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COMENTÁRIOS

bicicleta vs helicóptero em Sao Paulo

20 de Outubro de 2009 por zenuno

Bike X Helicopter – São Paulo Intermodal Challenge

Uma corrida: Bicicleta X Helicóptero em São Paulo, na hora do rush. Quem vence?

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Mulato democrático

4 de Novembro de 2008 por Filipe Moura

É favor ouvirem até ao fim.

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Da tradução para o acordo ortográfico

8 de Outubro de 2008 por Filipe Moura

Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por “Antónimo”) ao texto da Fernanda encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto):

Embora as editoras mais do que abusem (por exemplo, é raro pagarem direitos de autor – só o fazem a consagrados -, escondem as vendas a sete chaves e os livros que saem aí com jornais e revistas – tiragens de 30 mil exemplares – têm um custo de produção de 90 cêntimos) é um bocado complicado os livros em português ficarem ao preço de um da Penguin, não é?
Uma Guerra e Paz da Penguin, em inglês tem centenas de milhões de leitores. Até podiam dar os livros que não se sentia. Não há direitos de autor e imagino que as traduções foram pagas há décadas. Se os nossos leitores ainda preferem ir comprá-los em vez dos desgraçados três mil exemplares que a exemplar tradução portuguesa não esgota, mesmo se publicada desde 2005, a coisa piora.
No fundo, paga 15 euros por uma coisa que não custou nada a produzir em vez de pagar 60 euros por algo que custou consideravelmente mais.

Pois é, Fernanda, o que falta para termos livros baratos em português é um verdadeiro mercado global do livro em língua portuguesa!

(Já agora: à entrada da livraria do Instituto Superior Técnico está um anúncio desta editora onde ela se gaba de publicar “autores nacionais”, e recomenda aos estudantes que escolham os livros por ela publicados em detrimento das “traduções brasileiras” (inclui mesmo a frase “Não estudes por traduções brasileiras!”). Esta editora tem desenvolvido um trabalho meritório na publicação de bons livros técnicos de autores portugueses. Mas precisava de os “promover” utilizando um “argumento” tão mesquinho e rasteiro?)

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Alô Gil, aquele abraço

1 de Agosto de 2008 por Filipe Moura


Quando chegou ao Ministério da Cultura, foi aclamado internacionalmente como o sucessor de Nana Mouskouri. Mas não deixou de fazer exigências: queria ter tempo para continuar a fazer as suas digressões e dar os seus espectáculos mundo fora. Pior: não queria “perder dinheiro” por ser ministro. Era essa a justificação oficial.
Lula mesmo assim aceitou, e o Brasil passou então a ter o “ministro cantor”.
Eu não estou em condições de julgar o seu trabalho enquanto ministro, e nem é esse o meu objectivo neste texto. É claro que era engraçado e original o Brasil ter um ministro que de dia tinha reuniões políticas e à noite actuava em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas, ou em Paris, na Praça da Bastilha. Mas também era agradável para o cantor em questão ser reconhecido como “o ministro”, e seguramente tal não o tornou menos famoso. Nem as iniciativas dentro e fora do Brasil por si patrocinadas. Posso testemunhar as iniciativas associadas ao “ano do Brasil em França “ (2005): o seu nome aparecia em maiúsculas, sempre em lugar de destaque (e sem nenhuma comunicação ou outro motivo que o justificasse). Não bastava a referência às entidades em abstracto (neste caso o Ministério da Cultura): nunca faltava o “Ministro da Cultura – Gilberto Gil”. Ler o resto »

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O besteirol dos 500 anos

28 de Julho de 2008 por Filipe Moura

No rescaldo da atribuição do Prémio Camões 2008 a João Ubaldo Ribeiro, achei que vinha a propósito recordar aqui um artigo deste autor, publicado em 2000, sobre a famosa polémica do “achamento” versus “descobrimento” do Brasil. Sobre este assunto, creio que o autor de Viva o Povo Brasileiro sabe muito bem o que diz. É um texto polémico, porém.

O besteirol dos 500 anos, João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 24/04/2000

Levando-se em conta nossa pitoresca realidade contemporânea, até que a quantidade de besteiras ditas e escritas sobre o controvertido aniversário do Brasil não dá para surpreender. O que chateia um pouquinho é que diversas dessas besteiras continuarão a perseguir-nos pela vida afora, algumas talvez trazendo conseqüências indesejadas. A principal delas, naturalmente, é a de que o Brasil começou em 1500, quando nem mesmo no nome isso aconteceu, posto que éramos uma ilha quando os portugueses primeiro viram as terras daqui e, durante muito tempo, o Brasil que duvidosamente existia não tinha nada a ver com o Brasil de hoje.

A impressão que se tem é que, do povo às autoridades e mesmo aos entendidos, acha-se que o Brasil já estava no mapa, com as fronteiras e características atuais, no momento em que Cabral chegou. Teria tido até um nome nativo, já proposto, pelos mais exaltados, para substituir “Brasil”: Pindorama, designação supostamente dada pelos índios ao nosso país. Não sou historiador, mas também não sou tão burro assim para acreditar que os índios tinham qualquer noção geopolítica, ou alguma idéia de que pertenciam a um “país” chamado Pindorama. Não havia qualquer país, é claro, nem sequer a palavra Pindorama devia fazer sentido para os ocupantes que os portugueses encontraram aqui, se é que ela era usada mesmo. No máximo, significaria o único mundo conhecido deles. Parece assim que os nossos índios administravam impérios e cidades como os dos maias, astecas ou incas, quando na verdade, que perdura até hoje, viviam neoliticamente e a maioria esgotava o numerais em três – era o máximo que conseguiam contar e o resto se designava como “muito”. Ler o resto »

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Filipe Moura:Lula de novo com a força do povo

3 de Novembro de 2006 por Nuno Ramos de Almeida

A vitória esmagadora de Lula na segunda volta das presidenciais brasileiras é verdadeiramente notável. Conseguiu a proeza de “roubar” votos ao seu adversário directo, que teve menos votos na segunda volta do que na primeira! Se na primeira volta foi penalizado pela atitude sobranceira de fugir aos debates, a partir de então finalmente entrou em campanha e não deu a mínima hipótese ao cinzento e beato Alckmin. É inegável o mérito do presidente-operário, mérito tanto mais notável se considerarmos as condições em que decorreu a campanha e a posição da comunicação social.

Com efeito, desde que surgiram os primeiros sinais do “mensalão” começou uma campanha inédita contra um presidente que, digam o que disserem, nunca foi directamente implicado nos escândalos que foram aparecendo. O escândalo mais recente, o dossiê contra José Serra, é um bom exemplo: Lula não tinha nada a beneficiar com ele. O seu partido, sim, numa eleição estadual. Os membros da cúpula do PT não conseguiram distinguir-se dos restantes políticos corruptos brasileiros que, infelizmente, estão em todos os partidos. É o modo como o Brasil funciona: como afirmaram Wagner Tiso e Paulo Betti, para fazer política a sério tem de se jogar sujo, mesmo se com as melhores intenções. Se houve domínio em que o Brasil não melhorou com Lula foi nos índices de corrupção. Mas já era assim, e continuaria a ser, com os adversários de Lula. E com Lula aumentou substancialmente o combate à corrupção. E o país melhorou em muitos outros domínios, tornando-se menos desigual e mais justo.

Não foi o “mensalão” que deu origem à campanha contra Lula na comunicação social. Apenas a ampliou, mas esta já era bem patente na “Veja” ou na “Folha de São Paulo”. E também na comunicação social estrangeira. Recordo-me do episódio que tanto deu que falar da acusação do “The New York Times” de que Lula bebia demais (sob que parâmetros?), e a repercussão que isso teve em Portugal. Refiro-me a quando Francisco José Viegas, nos intervalos entre as receitas triviais e a crítica (ironicamente) a cervejas, a maior parte das vezes de que só ele ouvira falar, nos presenteou nas páginas da então “Grande Reportagem” com uma recolha nada selectiva de charges dedicadas a Lula e aos seu suposto consumo alcoólico. Só que o que no Brasil é um saudável exercício de crítica, quando publicado noutro país pode ser uma ofensa a um Chefe de Estado. Uma coisa seria publicar uma charge a título de exemplo; a outra foi ter publicado uma recolha exaustiva dessas charges. Uma outra coisa ainda seria ter publicado essas charges num blogue pessoal como a Origem das Espécies; outra completamente diferente foi publicá-las nas páginas da “Grande Reportagem” como ilustração de uma notícia sobre a polémica com o “The New York Times”. Mas para dizer mal de Lula, como se vê, vale tudo: confundir boato ou zombaria com notícia, confundir notícia com opinião…Conforme afirmou Chico Buarque numa entrevista à “Folha de São Paulo”, « o preconceito de classe contra o Lula continua existindo –e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente para quem agride, porque o sujeito mais humilde ouve e pensa: “Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?”. Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! –até assassino eu já ouvi. (…) Como se fosse uma concessão, deixaram o Lula assumir. “Agora sai já daí, vagabundo!”. É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu esse luxo de ocupar a Casa Grande. “Agora volta pra senzala!”.»
O notável é que Lula sobrevive a isso tudo. Resiste a todos os ataques. Se não foi eleito à primeira volta, foi por erros próprios e do seu partido, e não propriamente por causa dos muitos ataques sofridos. O mais curioso é que a certa altura parecia que os ataques eram contraproducentes, pois só o fortaleciam: quanto mais Lula era atacado, mais subia nas sondagens e na taxa de aprovação. O povo via que se tratava de uma campanha, e identificava-se com Lula: era um dos seus na Presidência. O carisma e a genuinidade de Lula garantiam o resto. Há outros exemplos de políticos assim, que parecem mais fortes que os fazedores de opinião. Invencíveis eles não serão, mas será que poderão ser vencidos através da tradicional influência dos comentadores políticos? Pessoalmente agrada-me ver que é possível um político ganhar eleições livres contra a corrente mediática, tendo a maioria da comunicação social vista como “mais influente” contra si. Lula deu esse exemplo e mostrou que Diogo Mainardi ou Arnaldo Jabor não mandam no Brasil. A sua reeleição, como bem diz o seu slogan, demonstra a força do povo.

FILIPE MOURA

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Chico e Caetano: juntos e ao vivo

25 de Setembro de 2006 por Rui Tavares

Antes de fechar o meu dia e passar as chaves ao António Figueira, tempo para falar das eleições brasileiras, que são já este domingo. Se eu fosse brasileiro, não votaria em Lula; a naturalidade com que os líderes do PT encararam a corrupção no seu próprio partido e no sistema político brasileiro não pode ser premiada com uma eleição à primeira volta. Tampouco votaria em Alckmin ou em Heloísa Helena. O meu voto iria para Cristóvam Buarque, ex-ministro da Educação nos primeiros tempos do governo Lula, que foi afastado à bruta, acusado de ser irrealista, pelos mesmos pragmáticos e realistas (desde logo, José Dirceu) que depois prestaram à democracia o belo serviço do “mensalão”.

As declarações que se seguem pertencem a entrevistas de Chico Buarque e Caetano Veloso à Folha de São Paulo e à Carta Capital. O primeiro vai votar em Lula, o segundo talvez vá votar em Cristóvam, o “meu” candidato (percebe-se pelas entrelinhas quando Caetano diz que ainda é Brizola; Cristóvam é candidato pelo PDT, partido fundado por Brizola). No entanto, concordo com muito do que diz Chico Buarque, nomeadamente em relação à agressividade contra-producente com que Lula tem sido tratado pela “elite” brasileira (a Veja, único título brasileiro que é distribuído regularmente em Portugal, é o exemplo acabado). Enfim; na arte como na política, vale a pena ler Chico Buarque e Caetano Veloso em conjunto. Os estilos são diferentes, as conclusões também, mas os conteúdos iluminam-se um ao outro.

Chico Buarque:

«É claro que esse escândalo abalou o governo, abalou quem votou no Lula, abalou sobretudo o PT. Para o partido, esse escândalo é desastroso. O outro lado da moeda é que disso tudo pode surgir um partido mais correto, menos arrogante. No fundo, sempre existiu no PT a idéia de que você ou é petista ou é um calhorda. Um pouco como o PSDB acha que você ou é tucano ou é burro (risos).
Agora, a crítica que se faz ao PT erra a mão. Não só ao PT, mas principalmente ao Lula. Quando a oposição vem dizer que se trata do governo mais corrupto da história do Brasil é preciso dizer ‘espera aí’. Quando aquele senador tucano canastrão diz que vai bater no Lula, dar porrada, quando chamam o Lula de vagabundo, de ignorante – aí estão errando muito a mão. Governo mais corrupto da história? Onde está o corruptômetro? É preciso investigar as coisas, sim. Tem que punir, sim. Mas vamos entender melhor as coisas. A gente sabe que a corrupção no Brasil está em toda parte. E vem agora esse pessoal do PFL, justamente ele, fazer cara de ofendido, de indignado. Não vão me comover…
Preconceito de classe
O preconceito de classe contra o Lula continua existindo – e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente para quem agride, porque o sujeito mais humilde ouve e pensa: ‘Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?’. Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! – até assassino eu já ouvi. Fizeram o diabo para impedir que o Lula fosse presidente. Inventaram plebiscito, mudaram a duração do mandato, criaram a reeleição. Finalmente, como se fosse uma concessão, deixaram Lula assumir. ‘Agora sai já daí, vagabundo!’. É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu o luxo de ocupar a Casa Grande. ‘Agora volta pra senzala!’. Eu não gostaria que fosse assim.
Eu voto no Lula!
A economia não vai mudar se o presidente for um tucano. A coisa está tão atada que honestamente não vejo muita diferença entre um próximo governo Lula e um governo da oposição. Mas o país deu um passo importante elegendo Lula. Considero deseducativo o discurso em voga: ‘Tão cedo esses caras não voltam, eles não sabem fazer, não são preparados, não são poliglotas’. Acho tudo isso muito grave.

Hoje eu voto no Lula. Vou votar no Alckmin? Não vou. Acredito que, apesar de a economia estar atada como está, ainda há uma margem para investir no social que o Lula tem mais condições de atender. Vai ficar devendo, claro. Já está devendo. Precisa ser cobrado. Ele dizia isso: ‘Quero ser cobrado, vocês precisam me cobrar, não quero ficar lá cercado de puxa-sacos’. Ouvi isso dele na última vez que o vi, antes dele tomar posse, num encontro aqui no Rio.
Sobre o PSOL [de Heloísa Helena]
Percebo nesses grupos um rancor que é próprio dos ex: ex-petista, ex-comunista, ex-tudo. Não gosto disso, dessa gente que está muito próxima do fanatismo, que parece pertencer a uma tribo e que quando rompe sai cuspindo fogo. Eleitoralmente, se eles crescerem, vão crescer para cima do PT e eventualmente ajudar o adversário do Lula.
Papel da mídia
Não acho que a mídia tenha inventado a crise. Mas a mídia ecoa muito mais o mensalão do que fazia com aquelas histórias do Fernando Henrique, a compra de votos, as privatizações. O Fernando Henrique sempre teve uma defesa sólida na mídia, colunistas chapa-branca dispostos a defendê-lo a todo custo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais.»

Caetano Veloso:

«”FOLHA – Ao contrário de Chico Buarque, você já disse que não votará em Lula. Por quê?

CAETANO – Não vou. Não me arrependo de ter votado nele, mas sou contra a reeleição. Não votei pela reeleição de Fernando Henrique, que nos deu de presente oito anos de esquerda marxista da USP. E como eu já estou com 64 anos e ele e Lula são a mesma coisa, eu acho que seria demais 16 anos com essa turma.

FOLHA – O sociólogo Gilberto Vasconcellos se referia a “essa turma”, que veio a se dividir entre PT e PSDB, como a coalizão CUT-USP-Fiesp…

CAETANO – Eu acho essa expressão dele totalmente certa.

FOLHA – Em quem você vota?

CAETANO – Não sei em quem vou votar. Não gosto de votar nulo. Eu preferiria que Lula pelo menos não fosse eleito no primeiro turno.

FOLHA – Como você vê o escândalo do mensalão?

CAETANO – Eu acho que foi realmente vergonhoso e ruim. Há uma certa regressão no país -que fez o impeachment de Collor- quando se passa uma esponja no escândalo do mensalão. Lula e o PT afastaram os acusados, Lula se disse traído, mas a cada solenidade de despedida dos que cometeram delitos levantou a voz para dizer loas morais a essas figuras. E pôs a culpa num possível complô das elites através da mídia, o que eu acho completamente incongruente. Eu não sou burro, nem maluco, então não vou votar nele. Votei em Lula contra Collor no segundo turno, mas meu candidato não era ele. Era o Brizola. E continua sendo (risos). Na última eleição, eu achei que era a hora de um operário chegar ao poder, de o PT enfrentar a realidade e de se desmistificar tudo isso. Se o Serra tivesse ganhado, ele, que é um excelente candidato, seria massacrado por essa mitologia do Lula, da esquerda e do PT. Quando justifiquei meu voto em Lula, disse que esperava que ele fosse empossado, que governasse e que passasse a faixa para outro. Continuo pensando da mesma maneira.

FOLHA – É como naquela canção: “Mamãe eu quero ir a Cuba e quero voltar”?

CAETANO – Exatamente. E eu cantei isso em Cuba.

FOLHA – Por que há essa leniência em relação ao escândalo?

CAETANO – Eu acho que é por causa da esquerda. A esquerda é como torcida de futebol. As pessoas ficam cegas. Eu sou um simpatizante da esquerda por sede de harmonia, de dignidade e de Justiça. Mas vejo freqüentemente que a esquerda é quem mais ameaça essas coisas que me levaram a me aproximar dela.»

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