um de uma série de episódios de falsificações e de ataques à comunidade científica norte-americana que estuda o aquecimento global por parte de grupos de pressão ligados à tendência neo-conservadora do Partido Republicano. Durante longos anos o empresário Glenn Kelly, que chefiava o grupo de pressão anti -Quioto intitulado Global Climate Coalition, liderou esta vaga de ataques até que uma sucessão interminável de resultados científicos que culminaram na publicação deste documento por 11 academias das ciências (EUA, Rússia, Canadá, Brasil, China, Japão, França, Itália, Índia, Alemanha e Reino Unido) dando conta da gravidade do aquecimento global do planeta, levaram a organização de Glenn Kelly a perder toda a sua credibilidade e os seus aderentes. Actualmente, o sítio internet da Global Climate Coalition está inactivo como se pode verificar.

Outra das grandes falsificações científicas de cariz neo-conservador visa a apologia do criacionismo como matéria científica escolar em vez de matéria de cariz espiritual como é prática normal nos seminários e nos institutos religiosos com credibilidade. A exposição de fósseis no Dakota do Sul que pretende demonstrar o advento do Dilúvio Universal é um dos exemplos dessa falsificação. Trata-se de uma falsificação rasca e ignorante que nada tem de elegante quando comparada com o cálculo da idade do mundo realizado por Santo Agostinho, com a demonstração da existência de Deus de Descarte ou com a busca da árvore genealógica completa até Adão e Eva elaborada pelos Mormons.

Não é de espantar que a comunidade científica americana tenha uma apreciação bastante negativa sobre o desempenho da neo-conservadora Administração Bush, como o ilustra o resultado
desta sondagem realizada pelo Pew Research Center em 2005 sobre a gestão do conflito iraquiano e da restante política internacional.

O novo livro de Richard

Dawkins (autor de “O Gene Egoísta”) intitulado The God Delusion e a edição hors-série a lançar no próximo dia 8 da revista Ciel et Espace, L’Univers a-t-il besoin de Dieu, são duas respostas enérgicas de quem na comunidade científica já percebeu o carácter organizado e profundamente político da tentativa medieval de retorno ao criacionismo.

O padrão que encontramos nestes ataques à ciência encaixam perfeitamente nos mecanismos de controlo social da ideologia neo-conservadora: o controlo do indivíduo através de um moralismo religioso validado por fraudes científicas e o controlo do colectivo confinando o grosso do lucro e da produtividade a grupos empresariais fiéis à ideologia (industrias do petróleo, tabaco e sector alimentar). A tentativa de introdução do criacionismo nas escolas é um exemplo do primeiro mecanismo e o negacionismo do aquecimento global é um exemplo de tentativa de eliminação de obstáculos ao bom funcionamento do segundo.

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O Paleólogo

25 de Setembro de 2006 por Rui Tavares

No Pobre e Mal Agradecido, o meu texto de sábado no Público sobre o célebre Discurso de Ratisbona do Papa. Começa assim:

Quando no início do ano rebentou a polémica das caricaturas dinamarquesas, o Papa tomou uma posição clara: a liberdade de expressão não inclui o direito a blasfemar. O Vaticano e toda a hierarquia católica foram unânimes em considerar que o jornal dinamarquês não deveria ter publicado as caricaturas porque, como disse então o Patriarca de Lisboa, “com o sagrado não se brinca”, ou melhor ainda, “o respeito pelo sagrado é algo que a cultura não pode pôr em questão, mesmo em nome da liberdade”. Quando a maior parte dos intelectuais defendia que a liberdade de expressão é sagrada, a igreja católica veio pôr as coisas nos seus termos: nem pensar; o sagrado é que é sagrado.

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