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COMENTÁRIOS

A gente vê-se por aí

7 de Março de 2009 por Ricardo Santos Pinto

Este é o meu «post» de despedida.
A vida tem destas coisas. Ainda ontem ou anteontem, dizia ao Paulo Pinto do Jugular, na caixa de comentários de um «post» do Nuno Ramos de Almeida, que vestira a camisola do «5 Dias», que um blogue colectivo era uma espécie de família e que não previa para breve a minha saída destas bandas.
Afinal, parece que perdi uma boa oportunidade de estar calado. Mordi a língua. Os planos que tinha sairam ao contrário e acabo por sair, hoje, claramente derrotado. Vencido. Quem te manda a ti, carpinteiro, tocar rabecão, ou lá o que é.
Por que saio? Fiquemo-nos pelos «motivos pessoais», que é o que se diz nestas alturas, não é?
Gostei muito desta curta experiência no «5 Dias». Ainda me lembro perfeitamente quando recebi um mail do Luís Rainha a convidar-me, em pleno Jantar de Natal da minha escola. Eu, um simples comentador que nunca tinha pensado chegar a autor de um blogue. Eu, um «slumdog».
Ao longo de pouco mais de dois meses, escrevi dezenas de «posts» e recebi centenas de comentários. Uns agradáveis, outros menos, mas todos importantes. De todos os comentadores, tenho de dirigir uma palavra especial ao Luís Moreira e à De Puta Madre. De todos os «posts», arrependo-me apenas de um, aquele em que me meti de forma estúpida com a Fernanda Câncio a propósito dos despedimentos na Controlinveste. Não fiz por mal, mas foi mau.
Quanto aos outros, orgulho-me de todos. Nos «Momentos de Lucidez» de Mário Soares, disse as verdades que ninguém parece ter coragem de dizer neste pântano em que se transformou Portugal; de Sócrates, disse também tudo o que tinha a dizer; do Freeport, tentei esclarecer o que se passou em dois textos que me deram muito trabalho; com Rui Curado Silva, brinquei, mas parece que só o próprio não levou a mal; hoje mesmo, voltei a brincar com os IP’s e os comentadores, mas parece que também ninguém percebeu.
Aqui chegados, faltam os agradecimentos. Ao Luís Rainha e ao Nuno Ramos de Almeida, por me terem convidado para esta experiência inesquecível que foi o «5 Dias». Já lá está no meu currículo – autor do «5 Dias» em 2008 e 2009. Para um «slumdog», nada mau, ah? Quanto aos outros, um abraço muitíssimo especial aos excelentes Carlos Vidal e Tiago Mota Saraiva, para mim os melhores deste blogue, apesar de alguns exageros (para chocar) do Carlos; um abraço ao Pedro Ferreira, com quem troquei interessantes experiências, e ao João Branco, que tenho pena de não ter conhecido melhor; um beijo de muita amizade ao Paulo Jorge – havemos de nos conhecer, puto!; cumprimentos ao Zé Nuno, sempre pronto a resolver os meus problemas técnicos, e a todos os outros.
Despeço-me da forma que se despediu, emocionado, o jornalista do último telejornal da saudosa NTV: a gente vê-se por aí.

Ricardo Nuno Santos Ferreira Pinto

À atenção dos outros blogues

6 de Março de 2009 por Ricardo Santos Pinto

Venho por este meio dirigir-me a todos os outros blogues que, tal como o «5 Dias», têm comentários moderados.
Pois bem: proponho que se comece a estudar, com a maior urgência, a criação de uma Base Nacional de Comentadores de Blogues. Nessa Base, todos os bloggers deverão ter acesso ao IP de cada comentador, aos seus e-mails e aos diferentes nomes que os comentadores usam em cada comentário que fazem e em cada blogue. Um poderoso motor de pesquisa filtrará em breves segundos todos os resultados desejados.
Assim se dará um passo, quiçá decisivo, para acabar com essa verdadeira chaga social que é a dos comentadores que falsificam nomes e e-mails e que, em cada comentário que fazem, utilizam um nome diferente. Isso já é possível fazer a nível do próprio blogue, mas não a nível da blogosfera em geral. Todos nós iremos descobrir, certamente, coisas muito interessantes com esta metodologia. Não conheço bem a legislação, mas penso que será necessário pedir autorização à Comissão Nacional de Protecção de Dados.
Paralelamente, penso que devíamos pensar na criação de um Livro de Estilo da Blogosfera. O que se deve e o que não se deve fazer na publicação de «posts» e na aprovação de comentários. O tipo de «posts» a publicar. Os procedimentos a adoptar após a saída de bloggers. A relação com os diferentes poderes. A dicotomia blogue individual versus blogue colectivo. A criação de uma entidade para dirimir eventuais conflitos entre blogues.
Peço-vos que acolham esta ideia com amizade. A bem de todos nós. Juntos, seremos mais fortes.
Dentro em breve, voltarei à vossa presença para lançar uma outra ideia: a criação de uma Associação Nacional de Blogues com Comentários. Temos de nos distinguir daqueles blogues que não têm coragem de dar voz aos seus leitores. Que exibem, no final de um «post», um silêncio ensurdecedor. Que têm medo.
Agora, vou entrar em estágio para o sempre delicioso Jornal de Sexta da TVI. E depois de ver o programa, ou ainda antes, vou ler os comentários que, estou crer, sobre ele vão aparecer (é tão inevitável como a morte) num blogue perto de vós.
E lembrem-se: blogosfera unida jamais será vencida!

A religião na escola pública

5 de Março de 2009 por Ricardo Santos Pinto

Em mais uma comparação entre os sistemas de ensino português e francês, debruço-me hoje sobre a religião na escola pública portuguesa.
Quando era miúdo, sempre tive padres como professores de EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica. Embora proveniente da classe média, filho de um funcionário público e de uma dona de casa, fiz todo o liceu numa escola de meninos ricos, o Garcia de Orta, na freguesia de Nevogilde e a dois passos da Foz. A paróquia de Cristo-Rei tinha então, graças aos seus endinheirados fiéis, uma presença muito forte na comunidade e também na escola. Lembro-me do Frei Eugénio e do Frei Jerónimo, que eram os padres da missa a que era obrigado a ir depois da catequese e também os meus professores. Lembro-me de ter visto, com alegria, que no boletim de matrícula do 9.º ano podia ser eu a decidir se queria ou não ter EMRC sem ter de perguntar aos meus pais. Nunca mais tive.
Para ser sincero, não guardo quaisquer recordações dessas aulas. Nem positivas nem negativas.
Entretanto, passaram-se os anos. Tornei-me professor e deparei-me com uma realidade diferente. Ao longo dos meus catorze anos de contratado, em que andei aos restos (mini-concursos e quejandos), pelo Porto e arredores, raramente encontrei um padre professor de EMRC. Tive colegas de outras disciplinas, padres, mas muito poucos. Geralmente, eram rapazes novos, alguns deles com um perfil diametralmente diferente do perfil de professor de EMRC que eu conservava na minha memória. Numa dessas escolas, em S. Romão do Coronado, era uma professora que leccionava, mas não EMRC. Conseguira juntar meia dúzia de alunos para formar uma turma de EMRE – Educação Moral e Religiosa Evangelista.
São anos que recordo com saudade, embora não saiba muito bem por quê. A instabilidade económica seria insuportável se não fosse a alegria de jovem professor que então sentia. Isso e, claro, a minha actividade profissional paralela ao ensino.
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A ideia era tirar aos putos o medo da pica?

5 de Março de 2009 por Ricardo Santos Pinto

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Pintura na sala de espera do Centro de Saúde de Rio Tinto

A expressão sádica do enfermeiro. A seringa gigantesca. A mancha de sangue no rabo da criança. O esgar do seu rosto. Uma outra criança, em cadeira de rodas (resultado da pica?), do lado esquerdo da imagem.
Não sei muito bem por quê. Mas se a ideia era tirar aos putos o medo das injecções, parece-me que não foi lá muito bem conseguida.

Memórias do «Reviralho» (II)*

4 de Março de 2009 por Ricardo Santos Pinto

(segunda e última parte do texto de Paulo Sérgio Ferreira publicado hoje)

II – DO 28 DE MAIO ÀS PRIMEIRAS MOVIMENTAÇÕES ANTIDITATORIAIS. O INÍCIO DO REVIRALHO.

Finalmente, a 28 de Maio de 1926, com a sublevação inicial do Regimento de Infantaria 8, de Braga, e em nome de “um governo nacional militar, rodeado das melhores competências para instituir, na Administração do Estado, a disciplina e a honradez que há muito perdeu” (como se lê na proclamação ao País de Gomes da Costa), inicia-se o movimento militar que rapidamente se estendeu às Divisões militares de Vila Real, Coimbra, Viseu, Tomar e Évora.
O General Adalberto Gastão de Sousa Dias, que, desde 1925, comandava a 3 ª Divisão do Exército, no Porto, assumiu então – após recusar o convite que, a partir de Penafiel, lhe fez o General Gomes da Costa, de se juntar ao levantamento militar, reiterando a obediência devida ao Ministro da Guerra – o comando das operações de resistência, organizando um Grupo de Destacamentos para contra atacar os revoltosos, que nesse mesmo dia marchou em direcção a Braga, ocupando posições em Famalicão e Nine.
Contudo, apenas dois dias depois, dada a clara superioridade das forças revoltosas, por um lado, a neutralização dos reforços enviados de Lisboa, pelo Governo, entretanto demissionário, juntamente com Bernardino Machado, por outro, e por fim a adesão à revolta de várias das unidades sob o seu comando, e após reunião com os comandantes dos vários corpos militares aquartelados no Porto, ao mesmo tempo que pedia a exoneração do cargo que exercia, acabaria por dar, em nome da 3ª Divisão do Exército, a adesão ao movimento.
Face à enorme instabilidade política da agónica 1ª República, à agitação social, e à crise económica e financeira em que o país se encontrava mergulhado, o regime ditatorial obteve senão o apoio, pelo menos a aceitação tácita de uma parte substancial da população.
No entanto ao contrário do que a historiografia do Estado Novo quis fazer crer, não foi nada fácil consolidar o regime que durante quase meio século Oliveira Salazar dirigiu. Com Fernando Rosas podemos mesmo concluir que entre 1926 e 1931, período em que o reviralhismo foi mais activo, o país viveu um período de “guerra civil intermitente”. Ler o resto »

Memórias do «Reviralho» (I)*

4 de Março de 2009 por Ricardo Santos Pinto

O texto que se segue, bem como a nota prévia, é da autoria do meu bom amigo Paulo Sérgio Ferreira e evoca o «Reviralho», movimento republicano que procurou combater a Ditadura Militar implantada em Portugal em 28 de Maio de 1926.


Emídio Guerreiro, em pé, em primeiro plano, envergando o uniforme de um dos regimentos de Guimarães, junto à “trincheira da morte”, que foi erguida na confluência das Ruas 31 de Janeiro, e Santa Catarina, junto à Livraria Latina, no Porto.
In http://pedraformosa.blogspot.com/2005/07/emdio-guerreiro-na-barricada-da_01.html

Nota prévia: A memória histórica do povo português esquece este importante acontecimento: por um lado, a historiografia do Estado Novo apagou-a por completo, passando a ideia de que a implantação do novo regime decorreu com tranquilidade e com pleno apoio dos militares e mesmo do povo, e por outro lado a que surge no pós 25 de Abril mostra-se profundamente marcada pela ideia de que só o Partido Comunista Português constituiu resistência activa à Ditadura Militar e ao Estado Novo que se lhe seguiu.

A REVOLTA DE 3 DE FEVEREIRO DE 1927: A PRIMEIRA GRANDE AMEAÇA DO REVIRALHO

I – A lenta agonia da 1ª República – de 1925 até ao 28 de Maio de 1926.

No processo dinâmico que antecede o evento ora em análise, imprescindível nos parece que, ainda que de forma perfunctória, se analise o último ano da 1ª República, para lhe adivinhar as fragilidades, as convulsões e instabilidade provocadas pela tensão dialéctica entre os vários grupos, tendências e personalidades marcantes que posteriormente nos surgem no apoio e na contestação à Ditadura Militar.
Entre a implantação da República e o golpe militar de 28 de Maio de 1926, o país conheceu:
a) 7 eleições legislativas gerais (1911, 1915, 1918, 1919, 1921, 1922 e 1925);
b) 8 eleições presidenciais (1911, duas em 1915, duas em 1918, 1919, 1923 e 1925), em que só António José de Almeida conseguiu cumprir o mandato completo;
c) 5 eleições municipais (1913, 1917, 1919, 1922 e 1925);
d) 45 ministérios. Ler o resto »

O Idalécio e o Joaquim

28 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

Outro «post» inofensivo…
Lá para os lados de Cantanhede, mesmo na fronteira com o concelho da Mealhada, um jovem casal, há mais de quarenta anos, recebia a mais bela das notícias: a família ia aumentar. Seria o primeiro de muitos filhos que já tinham planeado.
Por razões que não foi possível apurar, a jovem futura mãe era flipada no nome Joaquim. E logo que soube que ia ser um rapaz, decidiu que ele iria chamar-se Joaquim.
Porém, as coisas complicaram-se durante a gravidez e a criança nasceu prematura. Naquela altura, a mortalidade infantil era muito elevada e os médicos desenganaram logo a senhora. Não havia qualquer hipótese de sobrevivência. Mulher temente a Deus, não quis enterrar o filho sem primeiro proceder ao seu baptismo e ao registo da criança. Chamou-lhe Idalécio.
Idalécio? Mas então…? Exactamente, Idalécio. A senhora era temente a Deus, mas muito pragmática e nada burra. Seria um desperdício gastar um nome de que tanto gostava, Joaquim, com uma criança que ia morrer. Assim como assim, o nome era uma questão de somenos. Joaquim seria o nome do filho seguinte, vivo se Deus quisesse, este seria Idalécio. Idalécio Marcelino.
Mas a vida está cheia de ironias. Infelizmente, o casal não conseguiu ter mais filhos, por mais que tentasse. E o bebé Idalécio, desenganado pelos médicos, recuperou milagrosamente e conseguiu sobreviver, tornando-se um rapagão cheio de energia e de saúde.
Quanto ao Joaquim, nunca chegou a nascer. Ai se a sua mãe sabia…
Esta história é verídica. O Idalécio e os seus pais estão vivos para contá-la a quem a quiser ouvir.

O maravilhoso site do IGESPAR

28 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

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Devido à minha actividade profissional, paralela ao ensino, sou obrigado a consultar frequentemente o «site» do Instituto Português de Arqueologia. Um «site» excelente, que, para além de outras funcionalidades, inventaria todos os sítios arqueológicos do país, por tipo, projectos, arqueólogos, concelhos, etc..
Habituei-me a ir lá diariamente, ao ponto de saber o endereço de cor: www.ipa.min-cultura.pt. Mas, desde há mais de um ano, se quiser entrar directamente no «site» através do endereço, eles não deixam. Enviam-me para o maravilhoso «site» do IGESPAR, que está em construção há mais de um ano. E como está em construção, pedem-me que faça a fineza de consultar o «site»… www.ipa.min-cultura.pt.
Mas se é assim, por que razão não me deixam entrar lá directamente? E por que é que não acabam o raio do «site» de uma vez por todas? Será assim tão difícil?

A cadela Sininho

28 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

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Após a públicação de «A Origem do Mundo (Canino)», a cadela Sininho tornou-se rapidamente uma estrela da blogosfera, ao ponto de merecer comentários noutros blogues. E uma horda de tarados invadiu o meu mail pessoal, querendo saber pormenores íntimos do animal.
Sinceramente, não sei o que lhes diga. Fui buscá-la ao Canil Municipal de Gondomar, onde fora abandonada pelos antigos donos, e consegui arranjar uma família para ela, visto que não podia ficar com mais animais. Só que, ao fim de uma semana, essa família telefonou a dizer que já não a queria – era muito calma, nem parecia uma cadela. Tendo sido abandonada pela segunda vez, decidi que não voltaria a sê-lo. Fiquei definitivamente com ela.
É um encanto de bicha. Confesso que não percebo a razão dos dois abandonos. Muito calma? Quem me dera que fosse um bocadinho mais calma. Como há duas semanas, em que, depois de ter roido o comando da televisão, comeu um queijo do Rabaçal inteiro e uma embalagem de margarina que, inadvertidamente, deixei ao seu alcance. Mas está feliz e isso é o que interesssa. Feliz, muito feliz, ao lado dos seus pais adoptivos, dos seus dois irmãos cães, dos seus sete irmãos gatos e da sua pequena irmã humana. E aqui ficará até ao dia em que morrer de velhinha.
Pormenores íntimos da cadela? Lamento, seus tarados, mas daqui não levam nada, a não ser a terceira foto – a sua posição mais habitual sempre que eu e a minha mulher chegamos a casa.
Já agora, este «post» serve também para ir mais longe do que Courbet e Orlan. Eles só mostraram o sexo, deixando o pessoal a salivar. Eu mostro tudo: o sexo e o resto.

A Origem do Mundo (Canino)

26 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

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A Origem do Mundo (Canino), de Ricardovsky SantosPintovsky (2009)

Por ser um cidadão temente a Deus e pelo facto de ter amigos na PSP de Braga e no Ministério Público de Torres Vedras, não posso concordar com a recente deriva pornográfica do «5 Dias». Primeiro, foi uma pássara, insistentemente publicada por Carlos Vidal, Nuno Ramos de Almeida e Luis Rainha. Não contente com isso, Paulo Jorge Vieira conseguiu, sabe-se lá onde, desencantar uma piroca.
Pois bem. Mesmo sabendo que estou a pecar, não quero ficar atrás. Por isso, apresento-vos hoje a minha mais recente obra de arte, a que dei o nome de «A Origem do Mundo (Canino)». Uma obra que apresenta em grande plano o baixo ventre de uma cadela, mais concretamente a cadela Sininho, retirada do Canil Municipal de Gondomar vai para dois anos. Patas estendidas e abertas, uma farta pelugem negra, mas com o centro completamente branco. A entrega total ao dono, a confiança absoluta no ser humano que a salvou.
Eis uma obra que apresento sem nenhuma restrição ou reserva moral. Como diria Derek Sayer, isto não é  o pito de uma cadela, isto é arte. Uma obra que, espero, encontrará o seu lugar na história da pintura moderna. Carlos Vidal, melhor do que eu, fará a sua crítica.

P. S. -  A cadela Sininho não foi minimamente molestada durante a realização desta obra de arte.

Elogio à Ministra da Educação

26 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

Apesar das críticas que tenho feito à Ministra da Eduação, desta vez tenho de dar o braço a torcer. Sou insuspeito, porque todos sabem o que eu penso da sua política educativa. Mas desta vez, embora me custe, tenho de reconhecer que tem razão.
Só eu não. Penso que chegou a altura do Paulo Guinote, do alto do seu Umbigo, reconhecer o valor a quem o tem. E Ramiro Marques também. E todos os sindicatos de professores, mesmo o irredutível Mário Nogueira. Se eu reconheço, tão crítico que tenho sido, eles também o saberão reconhecer.
Há muito que se fala da violência nas escolas, sobretudo contra professores. A Ministra da Educação prometeu que ia resolver o problema e cumpriu. Os resultados começam agora a ser visíveis.
Com efeito, nos primeiros três dias desta semana (segunda, terça e quarta-feira), não houve uma única agressão a professores nas escolas portuguesas. Nem uma. Foram dias em que o ambiente nas escolas esteve mais pacífico do que nunca.
A senhora Ministra tinha razão. As agressões a professores eram apenas casos isolados. Quem é competente, quem é?

Comércio Justo (e uma crítica gastronómica)

25 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

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Fui almoçar a Guimarães. «Cor de Tangerina», assim se chamava o restaurante, provavelmente o melhor vegetariano que já conheci. Se fosse crítico gastronómico (profissão que não desdenharia), diria que a amesendação esteve impecável e que o serviço foi eficiente e muito competente. Que o tofú grelhado com açorda portou-se muito bem e que o puré de batatas com estufado de ervilhas e cogumelos denotou muita dignidade. Que a carta de vinhos era correcta, embora sem grandes aventuras, e que se experimentou um verde branco que se viria a revelar muito falador.
Como não sou crítico gastronómico, direi apenas que é um restaurante excelente, um espaço fantástico, mesmo em frente ao Paço dos Duques, com funcionários muito atenciosos e comida muito boa. Como entrada, uma malga de azeite biológico com gergelim torrado (sésamo), acompanhado de pão produzido na padaria do restaurante. Apenas dois pratos à escolha, aqueles que referi acima, para além de pizza vegetariana. Como sobremesa, o folhado de frutos que deixo em fotografia. Para acompanhar, um «Quinta da Tojeira» de Cabeceiras de Basto, biológico como todos os que constavam da carta de vinhos. Fresquíssimo, num frapé em cortiça.
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O «Cor de Tangerina» faz parte de uma cooperativa que engloba uma loja de Comércio Justo – e é esta uma das suas particularidades. O Comércio Justo («Fair Trade» em inglês) é um movimento social que procura estabelecer preços justos a pagar aos produtores do terceiro mundo pelo artesanato e pelos produtos agrícolas que vendem aos países desenvolvidos. Ou seja, é o comércio onde o produtor recebe a remuneração justa pelo seu trabalho. Uma entidade global, a International Fair Trade Association, certifica as boas práticas de todo o processo. A protecção dos direitos humanos e do ambiente é uma das suas principais preocupações.

A propósito do Carnaval de Torres

24 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto


O Carnaval de Torres Vedras marca a vivência quotidiana das suas gentes. Não só durante a quadra mas ao longo de todo o ano. Diz-se que a vida são dois dias e o Carnaval são três. Em Torres, são seis. Seis dias de puro prazer e entretenimento, que só se podem comparar à tradicional Feira de S. Pedro.
O termo Entrudo serve para designar o período que antecede a Quaresma e provém da palavra latina introitu – início. Quanto a Carnaval, está relacionado com o abuso da carne (em todos os sentidos) na mesma época do ano.
A comemoração do Entrudo perde-se na poeira dos tempos. Antes ainda do nascimento de Cristo, estava relacionada com os cultos da fertilidade, no início da Primavera. Era o regresso da luz e da abundância que então se comemorava. Os egípcios dedicavam a festa a Isis e a Apis, os atenienses dedicavam as suas «festas de Bacanais» a Dionísio, os Romanos a Saturno, protector da agricultura e das sementeiras.
Em 340, o Papa Júlio I autorizou que, em Milão, os cristãos pudessem despedir-se em grande dos prazeres da carne antes da Quaresma. Daí os excessos que se começaram a cometer no Carnaval a partir daí em países de forte tradição católica. Foi a forma encontrada pela Igreja, segundo algumas versões, de se apropriar de todo o simbolismo popular.
«Segundo uma lenda popular recolhida no concelho de Torres Vedras, existia no tempo de Cristo um santo que gostava muito de carne, chamado de Santo Entrudo, fazendo grandes festas com muitos convidados, onde só se comia carne. Quem não estava contente com essa situação eram os pescadores, que não vendiam o seu peixe e foram queixar-se a Jesus Cristo, que então definiu os dias em que se podia comer carne, dançar e fazer festas, e marcou a época para os pescadores, a quaresma, durante a qual não se podia comer carne, nem dançar ou fazer festas.» (Jornal Área, 4 de Março de 1980, in Venerando de Matos, «Carnaval de Torres: Uma História com Tradição») Ler o resto »

Quem se mete com o «5 Dias» leva!

23 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

Através de um «post» do Nuno Ramos de Almeida, fiquei a saber que, muito recentemente, existiu no «5 Dias» um blogger chamado Rui Curado Silva. Ao que parece, foi meu colega durante um mês. Pelo que vi nos Arquivos, despediu-se no dia 23 de Janeiro com um «post» em que anunciava o fim da sua colaboração e que mereceu um comentário da De Puta Madre, que comenta tudo o que mexe. Fez bem em despedir-se. Para o caso de ninguém ter reparado que ele tinha entrado.
Através do «post» do Nuno Ramos de Almeida, fiquei também a saber que Rui Curado Silva andou a dizer mal do «5 Dias», sem referir nomes, noutro blogue. É feio. É desleal. É morder a mão que nos alimentou. Podem considerar-me caceteiro ou pouco moderado, mas é algo que eu nunca faria. Honra seja feita, neste ponto, ao Jugular: batem-nos forte e feio, mas têm quase sempre a hombridade de dizer que estão a falar de nós.
Por tudo isto, hoje vou ter de escolher a via do insulto. Quem me lê, sabe que não é habitual em mim, mas hoje não posso conter-me. Os leitores que me perdoem a agressividade verbal, mas aqui vai. Rui Curado Silva, foste um maroteiro!

Apenas casos isolados. Apenas 140 casos isolados.

23 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

Do «Diário de Notícias» de hoje:

«O Ministério Público abriu 138 inquéritos-crime a casos de violência nas escolas, no último ano, segundo dados a que o DN teve acesso. (…)
Os 138 processos que o MP tem entre mãos incluem agressões violentas contra professores e alunos no espaço dos estabelecimentos de ensino. E reflectem uma média de quase um caso por dia – dividindo este número pelos 180 dias de aulas do ano lectivo. (…)
No entanto, como o DN noticiou a semana passada, o sistema de videovigilância paras as 1200 escolas do 1.º e 2.º ciclos está parado, depois de a ministra da Educação ter revogado o concurso por irregularidades processuais.
Estes dados da PGR não permi-tem ainda verificar se a violência escolar está a aumentar porque é a primeira vez que Pinto Monteiro reúne dados sobre o tema. “Não é possível, para já, fazer comparações com anos anteriores, uma vez que este tipo de registo só começou a ser feito em 2008″, explica a porta-voz oficial da PGR.
Por outro lado, os dados de 2008 da Escola Segura – que incluem todas as ocorrências vividas na escola, incluindo os crimes – ainda não são conhecidos.
Aliás, contrariando o discurso oficial da ministra da Educação – segundo a qual não existiam razões para uma “preocupação excessiva” sobre o tema – Pinto Monteiro disse, em Abril , ter “elementos seguros de que muitos alunos vão armados para as salas de aulas.
“Há alunos que levam pistolas de 6,35 e 9 mm para as escolas. Para não falar de facas, que essas são às centenas”, avisou ainda o procurador-geral que, em Junho, chegou a reunir-se com o Presidente da República, Cavaco Silva, para debater a a violência nas escolas portuguesas. Uma realidade que continua a marcar o dia-a-dia dos estabelecimentos de ensino em Portugal.»

Slumdog Millionaire

23 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto


Gostei do «Slumdog Millionaire». É um filmezinho, embora não tão leve como parece à primeira vista, com uma estoriazinha rebuscada, mas gostei. A companhia ajudou e o cinema também – um daqueles cinemas onde não temos de levar com intervalos, putos irritantes e o massacrante barulho das pipocas.
Quanto ao filme, penso que a India será mais ou menos aquilo. Não só, mas sobretudo. Por isso é que os indianos o criticaram tanto.
Sempre gostei de Danny Boyle. «Trainspotting» foi um dos filmes que mais me marcou e «The Beach» não deixa de ser interessante. No «Slumdog Millionaire», só era escusado um final tão feliz.

O que é preciso para ser professor? (II)*

22 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

A propósito do «post» anterior do Pedro Ferreira, darei aqui a minha visão do problema. É curioso que Portugal está a seguir o caminho inverso da França. Ao que parece, lá era necessária uma prova de acesso e agora vai ser suficiente o curso. Em Portugal, bastava o curso com componente pedagógica e agora o Governo pretende que seja obrigatória a realização de uma prova de acesso.
Antes de falar da actual formação de professores, recuemos até ao 25 de Abril ou a anos anteriores. Muitos dos docentes de então não tinham a licenciatura. À actual Ministra da Educação, por exemplo, foi-lhe permitido leccionar ao ensino primário apenas com o 9.º ano de escolaridade. Uma nódoa. Havia uma coisa chamada Curso do Magistério Primário que permitia dar aulas.
Desde há alguns anos, já não é assim. Para concorrerem aos concursos internos e externos, os professores têm de ser profissionalizados, ou seja, têm de ter realizado um estágio profissional, integrado na licenciatura, normalmente realizado numa escola pública e supervisionado pela instituição de ensino superior responsável pela licenciatura. No meu caso pessoal, fiz o estágio profissional (duração de um ano lectivo, com duas turmas a meu cargo) na Escola Secundária de Rio Tinto e sob a supervisão dos metodólogos da Faculdade de Letras do Porto.
Será uma formação adequada aquela que é ministrada actualmente aos futuros professores? Sim e não. As comentadoras Catarina e De Puta Madre, nos comentários ao «post» do Pedro Ferreira, têm razão. Por um lado, se o Estado deu autorização para determinadas instituições formarem professores, é porque tinha confiança nelas e reconhecia-lhes todas as condições necessárias. Por outro lado, quando pensamos na forma como determinadas instituições foram legalizadas, sobretudo no período cavaquista, e quando pensamos na sua qualidade, somos obrigados a ficar de pé atrás. A De Puta Madre falou no Piaget – conheço bem o Piaget. Olhem o caso da Universidade Independente. Já pensaram na hipótese do primeiro-ministro José Sócrates poder ser professor? Como diz o meu sobrinho Gustavo, que medo! Ler o resto »

Stomp

22 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto


Coliseu do Porto, ontem à noite

Os Stomp são um grupo fundado em Inglaterra em 1991. Em palco, misturam a dança, o teatro, a música e o humor. Como instrumentos, utilizam objectos do dia-a-dia, como vassouras, caixotes do lixo e quejandos.  Estiveram em Portugal, mais uma vez, durante este mês. O pequeno excerto que apresento resulta de uma pequena gravação (ilegal, claro) que fiz durante o concerto de ontem à noite. Apesar dos 25 euros por um lugar que nem sequer era central (caríssimo!), valeu bem a pena.

Apenas um palhaço

20 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto

 
«Eu continuo a ser apenas uma coisa – um palhaço. O que me coloca a um nível bem mais alto do que o de qualquer político.»

(Charles Chaplin)

Livros da Anita: Uma bela recordação da nossa infância

20 de Fevereiro de 2009 por Ricardo Santos Pinto


Retirado de http://paresdetres.blogspot.com/2008/11/anita.html