A NATO vai realizar nova cimeira em Chicago, a 20 e 21 de Maio. Recorde-se que na última cimeira, realizada em Lisboa, em Novembro de 2010, procedeu-se à revisão do seu conceito estratégico. Desde então a NATO exemplificou o qual a sua estratégia com a sua intervenção directa e indirecta na Líbia. Não foi certamente fortuito que semanas antes do conflito interno ter irrompido, a NATO realizou manobras navais no Mediterrâneo. Este cenário demonstrou também como os EUA pretendem que o seu pilar Europeu tenha um papel mais interventivo, dado o desgaste das forças militares Estadunidenses, no Iraque e Afeganistão; e como a União Europeia se presta a alinhar.
Apesar da crise financeira e económica mundial, os países da NATO continuam a aumentar as suas despesas e investimento em novas tecnologias militares: 70% dos gastos militares no mundo são dos países membros da NATO. Em Portugal, enquanto se impõem medidas de austeridade sobre os trabalhadores, os militares e forças de segurança, e cortes orçamentais nos serviços públicos, utilizam-se milhões de euros para adaptar e dispor as Forças Armadas Portuguesas às exigências da NATO.
A história ensina como o imperialismo procura a guerra como solução para os seus problemas económicos. Vários são os cenários com potencial de escalada, sendo o mais preocupante as ameaças ao Irão. A possibilidade de um ataque Israelita ao Irão vai-se tornando cada vez mais real, havendo quem preveja o aproveitamento da janela de oportunidade antes das eleições presidenciais no EUA, em Novembro. Um enviado dos EUA a Israel declarou que os EUA estão preparados para atacar o Irão “se necessário”. A Casa de Representantes dos EUA prepara-se para votar a resolução 568 que declara pretender “evitar que o Governo do Irão adquira capacidade de armas nucleares”. Mas críticos da resolução afirmam que a resolução irá apenas baixar a fasquia para um ataque militar. A votação irá ocorrer alguns dias antes de negociações com Teerão, subvertendo a possibilidade de diplomacia. Segundo o grupo Britânico CODIR (Comité pela Defesa dos Direitos do Povo Iraniano) a resolução efectivamente apela a um ataque militar assim que o Irão atinja uma ambígua “capacidade de obter armas nucleares” (ambígua dada a convergência entre desenvolvimento da tecnologia nuclear para fins energéticos e fins militares). Segundo a CODIR a aplicação desse critério implicaria ataques sobre o Brasil, Japão, Holanda, já para não referir Israel, que não assume oficialmente possuir armas nucleares. Relatórios dos vários serviços de inteligência dos EUA concluíram recentemente não existirem quaisquer evidências de que o Irão não esteja simplesmente a prosseguir, como reclama legitimamente no âmbito da sua soberania, o desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins energéticos. Um ataque sobre o Irão é porventura actualmente a acção militar com maior potencial para conduzir a uma guerra de gigantescas proporções.
Em 2010, durante a cimeira de Lisboa, realizou-se um grande evento contra a NATO e pela Paz. Nos EUA, prepara-se também uma contra-cimeira pela paz e justiça económica. E em Lisboa, um conjunto de organizações apela à participação num desfile PELA PAZ e CONTRA A NATO.
Já muito se escreveu por aqui (e ainda aqui e aqui) e por ali (e ali) sobre o Manifesto que a foi hoje apresentado no S. Jorge, em Lisboa.
Peço emprestada ao Vítor Dias uma ideia que subscrevo na íntegra e que aqui deixo como uma espécie de declaração de interesses:
Começo por formular o voto de que os autores e subscritores do Manifesto interiorizem e exteriorizem bem a ideia de quem assina manifestos públicos com este conteúdo e formulações, perante os comentários críticos que este receba, ultrapassem a tendência que há em todos nós para o melindre, a susceptibilidade e a irritação. E que tenham o «fair-play» de perceber que se podem escrever indirectamente que eu pertenço a uma esquerda da «inconsequência» então eu também tenho direito de lhes responder pelo menos com palavras tão directas e fortes como as que usaram.
Não pretendo menosprezar a iniciativa. Não faz sentido que o faça e considero válidas e importantes todas as movimentações que sejam agregadoras da malta de Esquerda. Deixo claro que reconheço que há ali gente convicta de que aquele é o caminho. E deixo claro que, para mim, não é de todo claro que essa seja a convicção de todos os que fazem parte do grupo inicial de subscritores. O envolvimento do Daniel Oliveira na coisa, a seis meses da Convenção do BE, representa uma afirmação clara de uma opção que para muitos bloquistas não merece o esforço de uma repetição. A aproximação ao PS, feita pela cúpula, não resultou com Alegre e não há nada, de então para cá, que justifique a insistência numa táctica tentada e falhada. Dir-me-ão que os tempos mudaram e que o que não funcionou então poderá funcionar agora. Cá estaremos para ver e para o saudar, caso aconteça. Sendo certo que acredito na sinceridade do que o Daniel aqui diz. Com base nessa confiança, desejo que o processo de discussão que nos levará até à Convenção represente para o Daniel Oliveira um exercício de liberdade. Chegados à Convenção, se vir as suas teses serem rejeitadas mantenha, ainda assim, a vontade agregadora que demonstra hoje. Ainda que o Daniel não seja um político («Só que eu não sou político»). Pois não.
O Manifesto conta já com mais de 1500 subscritores. São mais de mil homens e mulheres que responderam a um apelo e que, independentemente do que acima escrevo, estão do lado certo da luta. Embora seja muito previsível que em certos casos é maior a probabilidade de virmos a encontrá-los mais vezes do lado de lá das barricadas do que do lado de cá. É, também, um dado importante a significativa ausência de militantes comunistas no rol. Não digo que não estejam lá, não os conheço a todos. Mas daqueles cujo nome seja facilmente reconhecível nem um para amostra. E unir a Esquerda, em torno do que quer que seja, deixando de fora o PCP não é sério.
Digno de registo é o facto de até ao momento não haver ainda notícias da bênção de Soares e da adesão entusiástica do Fernando Nobre.
Sério também não é partir do pressuposto/preconceito de que «a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência». Em política, mais do que no resto, as generalizações são perigosas. Esta é a prova evidente disso mesmo. Mas, mais do que perigosa e nada séria, esta é uma generalização que ofende os muitos e muitas militantes e lutadores de Esquerda que, em Portugal e na Europa, todos os dias combatem, em condições cada vez mais difíceis, esta austeridade e o Capitalismo. Seja ele ou não de rosto humanitário. O Capitalismo pode até pretender ter vários rostos, mas sabemos que em mente tem um objectivo fundamental e esse é o do seu fortalecimento.
Posto isto, chega a hora de também eu dizer que quero uma Esquerda livre. Livre do preconceito de que a Esquerda não é livre. Livre da ideia de que só existirá uma Esquerda livre quando esta for aquilo que EU/TU/ELE queremos que seja. Livre, enfim, das amarras que nos impedem de pôr de lado as nossas divergências e juntar forças por tudo aquilo que nos une.
A esta Esquerda que hoje se apresenta eu não viro as costas. Espero é que digam igualmente «presente» se e quando o apelo for por uma Esquerda de combate!
4º Aniversário da Rubra:
“A Rubra nasceu há 4 anos, no dia 25 de Abril, o dia mais bonito e harmonioso, o dia límpido escreveu Sophia de Mello Breyner. Em 4 anos, um grupo de gente com profissões muito diversas fez uma revista como (infelizmente) quase não há no panorama português: entrevistámos em Inglaterra o cineasta Ken Loach, o músico Sowetto Kinch, estivemos em reportagem na Palestina, na Tunísia, no Irão, na Grécia. Ganhámos o prémio Grande Angular pelo filme que concebemos e produzimos O Mar é Nosso, em defesa dos pequenos pescadores da costa, entrevistámos economistas marxistas que põem em causa tanto o liberalismo como o keynesianismo, denunciámos a medicalização das crianças com ritalina e defendemos o seu direito a brincar e a reconquistar as ruas, entrevistámos um médico somali que demonstrou que piratas são as potências ‘ocidentais’ que rapinam as costas do seu país. Lembrámos que a Maria da Fonte foi uma revolta contra a concentração da propriedade e que os EUA lançaram a bomba atómica para evitar o controle do Pacífico pela URSS. Mostrámos que a dívida é uma forma privada de acumulação de capital e que os desempregados são trabalhadores. Desvendámos como a ajuda alimentar aos países pobres destrói a agricultura local e é um subsídio aos excedentes ‘ocidentais’, entrevistámos Clarence Thomas, o líder da greve de 25 000 estivadores norte-americanos contra a ocupação do Iraque. Fomos entrevistar em Portugal os enfermeiros, as trabalhadoras domésticas que vivem na Cova da Moura, os tiradores de cortiça e os operários corticeiros. Falámos até de fado operário e de futebolistas revolucionários.
Do alto de todos os anos durante os quais foi militante dos mais diversos partidos de toda a Esquerda lusa, o Rui Tavares brinda-nos com o comentário-fácil-do-dia:
Consigo vislumbrar o fino recorte de ironia contido no facto de ser, esta crítica, dirigida aos partidos… por um anarquista!
Dando de barato o factor ouvi dizer que que está bem patente no singelo comentário, pergunto-me-lhe se foi em respeito pela democracia partidária que tão galhardamente defende que o estimado Rui Tavares se apropriou do mandato de deputado do Parlamento Europeu para o qual foi eleito nas listas do Bloco de Esquerda.
De positivo nisto tudo só consigo ver o facto de me ter proporcionado uma oportunidade para postar uma das melhores músicas que conheço. E conheço mais de cinco.
Eu, que nunca morri de amores pelo Rui, declaro que «o nosso amor acabou»! Ouvi dizer…
A Syriza recusou integrar qualquer governo que aceitasse prosseguir com as medidas de austeridade, o que inviabilizou as negociações para formar Governo. E quando foi finalmente anunciado que haverá novas eleições, milhares de gregos correram para os bancos e levantaram cerca de 700 milhões de euros.
Isto pretende ser jornalismo sério?
Claro que os custos com a corrupção é uma matéria secundária que nos afasta da ideia que os gregos viveram acima das suas possibilidades.
Segundo relatório do INE emitido hoje, a taxa oficial de desemprego atinge os 14.9%. Estão 819,3 mil trabalhadores no desemprego, mais 130,4 mil pessoas do que no período homólogo de 2011.
Isto dados do INE indicam que no último ano se perderam 203 mil empregos, ou seja a taxa de desemprego real pode situar-se perto dos 23%. Os cálculos de desemprego variam consoante quem se contabilizam. A taxa oficial não inclui quem estando desempregado e declarando pretender trabalhar não fiz diligências para encontrar emprego nas últimas 3 semanas (os “inactivos disponíveis”. Somando os dois valores, o Público obtém a taxa real. Porém, o desemprego real inclui também os desempregados de longo prazo que já desistiram de encontrar emprego “oficial”. E a taxa de desemprego oficial contabiliza, enganosamente, como empregados quem trabalhou apenas algumas horas no período abrangido ( o “subemprego visível”). Igualmente importante, estas estatísticas também não têm em conta a emigração, sou seja os muitos que emigram em busca de emprego no estrangeiro, por não encontrarem emprego em Portugal.
A taxa de desemprego é particularmente alarmante entre os jovens (15-24 anos): 36,2% !
Comparando regiões, a taxa oficial é mais alta no Algarve (20%), seguindo-se a região de Lisboa (16.5%), sendo mais baixa na região centro (11.8%).
Segundo o Relatório do Banco de Portugal, de 15 de Maio (p.22):
«A evolução do desemprego na economia portuguesa tem ocorrido num contexto de segmentação do mercado de trabalho, em que a dinâmica de criação e destruição de emprego se encontra muito associada a contratos de trabalho com termo, que têm particular incidência nos mais jovens. Esta forte segmentação do mercado de trabalho em Portugal será o principal fator explicativo para os elevados fluxos de saída e de entrada no emprego, em comparação com outros países europeus»
O Governo decidiu prolongar a suspensão da aprovação de novas operações no Quadro Estratégico de Referência Nacional (QREN) até concluir a reprogramação estratégica dos fundos comunitários.
[Aqui]

[Sebastião Salgado]
Até para o mais fiel defensor da boa fé dos mercados e do capitalismo, esta decisão é incompreensível. Contudo, ela faz parte do “ajustamento” em curso que não é alheio ao sistema. O capitalismo é isto mesmo. As soluções para o crescimento económico, no quadro deste sistema, só serão criadas se beneficiarem, em primeiro instância, os grandes interesses e as grandes empresas. “Aos de baixo” o dinheiro só chega de uma forma indirecta, mesmo quando é dito que a política económica é especificamente para eles.
Veja-se, por exemplo, os incentivos às PME’s que Sócrates/Teixeira dos Santos promoveram em 2009. O governo do PS achou por bem não incentivar a economia directamente. Fê-lo por intermédio dos bancos, públicos e privados. Dois terços desse dinheiro dos contribuintes ficou com a banca, segundo um Relatório do Tribunal de Contas. Ao mesmo tempo o dinheiro público que saia dos bancos (públicos e privados) ia sendo descarregadonas grandes empresas - ver investigação do DN sobre o BPN (pág. 8 ) com a lista de empresas financiadas após a nacionalização.
Caso de polícia, dir-me-ão. Certo, mas isto é o capitalismo a funcionar.
Por que razão é que o Estado não financiou directamente a economia sem passar pela banca? Porque, mais uma vez, isso é o capitalismo a funcionar. Ou seja, um capitalismo doce pode embalar-nos durante muito tempo, mas nunca nos libertará de viver momentos como os que estamos a viver, mesmo que seja o produto de regabofes alheios. Toda e qualquer iniciativa para salvar o capitalismo, mesmo que conduza à prisão e/ou afastamento de uns quantos actores do pântano em que estamos atolados, é simpática para o sistema.
À esquerda compete-lhe construir a esperança da alternativa.
Em Junho haverá novas eleições na Grécia. Não é necessário aprender grego para confirmarem. A Coligação da Esquerda Radical (aka Syriza) poderá vir a ser a força mais votada. Até lá espero que se constitua uma fente que vá para lá da própria Syriza e inclua outra forças Anti-Troika. O combate eleitoral será muito renhido e há uma diferença qualitativa em ser o segundo ou o primeiro. Mais do que isso, após as eleições, todos serão poucos para enfrentar a subversão, externa e interna, com que um governo minimamente progressista se irá confrontar.
Nunca é de mais sublinhar o quão decisiva é esta batalha, não é por acaso que o Finantial Times “plagia” o título de um dos posts que aqui coloquei, Seven days that shook Europe /5 DIAS QUE ABALARAM A EUROPA! (5dias, com todas as suas contradições, sempre na Vanguarda! LOL). Já temem o Apocalipse, espero que sim, espero que seja o Apocalipse para os partidos e oligarquia corrupta que governou a Grécia, espero que seja o Apocalipse para a Troika que nos governa (e se governa), espero que seja o Apocalipse para os constantes ataques às massas populares. Mesmo que não seja o juízo final dos Troikistas, sempre pode dar uma ajuda! Entretanto as ameaças e chantagem sobre o povo grego ganham novo ânimo. Mas a coisa não é assim tão simples, por mais que digam estarem “preparados”, a realidade impõe-se. Com o agudizar da situação, a probabilidade é que as contradições entre a classe dominante europeia se agudizem, uma saída da Grécia do Euro terá efeitos devastadores. Para lá das mais óbvias consequências económicas e sociais, não se tem falado tanto das monumentais consequências políticas e geopolíticas que uma expulsão da Grécia do Euro traria (da UE? nem se sabe como se processaria tal coisa).
As classes dominantes têm cavalgado a crise como oportunidade de ouro para efectuar uma maciça redistribuição da riqueza e poder a seu favor, a continuar o ritmo é a própria democracia liberal que está posta em causa (este texto trás uma interessante perspectiva). Aqui está uma oportunidade para contra atacar, a eleição de um governo minimamente progressista na Grécia é algo que vai para lá do mero protesto e pode, objectivamente, contribuir para travar o avanço da barbárie. Aliás mesmo sem lá chegar tenho poucas dúvidas que a “ajuda” será renegociada com condições mais favoráveis para a Grécia…
Agora que se encerra o epílogo deste processo, agora que já todos tivemos tempo para “aprender grego”, agora e antes dos próximos capítulos, relembro:
Aprende a nadar companheiro, que a maré se vai levantar!
Esquerda radical quer nacionalizar bancos e rasgar acordo com ‘troika’
5 DIAS QUE ABALARAM A EUROPA! Certezas e Questões em aberto.
PELO TRIUNFO DA FRENTE ANTI-MEMORANDO E ANTI-TROIKA NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES! POR UMA POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO E EMPREGO NA GRÉCIA E NA EUROPA!
PELA DERROTA DOS VELHOS PARTIDOS CORRUPTOS E DEFENSORES DA OLIGARQUIA! QUEM PROVOCOU A CRISE NÃO IRÁ SOLUCIONAR A CRISE!
PELA DEFESA DA INDEPENDÊNCIA DA GRÉCIA FACE AOS DICTATES DE BERLIM! PELA SOLIDARIEDADE ENTRE TODOS OS POVOS DA EUROPA!
PELA DEFESA DA DEMOCRACIA AMEAÇADA NO PRÓPRIO BERÇO!
Aqui, dois interessantes textos foram sugeridos, destaco a “Necessidade histórica de avançar” (um título muita bem metido). De facto,
Brigada anti-terrorista israelita, a apresentação ténue da violência gratuita de adolescentes ou jovens revolucionários do país judaico… é este o cocktail servido por O Polícia, num filme que, na forma de mini-mosaico, está notoriamente dividido em duas partes. Na primeira, acompanhamos um polícia israelita na intimidade, no contexto familiar e da futura paternidade, no companheirismo com os colegas, nomeadamente com Ariel que está em fase terminal, ou na forma como gere a acusação da morte de civis no processo de eliminação de um terrorista palestiniano. Na segunda, observamos o plano de um conjunto de jovens revolucionários de esquerda para raptarem alguns magnatas económicos israelitas, responsáveis pela aplicação do capitalismo mais selvagem no país, de forma a transmitirem uma mensagem ideológica ao país. Quando o rapto acontece, o destino das personagens de ambas as partes acaba por cruzar-se de forma inevitável.
Um dos aspectos curiosos deste filme israelita é precisamente o de mostrar um lado menos óbvio da sociedade nacional. Assim, o destaque é dado à lógica social de Israel e ao conflito interno entre classes, que acaba por ter, no restante mundo ocidental, um papel mediático muito secundarizado em relação à questão do problema palestiniano. E mostra-o por uma via humana e psicológica suficientemente profunda, muito mais na via da problematização do que de um moralismo simplório. Por outro lado, conta com uma montagem que, de uma forma pausada, mas sem ser entediante, vai dando corpo à história. Tome-se, como exemplo, a panorâmica extraordinária das fotografias do casamento.
É pena que, por vezes, haja algumas cenas que afastem o filme de Nadav Lapid do essencial e que, na fase final, haja algum desnorte e uma teatralidade pouco realista (a presença da noiva em tudo aquilo roça o absurdo). É que poderia estar aqui uma obra-prima, capaz de denunciar as desigualdade sociais de uma forma complexa e não panfletária e de mostrar a necessidade de se distinguir o cidadão comum israelita do Estado que promove essas mesmas injustiças. Até porque o último momento de O Polícia é de uma força emotiva tremenda.
7/10
Enquanto o Manuel Alegre defende a troika, o Daniel Oliveira, o Rui Tavares, a Raquel Freire, a Ana Gomes e a Ana Benavente, fazem o pré-anúncio do pré-anunciado partido. De uma assentada percebe-se o que aconteceu ao M12M, porque razão a Iniciativa Auditoria Cidadã se vinculou à renegociação da dívida, a unidade entre PS e BE na candidatura de Manuel Alegre e quem ganhou a batalha da Trindade. Quem andava tão preocupado com as dissidências à esquerda, prepara-se agora para romper pela direita. Aos que não ficarem seduzidos com a ideia de ser o salva-vidas do bloco central, resta-lhes tirar outros compromissos do papel.

Já aqui tinha escrito sobre a pobre petição da “esquerda livre” e não pensava voltar ao tema sobretudo depois do excelente escrito do Nuno: “Uma esquerda comprometida“.
Mas não tendo resistido a afirmar um look trendy ou não conseguindo desencantar um designer com disponibilidade para militâncias, saiu uma cópia disto que tem sido um acontecimento tão importante para Portugal e para a Esquerda como a história de vida do meu gato.
Irrita-me particularmente que esta esquerda, sempre tão moralista (veja-se o seu Mission Statement), apareça escondida. Será que todos os subscritores desta petição são previamente informados da existência deste grupo de tendência dentro do Parlamento Europeu que se propõe promover um capitalismo que funcione em benefício de todos? Ou será que alguém ainda nos tentará convencer que são coisas distintas?
Começa bem esta “esquerda livre”!
A direcção da luta dos presos palestinianos em greve da fome desde 17 de abril, e alguns desde há mais de dois meses, chegou ontem a um acordo com o governo israelita, sob a mediação do Egipto. Esse acordo respondia às reivindicações principais dos grevistas: o fim da detenção administrativa e a obrigação de os detidos serem julgados ou libertados, e o fim das medidas de isolamento.
O governo israelita foi obrigado a ceder à determinação dos presos e à onda internacional de solidariedade. É uma vitória importante para os grevistas e para o povo palestiniano.
Via Comité Palestina
O vídeo do Ministério da Verdade demonstra o que realmente aconteceu. Ao tonto do Passos Coelho nem os ensinamentos do “interessante” e “muito inspirador” ditador de Singapura lhe vão valer.
Participa, hoje, às 21h, na Assembleia de Balanço da Primavera Global.
É preciso unir forças. Somar gentes que se oponham à política da troika e que sejam intransigentes nesse combate. Juntar partidos, movimentos e cidadãos que não se reconheçam no capitalismo. Construir uma esquerda com a ambição de vencer que esteja comprometida com a luta pela a igualdade.
A crise é uma máquina de liquidação dos direitos sociais e políticos da maior parte da população. Vai ser difícil a mobilização das pessoas atormentadas pelo medo, separadas pelo receio de perderem o pouco que têm.
A esquerda da igualdade tem de saber que o seu campo se edifica construindo novos sujeitos políticos que não se esgotam na política institucional. A afirmação de uma política de esquerda passa por dar poder às pessoas, fazê-las sujeitos e não espectadores da construção de uma alternativa. Não se trata de mudar a composição de um parlamento trata-se de inventar uma outra forma de fazer política. Afirmar que todos somos actores da nossa própria emancipação.
O terreno desta luta está na conquista da rua e na afirmação da intervenção radical. A massificação da rua não pode impedir a multiplicação das tomadas de posição que procurem o choque. As acções concretas devem servir para demonstrar a irracionalidade das políticas neoliberais e de pôr à vista a violência de um Estado que reprime para as aplicar. Elas devem reivindicar o princípio do olho por olho e dente por dente.
Vivemos num mundo global. Nenhuma luta é somente nacional, mas todas são feitas num local concreto.
A crise ainda agora chegou, a multiplicação das redes de activistas, o reforço das suas ligações e o aumento do número de militantes combativos são uma das premissas fundamentais para transformar a crise, num determinado momento, em crise do capitalismo.
A página do PS é um maravilhoso mundo Seguro.
À hora a que escrevo, em oito imagens, exibe o secretário geral em cinco poses a que acresce o vídeo Seguro de uma qualquer entrevista.
Para quem, como eu, queira encontrar uma posição política do PS sobre a situação que se vive na Grécia, a página não é de grande utilidade.
(Este é um dos muitos vídeos que têm chegado enviados por activistas e populares. Está no forno, no Ministério da Verdade, uma edição de todos eles, com cada um dos momentos da vaia e da evacuação do Passos Coelho da Feira do Livro, que não deixará ninguém falar pela boca dos que souberam dizer ao que iam em alto e bom som.)
Activistas que estavam nas diferentes iniciativas que decorreram na tarde de ontem da Primavera Global, avisados da presença do primeiro-ministro na feira do livro pelo Plenário da Plataforma 15 de Outubro (por sua vez chamada por populares que estavam na feira), foram ao seu encontro para o confrontar com as suas declarações sobre o desemprego e as reivindicações que têm caracterizado o movimento.
O primeiro-ministro recusou o desafio e face às vaias e ao crescente apoio popular que se fez sentir foi rapidamente evacuado pelo protocolo e pelas forças de segurança.
Palavras de ordem como “Passos, ladrão, o teu lugar é na prisão – Passos, ladrão, pede a demissão” – “Fora já daqui, a fome a miséria e o FMI” – “Quem deve aqui dinheiro é o banqueiro” – “Queremos trabalho!”, foram aplaudidas e gritadas também por parte da população que, na sua generalidade, saudou a interpelação surpresa.
À saída, confrontados com a cobardia manifestada pelo primeiro-ministro e perante o desproporcional aparato e comportamento policial, activistas, transeuntes e até feirantes não deixaram de sublinhar que afinal os medricas são outros e, ao som de “Piegas! Piegas! Piegas!”, o Passos Coelho acabou por ser evacuado da Feira do Livro.
A flashmob foi vista um pouco por toda a imprensa – Edição da Noite e podcast da SIC, na TVI, na RTP, nas edições online da Visão, do DN, do CM, do Económico, do Público, da Bola, do i e no JN, mas com ligeira excepção para a cobertura da SIC e da Lusa, todos distorceram os factos. Passos Coelho não tentou falar com os manifestantes, foi vaiado mas não foi insultado e várias provocações da polícia extravasaram a razoabilidade e as suas funções no local. Nas reportagens, vídeos e imagens partilhadas nos grupos da Primavera Global, da Plataforma 15 de Outubro e do Movimento Sem Emprego, podem testemunhar os factos tal e qual eles aconteceram.
A “Operação Charme Literário Abortada”, como alguém já lhe chamou, foi um sucesso.