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Os “Steamer’s”: para a história do rock político português (I)

20 de Março de 2010 por Carlos Vidal

Não se deve deixar esquecer nem deixar de sublinhar que o rock feito em Portugal anteriormente ao 25 de Abril de 1974 também teve uma dimensão de crítica social e intervenção política.

Hoje lembrei-me dos “Steamer’s”, amanhã ou depois ainda de outras bandas, não assim tão poucas como se julga. Os “Steamer’s” existiram e gravaram entre 1968 e 1971, gravaram concretamente o EP de que reproduzo a capa no início de 1970, na editora Riso e Ritmos. Obviamente, este disco não passava nas rádios do tempo, em nenhuma ou quase nenhuma, e consta mesmo (sim, sucedeu) que, numa delas, e Emissora Nacional ou a Renascença, assinalaram mesmo em directo o momento de destruição deste EP da banda do Franjas, Carocha, Dário e do Beto (que têm muitas curiosidades para contar, nomeadamente que acham estas letras, às vezes codificadas e algo ingénuas, actuais – estórias que pacientemente o meu amigo Luís Futre vai recolhendo, reeditando estes discos e preparando para breve um livro sobre a história do rock português pré-25 de Abril).

Ouçamos pois, primeiro “I am a Chancho”, letra explícita sobre um indivíduo falhado e miserável, ainda sobre pobreza e bairros de lata. Depois, “Mr. Pum Pum!”, uma referência à PIDE e “Será assim até morrer”, alusão à emigração. Os “Steamers” costumavam actuar com um pano de veludo vermelho sobre o amplificador com a frase de Fidel, “Liberdade ou Morte”. (Um post à memória de MC Snake.)

1 – Os Steamers – I’m a Chancho

2 – Os Steamers -Será Assim Até Morrer

3 – Os Steamers -Mr. Pum Pum
(clickar sobre o título)

Óptimo

20 de Março de 2010 por Carlos Vidal

Não, não haverá uma terceira possibilidade: ou este homem destrói o partido dito socialista (e aí, note-se, sublinhe-se mesmo, eu serei o primeiro “teixeira-santista” indefectível em Portugal, abrindo uma garrrafa de champanhe), ou terá de sair do governo quanto antes, ou seja, (o que lamento, a perda de um génio das finanças deste calibre, quase sempre considerado o pior da União).

Aceitam-se apostas. (Manuel Alegre vai jogar e investir na segunda hipótese.)

O Arrastado oliveira continua a sua cruzada contra Cuba e agora, sem respeito pela memória, e sem dignidade, foi buscar as Mães da Praça de Maio argentinas: não sabe o pobre demagogo que estas já refutaram todas e quaisquer comparações com as “Mulheres de Branco” oliveirescas; porque não enviamos este lutador para Miami já?

18 de Março de 2010 por Carlos Vidal


Sim, era bom que o Oliveira-”arrastão” soubesse respeitar quem tem de ser respeitado!

Que se cale o Arrastado oliveiresco, fala agora Hebe de Bonafini, presidente das Madres de la Plaza de Mayo. Que este espécime de pessoa e espécie de blogger sem ética nem vergonha se cale e ouça as Mães de Maio, e a sua presidente:

Consultada, Hebe de Bonafini, presidente da associação Madres de la Plaza de Mayo, universalmente reconhecida e respeitada por sua incansável luta contra as injustiças, denunciou a relação falaciosa entre as duas organizações.

“Primeiro, deixe-me dizer-lhe que a Plaza de Mayo está na Argentina e em nenhum outro lugar. Nosso lenço branco simboliza a vida, enquanto que essas mulheres  [de Cuba] das quais vocês me falam representam a morte. Esta é a diferença mais importante e mais substancial que devemos assinalar aos jornalistas. Não vamos aceitar que nos comparem ou utilizem nossos símbolos para pisotear-nos. Estamos em total desacordo com elas”, afirmou.

“Essas mulheres defendem o terrorismo dos Estados Unidos. Defendem o primeiro país terrorista do mundo, o que tem mais sangue nas mãos, o que lança mais bombas, o que invade mais países, o que impõe as sanções econômicas mais duras aos demais. Estamos falando da nação que é responsável pelos crimes de Hiroshima e Nagasaki”, enfatizou.

“Essas mulheres não percebem que a luta das Madres de la Plaza de Mayo simboliza o amor por nossos filhos desaparecidos, assassinados pelos tiranos impostos pelos Estados Unidos. Nosso combate representa a revolução, a que nossos filos e filhas quiseram fazer. Sua luta é diferente, pois elas defendem a política subversiva dos Estados Unidos, que somente contém opressão, repressão e morte”, afirmou.

Pois é, o nível desta gentalha lusa é este: vale tudo, até espezinhar a memória de quem lutou e ficou sem os familiares próximos às mãos dos militares argentinos. Ou seja, se esta gente, estes lusitos, não se dão ao respeito nem respeitam quem sofre e sofreu, será que devem ser RESPEITADOS??

Por mim, não serão respeitados.


Madres de la Plaza de Mayo (Argentina)

(Post-scriptum: note-se ainda que a patrocinadora das “Mulheres de Branco” de Cuba é Laura Bush - mas para o Arrastado oliveira isso é o menos)

Não há explicação possível, nunca vi nada semelhante

18 de Março de 2010 por Carlos Vidal

Onde está Armando Vara, está… está……………………….. está………  a PJ contra a PJ, o Ser contra o Ente, a política contra a política, o Mundo contra a Mundo (alguém me ajuda a clarificar a coisa? Como classificar Armando Vara?)

Cuba tem de aprender… (a Ertzaintza dá boas lições, por ex.)

18 de Março de 2010 por Carlos Vidal


(Via Almareios)

Ora, os mártires também se devem seleccionar, não é verdade?

18 de Março de 2010 por Carlos Vidal

DanielOliveira.jpg Daniel Oliveira O Eixo do Mal image by chovechove

Dêem-lhe bifes, sff.

1.
Uau!
Nunca comecei um post assim, com esta expressão. Mas, agora, depois de “oliveira arrastão” me ter apagado um comentário (não, não foi censura, foi uma opção clara e legítima), devo dizer – “uau” fiquei a conhecer a coerência de “oliveira-arrastão” ou, como eu também gosto de dizer, e a zazie muito admira e muito se diverte, o sr. “dêem-lhe bifes”. Acontece que o sr. oliveira mais uma vez se voltou para a tirania cubana, cruel e sanguinária, e entretém-se com isto há semanas. Eu explico. Foi o blogger “arrastão arrastado” picar um post/clip ao “Vias de Facto” (claro!) e, no meio do picanço, pedia este sr. oliveira, uma outra vez, “assinem e minha petição sobre a liberdade em Cuba”. Ora, de tanto o ver implorar, arranhar-se e chorar para descolar os números da sua magnífica petição, eu lá comentei no “arrastão”, a casa do sr. e seus ajudantes: “Assinem lá a merda da prosa do oliveira. Deixem-se de cantiguetas. Assinem”.  [cortado.] Era uma ajuda, não muito bem-vinda pelos vistos. Mas tudo fiz por bem. Esqueci-me entretanto que o sr. oliveira é uma figura ética que apenas admite debates desenhados com elevada elevação. Argumentos dignos e construtivos. O que não é o caso dos que eu produzo. (Concordo.)

2.
Vejamos agora este grevista cubano, Guillermo Fariñas, vejamos este senhor que eu vejo, como todos vós, todos os dias nas televisões, em imagens captadas em… Cuba.
Ou seja, todos os dias televisões captam imagens do senhor, televisões de Cuba e do mundo inteiro que a Cuba vão filmar estes momentos em que Fariñas, não o nego, expressa por meio de uma greve de fome (acho que é a 23ª), a sua posição sobre a sua sociedade. Não nego nem questiono que o sr. Fariñas deva expressar-se, deste modo ou como entender, mas a quantidade de imagens e filmagens que são obtidas desde Cuba (sem constrangimentos), inclusivamente da própria televisão cubana, levam-me a duvidar da elevada e ignominiosa taxa de repressão do “regime” cubano. Não vejo nenhuma tirania na possibilidade de tanto se publicitar este caso, e obviamente que o “brutal” e “assassino regime” de Castro nada, mas mesmo nada, aqui censura. Como é óbvio e todos o testemunhamos. Diariamente.

3
Para terminar, porque é que os blogues edificantes do costume e defensores da política do costume (“Vias de Facto”, “Causa Nossa”, “arrastão” e “Jugular”), tanto admiram o confesso mártir Guillermo Fariñas e repudiam as formas que, por exemplo, a resistência palestiniana entende serem as mais adequadas para colocar Israel dentro do que deveria ser a lei e a humanidade? São muito selectivos quanto aos mártires que amam, estes tipos. Porque será?

O “estalinismo” do partido do sr. V. Canas, uma coisa chamada “Qualquer P. Coisa S.”

16 de Março de 2010 por Carlos Vidal

Dos estatutos da coisa militada pelo sr. Canas:

«Artigo 94º
(Das sanções disciplinares)

1. Os membros do Partido estão sujeitos à disciplina partidária, podendo ser-lhes aplicadas as seguintes sanções:

a. Advertência;

b. Censura;

c. Suspensão até um ano;

d. Expulsão.

2. Três advertências equivalem automaticamente a uma pena de suspensão de três meses.

3. A Comissão Nacional de Jurisdição pode converter em pena de expulsão a terceira ou subsequentes penas de suspensão, para o que o processo lhe é obrigatoriamente remetido com os necessários elementos de instrução.

4. Fora do caso previsto no número anterior, a pena de expulsão só pode ser aplicada por falta grave, nomeadamente o desrespeito aos princípios programáticos e à linha política do Partido, a inobservância dos Estatutos e Regulamentos e das decisões dos seus órgãos, a violação de compromissos assumidos e em geral a conduta que acarrete sério prejuízo ao prestígio e ao bom nome do Partido.

5. Considera-se igualmente falta grave a que consiste em integrar ou apoiar expressamente listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do Partido, inclusivé nos actos eleitorais em que o PS não se faça representar.»
[Via Tempo das Cerejas]

Aguarda-se agora que o sr. Canas comente estes articulados da coisa em que ele milita.

Ainda sabemos ler? Já não? (Então cantemos; quiçá, “da capo”)

16 de Março de 2010 por Carlos Vidal

O CM [Correio da Manhã] sabe que o nome de Sócrates, do ministro Pedro Silva Pereira e do ex-secretário de Estado do Ambiente Rui Gonçalves aparecem num documento manuscrito feito por Rick Dattani, adjunto de um dos administradores do Freeport responsável pelo projecto de Alcochete. Os três nomes constam de um papel com alusões ao pagamento de subornos no valor de dois milhões de libras (2,2 milhões de euros), feito em Dezembro de 2001, e na sequência de uma conversa entre Dattani e Charles Smith, o intermediário entre os ingleses do Freeport e o Governo português.

Uma “seguiriya” por Dolores Agujeta

15 de Março de 2010 por Carlos Vidal


(Paris, 2009)

Manuel de los Santos Pastor “Agujetas”

15 de Março de 2010 por Carlos Vidal

Resumidamente, dizemos que o flamenco é um género musical (sobretudo de canto, o “cante” como veremos) e de dança andaluz, de raiz cigana, também árabe e judaica, que consideramos originário do século XVIII na sua estrutura actualmente conhecida como definitiva. Concretamente, em relação à sua origem (e eu acrescentaria que o flamenco é a música tradicional que mais me fascina, arte trágica, bela e sacra), dizia eu que em relação à sua fundação não me faz sentido crer que ela possa ter vindo da Flandres, nesta tese um género musical então chegado a Espanha no tempo de Carlos V. Esta hipótese não me faz muito sentido. Creio mais válida uma outra hipótese. A qual remonta à queda de Granada em 1492 e a uma subsequente quebra total de tolerância e respeito pelos muçulmanos que por essas bandas ficaram ou foram ficando até ter sido possível, uma ruptura com o Islão não imediatamente posterior à queda do califado, antes acentuada nos finais do século XV e princípios do seguinte. Foram então nesse tempo os muçulmanos expropriados de tudo, bens e religião, creio que completamente proibida.

Daqui surge a expressão (que teria baptizado este estilo que faz todo o sentido ter sido no início sobretudo uma forma de canto mais do que de dança) “fellah min gueir ard”, ou seja, camponeses árabes sem terra. Então, o “cante” flamenco é assim o cruzamento da arte musical de duas minorias do sul de Espanha: a árabe e a cigana. Apesar da minha proverbial pouca cultura e generalizada ignorância, esta é a hipótese que me faz sentido acerca dos princípios do impressivo e assombroso flamenco.

Noutro ponto, diria mesmo que é precisamente a “pouca cultura” (e, porque não?, mesmo um certo e salutar alheamento do mundo) que faz deste Manuel de los Santos Pastor “Agujetas”, de que vos falo, o mais genuíno e estonteante intérprete do “cante jondo”, que se costuma considerar o mais puro tipo de cantar andaluz; diz-nos este génio telúrico: “Yo me llamo Manuel de los Santos Pastor, El Agujeta, y me dicen Agujetas de mote, porque mi padre [o cantaor Agujetas El Viejo] trabajaba en el ferrocarril y era el que cambiaba las agujas, po’ le pusieron de agujas Agujetas”. Mas, atente-se, a melhor definição do “cante” de “Agujetas filho” é o próprio que nos proporciona; registe-se: não é possível saber ler e escrever e, ao mesmo tempo, cantar flamenco, pois ao saber-se ler e escrever perde-se definitivamente a sabedoria da pronúncia. E “Agujetas” não sabe de facto nem ler nem escrever.

Os palos, ou estrutura rítmica (o compasso), é aquilo que determina o género ou a classificação dos modos do “cante” flamenco: soleás, bullerias, tangos, fandangos, rumbas, seguiriyas, etc. Fixe-se desde logo este último tipo, trágico, sombrio e deveras doloroso, pois a ele se vai ligar o grande “Agujetas” (que tem em Manuel Torre, falecido nos anos 30, a sua referência), mestre das seguiriyas como nenhum outro (entretanto, o famoso Camarón, de que aqui falei, já segue uma outra via, protagonizando com Paco de Lucía uma espécie de “flamenco clássico” e de fusão, propostas que “Agujetas” desconsidera).

“Agujetas” é um homem de outro mundo, um “cantaor” em transe, rosto só de ossos marcados. Há quem o considere, justamente, o “Neanderthal do Flamenco”, imagem de fábula e origem, viagem no tempo (fora do tempo). Não sei se ainda canta (julgo que sim, apesar de não se saber bem em que ano nasceu, 1939?, 1946? 1947?) mas é como se o seu canto tivesse existido sempre e desde sempre. Sempre mesmo:

O melhor vídeo do you tube, “Im in miami beach!”, 6 minutos imperdíveis de cortar a respiração (prá malta do “Vias de Facto”)

15 de Março de 2010 por Carlos Vidal

Um ministro e um governo muito preocupados com a justiça e os rendimentos, e a justiça social e eteceteras sucialistas

15 de Março de 2010 por Carlos Vidal


Santiago, 1973

Ora bem, economicamente o socratismo é uma espécie de pinochetismo, como aqui escrevi há um tempo (e com memorável polémica, interminável), como o pinochetismo foi uma espécie de thatcherismo e vice-versa, e assim sucessivamente (e eu, como diria o João César Monteiro, “quero que o público português se foda, e assim sucessivamente”, precisamente). Vejamos então:

A tributação das mais-valias mobiliárias só vai avançar quando a conjuntura económica melhorar. Depois de uma reunião extraordinária de Conselho de Ministros, ontem, que durou três horas, Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, adiantou que a medida será posta em prática mas depende do cenário financeiro do país.

Nunca será posta em prática. Alguém duvida?? Ler também:

Nas medidas de austeridade que se apontam no PEC surgem as de aumento de impostos aos mais ricos, tributando-os em IRS à taxa de 45% acima do rendimento tributável de 150.000. Esta tributação irá atingir pessoas que declaram tais rendimentos, mas importa assinalar que nem todos os ricos os declaram. Muitos ricos, a maioria talvez, não os declara. E porquê? Pode-se ter fortuna, mas não auferir rendimentos ou estes não serem declaráveis, ou não serem declarados.

Ler o resto do artigo, que também desmistifica as privatizações como “fonte de receitas compensadoras” (sendo antes de despudorado desbarato, pois).

ATÉ QUE ENFIM!!, alguém parece ter acordado para o pesadelo do fascismo puro e duro no Médio Oriente

13 de Março de 2010 por Carlos Vidal

Estados Unidos consideram-se “insultados” por Israel

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E a ti digo o mesmo: não sei se me mentiste ou não, mas se mentiste não acho que seja assim tão grave…

13 de Março de 2010 por Carlos Vidal

(A. no meu jardim)

Não sei se me mentiste ou não, mas se mentiste não acho mesmo que seja assim tão grave…

13 de Março de 2010 por Carlos Vidal

(M. na minha sala de trabalho)

Urgente: “Manifesto pelo cinema português”

11 de Março de 2010 por Carlos Vidal

Nunca como nos últimos vinte anos teve o cinema português uma tão grande circulação internacional e uma tão grande vitalidade criativa. E nunca como hoje ele esteve tão ameaçado.
No mesmo ano em que um filme português ganhou em Cannes a Palma de Ouro da curta-metragem e tantos e tantos filmes portugueses foram vistos e premiados um pouco por todo o mundo, o cinema português continua a viver sob a ameaça de paralisação e asfixia financeira.
Desde há dez anos que os fundos investidos no cinema não cessaram de diminuir: a produção e a divulgação do cinema português vivem tempos cada vez mais difíceis.
E a criação de um Fundo de Investimento (e a promessa de um grande aumento de financiamentos), revelou-se uma enorme encenação que na generalidade só serviu para legitimar o oportunismo de uns tantos.
O cinema português vive hoje uma situação de catástrofe iminente e necessita de uma intervenção de emergência por parte dos poderes públicos e em particular da senhora Ministra da Cultura.
O cinema português – o seu Instituto – ao contrário do que é repetido vezes sem conta, é financiado por uma taxa (3,2%) sobre a publicidade na televisão, e não pelo Orçamento de Estado.
O financiamento do cinema português desceu na última década mais de 30% e a produção de filmes, documentários e curtas-metragens, não tem parado de diminuir.
O Fundo de Investimento no cinema, que era suposto trazer à produção 80 milhões de euros em cinco anos, está paralisado e manietado pelos canais de televisão e a Zon Lusomundo, e não só não investiu quase nada, como muito do pouco que investiu foi-o em coisas sem sentido.

Por isso se torna imperioso e urgente
a) normalizar o funcionamento desse Fundo e multiplicar as verbas disponíveis para investimento na produção de cinema, nomeadamente multiplicando as receitas do Instituto de Cinema, e tornando as suas regras de funcionamento transparentes e indiscutíveis;
b) normalizar a relação da RTP (serviço público de televisão) com o cinema português, fazendo-a respeitar a Lei e o Contrato de Serviço Público, assinado com o Estado Português;
c) aumentar de forma significativa o número de filmes, de primeiras-obras, de documentários, de curtas-metragens, produzidos em Portugal;
d) e actuar de forma decidida em todos os sectores – não apenas na produção, mas também na distribuição, na exibição, nas televisões (e em particular no serviço público), e na difusão internacional do cinema português.

Depois de mais de seis anos de inoperância e desleixo dos sucessivos Ministros da Cultura, que conduziram o cinema português à beira da catástrofe, impõe-se:
1. Normalizar o funcionamento do FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual) reconduzindo-o à sua natureza original: um fundo de iniciativa pública, tendo como objectivo o aumento dos montantes de financiamento do cinema e da ficção audiovisual original em língua portuguesa e o fortalecimento do tecido produtivo e das pequenas empresas de produção de cinema. E fazer entrar nos seus participantes e contribuintes os novos canais e plataformas de televisão por cabo (meo, Clix, Cabovisão, etc), que inexplicavelmente têm sido deixados fora da lei;
2. Multiplicar as fontes de financiamento do cinema português, nomeadamente junto da actividade cinematográfica, recorrendo às receitas da edição DVD (a taxa cobrada pela IGAC, cuja utilização é desconhecida, e que na última década significou dezenas de milhões de euros); à taxa de distribuição de filmes (que há décadas não é actualizada) e à taxa de exibição. As receitas das taxas que o Estado cobra ao funcionamento da actividade cinematográfica devem ser integralmente reinvestidas na produção e na divulgação do cinema português (produção, distribuição, edição DVD, circulação internacional);
3. Aumentar as fontes de financiamento do Instituto de Cinema, para aumentar o número, a diversidade, a quantidade e a qualidade, dos filmes produzidos. Filmes, primeiras-obras, documentários, curtas-metragens, etc.
4. Apoiar os distribuidores e exibidores independentes, e estimular o aparecimento de novas empresas nesta actividade, de forma a que o cinema português, o cinema europeu e o cinema independente em geral, possam chegar junto do seu público. E apoiar os cineclubes, as associações culturais e autárquicas, os festivais e mostras de cinema, que um pouco por todo o país fazem já esse trabalho;
5. Fazer cumprir o Contrato de Serviço Público de Televisão por parte da RTP, que o assinou com o Estado Português, e que está muito longe de o respeitar e às suas obrigações, na produção e na exibição de cinema português, europeu e independente em geral. E contratualizar com os canais privados e as plataformas de distribuição de televisão por cabo, as suas obrigações para com a difusão de cinema português.

O cinema português, que vale a pena, tem hoje em dia, apesar da paralisia, quando não da hostilidade, dos poderes públicos, um indiscutível prestígio internacional. Os seus realizadores, actores, técnicos, produtores, não deixaram de trabalhar apesar de tudo o que se tem vindo a passar. Está na altura de os poderes públicos assumirem as suas responsabilidades.
É necessária uma nova Lei do Cinema, mas é urgente uma intervenção de emergência no cinema português.

(NOTA: Entre os vários subscritores deste manifesto, estão os cineastas portugueses no activo que, pessoalmente, mais admiro e respeito: Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Seixas Santos, Teresa Villaverde, Silva Melo e Pedro Costa.)

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1571

A lucidez solidária de Lula da Silva e a cegueira do blogue “Vias de Facto” (não podia ser de outro modo, naturalmente)

11 de Março de 2010 por Carlos Vidal

O grande Arthur Cravan em Vias de Facto

Lula da Silva disse isto ao “O Globo”. Isto que a Senhora Dona Joana Lopes transcreve com indignada indignação; leia-se como Lula sabe escolher entre o trigo e o joio; sabe-o quando quer e quando deve:

«Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade.»

«Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de deter as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem ao Brasil.»

Senão vejamos. Todos sabemos que desde a tomada do poder por Fidel nenhum prisioneiro “político” – como dizem os de Miami Beach - (pelo menos nos últimos 40 anos essa ausência de “fim de vida” político é indesmentível!) morreu nas cadeias de Cuba. E mais, a este senhor Tamayo (que não estou certo de não ser um preso de delito comum, note-se), vários documentários televisivos credíveis o comprovam, foram ministrados todos os cuidados de saúde possíveis e imagináveis. E a medicina cubana não se compara com nenhuma outra caribenha!

Agora, há um outro senhor que anda nas bocas do mundo, um tal Farinas, que não sei quem seja nem é prisioneiro de espécie alguma, mas parece-me ter um desejo incontrolado: aparecer todos os dias nas televisões. Veja-se, o senhor vive em Cuba e a tirania castrista permite que todos os dias e a todas as horas televisões de todo o mundo o vão filmar em Havana ou outro lugar de Cuba a “morrer pelos direitos humanos”. Caricato e ridículo, no mínimo. Quem quiser fazer disto uma bandeira, faça. Por mim, lamento a indigência mental dos “Miamistas”.

Natural ou “alegadamente” (como se tem de dizer na bodega do “estado de direito”) o governo sabia da compra da TVI pela “sua” PT

11 de Março de 2010 por Carlos Vidal


CVidal. Auto-retrato (grafite). 1987.

Foi precisamente isso que Cavaco disse na última entrevista a Judite, e eu agradeço que o tenha dito porque tudo o que contribua para perturbar J Sócrates é bem-vindo. E muito desejado.

O Presidente da República admitiu hoje que, no seu tempo como primeiro ministro, um negócio como o da PT/TVI teria de ser do conhecimento prévio do Governo, defendendo que todo este processo deve ser esclarecido.

Ou seja, nem no tempo de Cavaco como primeiro isto da PT/TVI seria desconhecido de um governo, nem no meu tempo de estudante (já agora, a foto é de um desenho de estudante, 1987, trata-se de um auto-retrato, um detalhe, grafite s/ papel, 100 x 70 cm) que coincidiu com o reinado de Cavaco (e eu posso confirmar que aí se saberia de tudo, sim, claro; e mais, ainda não existia a UNI !! Bons tempos sem UNI).

E agora? É preciso conversar muito mais?

10 de Março de 2010 por Carlos Vidal


(ROBERT GOBER)

Moniz confirmou que há, na TVI, documentos sobre o Freeport comprometedores do primeiro-ministro, nomeadamente a carta a Manuel Pedro referida pela PJ e já noticiada noutros jornais, bem como provas de pagamentos em pirâmide no âmbito do processo. Já Manuela Moura Guedes tinha referido este facto.

Divina privatização (aguardam-se posições dos socialistas Manuel Alegre e Mário Soares)

9 de Março de 2010 por Carlos Vidal


RICHTER para a Catedral de Colónia (2007).

Governo estuda privatizar TAP, CTT, EDP, Galp, REN e seguradoras da CGD