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  • Conforme original

    17 Maio 2008 | por Rogério da Costa Pereira

    Recebeu-o das minhas mãos e acariciou-lhe, por duas vezes, o “Ne varietur” da capa, como que para o fazer seu (pois naquele nunca tinha tocado) e para se certificar do que tinha mudado desde que o havia passado para as folhas do Bombarda. Depois de, à segunda, ter percebido o nome de quem o interpelava, passou-o para o papel, precedendo-o de um “Para” e preenchendo os espaços vazios, e assinou. Sem acento no “o” de António. E, de novo, passou por duas vezes o polegar da mão esquerda no “Ne varietur” da capa. Descansado, entregou-mo - “o Barrigana continua lá”, disse-me (em azul e sem abrir a boca). Apontando com os olhos para o “Para” dela, Maria Eugénia, a senhora da caixa, ao reparar que também eu levava um “Para”, atirou-me: “É um malandreco, aquele! Não fazia ideia!”. Depois, sem mos pedir, disse-me que eram vinte e cinco euros. Aceitando o eufemismo (é uma Bertrand, caramba), entreguei-lhe as duas notas que tinha.

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    Hoje o Vasco apareceu… e o umbigo da Manela quase que também

    16 Maio 2008 | por Rogério da Costa Pereira

    O título e a imagem praticamente esgotam o assunto.

    Pouco mais há a acrescentar - depois do estranho happening da semana passada, Vasco Correia Guedes apareceu.

    Arejou meia-dúzia de vulgaridades ["O acordo ortográfico tem duas virtudes: primeiro é inútil e depois é estúpido"; "Nós não queremos aqui um homem destes (...) é bom que ele perceba que aqui em Portugal ele não conta" (em referência ao Alberto João); "Um catálogo de todos os erros políticos que se podem cometer" (em referência à cigarrada do Sócrates)] e, à hora à que escrevo, já deve estar de regresso ao Gambrinus.

    De realçar o facto de não ter tecido qualquer comentário à inenarrável fatiota da apresentadora deste autêntico espectáculo de variedades a que se reduz o jornal das sextas da TVI.

    a princesa leYa, agora do lado negro da força, dois segundos antes de engolir a feira do livro

    16 Maio 2008 | por pedro vieira, o irmaolucia

    Scruton e Ana Margarida Craveiro

    16 Maio 2008 | por João Galamba

    “Se tirarmos a razão de cima da mesa, tudo é igual a tudo, não há nada que seja mais válido. O bom gosto desaparece (torna-se um ponto de vista, uma questão de perspectiva), e o bom senso também.

    Ana, o que o Scruton não discute é a suposta auto-evidência dessa tal Razão, sem a qual a civilização desabará. Os autores que Scruton critica caem em exageros, que eu rejeito; mas as posições desses (e elas são diferentes entre si) são uma reacção a certos conceitos de razão hegemónicas e potencialmente totalitárias que tendem a caracterizar a modernidade, e que Scruton parece ignorar por completo. Eu rejeito-os porque eles representam a inversão de Scruton, pretendendo fazer uma crítica total da razão, que é impossivel (ao fazê-lo, eles entram numa contradição performativa, como Scruton, e bem, refere). O que lhe parece escapar é que a tal Razão que ele gosta de invocar tem uma história, e não é um conceito com um significado inequívoco como ele supõe. A razão de Platão, Descartes, Kant ou Habermas não são uma e a mesma coisa. Para alguém que já escreveu sobre Kant (acho que Scruton tem um livrinho sobre o filósofo alemão) ele usa noção de Razão de uma forma nada filosófica e pré-Kantiana, esquecendo-se que os debates sobre a mesma têm animado a filosofia desde aproximadamente 1781 (a publicação da Crítica da Razão Pura). Isso torna-o dogmático, porque critica terceiros pressupondo a validade, acrítica, da sua própria posição. Os autores que ele refere podem ter muitos defeitos, mas pelo menos dedicaram-se (uns melhor outros pior), filosoficamente, às supostas auto-evidências de Scruton . A total incapacidade para a auto-crítica que ele revela é uma traição maior à filosofia do qualquer coisa que Derrida, Foucault ou Rorty tenham escrito.

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    Ir às fontes

    16 Maio 2008 | por Filipe Moura

    Na sequência do texto da Maria João abaixo, recordo que a origem da expressão “betinho” é uma personagem com o mesmo nome, muito bem comportadinha, da novela “Dancin’Days”, transmitida em meados dos anos 70. Podemo ver aqui o “betinho” original a cantar a sua música, a bela João e Maria de Chico Buarque e Sivuca:

    A partir daí a palavra foi sendo usada em diferentes contextos, mas sempre variações do significado geral original: uma pessoa muito bem comportada, que nunca comete nenhum ilícito nem desobedece às autoridades (nomeadamente aos pais…), visto num tom algo depreciativo. A meu ver deveria ser mais ou menos isto o que deveria estar escrito num bom dicionário (e não somente a utilização da palavra num dado contexto). Senão, ainda corríamos o risco de “betinho” passar a ser quem gosta do Chico Buarque…

    Algo levemente inspirado no espírito do Maio de 68 chegou ao Seixal (afinal é Toronto)

    16 Maio 2008 | por João Galamba

    http://youtube.com/watch?v=iyayw6H8wAU

    Um som não despropositado

    16 Maio 2008 | por Maria João Pires

    O Luis (sou uma simpatia, a pensar em ti, viste?) gosta mais do cinco dias quando a profusão de palavras é cortada por imagens. Partilho da opinião, se bem que um som também sirva o objectivo. E este (da minha série pessoal “Sound Trash”) vem mesmo a propósito quer do “o que há num nome?“, quer do dia que amanhã se celebra.

    Se calhar sou eu que sou maluquinho, mas estas merdas assustam-me

    16 Maio 2008 | por João Galamba

    Ontem não me pude embebedar num evento na xafarica de um co-blogger porque fui a um seminário onde se falou de António Damásio e da noção de experiência estética. Confirmei todos os meus preconceitos sobre o homem, sobretudo sobre a sua (ir)relevância para entender determinadas dimensões da experiência humana. Falou-se de neuro-coisas e de quadros de Goya, de sinapses e de idas a museus; e eu perguntava ao orador em que medida é que isso nos ajuda a entender o que quer que fosse sobre a experiência de ler um livro ou de passear por um museu. O problema principal de Damásio é o de não ter uma noção de experiência em que haja uma relação constitutiva com determinados objectos. Ou seja, para ele o que verdadeiramente interessa é que determinados objectos estão numa relação causal com outra coisa, e é esta última que consiste no seu verdadeiro objecto de estudo: a dimensão fisiológica, que passa a ser um domínio autonomo de investigação.

    Para Damásio, ver um quadro de Goya, ler, conversar, ou o que quer que seja, são sobretudo coisas que se passam dentro do nosso corpo. Ler um livro é na realidade uma reacção físico-química. O que ele não percebe é que um livro não é uma simples causa a nossa experiência, mas algo intendido nela, algo constitutivo dessa mesma experiência. A intencionalidade da experiência foi algo introduzido por Kant na sua Crítica da Razão Pura (que Damásio ou não leu ou não entendeu) e desenvolvido por outros como Husserl, e depois radicalizado por Heidegger no seu livro Ser e Tempo.

    Na dedução transcendental (Crítica da Razão Pura), Kant diz que nós não observamos a consciência; ela é aquilo que nos permite obervar e ter uma experiência unificada do mundo. Isto significa que ela não é objectificável, pois é algo sempre pressuposto na observação de o que quer que seja. Aquilo que Kant chama a “unidade transcendental de apercepção” (o “eu” que tem experiência) não é uma substância ou um domínio observável, mas uma intencionalidade que só existe numa relação cognitiva com objectos. Ou seja, ela é , essencialmente, essa relação. Se Damásio tivesse lido Kant (ou qualquer dos outros autores que referi) ele perceberia que na realidade ele não possui qualquer noção de consciência, pois esta é sempre “de” alguma coisa, e este “de” implica uma relação constitutiva (intrínseca) e não causal entre a consciência e aquilo a que ela se refere.

    “Referir a” destroi a noção de consciência que Damásio pressupõe, porque ela só existe numa relação constitutiva com o mundo. A consciência não é uma interioridade, mas é, na sua identidade constitutiva, essencialmente algo que aponta para fora de si, e isto Damásio nunca entenderá enquanto se mantiver dentro do paradigma objectificante que pressupõe em todas as suas investigações.

    o que há num nome?

    16 Maio 2008 | por Fernanda Câncio

    A pergunta é de Shakespeare, na peça Romeu e Julieta. É Julieta que a faz, a propósito do apelido de Romeu e do facto de fazer parte de uma família rival. Julieta só se dá conta disso depois de se sentir atraída por Romeu, talvez depois de se apaixonar - ou apaixona-se porque descobre que o amor é proibido. Porque, afinal, nunca sabemos porque nos apaixonamos. Da paixão como deslumbrante mistério faz parte a ideia do amor à primeira vista: incompreensível, irracional, tantas vezes inconveniente. Fatal, até, como na peça de Shakespeare - mas quem defenderá que Julieta e Romeu deveriam desistir um do outro, porque o seu amor estava condenado a ser clandestino e a existir contra tudo, apesar de tudo?

    Sucede que, pelos vistos, uns 70% dos portugueses - a maioria dos quais chorará baba e ranho pela sorte de Julieta e Romeu e se indignará contra a incompreensão que os condena - consideram ter algo a decidir sobre as paixões dos outros. Estas almas acham, segundo o tal do inquérito requisitado pela Coordenação do HIV/sida ao Instituto de Ciências Sociais, que “as relações homossexuais são totalmente erradas”. Desconte-se o facto de esta resposta corresponder a uma pergunta despropositada (”acha que as relações homossexuais são erradas?”) - a resposta é deprimente. Tão deprimente que as perguntas seguintes deviam ser: “Acha que o sexo entre pessoas do mesmo sexo deve ser proibido?”; “Que pena acha que deveria ser aplicada a quem for apanhado?”

    Haverá quem esteja já a dizer que “não tem nada a ver uma coisa com a outra”. Mas “totalmente errado” não tem duas interpretações. E proibindo o artigo 13.º da Constituição portuguesa a discriminação em função da orientação sexual, parece que 70% dos portugueses não concordam com a Constituição. Sendo a Constituição a lei fundamental e tendo de ser respeitada por todos, temos aqui um problema - o da legitimidade das leis versus a opinião da maioria. Claro que não foi inventado agora, a propósito da homossexualidade: será que a abolição da pena de morte ou da escravatura teve em conta a opinião generalizada, ou uma ideia de bem e de certo, de justo? Será que a maioria dos portugueses é (ainda) hoje a favor da inexistência de pena de morte?

    Há perguntas chatas de fazer. Mas parece que umas são mais chatas que outras. E quem embandeira em arco com este resultado do inquérito do ICS, que parece vir mesmo a calhar para negar uma alteração do Código Civil que permita o casamento das pessoas do mesmo sexo, deveria levar a coisa às últimas consequências e propor a alteração da Constituição. Acrescentar um artigo: é permitida a discriminação em função da orientação sexual. É permitido à maioria decidir por quem se devem apaixonar as pessoas, e como têm o direito de consagrar as suas paixões; é permitido à maioria banir os homossexuais para a clandestinidade. De uma vez por todas, assuma-se a homofobia como um valor da sociedade portuguesa. Propostas de um nome especial para os casamentos homossexuais são homofobia envergonhada, que não se assume. Assumam-se. Repitam comigo: eu sou homofóbico. As coisas devem ter os nomes certos, certo?

    (publicado hoje no dn)

    Boas práticas: ir às fontes e aprender a consultar dicionários

    16 Maio 2008 | por Maria João Pires

    Já tinha mordiscado o tema noutro sítio mas ver, hoje, repetida a asneira pelo José Miguel Júdice nas páginas do Público faz com que transplante para aqui as “meditações” de há dois dias ligeiramente acrescentadas.

    Ensinaram-me que nada substitui a consulta directa das fontes e se elas estão facilmente disponíveis deixa de haver qualquer desculpa para o não fazer. Muito antes de me ensinarem isto, tiveram o cuidado de me mostrar como se consulta um dicionário, era eu uma menina de 6 ou 7 anos. Boas práticas que pensava serem generalizadas (bem, a da ida às fontes já reparei que é ignorada frequentemente). Chega de paleio e vamos ao que interessa, ou seja, ter uma atitude pedagógica, já que parece haver por aí muita gente que tem de aprender a consultar um dicionário.

    Peguemos na palavra “saloio” e vejamos o que nos diz sobre ela o Priberam:

    “camponês dos arrabaldes de Lisboa; rústico; grosseiro; finório; velhaco”

    Será que isto implica que todos os camponeses dos arrabaldes de Lisboa são grosseiros? Naturalmente que não, diz-nos o bom senso. São diversas acepções que não forçosamente cumulativas ou consequenciais. Porque razão, então, o DN de terça, no que é acompanhado pelo Rodrigo Moita de Deus, agarra no tão falado dicionário de calão do IDT para jovens e extrai a seguinte consequência?

    «“betinho”, “cocó” ou “careta” é “aquele que não consome droga e, por isso, é conservador, desprezível e desinteressante”

    Já agora é isto que consta do dicionário:

    Betinho Aquele que não se droga. Conservador e desinteressante.

    P.S. - Outras reflexões possíveis sobre o mesmo tema poderiam, tal como a FuckItAll afirma, ter como mote “A velha escola: a dos pais para quem todas as questões se resolvem pelo ocultamento”

    bad questions to ask a transsexual

    16 Maio 2008 | por pedro vieira, o irmaolucia


    O mercado tem as costas largas

    15 Maio 2008 | por João Pinto e Castro

    Há pouco tempo, a Sonae escolheu o sucessor de Belmiro de Azevedo. Dizia-se que havia vários candidatos com hipóteses, mas, no final, a Presidência do grupo foi previsivelmente atribuida a Paulo de Azevedo.

    É provável que ele fosse o melhor homem para o lugar, no mesmíssmo sentido em que é provável que - digo isto sem qualquer ironia - a escolha de Armando Vara para o BCP não tenha tido nada a ver com a sua relação de amizade com José Sócrates.

    Perdoar-se-nos-á porém a nós, simples mortais, que fiquemos com algumas dúvidas. É que a experiência mostra-nos que, ao menos em Portugal, grandes empresas cotadas na Bolsa que supostamente deveriam dispor de uma gestão profissionalizada em extremo continuam na prática a ser governadas como coutadas familiares. Ler o resto »

    Bill O’Reilly Flips Out: Dance Party Megamix

    15 Maio 2008 | por zenuno

    It’s only been a day but, thanks to the speed of the Internet community, we can already party down to Bill O’Reilly’s epic tirade. The phat beats behind this track ensure this jam will be bumping off night club speakers post haste. Good job, Internet. You rule.
    Haven’t seen the original? Watch it HERE.

    clica para ver o vídeo…
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    Filosofia a peso

    15 Maio 2008 | por Luis Rainha

    Era uma vez um filósofo tão, mas tão amante da liberdade que até defendia os fumadores com prosa do quilate de “properly used, tobacco makes a real and positive contribution to health” e “even the World Health Organisation, devoted to the seemingly blameless cause of helping the developing nations to overcome contagious diseases, spends far more time and energy trying to legislate against smokers”. Depois, descobriu-se que o senhor recebia uma mesada da indústria do tabaco para inspirar semelhantes louvaminhas. E que até andava a mendigar mais dinheiro, tendo em vista a excelência da sua colaboração para a fumarenta causa.
    Mas ainda há quem leve Roger Scruton a sério. A atlante mais cândida recomenda um artigo onde este filósofo de aluguer acusa Foucault de, entre outras malfeitorias, “dar autoridade à rejeição da autoridade”. Defecando de passagem o seguinte comentário: “a sua morte de SIDA trouxe um fim às suas predações”.
    Pergunta Scruton, talvez angustiado pelo fim do estipêndio: “o que aconteceu à razão?” Perguntaria eu o que é feito do bom-gosto e do bom-senso. Mas acho que nem vale a pena.

    PS: é escusado comentarem o tal post, que a senhora é mais dada à leitura de badanas do que de comentários alheios.

    Lusa pergunta

    15 Maio 2008 | por Ana Matos Pires

    E candidatos à liderança do PSD respondem, ou não, à questão da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

    Nunca é tarde para ver a luz, como o prova Einstein

    15 Maio 2008 | por Luis Rainha

    Luis Buñuel disse uma vez que iria converter-se ao catolicismo antes de morrer, só para aborrecer os amigos. Boutade à parte, certo é que a senhora Morte tem um carisma mais do que bastante para levar muita alma antes ferreamente racionalista a tentar, in extremis, jogar pelo seguro, agarrando-se a qualquer coisa com ar de bóia salva-vidas.
    Albert Einstein, ao que parece, teve a lucidez e a coragem bastantes para tomar o caminho inverso: da crença num Deus manifesto e visível na ordem do Universo, passou, nos últimos dias da sua vida, ao realismo mais cru: “a palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma colecção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis.”
    Esta bela declaração está numa carta recém-descoberta, em que o físico expõe com clareza total a sua descrença em Deus, no mito do “povo escolhido” e em qualquer forma de actividade religiosa. Certo é que passagens como a que transcrevi estão a anos-luz de anteriores palavras suas acerca da Bíblia, como a conhecida proclamação “nenhum mito está preenchido com tanta vida”. Mas, a partir de agora, pode ser que as resmas de charlatães que andam sempre com o nome do santo Albert no teclado vão procurar cúmplices involuntários para outras paragens.

    Mas claro está que nada disto belisca o Dom que é a minha Fé na Única e Vera Igreja Pastafariana.

    Uma boa decisão

    15 Maio 2008 | por Rui Tavares

    Vasco Graça Moura escreveu um poema celebrando o sexto aniversário do blogue de Pacheco Pereira, cujo título é Abrupto, e aproveitou a ocasião para lhe lamentar a queda do “p” pelo novo acordo ortográfico, jurando que havia de pôr luto se o abrupto ficasse abruto. É bonito, sim senhor. Mas não é verdade: o “p” em abrupto não é uma consoante muda e, pronunciando-se, continuará na palavra escrita.

    Aproxima-se um dia decisivo para a questão ortográfica e a confusão, voluntária ou involuntária, é geral. A confusão, acima de tudo, dá jeito. No meio disto, até há quem pense que o que está em discussão é Portugal ratificar ou não o Acordo Ortográfico. Mas não é.

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    17 de Maio - Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia

    14 Maio 2008 | por Ana Matos Pires

    Debate promovido pela Associação para o Planeamento da Família e pela Associação ILGA Portugal, será moderado por Fátima Palma (APF) e contará com as intervenções de Elza Pais, Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, e das juristas Dinamene de Freitas e Margarida Lima Rego e de Luísa Corvo, em representação da Associação ILGA Portugal.

    O debate será precedido pela exibição de um episódio do filme If These Walls Could Talk 2, que retrata a evolução da situação das mulheres lésbicas nos EUA.

    comunicado, à atenção do sr bastonário

    14 Maio 2008 | por Fernanda Câncio

    A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas teve conhecimento, através da comunicação social, das afirmações produzidas pelo Senhor Bastonário da Ordem dos Advogados sobre a natureza pública do crime de Violência Doméstica.

    A A.P.M.J. quer manifestar o seu vivo repúdio a essas afirmações, atenta a elevada ilicitude e danosidade social deste tipo de criminalidade violenta.

    Lisboa, 14 de Maio de 2008

    A Direcção da A.P.M.J.

    “Nunca haverá uma solução militar”

    14 Maio 2008 | por Filipe Moura

    Via Esquerda Republicana, cheguei a um artigo do maestro israelo-argentino Daniel Baremboim a propósito dos 60 anos de Israel no El País. Um extracto:

    En la actualidad, muchos israelíes no tienen ni idea de lo que sienten los palestinos, de cómo es la vida en una ciudad como Nablus, una prisión con 180.000 reclusos en la que no hay ni restaurantes, ni cafés ni cines. ¿Qué ha ocurrido con la famosa inteligencia judía? Ni siquiera estoy hablando de justicia o de amor. ¿Por qué se continúa alimentando el odio en la franja de Gaza? Nunca podrá haber una solución militar, porque dos pueblos luchan por una sola tierra. Por fuerte que sea Israel, siempre sufrirá inseguridad y miedo. El conflicto se devora a sí mismo y al alma judía, y siempre se le ha permitido que lo haga. Quisimos hacernos con tierras que nunca pertenecieron a los judíos y construir en ellas asentamientos. En ese hecho, los palestinos ven, y con razón, una provocación imperialista. Su resistencia, su no, es absolutamente comprensible, pero no los medios que utilizan para llevarla a cabo, ni tampoco la violencia o la inhumanidad indiscriminada.

    Los israelíes debemos finalmente encontrar el valor para no reaccionar ante esa violencia, el valor de ser fieles a nuestra historia. Los palestinos no podían esperar que después del Holocausto nos ocupáramos de alguien que no fuéramos nosotros mismos: teníamos que sobrevivir. Ahora que lo hemos hecho, unos y otros debemos mirar colectivamente hacia delante. Aún no ha nacido el primer ministro israelí capaz de esa empresa. Fundamentalmente, hoy en día no hemos avanzado nada respecto a 1947, cuando las Naciones Unidas votaron la partición de Palestina. Peor aún: en 1947 todavía era posible imaginarse un Estado binacional, pero, 60 años después, parece algo inconcebible. Hoy en día, los israelíes, al referirse a una solución basada en la existencia de dos Estados, hablan de separación, de divorcio: ¡qué cinismo! Normalmente, los divorcios afectan a personas que en su día se quisieron… (…) Hace años que no vivo en Israel y soy muy consciente de que mi perspectiva es la de un forastero. A veces, la gente me pregunta “¿qué es un judío?”. La respuesta es la siguiente: un judío que tiene experiencias antisemitas en el Berlín de 2008 es diferente al que las tenía en 1940. El de 1940 se sentía amenazado; el de la actualidad puede pensar en su propia tierra, en Israel. Hoy en día puedo decirle al antisemita que “o bien aprendes a vivir conmigo o podemos seguir cada uno nuestro camino. Y punto”, y esto supone una diferencia fundamental. A medio plazo, soy pesimista respecto a Oriente Próximo, pero a largo plazo soy optimista. O encontramos una forma de vivir con el otro o nos matamos.  

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