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Texto de guerrilha sobre a blogosfera

14 de Janeiro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

No início a blogosfera política nacional vivia do confronto – Ivan Nunes denominava-o como picardias. Esquerda vs direita, esquerda vs esquerda, direita vs direita. Havia textos para todos os gostos. Gente que não se conhecia, que debatia ideias com textos violentos e controversos. Entretanto alguns foram-se conhecendo, perderam gás ou ganharam moderação, e a blogosfera política nacional perdeu interesse na exacta medida em que se institucionalizou como viveiro de novos comentadores políticos. Apesar do inicial afastamento, as estruturas partidárias e, sobretudo as de poder, foram-se apercebendo do seu imenso alcance.
Hoje conhece-se inúmeros blogues de assessores políticos, que escrevem como forma de trabalho, e sabe-se de alguns blogues gerados e mantidos por gabinetes de Estado emitindo “opinião” disfarçada e “independente”. Tudo normal, embora pudesse ser mais interessante.
Aquilo que me parece ser relativamente recente, é a violência e a atitude censória com que se pretende silenciar o texto marginal, de combate ou contra-corrente, sempre sob o argumento do bom senso e da moderação.
Se fosses vivo Luiz…

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“Café com blogues” na Rádio Universitária do Minho

12 de Dezembro de 2008 por Filipe Moura

Demonstrando toda a sua falta de tino, o Luís Aguiar Conraria propôs que eu me juntasse ao programa Café com Blogues na Rádio Universitária do Minho. A Cátia Castro também desatinou, viu chegar a quarta feira, acabar a brincadeira e convidou-me. E assim me junto eu ao Luís e ao Gabriel Silva a discutir temas da actualidade. A Cátia é a moderadora. O programa é transmitido quinzenalmente ao sábado às 12:00. O podcast é actualizado durante a semana. Ontem ficou disponível o programa da semana passada, onde discutimos o Congresso do PCP, o Fórum das Esquerdas, possibilidades de convergência à esquerda e o conflito entre os professores e a ministra da Educação, entre outros assuntos. Para ouvir aqui.

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A blogosfera agora tem o seu Carlos Castro

24 de Outubro de 2008 por Filipe Moura

Há uma semana, escrevi que “a Fernanda tem não uma mas duas causas na vida: o casamento dos homossexuais e o aumento das rendas de casa.” Qualquer leitor do Cinco Dias sabia que se tratava de uma provocação à Fernanda Câncio, na sequência de uma polémica que aqui tivemos no verão e que agora não poderíamos retomar nos mesmos moldes. Qualquer leitor do Cinco Dias sabe, se tiver acompanhado essa polémica, que eu e a Fernanda estamos de lados opostos nessa questão (a do aluguer de casas – não a do casamento de homossexuais) e havemos de continuar a estar – tal é irreparável. Os leitores do Cinco Dias sabem que tal divergência (antiga) entre mim e a Fernanda não teve absolutamente nada a ver com as ocorrências recentes no blogue. Os leitores mais atentos do Cinco Dias sabem que eu gosto de dirigir este tipo de provocações à Fernanda, em postagens e em comentários. Os leitores do Cinco Dias, que obviamente conhecem a Fernanda, sabem ver aquela minha frase como uma provocação e não mais do que isso. O que nem mesmo os leitores do Cinco Dias saibam, mas eu acrescento, é que já o faço há mais de dois anos (aqui e aqui), quando nem eu nem a Fernanda sonhávamos que haveríamos de partilhar um blogue, e o Cinco Dias ainda nem existia. E que nunca deixei de fazer, mesmo quando ela já era membro residente e eu só comentava. E que nem por isso a Fernanda se opôs a que eu entrasse para o blogue. Não se pode por isso concluir desta minha provocação que existe alguma “ferida aberta”. Da minha parte – aqui falo em meu nome pessoal, e é só isso que posso fazer – não existe nenhuma ferida aberta (ou fechada) com os autores do Jugular, blogue de que serei leitor e comentador, e a quem desejo toda a felicidade.
Só que Paulo Pinto Mascarenhas conclui, na sua coluna semanal sobre blogues no Jornal de Negócios, que “as feridas da cisão à esquerda continuam longe de cicatrizadas”, baseado justamente naquelas minhas palavras. Não sei que interesse este tipo de fofocas da blogosfera terá seja para quem for: quem acompanha os blogues está a par do que se passa, e quem não acompanha, não é graças a elas que passará a acompanhar. Mas o Paulo Pinto Mascarenhas escreve-as no jornal, e está no seu direito – mesmo que sejam falsas, como é o caso, e dêem uma impressão errada do que se passa a quem não acompanha o caso na blogosfera. É para escrever as suas crónicas que lhe pagam. É esse o tipo de jornalismo que Paulo Pinto Mascarenhas estava habituado a fazer no semanário onde colaborou, antes de se tornar assessor no governo do fundador e figura tutorial desse mesmo semanário: um jornalismo que procura criar casos onde não há, e os envolvidos são sempre adversários políticos. É a isso que se resume a sua crónica – pelo menos a desta semana – no Jornal de Negócios. Seria interessante no entanto ver como tal crónica se referiria a um “caso” que ocorresse num blogue seu (ou que lhe fosse próximo politicamente). Já ocorreu pelo menos um caso no passado.

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Prós e Contras (3)

1 de Julho de 2008 por Filipe Moura

Mais do que propriamente a cartilha neoliberal, Joé Manuel Moreira segue a cartilha que”pensa de que”. “É suposto de que”, acabei eu de o ouvir dizer em directo. No fundo não há grande diferença entre liberalismo e “pensar de que”: os blogues que o recomendam também, na sua maioria, “pensam de que”. Cuidado com os apitos dourados.

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Hoje corto uma fita

7 de Junho de 2008 por Filipe Moura

Passou-se o mês de Maio, os 40 anos do Maio de 68, e não referi a alergia que me causam slogans como “sejamos realistas, peçamos o impossível” e, sobretudo, “a imaginação ao poder”. Imaginação ao poder para quê? Sem abdicar das convicções e das ideias, em política é preferível o realismo e o bom senso. Já é sabido, desde Lenine a José Sócrates, passando por Hillary Clinton e, espero, por Barack Obama. 40 anos depois do Maio de 68, espero que a esquerda (francesa e não só) se livre da “tralha imaginosa”. Abordo esta questão, num contexto governativo e futebolístico português, num texto que escrevi para o Corta Fitas, através de um simpático convite do Pedro Correia (a quem aqui agradeço). Convido-vos agora a irem lê-lo.

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As conferências do divã

3 de Junho de 2008 por Filipe Moura

São em torno do livro A Globalização no Divã. Alguns dos autores deste livro são daqui, outros daqui, e ainda este. Hoje é a terceira conferência. Às 18 horas na Livraria Pó dos Livros, em Lisboa. Uma co-organização do Le Monde Diplomatique (em cuja página pode ser visto o programa todo).

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Um físico na prisão de Estaline

20 de Maio de 2008 por Filipe Moura

Saiu mais uma edição da Gazeta de Física. O meu objectivo não é fazer aqui publicidade (mas comprem! Leiam! Divulguem!). O meu objectivo é chamar a atenção para o artigo de Carlos Fiolhais lá publicado sobre Lev Landau, para ser lido em conjunto com este meu texto.

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A classe média e o ensino privado

7 de Abril de 2008 por Filipe Moura

No último Prós e Contras (de há uma semana), Carlos Abreu Amorim referiu que a “classe média” está cada vez mais a abandonar o ensino secundário público e a transferir os seus filhos para o privado. Na sua última crónica no Correio da Manhã (entre algumas considerações que julgo acertadas, como o grau de esforço exigido pela aprendizagem), insiste: “muitos” suspeitam do sistema público. Só que os números (sempre os números!) parecem não lhe dar razão: de acordo com a excelente Isabel Fevereiro, que se sentava ao seu lado, no mesmo programa, somente 7% dos alunos frequentam o ensino privado. Esses 7% estão muito longe de ser a “classe média”, pelo menos no ensino secundário. Mas a culpa desta confusão não é (só) de Carlos Abreu Amorim: reside no profundo equívoco do conceito que a média e alta burguesia faz da “classe média”. A “classe média” é trabalhadora por conta de outrem, vive no subúrbio e esfalfa-se para pagar uma casa, quando pode. Não pode colocar os seus filhos no ensino privado. A média e alta burguesia que Carlos Abreu Amorim conhece e que coloca os filhos no privado não é “classe média”. Recomendo uma leitura, também no Blasfémias, do texto Revolta contra a curva de Gauss.

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Em Portimão

28 de Março de 2008 por Filipe Moura

(Mais um) excelente texto do Tárique:

Quando eu andava no secundário ia-se de bicicleta para a escola pelo menos até aos 16 anos. O parque para bicicletas era grande e estava normalmente cheio, se bem que é verdade que a rainha era a motorizada. Hoje isso acabou. O parque para carros quadruplicou de tamanho. Uma lista candidata a um conselho directivo fazia campanha prometendo lugares de estacionamento para todos. Dizem que é uma questão de prestígio, demorar 5 minutos de carro para o trabalho em vez de 5 minutos de bicicleta.

Num dos meus baldios preferidos estão já há um tempo a construir um novo centro comercial gigante, que vai entupir ainda mais a sobrelotada V6. Já se vão vendo encasinamentos fora da época alta. E a cidade é plana. E as ruas do centro são estreitas. E há uma ponte em que só podem passar bicicletas. E só os ucranianos é que andam de bike como transporte. Os mesmos ucranianos cujos filhos se queixam da escola ser demasiado fácil e de haver muita indisciplina nas escolas portuguesas. Os filhos.

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A inquietação ética

13 de Março de 2008 por Filipe Moura

 O leitor dsm deixou um comentário no texto do João Galamba que aqui reproduzimos parcialmente (com a devida vénia):

Entretanto, a minha inquietação ética prende-se com o seguinte: lá porque um ministro decide fazer sessenta e tal mil fotocópias, é justo que o seu assessor passe a ser conhecido pela alcunha de “páginas por minuto” (ppm)?

Sem ofensa, obviamente.

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