Os privados que comprem a cultura! (o belo negócio do mecenato)* | de Jorge Feliciano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No espaço de dois anos, duas reportagens de algum fôlego sobre cultura e economia (duas palavras cada vez mais vistas juntas, coladinhas uma à outra) publicadas no jornal Público espelham bem o processo de mercantilização em curso da cultura. Ambas as reportagens são assinadas por Alexandra Prado Coelho.

A primeira é de 24 de Março de 2010. O Público noticiava com honras de primeira página a apresentação do estudo O Sector Cultural e Criativo em Portugal, uma encomenda do Ministério da Cultura à empresa Augusto Mateus & Associados.

O título garrafal dando o mote à reportagem era uma pergunta:

«A cultura pode salvar a economia?» Ler o resto_

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de onde emana o poder, o que é ser governo 2.0

Artigo 109.º

(Participação política dos cidadãos)

A participação directa e activa de homens e mulheres na vida política constitui condição e instrumento fundamental de consolidação do sistema democrático, devendo a lei promover a igualdade no exercício dos direitos cívicos e políticos e a não discriminação em função do sexo no acesso a cargos políticos.

Constituição da República Portuguesa, Parte III Organização do poder político, Título I, 7.ª revisão constitucional, 2005

(“directa e activa”. aqui. é aqui que a porca tem torcido o rabo. precisamente aqui. e em tudo o que está por detrás, particularmente a educação.)

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O festival de Berlim

É absolutamente surpreendente que, do país que se permite ser governado com tanta falta dela, floresça tanta cultura. Aturdidos que estamos com as provas de resistência que o cinema português vai dando (“Rafa”, de João Salaviza, ganhou o concurso de curtas do festival de Berlim e Miguel Gomes, com “Tabu”, foi galardoado com os prémios Alfred Bauer e Fipresci), não deve passar em claro que um dos prémios do público foi para Daniele Vicari com o filme “Diaz, non pulire questo sangue” (Diaz, não limpar este sangue) que descreve o que se passou em 2001 numa escola de Génova aquando da reunião do G8. Dias de suspensão de democracia, de todos os direitos, de guerra. O realizador dedicou o prémio ao cinema italiano que volta a contar o que acontece em Itália.

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Portalegre!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de Lisboa, Évora e Beja, nasce em Portalegre o manifesto que quer ser movimento.

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Uma ironia gráfica sobre o novo partido de esquerda

Ao cuidado do Manuel Afonso e do Francisco Louçã, codificada de modo a que o Luís Fazenda não perceba nada do assunto e que o Fernando Rosas, o José Soeiro e a Gui Castro Felga achem a sua piada. O Manifesto saiu não saiu? Então esses já não precisam de sarcasmo.

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Solidariedade em modo upside down

Multiplicam-se as iniciativas e os manifestos em solidariedade com o povo grego. Velas, vigílias, concentrações simbólicas, paz, amor e harmonia. Sem nenhum desdenho por quem apenas consegue com isto resolver a angústia da sua consciência, quanto mais não seja porque ainda hoje estive numa e provavelmente irei a outras, sinceramente não consigo perceber o sentido do que se anda a fazer. Dia sim, dia não, a malta achega-se à beira das praças, declaram-se, em representação, palavras doces aos jornalistas, quando os há, e volta-se para casa tendo feito tudo ao contrário do que se faz na Grécia. À falta de ideias com outra combatividade já é alguma coisa, está certo, mas a melhor solidariedade que poderíamos ter com o povo grego não seria protestar exactamente como o povo grego?

Nestas coisas o cão do Pavlov entra dentro de mim e acabo a ir a todas, mas pergunto-me se, entre velas, não estamos a homenagear o povo grego com o contrário do que ele anda a fazer. Ao invés de reforçar a luta estamos a adoptar uma nova forma de religiosidade.

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Porque Marx estava certo – 1

Recomendo a leitura deste livro do filosofo Terry Eagleton (ver video). Pega nas dez mais comuns objecções ao Marxismo – que conduz à tirania política, que reduz tudo à esfera económica, que é determinismo histórico, etc. – e em cada instância demonstra como cada ataque é uma travéstia do pensamento de Marx. ~

No primeiro capítulo aborda a seguinte crítica: “O Marxismo está acabado. Pode ter tido relevância num mundo industrial, mas certamente não tem relevância num mundo crescentemente sem classes, pós-industrial.

Eagleton replica que o Marxismo é uma crítica ao capitalismo, a mais rigorosa e extensa alguma vez avançada. Enquanto o capitalismo persistir, a crítica Marxista mantêm-se válida. No mundo ocidental terá havido um decréscimo do peso da classe operária e um crescimento do sector dos serviços. Mas isso foi previsto por Marx. Tal como a intensificação da globalização, da concentração do capital e da sua actuação predatória. Há que não esquecer que Marx tinha uma certa admiração pelo capitalismo, enquanto fase histórica capaz de resolver o problema da produção. Mas explicou também porque este sistema inexoravelmente produzia desigualdades, como era incapaz de levar a a um futuro que não fosse a reprodução ritual do presente. Um presente desigual, banhado de fantasia, fetichismo, mito e idolatria, guerra e exploração, que após uma longa história, se tem demonstrado incapaz de satisfazer as necessidades humanas, e não parece inclinar-se para o fazer num qualquer futuro. O lema “Socialismo ou barbárie” é cada vez mais pertinente.

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de onde emana o poder, o que é ser governo 1.0

Parte III

Organização do poder político

Título I

Princípios gerais

Artigo 108.º

(Titularidade e exercício do poder)

O poder político pertence ao povo e é exercido nos termos da Constituição.

Constituição da República Portuguesa, Parte III Organização do poder político,

7.ª revisão constitucional, 2005

(Porque qualquer dia é bom para recomeçar. Porque não se pode pedir mais que recomeçar com este artigo. Porque não devemos esquecer-nos de que a lei está do nosso lado, digam os mercados, os bancos e os lacaios o que disserem. E porque nós, o nosso adormecimento, nos levou a viver a democracia como se não tivéssemos este imenso e belíssimo documento como garante. Não é uma bíblia. É muito melhor do que isso. Somos nós, o melhor de nós. Olá outra vez.)

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PLENÁRIO DE DESEMPREGADOS – Clip, Spin e Agitprop!

A divulgação do Plenário de Desempregados já cativou, pelo menos, 200 pessoas, processo para o qual contribuíram as postas publicadas no Indymedia, no Entre as Brumas da Memória, no Sentidos Distintos, no Spectrum, no Tugaleaks, no Eclobai, nos Vermelhos e no Artigo 21º, comunidade que também produziu este cartaz.

Com um milhão e duzentos mil desempregados, mal seria que o tema não pregasse de estaca, mas há que passar das palavras aos actos, reforçando e ampliando a informação disponível, levando-a da rede para aos locais onde se concentram os desempregados.

Alarga e junta-te a esta corrente. Vamos fazer das fraquezas, forças. Esta é a hora de sair do silêncio e, com as ferramentas que temos e aquelas que podemos criar, passar ao ataque na defesa dos nossos direitos.

Nota: Paralelamente, e não necessariamente relacionados com o Plenário, alguns  textos têm vindo a ser publicados sobre o desemprego: “E a troika bate palmas?“, da Joana Lopes; “1200000 DESEMPREGADOS!“ do António Garcia Pereira; “Trabalho: procura-se“ do Miguel Carvalho. Aqui pela tasca destaque para “Um país à beira do naufrágio“ do Bruno Carvalho; para “O espírito de Leão XIII“ e “A saída da crise está a resultar e por isso o desemprego a aumentar” da Raquel Varela; Música Desempregada “CD1 – Escolhas de partida” e “CD2 – Escolhas dos Leitores“, “E se fossem gozar com as vossas tias?“, “Desempregados, Rise Up!“, “Desempregados nos querem, organizados nos terão!“ pela minha mão e, last but not least, a “Carta aberta de desempregados em dia de greve geral: ‘FAZEMOS GREVE PORQUE QUEREMOS TRABALHO!’” de um grupo de desempregados. Escreve também o teu contributo e faz chegar o link de outros textos que tenham escapado a este resumo.

Mais materiais disponíveis para ajudares na divulgação:

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É urgente PASOKizar o Proencianismo

João Proença vai dizer à troika que Portugal não é a Grécia

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O que está a mudar na CGTP

O culto da personalidade é a doença geriátrica do comunismo. A história tem-nos ensinado que o fim das mais erradas experiências de estados que se dizem socialistas deriva (ou começa) numa fixação na imagem de um líder. Em Portugal Álvaro Cunhal sempre o combateu, criticando outros PC que não o faziam e levando essa preocupação até ao que quis que fossem as suas cerimónias fúnebres.
À luz desta questão é particularmente interessante assistir ao que está a mudar na CGTP-IN. Com um discurso muito mais fluido e incisivo que Carvalho da Silva, Arménio Carlos tem-se afirmado como o representante de um colectivo, secundarizando qualquer tipo de culto da personalidade, tanto da anterior como da actual liderança. Se é verdade que Carvalho da Silva utilizou a sua posição de liderança para moderar a central sindical (repare-se, por exemplo, no atrasar da marcação da greve geral de 2011 para esperar pela UGT), parece-me claro que a actual direcção reagirá mais rapidamente aos impulsos dos trabalhadores que representa – como demonstra a marcação de uma greve geral para o próximo dia 22 de Março.
Uns dirão que isto representa uma sectarização da CGTP-IN; outros dirão que decorre da representação do estado de saturação e miséria em que vive a maioria dos trabalhadores. Contudo, o que me parece um dado objectivo é que a CGTP-IN parece muito mais perto das aspirações da maioria dos portugueses que encheram as ruas de Lisboa a 12/03 e 15/10 do ano passado e da crescente maioria de cidadãos que não acredita que o programa da troika sirva o país.

Hoje, no i

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Presidente da República Apresenta Demissão

Por agora… o alemão.

Para evitar o efeito dominó, o aparato policial de Cavaco Silva criou um “cordão sanitário” à sua volta, sendo que “mesmo para ir à casa de banho [os jornalistas, que povo nem vê-lo] é preciso a companhia de um agente de segurança”

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Barbara Hannigan

Foi ontem na Gulbenkian. Fabuloso!

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Ultrapassado o impedimento, Cavaco Silva vai à António Arroio na próxima semana

Mas «just in case», está indeciso entre ir na segunda, na terça ou na quarta. Quinta e Sexta é que estão fora de hipótese.
A verdade é que o nosso Presidente sempre gostou muito do Carnaval…

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Ich bin ein Grieche

“o meu nome não interesse; sou grega mas podia ser portuguesa, espanhola, italiana; na minha vida fiz coisas erradas e coisas certas; tenho cerca 65 anos e a minha reforma não da para sobreviver, para ajudar os meus filhos e netos; vim aqui para dizer isso; mas eles não querem ouvir; insisti mas eles não gostaram a minha voz”

Via Anonymous.

O Mário Soares, a Maria Barroso, o Almeida Santos e a Ana Gomes, podem assinar os manifestos que entenderem, gritar ao contrário do que sempre fizeram, que ainda assim as suas mãos vão continuar cobertas de sangue, o nosso, o grego e de mais uns quantos povos. Lamento que o Carvalho da Silva, o José Barata Moura, a Diana Adringa, o Boaventura Sousa Santos, o José Manuel Pureza, o José Soeiro ou a Paula Gil, activistas de quem muito discordo mas por quem nunca perdi o respeito, se dêem ao despudor de dar guarida a mais uma lavagem histórica da responsabilidade destes dirigentes “socialistas”. Que sentido faria subscreverem um manifesto com o Geórgios Papandréu?

Leia o manifesto na integra e conheça os seus subscritores:

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O programa da troika…

Correcções à notícia de ontem.

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Le Grand Finale do Cavaquismo

Cartaz do Artigo 21.º

A situação a que o Presidente da República se remeteu é tão caricata, tão anedótica e tão ridícula, que uma pessoa é tentada a desejar que resista a cada um dos dias que faltam para terminar o seu mandato. Sem mais jogos de espelhos à mão e sem ninguém à direita a querer salvar-lhe a honra, Cavaco passou a ser numa espécie de bobo de uma corte que até de si já morre de riso. Transformou-se num acelerador de partículas, seja lá o que isso quer dizer, no sentido em que onde quer que vá, o povo levanta-se irado. Acabaram-se as vernissages, as inaugurações, as homenagens, as salvas e os urros. Acabou-se o contacto com gente que seja gente e à sua volta apenas uma turba de abutres bafientos. Acabaram-se as idas ao espectáculo, à igreja ou ao Jamor e acabou-se até o aparato, que assim deixa de ser preciso. Cavaco tornou-se recluso de si próprio, refém do seu legado e presidiário na ruína do regime democrático que ajudou a minar. Cavaco vai definhar, devagar e em carne viva, ao som do festim da luta de classes que no meio da bebedeira do seu escárnio, ainda vai ter força para lhe atirar à cara, a cada suspiro público, a vexe dele mesmo. Sobram os chás das cinco dentro do palácio ou no estrangeiro, cercado de polícia e de um punhado, tendencialmente residual, de jornalistas amestrados. Seria possível sonhar um final melhor para o cavaquismo?

EXTRA! – Já se sabe as razões do cancelamento da visita de Cavaco à sua escola. O SIS revelou uma fotografia com um perigoso anarquista, eventualmente Black-Block e quase de certeza com ficha na Interpol, infiltrado na manifestação de estudantes da António Arroio:

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Eh, pá… Não batam mais no Nibinho!

Afinal, no tempo da outra senhora, aquele em que ele declarou por escrito estar «em consonância com o regime vigente», não havia cá dessas coisas de chavalada a manifestar-se contra figuras gradas e bafientas. Ou, quando havia, resolvia-se a coisa mandando-os para a choça e/ou para a guerra.
Têm que compreender. O homenzinho não está habituado a estas coisas, pá!
Os tempos onde está a cabeça dele são outros, de respeitinho e “safanões dados a tempo”…

Ah! E, já agora: se o encontrarem não digam a ninguém.

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“Fazia falta já, uma greve, uma greve. Fazia falta já uma greve geral.”

Passos Coelho e Angela Merkel, retenham esta data: 22 de Março. Die Fetten Jahre Sind Vorbei e aposto que a Maybelle Starr knows the drill.

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Concentração em Solidariedade com o Povo Grego


Concentração em Solidariedade com o Povo Grego


20 de Fevereiro 18horas
Largo de S.Domingos - Lisboa
Praça da Batalha - Porto 

“No dia 12 de Fevereiro o presidente Loukas Papademous, lacaio do Deutsche Bank, e a maioria governamental aprovaram o segundo memorando que institucionaliza o resgate dos bancos, dos homens de negócios e do euro e, por outro lado, sacrifica o povo aos deuses da especulação.
Este pacote de austeridade pretende impor medidas que nenhum povo pode aceitar. Os “parceiros” da União Europeia exigem ao povo grego um corte de 32% no salário mínimo daqueles que têm menos de 25 anos, e de 22% aos que têm mais de 25 anos. Os contratos colectivos de trabalho são eliminados para conseguir o despedimento de 15 mil trabalhadores no sector público, e vão ser destruídos 150 mil empregos através da não renovação de contratos.”

(também aqui)

 

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