<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>cinco dias &#187; Brasil</title>
	<atom:link href="http://5dias.net/tag/brasil/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://5dias.net</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 27 May 2012 00:59:17 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator>
		<item>
		<title>Um ano de governo Dilma: a conjuntura à luz das tendências do processo histórico brasileiro 3/3</title>
		<link>http://5dias.net/2011/11/21/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-33/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/11/21/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-33/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 23:22:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Valente Aguiar</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Aurélio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=74305</guid>
		<description><![CDATA[Terceira e última parte de um artigo do Marcos Aurélio da Silva, professor na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Uma reflexão marxista muito interessante sobre o primeiro ano de governação Dilma. Dilma (e Lula) e a trajetória do desenvolvimentismo brasileiro Como &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/11/21/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-33/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Terceira e última parte de um artigo do <a onclick="javascript:_gaq.push(['_trackEvent','outbound-article','http://blogdomaurelio.wordpress.com']);" href="http://blogdomaurelio.wordpress.com/">Marcos Aurélio da Silva</a>, professor na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Uma reflexão marxista muito interessante sobre o primeiro ano de governação Dilma.</em></p>
<p><strong>Dilma (e Lula) e a trajetória do desenvolvimentismo brasileiro </strong></p>
<p>Como ler, a partir daqui, a política econômica em curso? Não deve haver dúvida que a política de grandes obras de infra-estrutura ora preservada, lembra em tudo os grandes momentos do desenvolvimentismo brasileiro, inclusive com seu componente espacial, voltado à superação do desenvolvimento geográfico desigual, marca mais evidente das mazelas sociais do subdesenvolvimento.<span id="more-74305"></span></p>
<p>Estão aí, a exemplo do eixo rodoviário que acompanhou a interiorização da capital sob Juscelino Kubitschek, ou, ainda mais destacadamente, da dispersão dos pólos petroquímicos e do parque siderúrgico  e hidrelétrico sob Geisel, os investimentos da Petrobras, com a marca do PAC, em áreas deprimidas do Sudeste e Nordeste, bem como o amplo esforço de ampliação da geração hidrelétrica na Amazônia, da capacidade portuária nordestina, de que são exemplos Pecém-CE e Suape-PE, e ainda da expansão da malha ferroviária, com grandes investimentos cortando o Centro-Oeste (Norte-Sul) e o mesmo Nordeste (Transnordestina).</p>
<p>Tudo, como então, sob intenso esforço de nacionalização de equipamentos, partes e peças (esforço que, aliás, não se limita aos bens de equipamentos, como se pode ver pela aprovação da lei 12.349/10, que permitirá ao governo fazer encomendas no mercado nacional de produtos e serviços com preços até 25% superiores aos dos concorrentes estrangeiros nos setores da saúde, defesa, têxtil e confecção, calçados e tecnologia). É este programa, iniciado já sob o segundo Lula, que está sendo preservado, mas também as políticas sociais, sempre ausentes na trajetória do desenvolvimentismo brasileiro.</p>
<p>Diria que mais que a adesão a princípios ortodoxos, estamos diante da opção por um mix entre ortodoxia e heterodoxia, como chegou a pensar Simonsen nos anos 70 − conquanto também ele, para seguirmos com a crítica de Rangel, exagerasse o papel da desaceleração dos gastos no combate de uma inflação cujas causas fundamentais residiam na estrutura oligopolista da economia.</p>
<p>Aliás, mesmo os estímulos aos bens de consumo duráveis, utilizados no calor da crise do final de 2008, podem ser submetidos a um teste de comparação. As medidas adotadas, como a redução do IPI para automóveis, em 2009 estendidas para motocicletas, bens de consumo duráveis, materiais de construção, móveis e até itens alimentícios, se tiveram como finalidade evitar acumulação de estoques, contribuíram, assim como na passagem do &#8220;milagre&#8221; ao II PND, para manter em alta as expectativas dos capitalistas, fundamental ao prosseguimento do programa de longo prazo recém iniciado.</p>
<p>Por sinal, a supressão destes incentivos, iniciada em dezembro, integra, ao lado da ampliação do compulsório (a parte dos depósitos bancários que deve ficar no Banco Central), medidas adicionais, ditas heterodoxas, de combate a inflação, que até bem pouco tempo sequer eram cogitadas.</p>
<p>Aqui também um mix − de inspiração chinesa, já se andou dizendo não sem uma certa dose de exagero −, que ainda assim não satisfez o insaciável &#8220;mercado&#8221;, razão pela qual o jornalismo mercadista não teve pejo de pressionar, a cada reunião do Copom, por maiores aumentos da taxa básica de juros – elevações sempre inúteis, vale insistir, e prejudiciais não só ao desempenho do mercado interno e ao endividamento público, mas também ao desempenho externo da economia, pelos efeitos que tem provocado no câmbio. </p>
<p>Uma última questão. Se no II PND os grandes programas de investimentos contaram com firme participação estatal, seja pela forma do crédito e do subsídio público, seja diretamente pelas inversões das grandes empresas estatais, figurando como coadjuvante o financiamento externo para as compras de petróleo enquanto não se maturavam os investimentos da Petrobras na bacia de Campos, na presente conjuntura é a solução de Ignácio Rangel que parece de alguma forma estar sendo posta em prática.</p>
<p>(Daí, aliás, a inflação, fora a especulação internacional de que se falou, andar, na verdade, muito bem comportada, tendo o forte aquecimento da economia em 2010 sequer a levado para o teto da meta &#8211; um motivo a mais da inutilidade da política de contenção da demanda)</p>
<p>Veja-se as associações entre o grande capital privado e empresas públicas na construção de grandes obras (as hidrelétricas do Rio Madeira), mecanismo pelo qual – e, aliás, lembrando o regime de acumulação do “milagre” dos anos 1967-73, de que falou o mesmo  Rangel (<em>Economia: milagre e anti-milagre</em>. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1985) − o próprio poder público tem se liberado financeiramente para enfrentar outros investimentos (a Transnordestina é um exemplo).</p>
<p>Mas vale também não esquecer o caminho a que o governo tem levado o BNDES, o principal banco de financiamento da produção no país − qual seja, o de atuar, ao lado de alguns bancos privados, na organização de um fundo para a compra de debêntures (e posterior venda no mercado de ações) a serem lançadas pelas empresas concessionárias das grandes obras públicas. É este o mecanismo pelo qual se espera elevar para 24% do PIB a taxa de formação bruta do capital (hoje em torno de 19%).</p>
<p>Cercado de tamanhos cuidados quanto à dimensão estratégica do investimento, não seria de esperar, portanto, que um governo que iniciou amplo programa de recuperação do serviço público − e o ensino superior é um exemplo − vá agora desistir de seus intentos. É que eles terão de conviver com o artifício da rolagem da dívida pública, e a contemporização de classe que isto impõe. Eis a contradição do governo petista.</p>
<p>Ecos da revolução passiva − para lembrar Gramsci − que nos acompanha  desde pelo menos 1930? Sem dúvida. Quiçá, todavia, um pouco mais distante do perfil entre atrasado e intermediário que sempre a caracterizou. A ver o empenho no combate da enorme dívida social que até hoje ainda acompanha o país.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2011/11/21/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-33/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um ano de governo Dilma: a conjuntura à luz das tendências do processo histórico brasileiro 2/3</title>
		<link>http://5dias.net/2011/11/20/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-23/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/11/20/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-23/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 01:14:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Valente Aguiar</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Aurélio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=74244</guid>
		<description><![CDATA[Aqui vai a segunda de três partes de um artigo do Marcos Aurélio da Silva, professor na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Uma reflexão marxista muito interessante sobre o primeiro ano de governação Dilma. Um breve recuo aos anos 70 &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/11/20/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-23/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Aqui vai a segunda de três partes de um artigo do <a onclick="javascript:_gaq.push(['_trackEvent','outbound-article','http://blogdomaurelio.wordpress.com']);" href="http://blogdomaurelio.wordpress.com/">Marcos Aurélio da Silva</a>, professor na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Uma reflexão marxista muito interessante sobre o primeiro ano de governação Dilma.</em></p>
<p><strong>Um breve recuo aos anos 70</strong></p>
<p>Embora as analogias não nos digam tudo, ousaria dizer que a compreensão do contexto atual pode se beneficiar de uma rápida comparação com o que viveu a economia brasileira na segunda metade dos anos 70, bem como com as estratégias então seguidas diante de diferentes desafios.  Até porque os investimentos organizados em torno do PAC recuperam uma tradição de política econômica que no Brasil conheceu sua última experiência justamente nesse período. (Além disso, um recuo no tempo permite pensar a conjuntura no contexto das tendências de fundo do processo histórico brasileiro)<span id="more-74244"></span></p>
<p>De fato, como destacou Antônio Barros de Castro, em uma das principais obras sobre a economia do período (<em>A economia brasileira em marcha forçada </em>Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985), posta diante da primeira crise do petróleo, e já em curso de esgotamento o vigoroso crescimento do &#8220;milagre&#8221; brasileiro (1967-73), a ortodoxia de mercado, sempre pronta a receitar cortes de gastos, sob o falacioso argumento – pré-keynesiano, diga-se − de fazer &#8220;nosso consumo corresponder a nossa capacidade de poupança&#8221;, foi solenemente ignorada pelos condutores da política econômica que se perfilavam ao lado do general Ernesto Geisel.</p>
<p>Como se sabe, o objetivo destes &#8220;condutores&#8221; − entender-se-á as aspas quando das referências ao ministro da Fazenda − era, antes, o de perseguir um forte programa de substituição de importações nas áreas de insumos básicos e bens de capital (o II PND), para o que conter a demanda que se exasperava ao cabo do &#8220;milagre&#8221; em nada ajudaria. Abraçada a ortodoxia, como digerir os investimentos feitos no início do &#8220;milagre&#8221;? Como manter altas as expectativas dos empresários para que se engajassem nos novos programas de investimentos?</p>
<p>Por volta de 1978, anunciando-se a segunda crise do petróleo, as dificuldades, notadamente no <em>front </em>externo, com a subida de preço das importações, reaparecem. Agora, todavia, o II PND já estava em curso, sendo mínimas as ameaças de abortá-lo. O então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, insuspeito quanto às convicções ortodoxas − devendo-se entender seu comprometimento com o II PND mais como ordens a cumprir −, acenou a uma desaceleração de gastos, aliada a um forte comprometimento com as metas de longo prazo em curso, posição com a qual economistas heterodoxos simpatizavam. O aceno, todavia, custou-lhe o cargo.</p>
<p>Sabemos um pouco o que se seguiu. Delfim Netto, o &#8220;mago&#8221; milagreiro dos anos 60, assumiu o posto de Simonsen e, por caminhos a primeira vista ziguezagueantes, aportou o país na crise do início dos anos 80, marcada pela escassez de reservas internacionais e pela drástica elevação inflacionária, bem como por forte desemprego. Compreende-se: a maxidesvalorização cambial, que a princípio protegeria a balança comercial e a produção interna, esteve combinada com uma série de medidas liberalizantes, como o fim da exigência de depósito prévio para as importações, o relaxamento dos critérios de similaridade, o fim do subsídio às exportações, e mesmo o desmantelamento do mecanismo dos juros subsidiados.</p>
<p>Os grandes programas,  estando já com  seus cronogramas de obras e dispêndios em estágio adiantado, acabaram por ser concluídos, alcançando plena maturação por volta de 1984.</p>
<p>Antes de prosseguir, é preciso atentar para uma nuance do debate. Destoando de uns e outros, o economista Ignácio Rangel (<em>Ciclo, tecnologia e crescimento</em>. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1982) advertiu quanto à inutilidade da desaceleração defendida por Simonsen. Com uma formação marxista, mas sem se prender a uma leitura messiânica, ele lembrava que a capacidade ociosa a nossa disposição, concentrada em empresas privadas nacionais e/ou estrangeiras instaladas no país, poderia ser utilizada através de um novo regime de concessões dos grandes serviços de utilidade públicas. Eram justamente estes, sob controle de um Estado em crise fiscal, que apareciam como as áreas estranguladas da economia.</p>
<p>Para Rangel a crise fiscal do Estado significava o esgotamento das relações de produção dominantes − que conduziram a industrialização desde 1930 −, o que resultava no bloqueio das forças produtivas nacionais. E o novo regime de concessões, a moda de uma mediação no processo brasileiro de superação da ordem pré-moderna, era pensado como o mecanismo pelo qual se estabeleceria o elo financeiro do capitalismo nacional − que Lenin disse ser a ante-sala do socialismo (<em>O imperialismo, fase superior do capitalismo</em>), vale não esquecer. Mas igualmente como a superação das pressões imperialistas, que se manifestavam não apenas no endividamento externo, como também na importação de equipamentos para as grandes obras públicas (e a isso se referiu igualmente o Lenin acima citado, quando tratou da predominância das exportações de capitais na era imperialista).</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2011/11/20/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-23/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um ano de governo Dilma: a conjuntura à luz das tendências do processo histórico brasileiro 1/3</title>
		<link>http://5dias.net/2011/11/19/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-13/</link>
		<comments>http://5dias.net/2011/11/19/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-13/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 23:03:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Valente Aguiar</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[luta dos trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Aurélio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=74216</guid>
		<description><![CDATA[Reproduzo de seguida a primeira de três partes de um artigo do Marcos Aurélio da Silva, professor na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Uma reflexão marxista muito interessante sobre o primeiro ano de governação Dilma. A política de gastos e &#8230; <a href="http://5dias.net/2011/11/19/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-13/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Reproduzo de seguida a primeira de três partes de um artigo do <a href="http://blogdomaurelio.wordpress.com/">Marcos Aurélio da Silva</a>, professor na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Uma reflexão marxista muito interessante sobre o primeiro ano de governação Dilma.</em></p>
<p><strong>A política de gastos e juros</strong></p>
<p>O governo Dilma iniciou anunciando cortes R$ 50 bilhões no Orçamento Geral da União, o que representa algo em torno de 2,4% dos R$ 2073 trilhões aprovados no Congresso no final de 2010. Embora a justificativa estampada nos jornais para os cortes tenha sido o combate à inflação, que no acumulado de 12 meses pelo IPCA chegava a  5,99%, quase 1,5% acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central (o teto da meta é 6,5%), a bem da verdade a medida – inútil para este fim − em nada tem a ver com a inflação. E o governo, embora tenha feito eco com o noticiário  − que, aliás, bem articulado ao mercado, cogitou a magnitude dos cortes mesmo antes do fato consumado −, bem sabe disto.<span id="more-74216"></span></p>
<p>Com efeito, a inflação registrada nos últimos tempos, além de alguma elevação nos preços dos serviços, por conta do expressivo ingresso da parcela excluída da população no mercado de trabalho, é fortemente determinada por aumentos nos preços das commodities, que por sua vez se explica pela especulação nos mercados futuros de alimentos e matérias-primas, animada pela ampla quantidade de dólares que o governo norte-americano vem mobilizando para enfrentar a crise em que está metido desde 2008 &#8211; quase de US$ 900 bilhões entre ajudas a bancos e grandes empresas. Ora, o petróleo, o trigo brasileiro, seguem indexados a estes preços internacionais, nada podendo fazer, portanto, uma maior restrição na demanda doméstica que os mencionados cortes prometem.</p>
<p>Trata-se de medida ajustada à estratégia gradualista de redução da dívida do setor público − estratégia perseguida pelo menos desde o segundo mandato de Lula.  Aliás, é no mesmo sentido que se deve entender o aumento de R$ 10 bilhões no superávit primário anunciado nos últimos dias de agosto. Vale notar que a relação dívida pública/PIB estava em 63,1% no último ano de FHC, só conhecendo uma redução mais significativa a partir de 2006, quando passou de 48% para cerca de 40,4% do PIB, (conforme dado de dezembro de 2010), cerca R$ 1,4 trilhões. O governo estima alcançar 30% do PIB em 2013, tendo em conta o impacto positivo do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento).</p>
<p>É claro que um tal gradualismo responde pelo caráter limitado do governo, que contemporiza com a maciça transfiguração da mais-valia nacional em juros pagos aos rentistas. Aliás, é por este caminho que se deve entender as cinco elevações na taxa básica de juros feitas pelo Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, entre janeiro e julho (duas elevações de 0,50%, em janeiro e março, e três de 0,25%, nos meses de abril, maio e julho, que elevaram a taxa de juros para a casa dos 12,5% a. a.). Ao lado da crise internacional, são estas elevações que respondem pela desaceleração econômica em curso (as projeções para o crescimento do ano já não são de 4,5%, mas algo em torno de 3,5 %, e isso a despeito das duas reduções de 0,50%, feitas nas reuniões de agosto e outubro, já que o efeito é defasado no tempo).  </p>
<p>Entretanto, vale assinalar novamente: o governo espera contar com uma elevação do PIB para alcançar a meta de um endividamento de 30% do Produto no penúltimo ano da atual gestão (muito inferior, ressalte-se, ao registrado em muitos países do centro capitalista, e em toda periferia do euro, agora em apuros).</p>
<p>Ora, justamente neste ponto é que devemos nos ater um pouco mais. <strong>As medidas de corte, afetando todos os ministérios e órgãos públicos, estiveram concentradas nos gastos de custeio, entre eles a revisão das nomeações, suspensão dos concursos públicos, redução de diárias e passagens, proibição para a aquisição, reforma e aluguel de imóveis. Todavia, não afetaram os gastos sociais e as obras do PAC</strong>, que no primeiro semestre foram praticamente os mesmos do ano passado (R$ 10, 4 bilhões contra R$ 10,5 bilhões), sendo que já se anuncia a retomada das contratações para 2012 (54.724 contratações, o que elevaria em R$ 3,2 bilhões a despesa anual do governo federal com salários), embora a imprensa tenha dado conta também do encantamento do governo com um projeto caro ao antigo ministro Pallocci, que limita o aumento da folha de salários da União (projeto à época chamado de rudimentar pela então ministra Dilma Rousseff).</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2011/11/19/um-ano-de-governo-dilma-a-conjuntura-a-luz-das-tendencias-do-processo-historico-brasileiro-13/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>bicicleta vs helicóptero em Sao Paulo</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/20/bicicleta-vs-helicoptero-em-sao-paulo/</link>
		<comments>http://5dias.net/2009/10/20/bicicleta-vs-helicoptero-em-sao-paulo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 00:52:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zenuno</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[bicicleta]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[carro]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>
		<category><![CDATA[youtube]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26606</guid>
		<description><![CDATA[Bike X Helicopter &#8211; São Paulo Intermodal Challenge Uma corrida: Bicicleta X Helicóptero em São Paulo, na hora do rush. Quem vence?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Bike X Helicopter &#8211; São Paulo Intermodal Challenge</strong><br />
<object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/RKb7OZmwg34&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x5d1719&#038;color2=0xcd311b&#038;hd=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/RKb7OZmwg34&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x5d1719&#038;color2=0xcd311b&#038;hd=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><br />
<small><em>Uma corrida: Bicicleta X Helicóptero em São Paulo, na hora do rush. Quem vence?</em></small></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2009/10/20/bicicleta-vs-helicoptero-em-sao-paulo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mulato democrático</title>
		<link>http://5dias.net/2008/11/04/mulato-democratico/</link>
		<comments>http://5dias.net/2008/11/04/mulato-democratico/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 17:48:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=8936</guid>
		<description><![CDATA[É favor ouvirem até ao fim.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Crs8R7enWQI&#038;hl=en&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Crs8R7enWQI&#038;hl=en&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>É favor ouvirem até ao fim.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2008/11/04/mulato-democratico/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Da tradução para o acordo ortográfico</title>
		<link>http://5dias.net/2008/10/08/da-traducao-para-o-acordo-ortografico/</link>
		<comments>http://5dias.net/2008/10/08/da-traducao-para-o-acordo-ortografico/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 02:01:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=7319</guid>
		<description><![CDATA[Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por &#8220;Antónimo&#8221;) ao texto da Fernanda encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto): &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/10/08/da-traducao-para-o-acordo-ortografico/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por &#8220;Antónimo&#8221;) ao texto da Fernanda encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto):</p>
<blockquote><p>Embora as editoras mais do que abusem (por exemplo, é raro pagarem direitos de autor &#8211; só o fazem a consagrados -, escondem as vendas a sete chaves e os livros que saem aí com jornais e revistas &#8211; tiragens de 30 mil exemplares &#8211; têm um custo de produção de 90 cêntimos) é um bocado complicado os livros em português ficarem ao preço de um da Penguin, não é?<br />
Uma Guerra e Paz da Penguin, em inglês tem centenas de milhões de leitores. Até podiam dar os livros que não se sentia. Não há direitos de autor e imagino que as traduções foram pagas há décadas. Se os nossos leitores ainda preferem ir comprá-los em vez dos desgraçados três mil exemplares que a exemplar tradução portuguesa não esgota, mesmo se publicada desde 2005, a coisa piora.<br />
No fundo, paga 15 euros por uma coisa que não custou nada a produzir em vez de pagar 60 euros por algo que custou consideravelmente mais.</p></blockquote>
<p>Pois é, <a href="http://5dias.net/2008/10/07/da-tradicao-e-da-traducao/" target="_blank">Fernanda</a>, o que falta para termos livros baratos em português é um verdadeiro mercado global do livro em língua portuguesa!</p>
<p>(Já agora: à entrada da livraria do Instituto Superior Técnico está um anúncio <a href="http://www.fca.pt/lidel_index2.html" target="_blank">desta editora</a> onde ela se gaba de publicar &#8220;autores nacionais&#8221;, e recomenda aos estudantes que escolham os livros por ela publicados em detrimento das &#8220;traduções brasileiras&#8221; (inclui mesmo a frase &#8220;Não estudes por traduções brasileiras!&#8221;). Esta editora tem desenvolvido um trabalho meritório na publicação de bons livros técnicos de autores portugueses. Mas precisava de os &#8220;promover&#8221; utilizando um &#8220;argumento&#8221; tão mesquinho e rasteiro?)</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2008/10/08/da-traducao-para-o-acordo-ortografico/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>31</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Alô Gil, aquele abraço</title>
		<link>http://5dias.net/2008/08/01/gil/</link>
		<comments>http://5dias.net/2008/08/01/gil/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 21:36:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=4000</guid>
		<description><![CDATA[Quando chegou ao Ministério da Cultura, foi aclamado internacionalmente como o sucessor de Nana Mouskouri. Mas não deixou de fazer exigências: queria ter tempo para continuar a fazer as suas digressões e dar os seus espectáculos mundo fora. Pior: não &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/08/01/gil/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/AwI97S_nWn0&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/AwI97S_nWn0&amp;hl=en&amp;fs=1" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
Quando chegou ao Ministério da Cultura, foi aclamado internacionalmente como o sucessor de Nana Mouskouri. Mas não deixou de fazer exigências: queria ter tempo para continuar a fazer as suas digressões e dar os seus espectáculos mundo fora. Pior: não queria “perder dinheiro” por ser ministro. Era essa a justificação oficial.<br />
Lula mesmo assim aceitou, e o Brasil passou então a ter o “ministro cantor”.<br />
Eu não estou em condições de julgar o seu trabalho enquanto ministro, e nem é esse o meu objectivo neste texto. É claro que era engraçado e original o Brasil ter um ministro que de dia tinha reuniões políticas e à noite actuava em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas, ou em Paris, na Praça da Bastilha. Mas também era agradável para o cantor em questão ser reconhecido como “o ministro”, e seguramente tal não o tornou menos famoso. Nem as iniciativas dentro e fora do Brasil por si patrocinadas. Posso testemunhar as iniciativas associadas ao “ano do Brasil em França “ (2005): o seu nome aparecia em maiúsculas, sempre em lugar de destaque (e sem nenhuma comunicação ou outro motivo que o justificasse). Não bastava a referência às entidades em abstracto (neste caso o Ministério da Cultura): nunca faltava o “Ministro da Cultura &#8211; Gilberto Gil”.<span id="more-4000"></span><br />
Ficou famosa uma greve prolongada dos funcionários do seu ministério (que praticamente o parou) a exigirem melhores salários. Gil não demonstrou nenhuma solidariedade para com o ministro das Finanças, seu colega no governo: preferiu refugiar-se em mais uma digressão pelo estrangeiro e dizer que nada sabia nem tinha a ver com o assunto.<br />
Podem ter-se visto muitos resultados desta passagem de Gil pelo Ministério da Cultura do Brasil; para além do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (que é justo destacar), já disse que não sei. Sei o que nunca se viu (pelo menos que eu tenha dado por isso): um ministro com sentido de Estado, sentido de dever, ética republicana, espírito de missão. Gil sempre se achou mais importante que o país ou o seu ministério. Por “dificuldades para conciliar as atribuições oficiais do cargo de ministro da Cultura com a sua carreira artística”, <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1337136" target="_blank">Gilberto Gil já não é ministro da Cultura do Brasil</a>. E o Rio de Janeiro continua lindo.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2008/08/01/gil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>12</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O besteirol dos 500 anos</title>
		<link>http://5dias.net/2008/07/28/o-besteirol-dos-500-anos/</link>
		<comments>http://5dias.net/2008/07/28/o-besteirol-dos-500-anos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 15:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Filipe Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=3839</guid>
		<description><![CDATA[No rescaldo da atribuição do Prémio Camões 2008 a João Ubaldo Ribeiro, achei que vinha a propósito recordar aqui um artigo deste autor, publicado em 2000, sobre a famosa polémica do &#8220;achamento&#8221; versus &#8220;descobrimento&#8221; do Brasil. Sobre este assunto, creio que o &#8230; <a href="http://5dias.net/2008/07/28/o-besteirol-dos-500-anos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No rescaldo da atribuição do Prémio Camões 2008 a João Ubaldo Ribeiro, achei que vinha a propósito recordar aqui um artigo deste autor, publicado em 2000, sobre a famosa polémica do &#8220;achamento&#8221; versus &#8220;descobrimento&#8221; do Brasil. Sobre este assunto, creio que o autor de <em>Viva o Povo Brasileiro</em> sabe muito bem o que diz. É um texto polémico, porém.</p>
<p><em>O besteirol dos 500 anos</em>, João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 24/04/2000</p>
<p>Levando-se em conta nossa pitoresca realidade contemporânea, até que a quantidade de besteiras ditas e escritas sobre o controvertido aniversário do Brasil não dá para surpreender. O que chateia um pouquinho é que diversas dessas besteiras continuarão a perseguir-nos pela vida afora, algumas talvez trazendo conseqüências indesejadas. A principal delas, naturalmente, é a de que o Brasil começou em 1500, quando nem mesmo no nome isso aconteceu, posto que éramos uma ilha quando os portugueses primeiro viram as terras daqui e, durante muito tempo, o Brasil que duvidosamente existia não tinha nada a ver com o Brasil de hoje.</p>
<p>A impressão que se tem é que, do povo às autoridades e mesmo aos entendidos, acha-se que o Brasil já estava no mapa, com as fronteiras e características atuais, no momento em que Cabral chegou. Teria tido até um nome nativo, já proposto, pelos mais exaltados, para substituir &#8220;Brasil&#8221;: Pindorama, designação supostamente dada pelos índios ao nosso país. Não sou historiador, mas também não sou tão burro assim para acreditar que os índios tinham qualquer noção geopolítica, ou alguma idéia de que pertenciam a um &#8220;país&#8221; chamado Pindorama. Não havia qualquer país, é claro, nem sequer a palavra Pindorama devia fazer sentido para os ocupantes que os portugueses encontraram aqui, se é que ela era usada mesmo. No máximo, significaria o único mundo conhecido deles. Parece assim que os nossos índios administravam impérios e cidades como os dos maias, astecas ou incas, quando na verdade, que perdura até hoje, viviam neoliticamente e a maioria esgotava o numerais em três &#8211; era o máximo que conseguiam contar e o resto se designava como &#8220;muito&#8221;.<span id="more-3839"></span></p>
<p>Como corolário disso, vem a tese de que fomos invadidos. Com perdão da formulação pouco ortodoxa da pergunta, quem fomos invadidos? Todos nós, salvante os mais ou menos 400 mil índios que sobraram por aí, somos descendentes dos invasores, inclusive os negros, que não vieram por livre e espontânea vontade, mas também não viviam aqui na época de Cabral e hoje constituem parte indissolúvel de nossa, digamos assim, identidade. Imagino que haja quem pense que, diante de uma delegação portuguesa, algum diplomata ou general índio tenha argumentado que se tratava da ocupação ilegal de um Estado soberano do Oiapoque ao Chuí e que aquilo não estava certo, cabendo talvez a intervenção das Nações Unidas.</p>
<p>Se a História tivesse tomado rumos um pouquinho diferentes, nossa área hoje podia estar subdividida em vários países diferentes, uns falando português, outros espanhol, outros holandês, outros francês. Do Tratado de Tordesilhas às capitanias hereditárias, aos movimentos separatistas e à ação do barão do Rio Branco, muita coisa se passou para que nos tenhamos tornado o Brasil que somos hoje. Ninguém chegou aqui e descobriu o Brasil já pronto e acabado (se é que podemos falar assim mesmo agora), isto é uma perfeita maluquice. O Brasil, é mais do que óbvio, se construiu lentamente e às vezes aos trancos e barrancos.</p>
<p>Compreende-se que nativos de países como o Peru, o México e outros, notadamente na América Central, se sintam invadidos. Até hoje são numerosos e discriminados, muitos nem falam espanhol e, quando aportaram os conquistadores, tinham cidades maiores do que as européias. Mas nós? Quem, com a notável exceção do amigo pataxó e da jovem senhora xavante que ora me lêem, foi aqui invadido? Vamos supor, já jogando no terreno da absoluta impossibilidade, que o chamado mundo civilizado ignorasse a existência destas terras até hoje. Teríamos aqui, não o Brasil, mas uns 4 milhões de nativos de beiço furado e pintados de urucu e jenipapo (nada contra, até porque furamos as orelhas, nos tatuamos e usamos batom, é uma questão de estilo), que não falavam as línguas uns dos outros, matavam-se entre si com alguma regularidade e cuja tecnologia não era propriamente da era informática. Brasil mesmo, nenhum.</p>
<p>Mas está ficando politicamente correto, suspeito eu que por motivos incorretíssimos, abraçar a tese da invasão do Brasil. &#8220;Nós fomos invadidos, fomos invadidos!&#8221;, grita em português brasileiro, a única língua que sabe, um manifestante mulato, em Porto Seguro. Será possível que não se perceba a vastidão dessa sandice? Daqui a pouco &#8211; e aí é que mora o perigo &#8211; entra na moda de vez e os resquícios das nações indígenas que ainda subsistem deverão aspirar à soberania sobre os territórios que ocupam. Como na Europa Oriental, cada etnia quererá ter seu Estado e sua autonomia, com bandeira, hino, moeda (dólar, para facilitar) e passaporte. Que beleza, forma-se-á por exemplo, depois de um plebiscito entre os índios, o Estado Ianomâmi, completamente independente e ocupando área bem maior do que muitos outros países do mundo juntos, reconhecido pelas organizações internacionais e protegido pelo grande paladino da liberdade dos povos, os Estados Unidos, que mandariam missionários e ajuda econômica e tecnológica e, dessa forma, investiriam desinteressadamente numa área tão pobre em recursos econômicos e que tão pouca cobiça desperta, como a Amazônia. E, se protestássemos, a Otan bombardearia o Viaduto do Chá, a ponte Rio-Niterói e o Elevador Lacerda, como advertência.</p>
<p>Cometeram-se e cometem-se crimes inomináveis contra os índios, que devem ter seus direitos assegurados. Também se cometeram e cometem crimes contra grande parte dos brasileiros não-índios, outra vergonha que precisa ser abolida. Mas isso não tem nada a ver com a tal invasão, assim como a outra série de besteiras intensamente veiculada, segundo a qual, se não houvéssemos sido colonizados pelos portugueses, estaríamos em melhor situação, assim como estão em melhor situação a antiga Guiana Inglesa, o Suriname, a Indonésia, a Nigéria, a Somália, o Sudão e um rosário interminável de ex-colônias européias, quando na verdade se trata de um caso claro de o buraco achar-se bem mais embaixo. Como é que se diz &#8220;babaquice&#8221; em tupi-guarani?</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2008/07/28/o-besteirol-dos-500-anos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>14</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Filipe Moura:Lula de novo com a força do povo</title>
		<link>http://5dias.net/2006/11/03/filipe-mouralula-de-novo-com-a-forca-do-povo/</link>
		<comments>http://5dias.net/2006/11/03/filipe-mouralula-de-novo-com-a-forca-do-povo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Nov 2006 05:07:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Ramos de Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinco dias]]></category>
		<category><![CDATA[convidado]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2006/11/03/filipe-mouralula-de-novo-com-a-forca-do-povo/</guid>
		<description><![CDATA[A vitória esmagadora de Lula na segunda volta das presidenciais brasileiras é verdadeiramente notável. Conseguiu a proeza de &#8220;roubar&#8221; votos ao seu adversário directo, que teve menos votos na segunda volta do que na primeira! Se na primeira volta foi &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/11/03/filipe-mouralula-de-novo-com-a-forca-do-povo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A vitória esmagadora de Lula na segunda volta das presidenciais brasileiras é verdadeiramente notável. Conseguiu a proeza de &#8220;roubar&#8221; votos ao seu adversário directo, que teve menos votos na segunda volta do que na primeira! Se na primeira volta foi penalizado pela atitude sobranceira de fugir aos debates, a partir de então finalmente entrou em campanha e não deu a mínima hipótese ao cinzento e beato Alckmin. É inegável o mérito do presidente-operário, mérito tanto mais notável se considerarmos as condições em que decorreu a campanha e a posição da comunicação social.</p>
<p>Com efeito, desde que surgiram os primeiros sinais do &#8220;mensalão&#8221; começou uma campanha inédita contra um presidente que, digam o que disserem, nunca foi directamente implicado nos escândalos que foram aparecendo. O escândalo mais recente, o dossiê contra José Serra, é um bom exemplo: Lula não tinha nada a beneficiar com ele. O seu partido, sim, numa eleição estadual. Os membros da cúpula do PT não conseguiram distinguir-se dos restantes políticos corruptos brasileiros que, infelizmente, estão em todos os partidos. É o modo como o Brasil funciona: como afirmaram Wagner Tiso e Paulo Betti, para fazer política a sério tem de se jogar sujo, mesmo se com as melhores intenções. Se houve domínio em que o Brasil não melhorou com Lula foi nos índices de corrupção. Mas já era assim, e continuaria a ser, com os adversários de Lula. E com Lula aumentou substancialmente o combate à corrupção. E o país melhorou em muitos outros domínios, tornando-se menos desigual e mais justo.</p>
<p>Não foi o &#8220;mensalão&#8221; que deu origem à campanha contra Lula na comunicação social. Apenas a ampliou, mas esta já era bem patente na &#8220;Veja&#8221; ou na &#8220;Folha de São Paulo&#8221;. E também na comunicação social estrangeira. Recordo-me do episódio que tanto deu que falar da acusação do &#8220;The New York Times&#8221; de que Lula bebia demais (sob que parâmetros?), e a repercussão que isso teve em Portugal. Refiro-me a quando <a target="_blank" href="http://origemdasespecies.blogspot.com/">Francisco José Viegas</a>, nos intervalos entre as receitas triviais e a crítica (ironicamente) a cervejas, a maior parte das vezes de que só ele ouvira falar, nos presenteou nas páginas da então &#8220;Grande Reportagem&#8221; com uma recolha nada selectiva de charges dedicadas a Lula e aos seu suposto consumo alcoólico. Só que o que no Brasil é um saudável exercício de crítica, quando publicado noutro país pode ser uma ofensa a um Chefe de Estado. Uma coisa seria publicar uma charge a título de exemplo; a outra foi ter publicado uma recolha exaustiva dessas charges. Uma outra coisa ainda seria ter publicado essas charges num blogue pessoal como a Origem das Espécies; outra completamente diferente foi publicá-las nas páginas da &#8220;Grande Reportagem&#8221; como ilustração de uma notícia sobre a polémica com o &#8220;The New York Times&#8221;. Mas para dizer mal de Lula, como se vê, vale tudo: confundir boato ou zombaria com notícia, confundir notícia com opinião…Conforme afirmou Chico Buarque numa entrevista à &#8220;Folha de São Paulo&#8221;, « o preconceito de classe contra o Lula continua existindo &#8211;e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente para quem agride, porque o sujeito mais humilde ouve e pensa: &#8220;Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?&#8221;. Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! &#8211;até assassino eu já ouvi. (&#8230;) Como se fosse uma concessão, deixaram o Lula assumir. &#8220;Agora sai já daí, vagabundo!&#8221;. É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu esse luxo de ocupar a Casa Grande. &#8220;Agora volta pra senzala!&#8221;.»<br />
O notável é que Lula sobrevive a isso tudo. Resiste a todos os ataques. Se não foi eleito à primeira volta, foi por erros próprios e do seu partido, e não propriamente por causa dos muitos ataques sofridos. O mais curioso é que a certa altura parecia que os ataques eram contraproducentes, pois só o fortaleciam: quanto mais Lula era atacado, mais subia nas sondagens e na taxa de aprovação. O povo via que se tratava de uma campanha, e identificava-se com Lula: era um dos seus na Presidência. O carisma e a genuinidade de Lula garantiam o resto. Há outros exemplos de políticos assim, que parecem mais fortes que os fazedores de opinião. Invencíveis eles não serão, mas será que poderão ser vencidos através da tradicional influência dos comentadores políticos? Pessoalmente agrada-me ver que é possível um político ganhar eleições livres contra a corrente mediática, tendo a maioria da comunicação social vista como &#8220;mais influente&#8221; contra si. Lula deu esse exemplo e mostrou que Diogo Mainardi ou Arnaldo Jabor não mandam no Brasil. A sua reeleição, como bem diz o seu slogan, demonstra a força do povo.</p>
<p><a target="_blank" href="http://avesso-do-avesso.blogspot.com/">FILIPE MOURA</a></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2006/11/03/filipe-mouralula-de-novo-com-a-forca-do-povo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Chico e Caetano: juntos e ao vivo</title>
		<link>http://5dias.net/2006/09/25/20060925-juntos-e-ao-vivo/</link>
		<comments>http://5dias.net/2006/09/25/20060925-juntos-e-ao-vivo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Sep 2006 22:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rui Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano-Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[Chico-Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/2006/09/26/20060925-juntos-e-ao-vivo/</guid>
		<description><![CDATA[Antes de fechar o meu dia e passar as chaves ao António Figueira, tempo para falar das eleições brasileiras, que são já este domingo. Se eu fosse brasileiro, não votaria em Lula; a naturalidade com que os líderes do PT &#8230; <a href="http://5dias.net/2006/09/25/20060925-juntos-e-ao-vivo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de fechar o meu dia e passar as chaves ao António Figueira, tempo para falar das eleições brasileiras, que são já este domingo. Se eu fosse brasileiro, não votaria em Lula; a naturalidade com que os líderes do PT encararam a corrupção no seu próprio partido e no sistema político brasileiro não pode ser premiada com uma eleição à primeira volta. Tampouco votaria em Alckmin ou em Heloísa Helena. O meu voto iria para Cristóvam Buarque, ex-ministro da Educação nos primeiros tempos do governo Lula, que foi afastado à bruta, acusado de ser irrealista, pelos mesmos pragmáticos e realistas (desde logo, José Dirceu) que depois prestaram à democracia o belo serviço do &#8220;mensalão&#8221;.
</p>
<p>As declarações que se seguem pertencem a entrevistas de Chico Buarque e Caetano Veloso à Folha de São Paulo e à Carta Capital. O primeiro vai votar em Lula, o segundo talvez vá votar em Cristóvam, o &#8220;meu&#8221; candidato (percebe-se pelas entrelinhas quando Caetano diz que ainda é Brizola; Cristóvam é candidato pelo PDT, partido fundado por Brizola). No entanto, concordo com muito do que diz Chico Buarque, nomeadamente em relação à agressividade contra-producente com que Lula tem sido tratado pela &#8220;elite&#8221; brasileira (a <em>Veja</em>, único título brasileiro que é distribuído regularmente em Portugal, é o exemplo acabado). Enfim; na arte como na política, vale a pena ler Chico Buarque e Caetano Veloso em conjunto. Os estilos são diferentes, as conclusões também, mas os conteúdos iluminam-se um ao outro.
</p>
<p>Chico Buarque: <br />
<blockquote>«É claro que esse escândalo abalou o governo, abalou quem votou no Lula, abalou sobretudo o PT. Para o partido, esse escândalo é desastroso. O outro lado da moeda é que disso tudo pode surgir um partido mais correto, menos arrogante. No fundo, sempre existiu no PT a idéia de que você ou é petista ou é um calhorda. Um pouco como o PSDB acha que você ou é tucano ou é burro (risos).<br />Agora, a crítica que se faz ao PT erra a mão. Não só ao PT, mas principalmente ao Lula. Quando a oposição vem dizer que se trata do governo mais corrupto da história do Brasil é preciso dizer ‘espera aí’. Quando aquele senador tucano canastrão diz que vai bater no Lula, dar porrada, quando chamam o Lula de vagabundo, de ignorante – aí estão errando muito a mão. Governo mais corrupto da história? Onde está o corruptômetro? É preciso investigar as coisas, sim. Tem que punir, sim. Mas vamos entender melhor as coisas. A gente sabe que a corrupção no Brasil está em toda parte. E vem agora esse pessoal do PFL, justamente ele, fazer cara de ofendido, de indignado. Não vão me comover&#8230;<br /><strong>Preconceito de classe</strong><br />O preconceito de classe contra o Lula continua existindo – e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente para quem agride, porque o sujeito mais humilde ouve e pensa: ‘Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?’. Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! – até assassino eu já ouvi. Fizeram o diabo para impedir que o Lula fosse presidente. Inventaram plebiscito, mudaram a duração do mandato, criaram a reeleição. Finalmente, como se fosse uma concessão, deixaram Lula assumir. ‘Agora sai já daí, vagabundo!’. É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu o luxo de ocupar a Casa Grande. ‘Agora volta pra senzala!’. Eu não gostaria que fosse assim.<br /><strong>Eu voto no Lula!</strong><br />A economia não vai mudar se o presidente for um tucano. A coisa está tão atada que honestamente não vejo muita diferença entre um próximo governo Lula e um governo da oposição. Mas o país deu um passo importante elegendo Lula. Considero deseducativo o discurso em voga: ‘Tão cedo esses caras não voltam, eles não sabem fazer, não são preparados, não são poliglotas’. Acho tudo isso muito grave.  Hoje eu voto no Lula. Vou votar no Alckmin? Não vou. Acredito que, apesar de a economia estar atada como está, ainda há uma margem para investir no social que o Lula tem mais condições de atender. Vai ficar devendo, claro. Já está devendo. Precisa ser cobrado. Ele dizia isso: ‘Quero ser cobrado, vocês precisam me cobrar, não quero ficar lá cercado de puxa-sacos’. Ouvi isso dele na última vez que o vi, antes dele tomar posse, num encontro aqui no Rio.<br /><strong>Sobre o PSOL [de Heloísa Helena]</strong><br />Percebo nesses grupos um rancor que é próprio dos ex: ex-petista, ex-comunista, ex-tudo. Não gosto disso, dessa gente que está muito próxima do fanatismo, que parece pertencer a uma tribo e que quando rompe sai cuspindo fogo. Eleitoralmente, se eles crescerem, vão crescer para cima do PT e eventualmente ajudar o adversário do Lula.<br /><strong>Papel da mídia</strong><br />Não acho que a mídia tenha inventado a crise. Mas a mídia ecoa muito mais o mensalão do que fazia com aquelas histórias do Fernando Henrique, a compra de votos, as privatizações. O Fernando Henrique sempre teve uma defesa sólida na mídia, colunistas chapa-branca dispostos a defendê-lo a todo custo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais.»</p></blockquote>
<p>Caetano Veloso:<br />
<blockquote>«&#8221;FOLHA &#8211; Ao contrário de Chico Buarque, você já disse que não votará em Lula. Por quê?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Não vou. Não me arrependo de ter votado nele, mas sou contra a reeleição. Não votei pela reeleição de Fernando Henrique, que nos deu de presente oito anos de esquerda marxista da USP. E como eu já estou com 64 anos e ele e Lula são a mesma coisa, eu acho que seria demais 16 anos com essa turma.
</p>
<p>FOLHA &#8211; O sociólogo Gilberto Vasconcellos se referia a &#8220;essa turma&#8221;, que veio a se dividir entre PT e PSDB, como a coalizão CUT-USP-Fiesp&#8230;
</p>
<p>CAETANO &#8211; Eu acho essa expressão dele totalmente certa.
</p>
<p>FOLHA &#8211; Em quem você vota?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Não sei em quem vou votar. Não gosto de votar nulo. Eu preferiria que Lula pelo menos não fosse eleito no primeiro turno.
</p>
<p>FOLHA &#8211; Como você vê o escândalo do mensalão?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Eu acho que foi realmente vergonhoso e ruim. Há uma certa regressão no país -que fez o impeachment de Collor- quando se passa uma esponja no escândalo do mensalão. Lula e o PT afastaram os acusados, Lula se disse traído, mas a cada solenidade de despedida dos que cometeram delitos levantou a voz para dizer loas morais a essas figuras. E pôs a culpa num possível complô das elites através da mídia, o que eu acho completamente incongruente. Eu não sou burro, nem maluco, então não vou votar nele. Votei em Lula contra Collor no segundo turno, mas meu candidato não era ele. Era o Brizola. E continua sendo (risos). Na última eleição, eu achei que era a hora de um operário chegar ao poder, de o PT enfrentar a realidade e de se desmistificar tudo isso. Se o Serra tivesse ganhado, ele, que é um excelente candidato, seria massacrado por essa mitologia do Lula, da esquerda e do PT. Quando justifiquei meu voto em Lula, disse que esperava que ele fosse empossado, que governasse e que passasse a faixa para outro. Continuo pensando da mesma maneira.
</p>
<p>FOLHA &#8211; É como naquela canção: &#8220;Mamãe eu quero ir a Cuba e quero voltar&#8221;?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Exatamente. E eu cantei isso em Cuba.
</p>
<p>FOLHA &#8211; Por que há essa leniência em relação ao escândalo?
</p>
<p>CAETANO &#8211; Eu acho que é por causa da esquerda. A esquerda é como torcida de futebol. As pessoas ficam cegas. Eu sou um simpatizante da esquerda por sede de harmonia, de dignidade e de Justiça. Mas vejo freqüentemente que a esquerda é quem mais ameaça essas coisas que me levaram a me aproximar dela.»</p></blockquote>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://5dias.net/2006/09/25/20060925-juntos-e-ao-vivo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

